domingo, 28 de junho de 2026

FÁBULA: A ÁGUA - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Água

 

        Certo dia, um pouco de água, desejou sair de seu lugar habitual, no lindo mar, e voar para o céu.

        Então a água pediu ajuda ao fogo. O fogo concordou e, com seu calor, transformou a água em vapor, tornando-a mais leve que o ar.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi7VBJkOMkVozRbgJMRygRG44_QgWqO976TMySHU8ugE24rU9cB8a5JoMrvOIt7naJPLp6Z3ReOXvsaqt3OeHCbxPFWjxRpBEGYZU8oQOu5bDbVf_ZMfoeI6ML3igK1XRIETDVTnSmoOndxBs4ErnjUD5J3A2jL4MfDFDGFWE8bBQK2zCBzZa0pRN5-Lnw/s320/planeta-agua.jpg


        O vapor partiu para o céu, subindo cada vez mais alto, até finalmente atingir a camada mais fria e mais rarefeita da atmosfera. Então as partículas de água, enregeladas de frio, tornaram a se unir e voltaram a ser mais pesadas que o ar. E caíram sob a forma de chuva. Não se limitaram a cair, mas jorraram como uma cascata em direção à terra.

        A arrogante água foi sugada pelo solo seco e, pagando caro por sua arrogância, ficou aprisionada na terra.

        Moral: Quem se eleva pela soberba e pelo desprezo à sua realidade costuma cair de forma avassalável.

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

Entendendo a fábula:

 

01 – Qual era o desejo inicial do "pouco de água" e por que, considerando o desfecho do texto, o autor a qualifica como "arrogante"?

      O desejo inicial da água era abandonar o seu lugar habitual no lindo mar para voar e habitar o céu. Ela é qualificada como "arrogante" porque o seu desejo não nascia de uma necessidade, mas sim da vaidade de querer estar acima dos outros, rejeitando a sua própria natureza e o lugar harmonioso ao qual pertencia.

02 – Para subir ao céu, a água recorre ao fogo. O que essa aliança simboliza e quais as consequências imediatas e de longo prazo dessa escolha?

      A aliança com o fogo simboliza o uso de meios perigosos ou de parcerias arriscadas para se alcançar um objetivo ambicioso a qualquer custo. A consequência imediata foi o sucesso aparente, pois o calor a transformou em vapor e permitiu que ela subisse. No entanto, a consequência de longo prazo foi a sua destruição e o seu aprisionamento, pois o fogo apenas mudou seu estado temporariamente, deixando-a vulnerável às forças da atmosfera.

03 – O que acontece com a água quando ela atinge a camada mais alta e fria da atmosfera? Como esse trecho pode ser interpretado metaforicamente?

      Ao atingir a camada mais fria e rarefeita, o vapor se condensa devido ao frio, as partículas se unem novamente, tornam-se pesadas e despencam em forma de chuva e cascata. Metaforicamente, isso representa o choque de realidade. Mostra que, por mais alto que alguém suba pela soberba, a realidade de sua própria natureza eventualmente se impõe, e a falta de estrutura para sustentar uma posição tão alta provoca uma queda inevitável.

04 – Compare a situação da água no início da fábula com a sua situação no final. O que mudou e qual a ironia desse castigo?

      No início, a água vivia livre e fluida em um "lindo mar". No final, após tentar subir ao céu, ela acaba sugada pelo solo seco e aprisionada no interior da terra. A ironia reside no fato de que, na tentativa de alcançar a liberdade e a altura máxima do céu, ela acabou perdendo a liberdade limitada que já possuía, terminando em um lugar escuro e presa, justamente por não se contentar com o que tinha.

05 – Como podemos aplicar a lição desta fábula no cotidiano e nas ambições profissionais ou pessoais das pessoas hoje em dia?

      No cotidiano, a fábula serve de alerta contra o alpinismo social ou profissional baseado no ego e na vaidade. Ela ilustra o caso de pessoas que mudam de comportamento, esquecem suas origens ou usam artifícios e alianças duvidosas apenas para alcançar status ou poder. O texto nos lembra que crescer e evoluir é saudável, desde que seja feito com humildade e ética; caso contrário, a busca pelo topo baseada na arrogância pode resultar em um declínio desastroso e no isolamento.

 

 

 

FÁBULA: A ÁRVORE E A VARA - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Árvore e a Vara

 

        Uma árvore que crescia lindamente, erguendo em direção ao céu sua copa de tenras folhas, reclamou da presença de uma vara de madeira velha e seca que estava ao seu lado.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEghR2QIXa1c-yTfAuFs70EuNBj5NYgm8mI0MeLVg6ctCqyL_pZCmKYSn9yAyO4u5XzwfQQdmvzJ55xBRGG_nSAo9yJYrEGjd_fCLcuF9phNJSRvWBL4DWzSbNnz9_Ky4q9cHACrt2BP483CMp0hoLilBQB7F4N01L1lPBXZnhbGIwJA1lJJOQ2amMK1UWo/s320/artigo_490.jpeg


        -- Vara, você está perto demais de mim. Não pode chegar mais para lá?

