quarta-feira, 24 de abril de 2019

POEMA: PSICOLOGIA DE UM VENCIDO - AUGUSTO DOS ANJOS - COM QUESTÕES GABARITADAS

Poema: Psicologia de um vencido

              Augusto dos Anjos

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco, 


Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Augusto dos Anjos. Eu e Outras Poesias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.

Entendendo o poema:

01 – A linguagem do poema surpreende e modifica uma tradição poética brasileira, em grande parte construída com base em sentimentalismo, delicadezas, sonhos e fantasias.
a)   Destaque do texto vocábulos empregados poeticamente por Augusto dos Anjos e tradicionalmente considerados antipoéticos.
Carbono, amoníaco, epigênesis, hipocondríaco, verme, etc.

b)   De que área do conhecimento humano provêm esses vocábulos?
Provêm da ciência, particularmente da Química.

02 – O poema pode ser dividido em duas partes: a primeira trata do próprio eu lírico; a segunda, da morte.
a)   Como o eu lírico encara a vida e a si mesmo nas duas primeiras estrofes?
Vê a vida e a si mesmo de forma pessimista, pois entende que o homem é matéria, química, e considera que tudo caminha para a destruição.

b)   Que enfoque é dado à morte nas duas últimas estrofes?
A morte é considerada o destina final de toda forma de vida. Cabe ressaltar também a crueza do tratamento dado à morte, representada pela imagem do verme a comer “sangue podre”.

03 – O título é uma espécie de síntese das ideias do poema. Justifique-o.
      Embora o título contenha a palavra psicologia, o poema detém-se a tratar da matéria das substâncias químicas que formam o eu, evitando maior introspecção. Apesar disso, é possível constatar o negativismo interior do eu lírico, que se considera “vencido” em virtude da fragilidade física do ser humano e da força implacável da morte.

04 – O poema é centrado no eu. Apesar disso, pode-se dizer que suas ideias são universalizantes? Justifique.
      Sim. Porque a condição humana retratada pelo poema (constituição e fragilidade física do ser humano, fatalidade da morte) não é exclusiva do eu lírico, mas universal.

05 – Identifique no texto ao menos uma característica naturalista e outra simbolista.
      A característica naturalista do poema está no cientificismo; A característica simbolista, encontra-se na visão decadentista do eu lírico sobre a vida.

06 – O poema tem como temática:
a)   A influência dos signos do zodíaco sobre a vida humana.
b)   Os medos enfrentados pelos homens durante a infância.
c)   A angústia diante da decomposição fatal do corpo humano.
d)   As doenças que levam o homem à morte.

07 – Apresenta uma comparação os versos:
a)   “Sofro, desde a epigênese da infância
A influência dos signos do zodíaco”.
b)   “Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...”
c)   “E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra”.
d)   “Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que escapa da boca de um cardíaco.”

08 – São palavras que fazem parte do vocabulário científico:
a)   Guerra e terra.
b)   Zodíaco e ânsia.
c)   Inorgânica e epigênese.
d)   Signos e operário.

09 – Segundo os versos do poema, o eu lírico:
a)   É uma pessoa cardíaca.
b)   Declarou guerra à vida.
c)   Sente-se um verme.
d) Considera-se um sofredor.

10 – “Monstro de escuridão e rutilância”, o verso apresenta:
a)   Uma antítese.   
b)   Um eufemismo. 
c)   Uma hipérbole. 
d) Uma metonímia.

11 – O verme representa para o eu lírico:
a)   Uma doença.
b)   Um predador.  
c)   Um aliado.  
d) Uma solução.


Nenhum comentário:

Postar um comentário