domingo, 12 de agosto de 2018

CRÔNICA: A OUTRA NOITE - RUBEM BRAGA - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO

Crônica: A outra noite

        Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite de vento sul e chuva, tanto lá como aqui. Quando vinha para casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana; e contei a ele que lá em cima, além das nuvens, estava um luar lindo, de Lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a cidade eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas, uma paisagem irreal.
        Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou um sinal fechado para voltar-se para mim:
        – O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua conversa. Mas, tem mesmo luar lá em cima?
        Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e torpe havia uma outra - pura, perfeita e linda.
        – Mas, que coisa. . .
        Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu fechado de chuva. Depois continuou guiando mais lentamente. Não sei se sonhava em ser aviador ou pensava em outra coisa.
        – Ora, sim senhor. . .
        E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um "boa noite" e um "muito obrigado ao senhor" tão sinceros, tão veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei.

BRAGA, Rubem. A outra noite. In: PARA gostar de ler:
Crônicas. São Paulo: Ática, 1979.

Torpe: repugnante   
Veementes: animados

Entendendo a crônica:
01 – Como era a noite vista pelo taxista e pelo amigo do narrador?
(  ) calor e chuva                
(X) vento e chuva                          
(  ) luar lindo                       
(  ) lua cheia

02 – Como era a noite para o narrador?
      Um luar lindo, e as nuvens lá em cima eram alvas, uma paisagem irreal.­­­­­­

03 – Considerando a maneira como é narrada, a reação do taxista (no final), pode-se inferir que ele ficou:
(X) sensibilizado com a conversa                                            
(  ) curioso por mais informações.
(  ) agradecido com o presente.                                              
(  ) desconfiado com o pagamento

04 – A outra noite a que o título se refere seria a vista somente pelo narrador ou aquela que o taxista e seu amigo enxergavam?
      Vista pelo narrador.

05 – O que faz com que diferentes personagens vejam diferente noites?
      Cada pessoa tem seu ponto de vista, de acordo com sua visão de mundo.

06 – Que fato do cotidiano a crônica que você leu explora?
      Uma conversa banal sobre o tempo durante uma corrida de táxi.

07 – Nesse texto, o narrador é personagem? Justifique sua resposta copiando um trecho do texto.
      Sim. É personagem, indicado pelo uso da 1ª pessoa:
      “Outro dia fui a São Paulo...”
      “... meu amigo.”
      “E, quando saltei...”



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