terça-feira, 2 de junho de 2026

CONTO: LENDA DOS ESTREMOÇOS - GENTIL MARQUES - COM GABARITO

Conto: Lenda dos Estremoços

         O sol, um sol quente, abrasador, caía implacável sobre o carro onde viajava um homem, uma mulher e uma criança. Este grupo vinha de longe, dos contrafortes da serra. Ódios políticos tinham atirado esta família para a estrada sem fim. O calor apertava. A sede torturava-os. O pó punha-lhes a boca gretada e a língua áspera. Precisavam descansar, fugir ao sol dessa planície imensa que ficava para além do rio Tejo.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgiInzXAGAfNqfpL-VA35iZrq4WKuQFtDaVgvxx6g7_1hBGRmA5VMIeX2kr1tvSdICTaDzWWppspbBwTSJ29xl2V5xxWz1eI4INzCEmg_UvFcTUChSddxLgvoLjHDYZsQiAHNU6Q3aJwDhygqsXfkowTGJIlRbivKqAi5McQMdqU2r5N0MaBd4kHT7BPTg/s320/Estremo%C3%A7os.jpg



        De súbito apareceu uma sombra larga, acolhedora, como um oásis no deserto. O homem refreou o andamento dos cavalos que puxavam a carruagem. Gritou contente para a mulher:

        — Olha que árvore! Que bela! Que majestosa!

        A mulher concordou:

        — É das mais belas que tenho visto!

        Curiosa, a pequenita filha do casal perguntou logo:

        — Mãezinha, como se chama esta árvore?

        Foi o pai quem respondeu:

        — Creio que é um tremoceiro! Não tem, aparentemente, grande importância… Mas a verdade é que oferece uma sombra bem acolhedora!

        A criança olhou os pais. E arriscou:

        — E se ficássemos aqui? Já estou tão cansada… e com tanto calor…

        O homem sorriu:

        — Tens razão, minha filha! Vamos ficar por aqui… Pelo menos estaremos à nossa vontade, livres de inimigos e de más vizinhanças… Vamos! É necessário levantarmos a nossa tenda de campanha, antes que anoiteça.

        A pequenita pulou imediatamente para o solo. Na sua imaginação aquela sombra era o Paraíso…

        — Eu também quero ajudar! Vai ser tão bom… Não teremos que voltar a andar de carro por estes caminhos com tanto sol e tanta poeira!...

        O homem desceu também, acariciou a cabeça da filha e olhou em redor. Lentamente. Atentamente.

        — Isto é grande! Mas não vejo ninguém... Tanto melhor!

        E, na manhã seguinte, quando o Sol veio dar os bons dias ao tremoceiro, encontrou erguida uma barraca de campanha, como que a proclamar a independência dos foragidos naquela terra de liberdade...

        Porém, uma visita inesperada surgiu também, aos primeiros clarões do Sol. Era um velho forte e autoritário, arrimado a um grosso bordão. Havia cólera na sua voz ao interpelar os recém-chegados:

        — Com que direito entrastes nos meus domínios?

        O outro homem sentiu-se ofendido com aquele tom e indagou com altivez:

        — E quem sois vós para me fazerdes semelhante pergunta?

        O velho bateu com o bordão na terra:

        — Sou o dono de tudo isto... de todo este plaino... Do tremoceiro, que plantei por minhas mãos... das árvores que há em redor...

        — E nós somos viandantes... ou para melhor dizer: perseguidos injustamente por delitos que não cometemos...

        O velho resmungou, num ar de suspeita:

        — Talvez assassinos… ou ladrões...

        Desta vez, com grande espanto do próprio velho, foi a criança quem o interrompeu, numa vozita indignada:

        — Senhor! Estais a insultar meus pais e eu não poderei admitir-vos...

        O senhor daquela terra sorriu, irónico, mas a sua voz perdeu o tom colérico:

        — O quê? A formiga já tem catarro? Era o que faltava… uma fedelha a atravessar-se no meu caminho!

        O viandante curvou-se:

        — É uma criança que fala pela voz da verdade! Não tendes o direito de insultar-nos!