        A vara fingiu nada ouvir e não deu resposta.

        Em seguida a árvore virou-se para a cerca de espinhos que a circundava.

        -- Cerca, você não pode ir para outro lugar? Você me irrita.

        A cerca fingiu nada ouvir e não deu resposta.

        -- Linda árvore – disse um lagarto, levantando sua sábia cabecinha para olhar para a árvore – você não vê que a vara está mantendo você reta? Não percebe que a cerca está protegendo você contra as más companhias?

        Moral: Muitas vezes, as regras, os limites e o apoio daqueles que são mais experientes (ou que parecem rígidos e incômodos) são exatamente o que nos mantém firmes, protegidos e no caminho certo para crescer com segurança.

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

 

01 – Por que a árvore queria que a vara e a cerca se afastassem dela?

      Porque a árvore era jovem, vaidosa e se achava linda com sua copa cheia de folhas tenras. Ela via a vara como algo "velho e seco" e a cerca como algo "irritante", sem perceber a utilidade real de nenhuma das duas.

02 – Qual foi a reação da vara e da cerca diante das reclamações da árvore?

      Ambas fingiram que não ouviram nada e permaneceram em silêncio, não dando nenhuma resposta aos caprichos e reclamações da árvore.

03 – Quem abriu os olhos da árvore para a realidade e como ele é descrito no texto?

      Foi um lagarto. O texto o descreve como um animal sábio, que levantou sua "sábia cabecinha" para dar um conselho e trazer clareza à árvore.

04 – Segundo o lagarto, qual era a verdadeira função da vara de madeira?

      A função da vara de madeira era dar suporte à árvore, servindo de tutor para garantir que ela crescesse reta e firme, sem se curvar ou quebrar.

05 – O que a cerca de espinhos fazia pela árvore, de acordo com o conselho do lagarto?

      A cerca de espinhos funcionava como uma barreira de proteção, mantendo a árvore a salvo de "mús companhias" (como animais que pudessem comê-la ou destruí-la).

 

 

 

 

FÁBULA: A ÁGUIA - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Águia

 

        Certo dia uma águia olhou para baixo, do alto do seu ninho, e viu uma coruja.

        -- Que estranho animal! – pensou consigo mesma. Certamente não se trata de um pássaro.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgSHM0vjgvcVlszXB1vmWsPWDcz1hyZ9fs-eD0nXxI-Y00BdlMZPXd4w_xnIUjnFOvTqQjcK-DzcsBHn9lPMCWO6RMvxpXdrBRfPXXBasbP3jWK9b3j96oMK5OOeIWp0df7VQmmsrPtvR4ThjVyMl-NuTCtAFe5Ws0Fi00uz8pDFLmiX3kzSZ4chj945sk/s1600/images.jpg


        Movida pela curiosidade, abriu suas grandes asas e pôs-se a descer voando em círculos.

        Ao aproximar-se da coruja perguntou:

        -- Quem é você? Como é seu nome?

        -- Sou a coruja – respondeu o pobre pássaro em voz trêmula, tentando esconder-se atrás de um galho.

        -- Há, há! Como você é ridícula! – riu a águia – sempre voando em torno da árvore. Só tem olhos e penas! Vamos ver – acrescentou, pousando num galho – vamos ver de perto como você é. Deixe-me ouvir sua voz. Se for tão bonita quanto sua cara vou ter que tapar os ouvidos.

        Enquanto isso a águia tentava, por meio das asas, abrir caminho por entre os galhos para apanhar a coruja.

        Porém um fazendeiro havia colocado, entre os galhos da árvore, diversos ramos cobertos de visgo, e também espalhara visgo nos galhos maiores.

        Subitamente a águia viu-se com as asas presas à árvore, e quanto mais lutava para se desvencilhar, mais grudadas ficavam suas penas.

        A coruja disse-lhe:

        -- Águia, daqui a pouco o fazendeiro vai chegar, apanhar você e trancá-la numa grande gaiola. Ou talvez a mate para vingar-se pelos cordeiros que comeu. Você, que passou toda a sua vida no céu, livre de qualquer perigo, tinha alguma necessidade de vir até aqui para caçoar de mim?

        Moral: A arrogância e a vaidade nos cegam para os perigos reais. Não devemos perder nosso tempo menosprezando ou caçoando dos outros, pois a soberba pode nos atrair para armadilhas das quais não conseguiremos escapar. Quem se julga superior e livre de perigos pode cair pela sua própria tolice.

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

 

01 – O que inicialmente motivou a águia a descer do alto do seu ninho para se aproximar da coruja?

