terça-feira, 10 de novembro de 2020

POEMA: O MARTÍRIO DO ARTISTA - AUGUSTO DOS ANJOS - COM GABARITO

 POEMA: O MARTÍRIO DO ARTISTA


   Augusto dos Anjos 

Arte ingrata! E conquanto, em desalento,
A órbita elipsoidal dos olhos lhe arda,
Busca exteriorizar o pensamento
Que em suas fronetais células guarda!

Tarda-lhe a Ideia! A inspiração lhe tarda!
E ei-lo a tremer, rasga o papel, violento,
Como o soldado que rasgou a farda
No desespero do último momento!

Tenta chorar, e os olhos sente enxutos!...
É como paralítico que, à míngua
Da própria voz, e, na, que ardente o lavra,

Febre de, em vão, falar, com os dedos brutos
Para falar, puxa e repuxa a língua,
E não lhe vem à boca uma palavra!

 

Entendendo o poema

1)   Augusto do Anjos é autor de um único livro, EU, editado pela primeira vez em 1912. Outros poema acrescentaram-se às edições posteriores.

Considerando a produção literária desse poeta, é correto dizer que:

a)   foi recebida sem restrições no meio literário de sua época, alcançando destaque na história das formas literárias brasileiras.

b)   revela uma militância político-ideológica que o coloca entre os principais poetas brasileiros de veia socialista.

c)   foi elogiada pela crítica de sua época, entretanto não representou um sucesso de público.

d)   traduz a sua subjetividade pessimista em relação ao homem e ao cosmos, por meio de um vocabulário técnico-científico-poético.

e)   Anuncia o Parnasianismo, em virtude de suas inovações técnico-científicas e de sua temática psicanalítica.

 2)   A leitura do poema revela a expansão de um “tema” designado, no título por “O Martírio do Artista”.

              Esse tema é:

     a)   a falta de inspiração.

     b)   o desânimo.

     c)   a difícil arte da escrita.

    d)   a debilidade física do poeta.

    e)   a violência.

 3)   Localize no poema versos onde o eu lírico faz comparação e copie-os.

             “E ei-lo a tremer, rasga o papel, violento,

             Como o soldado que rasgou a farda

             No desespero do último momento”.

 

           “Tenta chorar, e os olhos sente enxutos!...

            É como paralítico que, à ardente

            o lavra.”

         4)   O eu lírico conta algo que:

    a)   Está acontecendo no presente.

    b)   Aconteceu em um passado bem próximo.

    c)   Aconteceu num passado distante.

   d)   Acontecerá num futuro bem próximo.

 5)   É possível fazer uma reflexão com a leitura do poema sobre o ato de escrever? Você concorda com as afirmações feitas pelo eu lírico?

                 Resposta pessoal.

          6)   Identifique a opção que completa corretamente o enunciado a seguir.

              Pode-se afirmar que o poema cumpre seu objetivo, pois

     a)   simplesmente passa informações;

     b)   provoca emoções e reflexões;

     c)   serve de diversão;

    d)   modifica o comportamento.

7)   O que o poema de Augusto dos Anjos procura expressar através de seus versos?

           A angústia, a inquietude e o frenesi de um artista, diante da incapacidade de conseguir expressar, em toda sua potência ou máxima perfeição e satisfação, a sua forma de expressão, o seu designo artístico.

         8)   No verso: “Arte ingrata! E conquanto, em desalento”.

             Que figura de linguagem há?

         O poeta constrói um diálogo com a Arte, lhe dando um acabamento de personificação.

 

 

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