quarta-feira, 1 de agosto de 2018

CRÔNICA: O MENINO E O ARCO-ÍRIS - FERREIRA GULLAR - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


Crônica: O menino e o arco-íris

        Era uma vez um menino curioso e entediado. Começou assustando-se com as cadeiras, as mesas e os demais objetos domésticos. Apalpava-os, mordia-os e jogava-os no chão: esperava certamente uma resposta que os objetos não lhe davam. Descobriu alguns objetos mais interessantes que os sapatos: os copos – estes, quando atirados ao chão, quebravam-se. Já era alguma coisa, pelo menos não permaneciam os mesmos depois da ação. Mas logo o menino (que era profundamente entediado) cansou-se dos copos: no fim de tudo era vidro e só vidro.
        Mais tarde pôde passar para o quintal e descobriu as galinhas e as plantas. Já eram mais interessantes, sobretudo as galinhas, que falavam uma língua incompreensível e bicavam a terra. Conheceu o peru, a galinha d´Angola e o pavão. Mas logo se acostumou a todos eles, e continuou entediado como sempre.
        Não pensava, não indagava com palavras, mas explorava sem cessar a realidade.
        Quando pôde sair à rua, teve novas esperanças: um dia escapou e percorreu o maior espaço possível, ruas, praças, largos onde meninos jogavam futebol, viu igrejas, automóveis e um trator que modificava um terreno. Perdeu-se. Fugiu outra vez para ver o trator trabalhando. Mas eis que o trabalho do trator deu na banalidade: canteiros para flores convencionais, um coreto etc. E o menino cansou-se da rua, voltou para o seu quintal. 
        O tédio levou o menino aos jogos de azar, aos banhos de mar e às viagens para a outra margem do rio. A margem de lá era igual à de cá. O menino cresceu e, no amor como no cinema, não encontrou o que procurava. Um dia, passando por um córrego, viu que as águas eram coloridas. Desceu pela margem, examinou: eram coloridas!
        Desde então, todos os dias dava um jeito de ir ver as cores do córrego. Mas quando alguém lhe disse que o colorido das águas provinha de uma lavanderia próxima, começou a gritar que não, que as águas vinham do arco-íris. Foi recolhido ao manicômio.
        E daí?
GULLAR, Ferreira. O menino e o arco-íris. São Paulo: Ática, 2001. p. 5.

Entendendo a crônica:
01 – Identifique:
Título: O menino e o arco-íris.
Autor: Ferreira Gullar.

02 – “Mas logo se acostumou a todos eles”. O termo em destaque refere-se no texto a:
(A) animais no quintal.                          
(B) cadeiras e mesas. 
(C) sapatos e copos.                            
(D) jogos de azar.

03 – Pode-se concluir que o tema do texto é:
(A) a curiosidade.                                
(B) a insatisfação.         
(C) a natureza.                                   
(D) a saudade.

04 – De acordo com o texto, o menino procurava, desde criança, por:
(A) alguma coisa surpreendente.            
(B) galinhas e plantas interessantes.
(C) um arco-íris.                                   
(D) banhos de mar.

05 – “E daí?” A frase final do texto demonstra que a opinião do narrador sobre o destino do menino é de:
(A) pena e desespero.                                 
(B) simpatia e aprovação.
(C) indiferença e conformismo.                     
(D) esperança e simpatia.

06 – “Desceu pela margem, examinou: eram coloridas!”
No trecho, os sinais de pontuação empregados assinalam:
(A) o tédio do menino.                                
(B) a surpresa do menino.
(C) a dúvida do narrador.                            
(D) o comentário do narrador.

07 – Esse texto é:
(A) uma crônica      
(B) uma notícia  
(C)  informativo       
(D) fábula

08 – Como você descreveria o menino?
      Resposta pessoal do aluno.

09 – Por que o menino sempre abandonava as coisas que encontrava?
      Porque ele cansava e queria coisas novas.  

10 – Comente sobre o desfecho do texto, dando sua opinião.
      Resposta pessoal do aluno.




  

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