        Então, a cólera voltou a apossar-se do velho. A sua expressão tornou-se dura:

        — Fora daqui! Ouvis bem? Fora daqui! Não vos quero ver mais nos meus domínios!... Saireis a bem... ou à força!

        Altivo, o homem que viera de longe retorquiu:

        — Pois já que nos ameaçais... dir-vos-ei que só à força sairemos... se tiverdes poder para isso!

        O grosso bordão do velho bateu com mais vigor ainda na terra.

        — Já que assim o quereis... assim o tereis! Os meus homens não tardarão a expulsar-vos!

        E, ditas estas palavras, ele voltou costas, meteu-se na velha carroça que o esperava — e abalou...


        Mas, pouco tempo depois, voltou com muitos homens armados. A família que viera de longe e acampara ali para encontrar paz e descanso recolheu apressadamente à sua carruagem. A vida estava em perigo e era necessário, mais uma vez, defendê-la.
Com voz cansada e triste, a pobre mãe murmurou numa queixa:

        — Meu Deus! Porque somos tão perseguidos? Não fizemos mal algum e todos nos odeiam! Porquê, meu Deus?... Porquê?

        Mas já o marido lhe recomendava, enérgico:

        — Defende tu aí essa entrada... Eu ficarei aqui a aguentá-los! Não se dirá que um fidalgo como eu se rendeu pela força...

        Um grito abafado veio cortar-lhe o pensamento. Ele olhou a mulher que mostrava uma expressão apavorada.

        — A nossa filha?... A nossa filha onde está, que não a vejo?

        Ele inquietou-se:

        — Mas... vi-a há pouco, junto de ti!

        — Sim… enquanto estávamos descansando... Mas agora... Agora não sei dela!...

        O homem rangeu os dentes:

        — Ah, miseráveis! Se derramam uma gota de sangue que seja da minha filha, hão-de pagar-mo bem caro!

        Entretanto, indiferente ao perigo, a criança tinha atravessado por entre os homens armados e avançara, devagar, como um pequeno gato, ao encontro do velho chefe. Quando este a viu perguntou, espantado:

        — Tu? Aqui? Como ousaste?

        A pequenina sorriu com candura:

        — Com a ajuda de Deus, meu senhor... Preciso falar-vos!

        — Falar comigo?

        Havia desconfiança na voz do velho.

        — Ah! Não será uma armadilha?

        A rapariguinha abriu os olhos num espanto. Num espanto e num sorriso.

        — Armadilha? Oh... Não! Não poderia fazer-vos mal... Sou tão pequena ainda...

        O velho pareceu cair em si. Franziu as espessas sobrancelhas esbranquiçadas e a sua voz soou melhor aos ouvidos da menina:

        — Perdoa-me! Tens razão! Portei-me agora com insensatez. Diz lá o que pretendes...

        Ela mostrou-se alegre.

        — Sabei, senhor… que estive a pensar numa coisa!...

        — Tu... a pensar? E que foi?

        — Ora... Pensei que em volta duma árvore tão bonita como aquele tremoceiro podia construir-se uma povoação também bonita e grande... capaz de causar inveja às outras povoações...

        Foi a vez do velho sorrir à criança.

        — Não é mal pensado! Mas como havemos de a construir?

        — Com boa amizade e paz.

        O velho repetiu as mesmas palavras. Pensativo. Como num eco do seu próprio pensamento.

        — Com boa amizade e paz…

        Então a pequenita prosseguiu com entusiasmo, vendo que a luta se mantinha suspensa, esperando ordem de ataque.

        — Sabei que o meu pai é um grande construtor. A minha mãe ajuda-o em tudo… Se o senhor quisesse… eles poderiam construir aqui uma cidade, dirigindo e aproveitando o trabalho dos seus homens…

        O velho olhava-a espantado. Meneava a cabeça como que duvidoso do que ouvia.

        — Ora esta! Uma catraia como tu... com uma ideia tão grande! Donde te veio semelhante pensamento?

        Ela sorriu, ingénua.

        — Foi Deus Nosso Senhor quem mo deu!

        Houve um momento de silêncio, em que o olhar do velho ficou a perder-se no vasto horizonte. Depois, tomado de súbita energia, gritou para os seus homens:

        — Basta! Pensei melhor e não atacaremos… Podem retirar-se. Daqui em diante, todos seremos bons amigos e companheiros!