      A águia foi movida pela curiosidade. Ao olhar para baixo e ver a coruja, achou-a um animal muito estranho e pensou que certamente não se tratava de um pássaro, decidindo voar até lá para ver de perto.

02 – Como a águia se comportou ao interagir com a coruja e quais características da coruja ela ridicularizou?

      A águia comportou-se de forma arrogante, prepotente e cruel. Ela riu da coruja, chamou-a de ridícula e caçoou de sua aparência física, dizendo que ela "só tinha olhos e penas" e ironizando que a voz dela deveria ser tão feia quanto a sua cara.

03 – Como a águia acabou ficando presa na árvore?

      Enquanto tentava abrir caminho por entre os galhos com as asas para apanhar a coruja, a águia acabou encostando em vários ramos e galhos maiores que um fazendeiro havia coberto com visgo (uma substância grudenta usada para capturar aves). Quanto mais ela lutava para se soltar, mais suas penas ficavam grudadas.

04 – Quais foram as duas possíveis consequências que a coruja previu para o destino da águia após ser capturada pelo fazendeiro?

      A coruja previu que o fazendeiro poderia trancar a águia em uma grande gaiola ou, pior, matá-la para se vingar pelos cordeiros que ela havia comido no passado.

05 – Qual é o principal questionamento que a coruja faz à águia no final do texto e o que esse questionamento revela sobre o erro da águia?

      A coruja questiona por que a águia, que passou a vida inteira livre de perigos no céu, sentiu a necessidade de descer até ali apenas para caçoar dela. Esse questionamento revela que o erro da águia foi agir por pura vaidade e malícia; ela não precisava daquela situação para sobreviver, mas colocou sua própria liberdade em risco apenas pelo prazer de humilhar alguém.

 

 

 

FÁBULA: A ANDORINHA - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Andorinha

 

        A andorinha, com gritos de alegria, voltou para seu antigo ninho.

        Primeiro limpou-o e arrumou-o, e em seguida pôs ovos. Depois chocou-os. Finalmente, quanto os filhotes nasceram, começou a voar para um lado e para outro, indo e vindo do ninho, a fim de alimentar sua grande família.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZXSNPa8UyfRahulQ8BD2otogsM-dCPzNq9L_guIiezWKCsKeWrAkmcgKlIF8W8AMHVOjBR66XC9Exx6XyidITSkD2bQD3vGD1Z1fS9iZu2ImZi0B8qqG9i5olScPzEulhQKXAPYiNJRfT-zbTklEO_dHYXrkPo15U10pTv9zKkSDNqx6LDFd6aG6m888/s1600/images.jpg


        Seu companheiro, em contrapartida, voava o tempo todo. Voava enquanto a andorinha arrumava a casa, enquanto os ovos estavam sendo chocados, e continuou voando todos os dias, de manhã à noite, sem um instante de repouso.

        -- Por que é que você está sempre voando? – perguntaram-lhe um dia.

        -- Porque não gosto de trabalhar – foi a resposta.

        Moral: A preguiça e o egoísmo muitas vezes se disfarçam de "liberdade" ou "estilo de vida".

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

01 – Quais foram as três principais tarefas que a andorinha realizou no início do texto?

      A andorinha primeiro limpou e arrumou seu antigo ninho; em seguida, pôs os ovos e os chocou; e, por fim, começou a voar constantemente para buscar alimento para os filhotes que nasceram.

02 – Qual era o comportamento do companheiro da andorinha enquanto ela cuidava da casa e dos filhotes?

      O companheiro passava o tempo todo voando, de manhã à noite, sem um instante de repouso, não importando se a andorinha estava arrumando o ninho, chocando os ovos ou alimentando a família.

03 – De acordo com o texto, o companheiro da andorinha passava o dia voando porque estava descansando? Explique.

      Não. O texto deixa claro que ele voava "sem um instante de repouso", ou seja, ele gastava muita energia e se esforçava fisicamente, mas fazia isso apenas para si mesmo e não para ajudar nas tarefas necessárias.

04 – Qual foi a justificativa dada pelo companheiro quando lhe perguntaram por que ele voava tanto?

      Ele respondeu de forma sincera e sem rodeios: "Porque não gosto de trabalhar".

05 – Onde está a ironia na resposta e no comportamento do companheiro da andorinha?

      A ironia está no fato de que, para evitar o "trabalho" de cuidar do ninho e dos filhotes, ele passava o dia inteiro voando sem parar, o que exige um esforço físico enorme. Ou seja, ele trabalhava duro voando, mas preferia esse cansaço ao compromisso de assumir as responsabilidades familiares ao lado da companheira.

