sexta-feira, 4 de março de 2022

HISTÓRIA: TESEU CONTRA O MINOTAURO - MENELAOS STEPHANIDES - COM GABARITO

 História: Teseu contra o Minotauro

     Texto I

        [...]

        -- Viemos aqui para morrer, não para sermos desonrados!

        -- Quem é você, que ousa me fazer advertências? – gritou Minos. – Está esquecendo que sou rei da poderosa Creta? E se isso não bastar, fique sabendo que sou filho de Zeus, pois parece que você não sabe!

        Em seguida olhou o céu, ergueu os braços para o alto e gritou:

        – Zeus, meu pai, por favor, mostre quem eu sou!

        E então, imediatamente, um raio brilhou no céu sem nuvens, sinal de que Zeus reconhecia seu filho.

        Teseu ficou surpreso, mas nem naquela hora perdeu sua coragem:

        – Se isso tem tanta importância – disse – então eu devo dizer que também sou filho de Poseidon!

        Minos não acreditou nele:

        -- Se você é filho de Possêidon, então poderá me trazer isto aqui de volta!

        E tirou seu anel, lançando-o em seguida, com força, bem longe, no meio do mar profundo.

        Imediatamente, Teseu, dando um mergulho, desapareceu nas águas profundas. Passou-se um bom tempo sem que ele reaparecesse. Todos diziam que ele devia ter se afogado, e Minos acrescentou:

        -- Que pena! O Minotauro vai comer um a menos!

        Porém Ariadne, a filha de Minos, que também estava entre os presentes, encobriu o rosto e secretamente enxugou suas lágrimas. Prestara atenção em Teseu desde o primeiro momento, e a ousadia dele a havia comovido. De imediato, um forte amor se aninhou dentro dela enquanto uma flecha de Eros, o filho alado da deusa Afrodite, trespassava-lhe o coração. Dessa maneira, agora estava sofrendo com a dor pelo desaparecimento do brilhante e valoroso jovem.

        Teseu, contudo, não estava perdido. Assim que mergulhou na água, golfinhos o apanharam e conduziram sem demora até o palácio do deus mar, Possêidon, o Abalador da Terra, irmão de Zeus e nada inferior em força ao deus que detém os raios em suas mãos.

        Em um trono majestoso, que parecia uma imensa concha, sentava-se o deus que governava as ondas. Ao seu lado estava a belíssima Anfitrite, esposa do eminente deus. Perto deles encontravam-se Triton e muitas outras divindades marinhas.

        Possêidon recebeu Teseu com alegria e, assim que ouviu o porquê de ele ter descido ao seu reino aquático, ordenou a Triton que corresse para trazer o anel. O deus marinho não demorou a voltar, juntamente com uma multidão de Nereidas. Uma delas trazia o anel e o entregou a Teseu. Imediatamente então. Anfitrite colocou sobre os cabelos dele uma coroa de ouro e Possêidon, que percebera que Teseu não devia se demorar mais, ordenou a Triton e às Nereidas que o conduzissem à praia.

        Teseu saiu do mar no momento em que todos se preparavam para ir embora. De repente alguém gritou:

        -- Teseu! Teseu voltou!

        Ao vê-lo, Minos não ousava crer em seus próprios olhos! Além de Teseu não ter se afogado, usava uma coroa na cabeça, toda de folhas de ouro! Mas o rei de Creta ficou ainda mais surpreso quando se aproximou e recebeu dele o anel que havia lançado ao mar. Percebera agora que Teseu não era um mortal comum, e teve medo dele. Por isso, disse ao seu séquito:

        -- Esse deve ser o primeiro a ser comido pelo Minotauro!

        Escutando as palavras de seu pai, Ariadne ficou mortificada. Tinha pena de todos os rapazes e moças, mas ouvir tais palavras sobre Teseu era como se um punhal lhe atravessasse o coração.

        [...]

Menelaos Stephanides. Teseu, Perseu e outros mitos. São Paulo: Odysseus, 2000. p. 97-100.

Texto II    

        Com o novelo escondido debaixo do braço, Ariadne correu para encontrar Teseu:

        – Sou filha de Minos – disse-lhe. – Meu nome é Ariadne e, por mais estranho que possa lhe parecer, não quero que você pereça. Preferiria morrer, se você morresse!

        Teseu ficou surpreso. Lembrou-se, contudo, de que havia pedido a ajuda de Afrodite e compreendeu prontamente. Olhou Ariadne. Era belíssima, como uma deusa. Admirou a coragem dela, ficou maravilhado com sua beleza e também se apaixonou por ela de imediato.

        -- Não vim aqui para morrer – respondeu – e sim para matar o Minotauro!