        E nesse mesmo dia, com grande jubilo do casal foragido — que voltara a ter junto de si a filhinha adorada mas ignorava ainda tudo quanto se havia passado — o velho chefe procurou o marido e a mulher. Porém desta vez chegou sorrindo:

        — Venho em missão de paz e amizade!

        A mulher respondeu-lhe, já com voz serena:

        — Sede bem-vindo, senhor!

        Afável também, o homem que viera de longe quis demonstrar o seu desejo de confraternização.

        — Tomai um pouco de sombra do tremoceiro!

        O velho acrescentou intencionalmente:

        — Do «nosso» tremoceiro — quereis dizer!

        — Como?

        — De hoje em diante, o tremoceiro pertencerá a todos nós... Sei que sois um grande construtor e vós, senhora, extraordinária ajudante...

        O homem interrompeu-o, perplexo:

        — O quê?... Decerto estais enganado, senhor! Fui, sou e serei unicamente um fidalgo... E esta é a minha esposa, à face de Deus e dos homens!

        — Mas... a vossa filha disse-me...

        Houve um leve sorriso nas expressões do casal.

        — Compreendo agora, senhor! A nossa filha tem uma imaginação prodigiosa e vós… acreditastes...

        O velho olhou a criança. Ela encolheu-se um pouco, entre envergonhada e receosa...

        — Uma fedelha destas a enganar um velho como eu! Mal posso acreditar...

        Mas a sua voz tinha um tom bonacheirão. Cheirava a simpatia. E a pequena ladina pareceu ficar logo mais à vontade. Segurou carinhosamente nas mãos do velho e falou devagar, espiando as reações dele:

        — Oh, meu Senhor... eu não vos enganei... Reparai no que vos disse:

        Com o auxílio de todos, poderemos construir uma grande povoação à volta do tremoceiro... Pois não é verdade?

        O velho voltou a sorrir.

        — Tens razão... O que é preciso é haver boa amizade e paz!

        E sublinhou, puxando-a para si com ternura:

        — Hoje mesmo começaremos todos a construir a nossa terra!
        Dentro em breve, o sonho da rapariguita começou a transformar-se em realidade. Com a ajuda de todos, trabalhando esforçadamente de sol a sol, a povoação ia criando as suas primeiras casas e a sua primeira rua.

        Agora, sim, graças à esperteza e à iniciativa da filhinha, o casal foragido sentiu que conquistara de novo a felicidade.

        E a estimular ainda mais os infatigáveis obreiros da nova povoação, o velho chefe voltou alvoroçado duma das suas viagens habituais.

        — Escutai, amigos! Escutai! Boa nova para todos nós! El-rei D. Afonso III acedeu a dar foral à nossa terra!

        Foi uma alegria. Houve abraços e beijos. Vivas e palmas. Dançou-se e cantou-se, como se todos fossem irmãos.

        Depois, o velho chefe reuniu-os de novo e falou solenemente:

        — Temos de dar um nome à nossa terra... Um nome bonito, sonante, que fique para a posteridade... Qual deve ser esse nome?

        As opiniões começaram logo a dividir-se. Cada um dava a sua ideia. E a ideia de cada um era sempre melhor do que as ideias dos outros... Depressa se estabeleceu a barafunda, até que o velho chefe, com a sua autoridade incontestada, resolveu intervir:

        — Calai-vos! Assim nada conseguiremos. A mim, parece-me que só há aqui uma pessoa capaz de nos indicar um nome bonito... Sabeis a quem me refiro, com certeza. A ela devemos a ideia feliz da fundação da nossa terra. Pois que nos dê também um nome para ela.

        Todos se voltaram para a rapariguita. De acordo. Esperando. Um pouco intimidada por tão grave responsabilidade, mas sempre sorrindo, como fazia nas ocasiões de perigo, a menina avançou por entre os homens e as mulheres que a olhavam ansiosamente e falou. Falou sem tremer a voz. Falou como se estivesse a repetir uma lição já decorada:

        — Bem... Se desejam que seja eu a dar o nome à nossa terra... parece-me que o melhor é pôr-lhe um nome que lembre aquela árvore a que devemos tão boa sombra... Foi a única que sempre aqui nos acompanhou, tal como o Sol e como a Lua... Eu acho portanto que a nossa terra se deve chamar Estremoços!