 

 

 

 

FÁBULA: A AMOREIRA - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

Fábula: A Amoreira

 

        A pobre amoreira não suportava mais aquilo. Agora, que seus galhos estavam novamente carregados de amoras, os insolentes melros bicavam e estragavam todos os ramos com o bico e com as patas.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgl93IZDyIeh0x63hXEXu7pnTFkK-6affOU0OO0wib58Bf29drcpqeBAFmeu7nTNYUgA5suuE3U3yXwyjKgXptjXH0jlt7A16NXCrkGl_-hChM_XUxQuHYU89BnMFMR6TcEPxMpRYWr319X4evGXYVJHhC7c2YEN-SzYhbLLUHy_R0d2yVhZtKeYShZSs/s320/istockphoto-2197969242-612x612.jpg


        -- Por favor – suplicou a amoreira, dirigindo-se ao melro mais importuno – poupe ao menos minhas folhas! Sei que vocês gostam muito dos meus frutos, que são seus preferidos. Porém não me privem da sombra de minhas folhas, que me protegem contra os raios do Sol. E não me estraguem com as patas, não arranquem minha casca macia.

        A essas palavras o melro, ofendido, respondeu:

        -- Silêncio, sua mal-educada! Você não sabe que a natureza fez você produzir essas frutas apenas para me alimentar? Não sabe, sua estúpida, que quando chegar o inverno você vai servir apenas para alimentar o fogo?

        Ao ouvir essas palavras a amoreira pôs-se a chorar baixinho.

        Algum tempo depois o insolente melro caiu numa armadilha preparada por um homem. A fim de construir uma gaiola para o pássaro, o homem cortou os galhos de uma sebe, e coube à amoreira fornecer a madeira para as barras da gaiola.

        -- Oh! Melro, disse a amoreira – ainda estou aqui. Quando você era livre vinha me importunar, e agora são meus galhos que impedem sua liberdade. Ainda não fui consumida pelo fogo, como você disse que ia acontecer. Você não me viu queimada, mas eu estou vendo você prisioneiro.

        Moral: A soberba e a ingratidão mais cedo ou mais tarde cobram o seu preço. Não devemos menosprezar ou humilhar os outros quando estamos por cima (ou em uma posição de privilégio), pois o mundo dá voltas e a vida pode nos colocar em uma posição de total dependência daqueles que um dia maltratamos. Além disso, mostra que a arrogância nos impede de ver o valor do que nos sustenta.

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

01 – Qual era o apelo que a amoreira fez ao melro e por quê?

      A amoreira suplicou para que o melro poupasse ao menos as suas folhas, sua casca macia e seus ramos. Ela entendia que os pássaros gostavam de comer seus frutos, mas precisava das folhas para se proteger dos raios intensos do sol.

02 – Como o melro reagiu ao pedido da amoreira?

      O melro reagiu de forma extremamente arrogante, insolente e ofensiva. Ele chamou a amoreira de "mal-educada" e "estúpida", afirmando que ela existia apenas para alimentá-lo e que, no inverno, ela só serviria para virar lenha no fogo.

03 – O que aconteceu com o melro algum tempo depois de ter humilhado a amoreira?

      O melro acabou caindo em uma armadilha preparada por um homem e foi capturado, perdendo a sua preciosa liberdade.

04 – De que maneira a amoreira acabou fazendo parte do destino do melro na prisão?

      Para construir a gaiola onde o melro ficaria preso, o homem utilizou justamente a madeira dos galhos da amoreira para fazer as barras da gaiola. Assim, a árvore que ele humilhou passou a ser o que limitava a sua liberdade.

05 – No final da fábula, qual o sentido da frase da amoreira: "Você não me viu queimada, mas eu estou vendo você prisioneiro"?

      A frase serve para confrontar a soberba do melro. Ela mostra que a previsão cruel dele (de que ela seria destruída pelo fogo) não se realizou, enquanto o destino dele mudou drasticamente para pior. Ela destaca a ironia da vida: o pássaro que se achava superior e livre terminou preso pelos galhos da árvore que ele tanto desprezou.

 

 

 

 

FÁBULA: A ARANHA E AS ABELHAS - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Aranha e as Abelhas

 

        Certo dia uma aranha encontrou um local onde havia muitas moscas. Imediatamente pôs mãos à obra, tecendo uma teia. Escolheu dois galhos como apoio e começou a trançar para lá e para cá, entre um e outro galho. Tecendo seu fio de prata, construiu sua teia. Quando terminou o trabalho escondeu-se atrás de uma folha.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh-wWMqcxKU7bI0zjirB7vjV3l1IXKJ1QGxlbZgUvOTbyJL6Tr3rYpTTwSVVY441LSNRl5lJ6_i9puSqUu-Wwd_bkOsYLyxtMLeXiOmkGcNjFijisRw6fTBXF1SmY2p5WVBLn65hmBz7Y5f4VhvJa5sEygcfa82GOpTuEmZQjKGP9mBAwpPcDrg2Xuh3Q0/s320/hq720.jpg


        A espera foi breve. Logo uma mosca curiosa viu-se presa à teia. A aranha precipitou-se e devorou a mosca.

