domingo, 28 de junho de 2026

FÁBULA: A ÁGUA - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Água

 

        Certo dia, um pouco de água, desejou sair de seu lugar habitual, no lindo mar, e voar para o céu.

        Então a água pediu ajuda ao fogo. O fogo concordou e, com seu calor, transformou a água em vapor, tornando-a mais leve que o ar.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi7VBJkOMkVozRbgJMRygRG44_QgWqO976TMySHU8ugE24rU9cB8a5JoMrvOIt7naJPLp6Z3ReOXvsaqt3OeHCbxPFWjxRpBEGYZU8oQOu5bDbVf_ZMfoeI6ML3igK1XRIETDVTnSmoOndxBs4ErnjUD5J3A2jL4MfDFDGFWE8bBQK2zCBzZa0pRN5-Lnw/s320/planeta-agua.jpg


        O vapor partiu para o céu, subindo cada vez mais alto, até finalmente atingir a camada mais fria e mais rarefeita da atmosfera. Então as partículas de água, enregeladas de frio, tornaram a se unir e voltaram a ser mais pesadas que o ar. E caíram sob a forma de chuva. Não se limitaram a cair, mas jorraram como uma cascata em direção à terra.

        A arrogante água foi sugada pelo solo seco e, pagando caro por sua arrogância, ficou aprisionada na terra.

        Moral: Quem se eleva pela soberba e pelo desprezo à sua realidade costuma cair de forma avassalável.

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

Entendendo a fábula:

 

01 – Qual era o desejo inicial do "pouco de água" e por que, considerando o desfecho do texto, o autor a qualifica como "arrogante"?

      O desejo inicial da água era abandonar o seu lugar habitual no lindo mar para voar e habitar o céu. Ela é qualificada como "arrogante" porque o seu desejo não nascia de uma necessidade, mas sim da vaidade de querer estar acima dos outros, rejeitando a sua própria natureza e o lugar harmonioso ao qual pertencia.

02 – Para subir ao céu, a água recorre ao fogo. O que essa aliança simboliza e quais as consequências imediatas e de longo prazo dessa escolha?

      A aliança com o fogo simboliza o uso de meios perigosos ou de parcerias arriscadas para se alcançar um objetivo ambicioso a qualquer custo. A consequência imediata foi o sucesso aparente, pois o calor a transformou em vapor e permitiu que ela subisse. No entanto, a consequência de longo prazo foi a sua destruição e o seu aprisionamento, pois o fogo apenas mudou seu estado temporariamente, deixando-a vulnerável às forças da atmosfera.

03 – O que acontece com a água quando ela atinge a camada mais alta e fria da atmosfera? Como esse trecho pode ser interpretado metaforicamente?

      Ao atingir a camada mais fria e rarefeita, o vapor se condensa devido ao frio, as partículas se unem novamente, tornam-se pesadas e despencam em forma de chuva e cascata. Metaforicamente, isso representa o choque de realidade. Mostra que, por mais alto que alguém suba pela soberba, a realidade de sua própria natureza eventualmente se impõe, e a falta de estrutura para sustentar uma posição tão alta provoca uma queda inevitável.

04 – Compare a situação da água no início da fábula com a sua situação no final. O que mudou e qual a ironia desse castigo?

      No início, a água vivia livre e fluida em um "lindo mar". No final, após tentar subir ao céu, ela acaba sugada pelo solo seco e aprisionada no interior da terra. A ironia reside no fato de que, na tentativa de alcançar a liberdade e a altura máxima do céu, ela acabou perdendo a liberdade limitada que já possuía, terminando em um lugar escuro e presa, justamente por não se contentar com o que tinha.

05 – Como podemos aplicar a lição desta fábula no cotidiano e nas ambições profissionais ou pessoais das pessoas hoje em dia?

      No cotidiano, a fábula serve de alerta contra o alpinismo social ou profissional baseado no ego e na vaidade. Ela ilustra o caso de pessoas que mudam de comportamento, esquecem suas origens ou usam artifícios e alianças duvidosas apenas para alcançar status ou poder. O texto nos lembra que crescer e evoluir é saudável, desde que seja feito com humildade e ética; caso contrário, a busca pelo topo baseada na arrogância pode resultar em um declínio desastroso e no isolamento.

 

 

 

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