sábado, 3 de fevereiro de 2018

TEXTO: JAPONESES NA AMAZÔNIA - JOÃO DANGELO - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO

Texto: Japoneses na Amazônia

          A saga nipônica na imensidão verde, em prosa poética.

        O que os arrasta a essa aventura insana, arrancando raízes do seu chão de origem para alçar-se em voo temerário e fincar os pés em solo estranho e ignaro? O Sonho.
        O que motiva sua ambição e esperança e os faz achar que está além do além o que procuram? O Sonho.

        O que os faz abandonar a ilha estreita para perder-se na largueza e vastidão do verde, trocando o sal do mar pela doçura dos rios? O Sonho.
        O que os alimenta quando falta tudo? O que os faz resistir quando o corpo esmorece pela fadiga e pela doença? O que os impede a prosseguir, quando o solo recusa suas sementes, os interesses aviltam o preço pago pelo fruto de seu trabalho, a saudade da terra distante os invade e instala-se o enorme vazio da desesperança? O Sonho.
        Por que, então, decidem-se, preparam-se e vão-se? Porque sonhar é preciso?
        Não fossem eles os filhos do sol nascente.
        O recenseamento brasileiro de 1875 registrava um japonês na Amazônia.
        Por um largo período de tempo, entre 1929 e os dias atuais, os imigrantes japoneses na Amazônia isolaram-se culturalmente.
        Só a partir de 1960 a prosperidade permitiu o desenvolvimento de atividades culturais e, mais tarde, a relativa integração sócio cultural na sociedade brasileira, a presença dos filhos na universidade, o intercâmbio de valores espirituais e até a miscigenação.
        Mas o que teriam em comum povos tão diferentes, nascidos nos extremos do mundo, frutos de civilizações tão radicalmente diferentes? Os japoneses, de cultura e tradição milenares, desenvolvidas dentro de um isolamento sem precedentes, forjaram uma sociedade peculiar dentro de uma concentração humana asfixiante. Tendo exaurido seus recursos naturais, era imperativo que fizessem da natureza motivo de veneração e respeito; um objeto de arte. Já os brasileiros, mistura liberal de raças de três continentes, de larga influência cultural africana e indígena, disseminaram-se em vastíssimo território, boa parte vivendo na imensidão de floresta e água, onde construíram uma cultura em estreito contato com a natureza.
        É certo, nada tão diferente quanto o bonsai e a castanheira, o delicado ikebana e os gigantescos troncos de cedro, de mogno, de acapu. No entanto, índios e caboclos amazonenses ostentam traços orientais em suas feições: diz-se que têm a mesma origem. Festas populares dos dois povos guardam estranhas semelhanças; no período do Quarup, índios xavantes ensaiam um sumô brasileiro no centro de suas tabas; cerâmicas primitivas, nos dois países, parecem ter saído do mesmo toque, armas indígenas, artesanato e até mesmo comidas típicas assemelham-se no seu aspecto. Afinal, o que se cria, em qualquer parte, é feito por mãos humanas.
        O mundo é grande e pequeno ao mesmo tempo.

                                                                                     João Dangelo.
                                  Extraído do livro O Sol nascente na Amazônia.
                                             Produzido por: Alsiás, São Paulo, 1997.

Entendendo o texto:
01 – O que o autor quer dizer na frase: “arrancando raízes do seu chão de origem para alçar-se em voo temerário e fincar os pés em solo estranho e ignaro?”
      No texto refere-se, ao sonho dos japoneses, em sair do país de origem e tentar uma nova vida no Brasil.

02 – O que faz eles abandonarem a ilha estreita para perder-se na largueza e vastidão do verde?
      O Sonho, de ter uma vida melhor, e poder aplicar todo seu conhecimento, uma vez que aqui possui muita terra a disposição.

03 – Quais os problemas encontrados pelos imigrantes?
      As doenças, o cansaço, a dificuldade no trabalho, a saudade dos familiares e da terra natal; mas, nada atrapalha O Sonho deles.

04 – Por que, então, decidem-se, preparam-se e vão?
      Porque sonhar é preciso. É o que move o ser humano.

05 – A partir d que ano permitiu o desenvolvimento de atividades culturais e a integração sócio cultural?
      A partir de 1960, a presença dos filhos nas Universidades, o intercâmbio de valores espirituais e até a miscigenação.

06 – O que teriam em comum povos tão diferentes, nascidos nos extremos do mundo?
      Os japoneses, de cultura e tradição milenares, desenvolvidas dentro de um isolamento sem precedentes, forjaram uma sociedade peculiar dentro de uma concentração humana asfixiante. Tendo exaurido seus recursos naturais, era imperativo que fizessem da natureza motivo de veneração e respeito; um objeto de arte. Já os brasileiros, mistura liberal de raças de três continentes, de larga influência cultural africana e indígena, disseminaram-se em vastíssimo território, boa parte vivendo na imensidão de floresta e água, onde construíram uma cultura em estreito contato com a natureza.

07 – Quais os povos brasileiros, que apresentam traços orientais em suas feições?
      São os Índios e os caboclos.

08 – No texto há comparações entre as árvores brasileiras e as japonesas, quais são?
·        Bonsai – Castanheira.
·        Ikebana – Cedro, Mogno e acapu.

09 – Por que o autor diz que o mundo é grande e pequeno ao mesmo tempo?
      Porque embora as distâncias sejam enormes, mas os costumes e as culturas são semelhantes. Como se fosse herança de um povo para outro.

10 – Qual o título do texto? E qual é o subtítulo?
      Japoneses na Amazônia. E o subtítulo é A saga nipônica na imensidão verde, em prosa poética.


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