        Porém uma vespa, pousada numa flor, a tudo assistira. Imediatamente voou para cima da aranha e furou-a com uma ferroada.

        Moral: Quem vive de armar ciladas para os outros pode acabar sendo vítima de um ataque inesperado.

                                                        Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

01 – O que motivou a aranha a tecer sua teia naquele local específico?

      A aranha escolheu aquele local porque encontrou uma grande concentração de moscas, identificando ali uma oportunidade perfeita para caçar e se alimentar fartamente.

02 – Qual foi a estratégia da aranha após terminar de construir a sua teia?

      Assim que terminou de trançar seus fios de prata entre os dois galhos, a aranha escondeu-se atrás de uma folha para camuflar sua presença e esperar que as moscas caíssem na armadilha sem desconfiar de nada.

03 – A estratégia da aranha funcionou inicialmente? O que aconteceu?

      Sim, funcionou. A espera foi curta e logo uma mosca curiosa ficou presa nos fios. A aranha agiu rápido, precipitou-se sobre a presa e a devorou.

04 – Quem presenciou toda a ação da aranha e onde essa personagem estava?

      Uma vespa assistiu a toda a cena. Ela estava pousada calmamente em uma flor próxima enquanto observava o comportamento da aranha.

05 – Como a história termina para a aranha e qual o significado desse desfecho?

      A história termina com a vespa voando em direção à aranha e dando-lhe uma ferroada. Esse desfecho significa que, no momento em que a aranha se sentia vitoriosa e alimentada, ela baixou a guarda e virou o alvo, mostrando que quem vive de atacar os outros também está vulnerável a ser atacado.

 

 

 

 

sábado, 27 de junho de 2026

FÁBULA: A ARANHA E AS UVAS - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Aranha e as Uvas

 

        Uma aranha observou durante dias a fio os movimentos dos insetos, e notou que as moscas ficavam em torno de um grande cacho de uvas muito doces.

        -- Já sei o que fazer – disse ela para si mesma.

        Subiu para o alto da parreira e, por meio de um tênue fio, desceu até o cacho de uvas, onde instalou-se num pequenino espaço entre duas frutas.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuvFLuv1fEu3cEvwbiGyaaFjfdwyLkRuevSGSQoGkpNvCc5CDw49Zw_pwEVfpunyk7SESMyMkXjfrY_7SeRjvgzN78c2IDpU9T7kxGN01K1CSifKD0pFDpgSaZsvKZOVwE9gl4TsYjWSA_q_gX6xljCH_sr7HPR6Yhrp8YeD4WdJ9l73RVM6sSYRXtv6g/s320/12fa4a30b9ff8efa4e96eed2b2704ac4-2.jpg


        De dentro do esconderijo começou a atacar as pobres moscas que vinham em busca de alimento. Matou muitas delas, pois nenhuma suspeitava que houvesse ali uma aranha.

        Porém em breve chegou a época da colheita.

        O fazendeiro foi para o campo, colheu o cacho de uvas e atirou-o para dentro de uma cesta, na qual se viu espremido junto com os outros cachos.

        As uvas foram a armadilha fatal para a aranha impostora, que morreu exatamente como as moscas que enganara.

        Moral: Quem usa o bem alheio ou um espaço público para benefício próprio e dissimulado acaba colhendo as consequências de sua própria armadilha.

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

01 – O que a aranha observou antes de traçar o seu plano e que conclusão ela tirou?

      A aranha passou dias observando o comportamento dos insetos e notou que as moscas eram muito atraídas por um grande cacho de uvas doces. Ela concluiu que aquele seria o local perfeito para caçar com facilidade.

02 – Como a aranha se instalou no cacho de uvas?

      Ela subiu até o topo da parreira e usou um fio tênue para descer até o cacho, escondendo-se estrategicamente em um pequeno espaço livre entre duas uvas.

03 – Por que a estratégia da aranha foi bem-sucedida no início?

      Porque o esconderijo era perfeito. As moscas vinham apenas em busca do açúcar das uvas e não suspeitavam que uma aranha estivesse escondida ali dentro. Sem notar o perigo, viravam presas fáceis.

04 – Qual acontecimento natural e previsível arruinou o plano da aranha?

      A chegada da época da colheita. O fazendeiro foi ao campo, colheu justamente o cacho onde a aranha estava e jogou-o dentro de uma cesta com vários outros cachos.

05 – No final do texto, a aranha é chamada de "impostora". Por que o texto usa essa palavra e qual foi o fim dela?

      Ela é chamada de impostora porque se aproveitou de algo que não era dela (o fruto da parreira) para se disfarçar e enganar as moscas. O fim dela foi trágico: ela acabou esmagada na cesta junto com as uvas, morrendo de forma tão repentina e fatal quanto as moscas que havia matado.