        -- Isso ninguém pode – disse Ariadne – E no entanto algo me diz que você conseguirá... Mas de qualquer maneira não poderá ver de novo a luz do sol, porque quem entra no Labirinto não consegue encontrar a saída. Foi por isso que vim vê-lo. Tome este novelo. Quando entrar no Labirinto, amarre a ponta do fio junto à entrada e siga em frente, desenrolando-o. É a única maneira de você não se perder. Na volta, enrolando de novo o fio, encontrará a porta. Quero apenas que depois disso você não me deixe em Creta, pois meu pai poderia até mesmo me matar! [...]

        O herói ficou entusiasmado. – Obrigado, grande deusa! Disse quando se viu sozinho. E pela manhã, quando o colocaram no Labirinto, amarrou o fio na entrada, conforme Ariadne lhe havia dito, e prosseguiu, desenrolando o novelo. O caminho dentro do Labirinto era interminável e inimaginavelmente confuso. Ora ia por lá, ora por aqui, ora voltava para trás, depois de novo para frente, e pela direita, pela esquerda, para cima e para baixo... E assim Teseu caminhou por muito tempo até que, de repente, onde menos esperava, viu o Minotauro diante de si!

        A luta com a fera imediatamente teve início. O terrível monstro investia com os chifres contra Teseu. O jovem herói, porém, muito ágil, foi para o canto para se proteger, golpeando-o no flanco com a espada. Porém o golpe pouco dano causou ao Minotauro, que investia mais e mais. Mas sempre Teseu conseguia desviar-se das investidas da fera; e assim, não sofreu nada.

        Até que, num dado momento, a fera, visivelmente extenuada, quis tomar fôlego. Teseu não perdeu a oportunidade. Imediatamente a agarrou pelos chifres e com uma força inacreditável atirou-a no chão e enfiou depressa a espada em seu peito. E esse foi o seu fim! Não seriam mais necessárias outras vítimas para o monstro do Labirinto!

        O herói olhou o cadáver do Minotauro, enxugou o suor da testa e pensou: “Agora só me resta encontrar a saída”. E começou a sair, enrolando de novo o fio do novelo. E felizmente ele tinha aquele novelo, porque, ao passo que algo lhe dizia que devia seguir por um lado, o fio o conduzia por outro. E quando novamente achava que determinado caminho era o certo, o fio seguia por outro. Perplexo, Teseu não podia entender por que o fio o conduzia por entre passagens tão inacreditáveis, até que, certa hora, viu de repente a saída diante de si.

        -- Se não tivesse esta linha, estria perdido – disse – Ariadne me salvou!

        E eis que a linda moça o esperava na saída. Estava sozinha. Felizmente, Mimos não havia se preocupado em colocar sentinelas, pois pensava ser totalmente dispensável.

        Chorando de alegria, a filha de Minos caiu nos braços de Teseu. E este não tinha palavras para agradecer-lhe. Apenas lhe entregou o novelo, o “fio de Ariadne”, como ficou conhecido desde então.

        [...]

Idem, p. 103-5.

Fonte: Livro- PORTUGUÊS: Linguagens – Willian R. Cereja/Thereza C. Magalhães – 6ª Série – 2ª edição - Atual Editora – 2002 – p. 14-9.

Entendendo a história:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

·        Afrodite: a deusa do amor, também conhecida como vênus.

·        Apreensivo: preocupado, receoso.

·        Extenuado: cansado, enfraquecido.

·        Flanco: um dos lados do corpo.

·        Mortificada: atormentada, muito preocupada.

·        Nereidas: na mitologia grega, ninfas marinhas filhas de Nereu.

·        Possêidon: o deus do mar, também conhecido como Netuno, responsável pelos terremotos, motivo pela qual é chamado de o Abalador da Terra.

·        Perecer: morrer.

·        Séquito: conjunto de pessoas que acompanham outra(s).

·        Trespassar: atravessar, furar.

·        Zeus: o pai dos deuses e dos homens, também conhecido como Júpiter ou Jove.

02 – As ações e atitudes de Teseu demonstram que ele é diferente dos homens comuns. Que fatos ocorridos no encontro entre Teseu e Mimos comprovam essa afirmação?

       Teseu ousa se dirigir ao rei e repreendê-lo; além disso, aceita o desafio do rei e lança-se ao mar, em busca do anel.

03 – Leia o boxe abaixo, que fala da origem de Teseu.

        A VERDADEIRA ORIGEM DE TESEU

        Havia muitos anos Egeu era casado, mas não conseguia ter filhos com sua esposa.

        Desesperado, pede ajuda à feiticeira Medéia, que lhe promete um filho sob algumas condições.

        Depois disso, certa noite Egeu vai visitar Piteu, rei de Trezena, e se embebeda com vinho que o amigo lhe oferece.

