quinta-feira, 2 de agosto de 2018

TEXTO: SOBRE OS VELHOS - ANA MIRANDA - COM QUESTÕES GABARITADAS


Texto: Sobre os Velhos
        O envelhecimento médio brasileiro enriquecerá a população

     As palavras ancião, velho, velhice são bonitas, são um elogio, assim como jovem, juventude. A pessoa velha também é jovem. E é criança, conserva dentro de si tudo o que viveu. Esse é o encanto da velhice. É o tempo da plenitude.
        Os velhos são pessoas sábias, que têm muito a nos ensinar. Devemos retribuir com veneração, respeito, amor. Não aquele amor bondoso e opressivo, aquela “tirania que inventa cuidados e temores que machucam”. Uma vez saí com minha nora e uma amiga sua, muito gentil, que me dava a mão a cada meio fio da rua, e me enchia de cuidados, tantos que acabei tropeçando. Como escreveu Paulo Mendes Campos, “libertemos os velhos de nossa fatigante bondade”.
        A verdade é que gosto muito dos velhos. Acho bonitas as marcas da vivência, os cabelos brancos, as pausas na fala de um velho, seus silêncios significativos, suas impaciências, nossa fragilidade humana exposta, sua experiência. Sempre gostei de pessoas experientes, porque sempre gostei de aprender. Desde menina procurei a companhia de pessoas mais velhas. E hoje me sinto uma pessoa tão velha, tão velha como se tivesse quinhentos anos. E tenho, mesmo, porque escrevi livros passados nos séculos 16, 17, 18, 19 e 20, e é como se eu tivesse realmente vivido nesses tempos. Costumo brincar com o poeta Marco Lucchesi dizendo que ele é o único amigo mais velho do que eu, pois escreve sobre a origem do universo, as estrelas, os desertos. Ainda assim, nunca me sinto à altura de dizer o que diz um velho, nem tenho a mesma intensidade, nem a mesma segurança, não tenho a mesma prudência, nem o mesmo juízo agudo e eficaz. Cada palavra que um ancião diz vem carregada de significados, memórias, histórias vividas, de conhecimentos e autoridade. Suas palavras têm maior peso, maior valor. Ser velho é sinônimo de ser sábio.
        Os velhos vivem um fenômeno curioso chamado ecmnésia. Uma luz misteriosa vem a suas mentes, e eles se recordam cada vez mais de seu passado distante, de sua infância, lembram-se de detalhes, revivem com intensidade coisas acontecidas em suas vidas. Eles gostam de relatar essas memórias, e é maravilhoso ouvi-las. Essa criação inteligente da natureza nasce de um sentimento de preservação da memória, e a memória é uma negação do tempo. Porque o tempo é apenas uma convenção para organizarmos nossa compreensão do mundo. Tudo o que existiu continua a existir, e os velhos nos ensinam essa e outras lições.
        Durante muitos anos, o Brasil foi um país de jovens, quando havia um crescimento da população maior que o crescimento da expectativa de vida. Hoje, as pessoas nascem menos e vivem mais. O Brasil está se tornando um país de velhos, e imagino que isso vá melhorar as coisas. A pressa, o ímpeto, a rebeldia, o sentimento de imortalidade, a descrença, a falsa sensação de que sabem tudo, essas coisas dos jovens, vão dar lugar à experiência, maturidade, fé, e maior capacidade de amor e compreensão.
        Cuidado, jovens, aí vêm os velhos, furiosos.
                                            
       Ana Miranda é escritora, autora de Boca do Inferno, Desmundo,
                            Amrik, Dias & Dias, Deus-dará, entre outros livros.
                                              www.anamirandaliteratura.hpg.com.br
                Extraído da revista Caros Amigos, n° 92, novembro/2004.

Entendendo o texto:
01 – Por que o subtítulo diz que o envelhecimento enriquecerá a população?
      Porque os velhos são pessoas sábias, que têm muito o que ensinar para os jovens.

02 – Por que a autora, no título do texto, coloca o nome “Sobre os Velhos”?
      Porque ela acha um palavra bonita, assim como ancião, velhice são elogios.

03 – A autora diz que toda pessoa velha também é jovem, o que ela quis dizer?
      Que a pessoa velha conserva dentro de si tudo o que viveu quando criança (jovem).

04 – De acordo com o texto, o que é o tempo da plenitude?
      É o tempo que os idosos tem para que possam usufruir das coisas boas da vida, que quando jovens não foi possível.

05 – Qual é o tipo de cuidado e gratidão, que temos que ter com os idosos e qual não podemos ter?
      Temos que retribuir com veneração, respeito e amor. E nunca com aquele amor bondoso e opressivo. Aquela “Tirania que inventa cuidados e temores que machucam”.

06 – Quais são as marcas da vivência dos velhos?
      Os cabelos brancos; As pausas na fala; Os silêncios significativos; Suas impaciências; Sua fragilidade humana e suas experiências.

07 – De acordo com a autora, cada palavra de um idoso, vem carregado de significados, quais são?
      Vem carregados de memórias; histórias vividas; de conhecimentos e autoridades.

08 – Os velhos vivem um fenômeno curioso chamado ecmnésia, o que significa?
      É um tipo de amnésia, em que o indivíduo conserva a memória de fatos anteriores, revivem com intensidade coisas acontecidas em sua vida passada.

09 – Por que o Brasil durante muitos anos, foi considerado um País de jovens?
      Porque havia um crescimento da população maior que o crescimento da expectativa de vida.

10 – De acordo com o texto, o Brasil está se tornando um País de velhos, o que a autora quis dizer?
      Que a pressa, o ímpeto, a rebeldia, o sentimento de imortalidade, a descrença, a falsa sensação de que sabem tudo, essas coisas dos jovens, vão dar lugar à experiência, maturidade, fé, e maior capacidade de amor e compreensão.

11 – Por quem foi escrito este texto?
      Pela escritora Ana Miranda.


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