 

 

 

FÁBULA: A ARANHA E O BURACO DA FECHADURA - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Aranha e o Buraco da Fechadura

 

        Após ter explorado a casa toda, por dentro e por fora, uma aranha resolveu esconder-se no buraco da fechadura.

        Que esconderijo ideal! Pensou ela. Quem jamais havia de imaginar que ela estava ali? E além disso podia espiar para fora e ver tudo o que acontecia.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi8mISmH5GM6r6W-YduOLmtnyAKB0rGsDU2FoTKTheoRXm5lGLMHZYnVtWhHgwKLZcNgJJ7OENILJ81XmpPU2PQBI-QG-DGDhihQudJB0tS5GfUzMktF0LmX0OGwsVRPO7S8NxD69dCsDX2nX_PcGYprRhKsi9zpY_oElxofDbCnOb5jcvxIeUx3Uu9y2I/s1600/267baeb58c0ee8d85faa8caa9779afee.jpg


        Ali em cima, disse ela para si mesma, olhando para o alto da porta:

        -- Vou fazer uma teia para moscas – ali em baixo, acrescentou, observando a soleira – Farei outra para besourinhos. Aqui, ao lado da porta, vou armar uma teiazinha para os mosquitos.

        A aranha estava exultante. O buraco da fechadura proporcionava-lhe uma nova e maravilhosa sensação de segurança. Era tão estreito, escuro, e era revestido de ferro. Parecia-lhe mais inexpugnável que uma fortaleza, mais garantido que qualquer armadura.

        Imersa nesses deliciosos pensamentos, a aranha ouviu o som de passos que se aproximavam. Correu de volta para o fundo de seu refúgio.

        Porém a aranha esquecera-se de que o buraco da fechadura não havia sido feita para ela. Sua legítima proprietária, a chave, foi colocada na fechadura e expulsou a aranha.

        Moral: Não devemos nos apoderar do que não é nosso e nem confiar cegamente em privilégios ou posições que parecem seguras, mas que são temporárias.

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

 

01 – Por que a aranha achou que o buraco da fechadura era o esconderijo ideal?

      Porque ela pensou que ninguém jamais imaginaria que ela estaria escondida ali dentro. Além disso, o local permitia que ela espiasse para o lado de fora e visse tudo o que acontecia na casa.

 

02 – Quais eram os planos futuros da aranha a partir do seu novo refúgio?

      Ela já estava planejando uma grande rede de caça ao redor da porta: queria fazer uma teia no alto para pegar moscas, outra na soleira (embaixo) para pegar besourinhos e uma teiazinha ao lado da porta para capturar mosquitos.

 

03 – Com o que a aranha comparou o buraco da fechadura e por que ela se sentia tão segura?

      Ela comparou o buraco a uma "fortaleza inexpugnável" e a uma "armadura". Sentia-se segura porque o espaço era estreito, escuro e revestido de ferro, o que lhe dava uma forte ilusão de proteção total.

 

04 – O que interrompeu os "deliciosos pensamentos" e os planos de grandeza da aranha?

      O som de passos que se aproximavam da porta. Ao ouvir o barulho, ela correu para se esconder ainda mais no fundo do buraco.

 

05 – Qual foi o grande erro da aranha e como ela foi castigada por ele?

      O grande erro da aranha foi esquecer que o buraco da fechadura não havia sido feito para ela e não lhe pertencia. Ela foi castigada ao ser bruscamente expulsa de sua "fortaleza" pela chave, que era a legítima proprietária do espaço.

 

 

 

FÁBULA: A BORBOLETA E A CHAMA - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Borboleta e a Chama

 

        Uma borboleta multicor estava voando na escuridão da noite quando viu, ao longe, uma luz.

        Imediatamente voou naquela direção e ao se aproximar da chama pôs-se a rodeá-la, olhando-a maravilhada. Como era bonita!

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjw17l5hPYtxGETOjwtMIKBSK4iq7uyenkLEXcKCLK8nowBO7-5W4AH1rb0xrg1CeVH-QNt1kvX7yiGsNvxcavxRI7JIPXNnTQiw2KaeQxxUcNDqB3kRlxCKS_aSYnPqdeqGWMtrtduXpchUa9fV3RX2Rg4pd-OGvDSJ1BLCppTleX6gL428qZbLBMl_Lc/s320/maxresdefault.jpg


        Não satisfeita em admirá-la, a borboleta resolveu fazer o mesmo que fazia com as flores perfumadas. Afastou-se e em seguida voou em direção à chama e passou rente a ela.

        Viu-se subitamente caída, estonteada pela luz e muito surpresa por verificar que as pontas de suas asas estavam chamuscadas.

        -- Que aconteceu comigo? – pensou ela.

        Mas não conseguiu entender. Era impossível crer que uma coisa tão bonita quanto a chama pudesse causar-lhe algum mal. E assim, depois de juntar um pouco de forças, sacudiu as asas e levantou voo novamente.