        Na manhã seguinte, quando acorda, percebe que passara a noite com Etra, filha de Piteu, e acredita que é ela a escolhida para lhe dar um filho.

        De fato, nove meses depois Etra dá à luz Teseu. Porém a criança era, na verdade, filha de Etra e Possêidon, deus do mar, pois Egeu realmente não podia ter filhos.

O Teseu de ouro (1880), H. J. Draper.

a)   Que informação do boxe explica por que Teseu é tão bem recebido por Possêidon?

A informação de que Teseu ra, na verdade, filho de Possêidon.

b)   Qual é, então, a razão de Teseu ser tão diferente dos homens comuns?

Teseu era filho de um deus.

04 – Nas religiões cristã, judaica e muçulmana, Deus é considerado um ser que está acima dos homens e não se mistura com eles nem se envolve diretamente em seus problemas. Observe o comportamento dos deuses da mitologia grega citados no texto: Possêidon, Afrodite, Eros e Zeus.

        Esses deuses gregos têm comportamento semelhante ao que tem o Deus das religiões cristã, judaica e muçulmana? Justifique sua resposta com exemplos do texto.

      Não; os deuses da mitologia grega brigam entre si, disputam para ver quem tem maior poder, interferem na vida dos seres humanos e até têm filhos com eles.

05 – Ariadne se apaixona por Teseu ao conhecê-lo.

a)   Que qualidade de Teseu atraiu a atenção de Ariadne?

A ousadia, conforme a afirmação do trecho “a ousadia dele a havia comovido”.

b)   Por que os sentimentos de Ariadne a colocam numa situação difícil?

Porque amar Teseu e ajuda-lo significa ir contra a vontade do seu pai.

06 – Teseu, vendo-se em dificuldades, pede ajuda à deusa Afrodite. De fato, ele é ajudado, e a ajuda vem por meio de Ariadne, que lhe dá o novelo de linha. Porém, essa ajuda tem uma consequência.

a)   Qual é a consequência da ajuda providenciada por Afrodite?

Teseu, ao conhecer Ariadne, apaixona-se por ela.

b)   Que qualidades de Ariadne chamaram a atenção do herói?

Sua beleza e sua coragem.

07 – Vencer o Minotauro era uma tarefa impossível para um homem comum. Nem mesmo os golpes de espada de Teseu faziam o monstro se abalar. Entretanto, não podendo vencê-lo pela força, o herói usou uma técnica que o levou à vitória.

a)   Qual foi essa técnica?

Teseu primeiro se defendeu dos golpes do Minotauro até cansá-lo; depois, quando este se cansou, lançou-o ao chão para cravar-lhe a espada no peito.

b)   Veja este conjunto de qualidades que os heróis geralmente apresentam:
valentia – honra – força – astúcia – liderança.

b) A técnica utilizada por Teseu é exemplo de qual dessas qualidades?

      É exemplo de astúcia.

c)   As demais qualidades também se aplicam a Teseu? Justifique.

Sim, Teseu era valente, forte, honrado e se impôs como líder ao decidir combater o Minotauro e salvar a vida das sete moças e dos sete rapazes que seriam devorados pelo monstro.

08 – Releia este trecho do texto em estudo, observando a palavra destacada:

        “De imediato, um forte amor se aninhou dentro dela enquanto uma flecha de Eros [...] trespassava-lhe o coração”. Que palavras poderiam substituir aninhou, nesse contexto?

      Abrigou, alojou.

09 – Compare estes dois enunciados:

        “Trespassava-lhe o coração”

        Beijava-lhe as mãos com carinho.

        Nesses enunciados, o pronome oblíquo lhe tem valor de um pronome possessivo. Que pronomes possessivos poderiam substituir o pronome oblíquo nos enunciados?

      Seu e suas, respectivamente.

10 – Observe estas palavras do texto e o sentido que apresentam:

        Interminável: o que não pode terminar.

        Inimaginável: o que não se pode imaginar.

a)   Conclua: Que sentido tem a partícula in- colocada no início dessas palavras?

A partícula in- tem sentido de negação.

b)   Empregando in-, forme palavras com o seguinte sentido:

·        O que não se pode calcular: incalculável.

·        O que não se pode pensar: impensável.

·        O que não se pode dizer: indizível.

·        O que não se pode contar: incontável.

11 – Observe este trecho:

        “[Teseu] Ora ia por lá, ora por aqui, ora voltava para trás”.

a)   O que a expressão ora... ora dá a entender sobre o comportamento de Teseu no Labirinto?

Que ele não sabia para onde ir, estava confuso sobre qual direção tomar.

b)   Escreva uma frase a respeito do comportamento do Minotauro durante a luta, empregando também ora... ora.

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: O Minotauro ora atacava, ora se defendia, ora avançava, ora recuava, ora feria, ora era ferido.

 

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