Soneto: Eu
cantarei de amor tão docemente
Eu cantarei de amor tão docemente,
por uns termos em si tão concertados,
que dois mil acidentes namorados
faça sentir ao peito que não sente.
Farei que amor a todos avivente,
pintando mil segredos delicados,
brandas iras, suspiros magoados,
temerosa ousadia e pena ausente.
Também, Senhora, do desprezo honesto
de vossa vista branda e rigorosa,
contentar me hei dizendo a menos parte.
Porém, para cantar de vosso gesto
a composição alta e milagrosa,
aqui falta saber, engenho e arte.
Luís de Camões. In: Rimas. Edição de A. J. da Costa Pimpão.
Coimbra, Atlântida
Editora, 1973.
Entendendo o soneto:
01 – Na 1ª estrofe do soneto
de Luís de Camões, o eu-lírico expressa um desejo. Que desejo é esse?
a) De que as pessoas não
devem amar, porque o amor só traz sofrimento e amarguras.
b) De que as pessoas
consertem os seus erros e possam amar verdadeiramente.
c) De decifrar o amor,
porque, para ele, é um sentimento misterioso.
d) De conseguir nesta vida
um amor que possa lhe fazer feliz.
e) De que as
pessoas que não amam, possam desfrutar desse sentimento único, que é o amor.
02 – Ao dizer “Farei
que o amor a todos avivente”, o eu-lírico quer que:
a) o amor preencha o vazio
da vida das pessoas.
b) o amor dê vida,
alegria e transforme as pessoas.
c) o amor conquiste os que
têm medo de amar.
d) as pessoas vivam
exclusivamente pelo amor.
e) as pessoas não queiram
amar, porque ele faz sofrer.
03 – No poema de Luís de
Camões, podemos verificar uma das características do Classicismo. Que
característica é essa?
a) A referência à mitologia
greco-latina.
b) A reverência ao passado
glorioso de Portugal e ao povo português.
c) A preferência
por temas universais, como o amor.
d) A preocupação com os
desconsertos do mundo.
e) O uso da medida velha,
com versos de 5 e 7 sílabas poéticas.
04 – O eu-lírico reconhece,
na última estrofe, que:
a) ele ama
incondicionalmente a sua musa e nada pode mudar isso.
b) ele não é capaz de amar a
senhora na intensidade que ela merece.
c) em seu coração não cabe
amor tão grande e sublime.
d) ele não tem força para
resistir a este amor que o maltrata.
e) ele não tem
competência para descrever poeticamente os gestos da amada.
05 – Ao analisar o gênero
literário poesia, de Luís de Camões, podem ser considerados corretos os itens:
I – O poema, conforme a sua
estrutura, pode ser classificado como soneto.
II – Os três últimos versos
são decassílabos.
III – Em todos os versos do
poema, verificam-se rimas ricas.
IV – A primeira e a segunda
estrofes são denominadas de quarteto.
V – As rimas das duas
primeiras estrofes são, quanto à sua posição na estrofe, classificadas como
paralelas.
a) I, II e IV.
b) I, III e V.
c) II, IV e V.
d) I, II e V.
e) II, III e IV.
06 – Ao analisar a
expressão, “temerosa ousadia”, percebe-se o uso da figura de linguagem:
a) Eufemismo.
b) Metáfora.
c) Ironia.
d) Paradoxo.
e) Prosopopeia.
07 – Ao dizer “aqui falta
saber, engenho e arte”, a palavra “engenho”, neste verso, pode ser substituída
por:
a) sabedoria.
b) orientação.
c) habilidade.
d) humildade.
e) esperteza.
08 – Para facilitar o
entendimento do soneto, copie a primeira e terceira estrofes, desfazendo os
versos e reorganizando o período na ordem direta.
Eu cantarei de
amor tão docemente, por uns termos em si tão concertados, que dois mil
acidentes namorados, faça sentir ao peito que não sente. Também, Senhora,
contentar-me-ei dizendo a menos parte do desprezo honesto de vossa ira branda e
rigorosa.
09 – Qual o número de
sílabas métricas dos versos do soneto?
Dez sílabas
métricas.
10 – Utilizando letras, faça
o esquema das rimas do soneto.
ABBA – ABBA – CDE – CDE.
11 – O tema deste soneto é a
própria poesia lírica amorosa.
a)
Primeira estrofe: Qual é o propósito
anunciado pelo sujeito lírico?
É o propósito de fazer um canto de amor tão doce e tão harmonioso
que até os corações insensíveis se emocionem.
b)
Segunda estrofe: Enumerando as
características com que o amor será descrito em seu canto, o poeta utiliza dois
paradoxos. Reconheça-os.
“Brandas iras” e “Temerosa ousadia”.
12 – Nos dois tercetos, o
poeta diz como será, em seu canto, a descrição da mulher amada.
a)
Como ele vê a mulher: de modo realista ou
idealizado?
De modo idealizado.
b)
Qual a principal característica da mulher?
O pudor, o recato.
c)
O poeta diz que conseguirá descrever apenas
parcialmente o comportamento honesto e recatado de sua amada. No último terceto
ele idealiza também a sua beleza física (o rosto). Ele se julga capaz de
retratá-la? por quê?
Ele não se julga capaz de retratar a beleza física de sua amada
porque, para isso, são insuficientes o seu saber, o seu talento e a sua
eloquência.
Muito obg
ResponderExcluirObrigado!!
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