        Rodou em círculo e mais uma vez dirigiu-se para a chama, pretendendo pousar sobre ela. E imediatamente caiu, queimada, no óleo que alimentava a brilhante e pequenina chama.

        -- Maldita luz – murmurou a borboleta agonizante – pensei que ia encontrar em você a felicidade e em vez disso encontrei a morte. Arrependo-me desse tolo desejo, pois compreendi, tarde demais, para minha infelicidade, o quanto você é perigosa.

        -- Pobre borboleta – respondeu a chama – eu não sou o Sol, como você tolamente pensou. Sou apenas uma luz. E aqueles que não conseguem aproximar-se de mim com cautela são queimados.

        Moral: Esta fábula é dedicada àqueles que, como a borboleta, são atraídos pelos prazeres mundanos, ignorando a verdade. Então, quando percebem o que perderam, já é tarde demais.

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

01 – O que atraiu a borboleta em direção à chama e o que ela resolveu fazer ao se aproximar?

      A borboleta foi atraída pela beleza e pelo brilho da luz na escuridão da noite. Ao se aproximar e ficar maravilhada, ela não se contentou em apenas admirá-la; resolveu tratá-la como tratava as flores perfumadas, tentando voar rente a ela e, mais tarde, pousar sobre ela.

 

02 – O que aconteceu na primeira tentativa da borboleta de se aproximar da chama e qual foi a sua reação?

      Na primeira tentativa, ela passou rente à chama e caiu estonteada, com as pontas das asas chamuscadas. Sua reação foi de total surpresa e incompreensão, pois ela achava impossível que algo tão bonito pudesse lhe causar algum mal.

 

03 – Por que a borboleta insistiu em voar em direção à chama mesmo depois de ter se machucado a primeira vez?

      Porque ela foi ingênua e não conseguiu entender o perigo. Ela se deixou guiar pela ilusão de que encontraria a felicidade na luz, recusando-se a acreditar que a beleza da chama escondia uma ameaça real.

 

04 – Como foi o fim da borboleta e o que ela lamentou em suas últimas palavras?

      Em sua segunda tentativa, a borboleta caiu queimada diretamente no óleo que alimentava a chama. Em suas últimas palavras, ela amaldiçoou a luz, lamentando ter sido guiada por um "tolo desejo" e confessando que compreendeu o perigo tarde demais.

 

05 – Qual foi a explicação dada pela chama sobre a tragédia da borboleta?

      A chama explicou que a borboleta foi tola ao confundi-la com o Sol. Ela afirmou que era apenas uma luz comum e deixou claro que a culpa da tragédia foi da própria borboleta, pois aqueles que não se aproximam dela com cautela e prudência acabam se queimando.

 

FÁBULA: A CASTANHEIRA - I - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Castanheira – I

 

        Um dia uma velha castanheira viu um homem subindo numa figueira.

        O homem puxava os galhos em sua direção e arrancava os figos maduros, comendo-os um por um, mordendo-os com seus fortes dentes.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjm-QqM9MuY6PhD0Dq0jh_hnkOfEGNRafB3agpf7zM3yba6omMZoM_zGtFFM_HVo2ukOEZLuvMpFDnQ1NWUYhrCnh4-PkQNKWt0n_RPg6iPNihDJWZYkebD2YkEqZMBPOxPxzRz_aFkJLksqNyyT0usnnn4J1A8rXyLLb7kx8B9YMFOF_1h7vUgYhpav0o/s320/4711012-castanheiro-conceitos-vetor.jpg 


        Os galhos da castanheira murmuraram:

        -- Oh, figueira, você deve muito menos à Mãe Natureza do que eu! Está vendo o que ela fez por mim? Como preparou e protegeu bem meus filhos queridos! Vestiu-os primeiro com um vestido bem fino sobre o qual colocou uma capa de pele dura, mas forro macio. E não satisfeita por ter me feito esta gentileza, construiu para cada um deles uma casinha bem resistente, e mobiliou-a com espinhos grossos e duros para protegê-los contra as mãos dos homens.

        Quando a figueira e os figos ouviram isso, puseram-se a rir, e depois de rir um bom momento, a figueira respondeu:

        -- Mas será que você realmente conhece os homens? Nada disso adianta, pois eles farão tudo para tirar de você todos os seus frutos. Armados de varas, de paus e de pedras, baterão nos seus galhos para que todos os frutos caiam no chão. E uma vez caídos, vão pisar em cima deles ou esmagá-los com pedras para fazê-los sair de dentro de suas casinhas, tão bem protegidas pelos espinhos. E seus filhos ficarão amassados, quebrados e mutilados. Porém o meu fruto é colhido com delicadeza e só sou tocada por mãos.

        Moral: Uma proteção excessiva ou agressiva muitas vezes atrai uma reação ainda mais violenta daqueles que tentam superá-la.

