Fábula: A Água
Certo
dia, um pouco de água, desejou sair de seu lugar habitual, no lindo mar, e voar
para o céu.
Então
a água pediu ajuda ao fogo. O fogo concordou e, com seu calor, transformou a
água em vapor, tornando-a mais leve que o ar.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi7VBJkOMkVozRbgJMRygRG44_QgWqO976TMySHU8ugE24rU9cB8a5JoMrvOIt7naJPLp6Z3ReOXvsaqt3OeHCbxPFWjxRpBEGYZU8oQOu5bDbVf_ZMfoeI6ML3igK1XRIETDVTnSmoOndxBs4ErnjUD5J3A2jL4MfDFDGFWE8bBQK2zCBzZa0pRN5-Lnw/s320/planeta-agua.jpg O
vapor partiu para o céu, subindo cada vez mais alto, até finalmente atingir a
camada mais fria e mais rarefeita da atmosfera. Então as partículas de água,
enregeladas de frio, tornaram a se unir e voltaram a ser mais pesadas que o ar.
E caíram sob a forma de chuva. Não se limitaram a cair, mas jorraram como uma
cascata em direção à terra.
A
arrogante água foi sugada pelo solo seco e, pagando caro por sua arrogância,
ficou aprisionada na terra.
Moral:
Quem se eleva pela soberba e pelo desprezo à sua realidade costuma cair de
forma avassalável.
Leonardo da Vinci.
Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).
Entendendo a
fábula:
01 – Qual era o
desejo inicial do "pouco de água" e por que, considerando o desfecho
do texto, o autor a qualifica como "arrogante"?
O desejo inicial da água era abandonar o seu lugar habitual no lindo mar para voar e habitar o céu. Ela é qualificada como "arrogante" porque o seu desejo não nascia de uma necessidade, mas sim da vaidade de querer estar acima dos outros, rejeitando a sua própria natureza e o lugar harmonioso ao qual pertencia.
02 – Para subir ao
céu, a água recorre ao fogo. O que essa aliança simboliza e quais as
consequências imediatas e de longo prazo dessa escolha?
A aliança com o fogo simboliza o uso de meios perigosos ou de parcerias arriscadas para se alcançar um objetivo ambicioso a qualquer custo. A consequência imediata foi o sucesso aparente, pois o calor a transformou em vapor e permitiu que ela subisse. No entanto, a consequência de longo prazo foi a sua destruição e o seu aprisionamento, pois o fogo apenas mudou seu estado temporariamente, deixando-a vulnerável às forças da atmosfera.
03 – O que acontece
com a água quando ela atinge a camada mais alta e fria da atmosfera? Como esse
trecho pode ser interpretado metaforicamente?
Ao atingir a camada mais fria e rarefeita, o vapor se condensa devido ao frio, as partículas se unem novamente, tornam-se pesadas e despencam em forma de chuva e cascata. Metaforicamente, isso representa o choque de realidade. Mostra que, por mais alto que alguém suba pela soberba, a realidade de sua própria natureza eventualmente se impõe, e a falta de estrutura para sustentar uma posição tão alta provoca uma queda inevitável.
04 – Compare a
situação da água no início da fábula com a sua situação no final. O que mudou e
qual a ironia desse castigo?
No início, a água vivia livre e fluida em um "lindo mar". No final, após tentar subir ao céu, ela acaba sugada pelo solo seco e aprisionada no interior da terra. A ironia reside no fato de que, na tentativa de alcançar a liberdade e a altura máxima do céu, ela acabou perdendo a liberdade limitada que já possuía, terminando em um lugar escuro e presa, justamente por não se contentar com o que tinha.
05 – Como podemos
aplicar a lição desta fábula no cotidiano e nas ambições profissionais ou
pessoais das pessoas hoje em dia?
No cotidiano, a fábula serve de alerta
contra o alpinismo social ou profissional baseado no ego e na vaidade. Ela
ilustra o caso de pessoas que mudam de comportamento, esquecem suas origens ou
usam artifícios e alianças duvidosas apenas para alcançar status ou poder. O
texto nos lembra que crescer e evoluir é saudável, desde que seja feito com
humildade e ética; caso contrário, a busca pelo topo baseada na arrogância pode
resultar em um declínio desastroso e no isolamento.
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