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

01 – Por que a castanheira se considerava superior e mais favorecida pela Natureza do que a figueira?

      Porque a castanheira tinha orgulho de como seus frutos eram protegidos. Ela se gabava de que a Natureza havia dado aos seus "filhos" um vestido fino, uma capa de pele dura com forro macio e, por fim, uma casinha resistente coberta de espinhos grossos para afastar os homens.

02 – Qual foi a reação da figueira e dos figos ao ouvirem o discurso orgulhoso da castanheira?

      A figueira e os figos não ficaram intimidados; pelo contrário, eles acharam a atitude da castanheira engraçada e puseram-se a rir dela por um bom momento antes de responder.

03 – De acordo com a figueira, de que forma os homens agiriam para conseguir os frutos da castanheira?

      A figueira explicou que os homens usariam a força física e a violência. Eles se armariam com varas, paus e pedras para bater nos galhos da castanheira até que todos os frutos caíssem no chão.

04 – O que aconteceria com os frutos da castanheira depois que caíssem no chão, segundo o relato da figueira?

      Para abrir as "casinhas" espinhosas, os homens pisariam em cima dos frutos ou os esmagariam com pedras. Como resultado dessa violência necessária para vencer os espinhos, as castanhas terminariam amassadas, quebradas e mutiladas.

05 – Qual é o contraste que a figueira apresenta entre o destino dos seus próprios frutos e o dos frutos da castanheira?

      Enquanto os frutos da castanheira sofrem agressões e terminam mutilados devido às suas defesas, os figos — por serem acessíveis e não possuírem espinhos — são colhidos com extrema delicadeza e a árvore é tocada apenas por mãos humanas cuidadosas.

 

FÁBULA: A CASTANHEIRA - II - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Castanheira – II

 

        Em um jardim cercado por um alto muro, diversas árvores frutíferas moravam juntas. Durante a primavera todas ficavam cobertas de flores e no verão ficavam carregadas de frutos. Havia também uma castanheira.

        -- Porque hei de ficar escondida neste jardim? – pensou, certo dia, a castanheira – Vou espichar meus galhos até à estrada para que todos possam ver como meus frutos são bons.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhmx6UhUBlMwpxbxZp-j1emTZBgEZ2fbbpcVXFyQOE4PlWpxHTt384g2VW3FvNH47D4qLfPEGFc9UTrGeDeY76d0Ze2vkAG0-W0lpQ7bO-S3tOv8ylJUfjMSwC7jr63SBngPPVB3_ZSD0HM3TwaX8V1cZH0Q6ubXIS_2cEb2qm2cP-zE15onfpi6zZNHwo/s320/4711012-castanheiro-conceitos-vetor.jpg


        E assim, pouco a pouco, foi espichando seus mais lindos galhos por cima do muro para que todos pudessem vê-los.

        Porém quando os ramos ficaram cobertos de castanhas, os passantes começaram a apanhá-las, e quanto não conseguiam alcançar os galhos, puxavam-nos para baixo com varetas, e, se não tivessem varetas, atiravam pedras.

        Em pouco tempo a castanheira, maltratada e apedrejada, perdeu tanto os frutos quanto a folhagem, e seus pobres galhos quebrados ficaram pendurados para fora do muro.

        Moral: Quem se expõe demais por pura vaidade ou exibicionismo acaba se tornando um alvo fácil para a ganância e a agressividade alheia.

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

 01 – Onde ficava a castanheira no início da história e qual era a situação das árvores naquele lugar?

      A castanheira morava em um jardim protegido por um alto muro, junto com diversas outras árvores frutíferas. Na primavera todas ficavam cobertas de flores e no verão ficavam bem carregadas de frutos, vivendo em segurança.

02 – Qual foi o pensamento que levou a castanheira a mudar de comportamento?

      A castanheira teve um pensamento de vaidade e insatisfação. Ela questionou o porquê de ficar escondida naquele jardim protegido e decidiu que queria mostrar a todos na estrada o quanto os seus frutos eram bons.

03 – O que a castanheira fez para conseguir a atenção das pessoas que passavam na estrada?

      Ela começou a espichar seus galhos mais lindos pouco a pouco, fazendo-os crescer por cima do muro alto do jardim, até que alcançassem o lado de fora.

04 – Como os passantes reagiram ao verem os galhos da castanheira cheios de frutos?

      Os passantes começaram a apanhar as castanhas de forma agressiva. Quando os galhos eram muito altos, eles os puxavam para baixo com varetas e, quando não tinham varetas, atiravam pedras na árvore para derrubar os frutos.

05 – Qual foi o estado final da castanheira após ter seus galhos expostos para fora do muro?

      A castanheira acabou completamente maltratada e destruída. Ela perdeu tanto todos os seus frutos quanto a sua folhagem, e os seus galhos terminaram quebrados e pendurados sem vida para fora do muro do jardim.