        Houve um momento de pasmo. E de silêncio. A rapariguita falara tão bem, tão bem, que estavam todos maravilhados.

        E foi afinal o velho chefe quem tomou a palavra em nome de todos:

        — Muito bem!... A garota falou como uma pequena sábia... Na verdade, devemos dar à nossa terra o nome do fruto abençoado que tanto nos ajudou. Os estremoços foram o pão nosso de cada dia...

        Pois também nós seremos sempre leais aos bons estremoços!
E a terra ficou a chamar-se Estremoços — ou, melhor ainda, a Terra dos Estremoços, como então se designavam em linguagem popular os tremoços de hoje... E o seu brasão inicial compôs-se precisamente de um tremoceiro, tendo por cima o escudete das quinas e em redor o Sol e a Lua... a perpetuar assim pelos séculos fora as palavras daquela garota de imaginação prodigiosa que falara, de facto, como uma menina sábia...

        Depois, com o correr dos tempos, tudo se foi alterando... O nome dos estremoços passou a ser apenas tremoços... E a Terra dos Estremoços (ou de Estremoços, como a designaram mais tarde), acabou por se transformar na cidade de Estremoz, que se ergue hoje, altaneira, em pleno distrito de Évora, como uma sentinela do Alentejo.

Gentil Marques 

Entendendo o conto:

 

01 – No início do conto, quais as circunstâncias adversas que motivaram a viagem da família e qual a importância do tremoceiro no momento em que decidem interromper a jornada?

      A família encontrava-se em fuga devido a perseguições motivadas por "ódios políticos" em sua terra natal, nos contrafortes da serra. Eles viajavam sob um sol escaldante e abrasador na planície além do rio Tejo, sofrendo com o pó do caminho, o cansaço e uma sede torturante. O tremoceiro surge nesse cenário como uma "sombra larga e acolhedora", funcionando como um verdadeiro oásis no deserto. A imponência e o frescor da árvore oferecem o alívio físico imediato que a família precisava, motivando-os a montar ali a sua tenda de campanha para se sentirem, finalmente, livres de inimigos.

02 – Ao confrontar a família na manhã seguinte, o velho proprietário demonstra hostilidade. Como a filha do casal reage a essa agressividade e de que forma essa primeira interação prefigura o papel que a criança desempenhará na história?

      Quando o velho acusa a família de ter invadido as suas terras e insinua que eles poderiam ser ladrões ou assassinos, a criança reage com extrema indignação e coragem, interrompendo-o para defender a honra de seus pais. Embora o velho responda inicialmente com ironia ("A formiga já tem catarro?"), a intervenção da menina desarma temporariamente o tom colérico do proprietário. Essa primeira interação prefigura que a criança, apesar de sua aparente fragilidade, possui uma maturidade, audácia e senso de justiça incomuns, indicando que ela seria a chave para a resolução dos conflitos futuros.

03 – Diante da iminência de um ataque armado liderado pelo velho proprietário, a criança adota uma estratégia inusitada. Explique a "mentira ingénua" que ela conta ao velho e qual era o seu objetivo real.

      Ao caminhar destemidamente em direção ao velho chefe entre os homens armados, a menina utiliza-se de uma estratégia de persuasão baseada na imaginação. Ela afirma que seu pai é um "grande construtor" e sua mãe uma excelente ajudante, sugerindo que, em vez de guerrearem, eles deveriam se unir para construir uma grande e bela povoação ao redor do tremoceiro. O objetivo real da criança era paralisar o ataque iminente e salvar a vida de seus pais, substituindo o cenário de violência por uma proposta de cooperação, paz e amizade mútua.

04 – Como o casal reage quando descobre a história inventada pela filha e como o velho proprietário lida com o fato de ter sido, de certa forma, "enganado" por uma criança?

      O casal reage com surpresa e um leve sorriso, esclarecendo prontamente ao velho que o homem é, na verdade, um fidalgo e não um construtor, justificando que a filha possui uma "imaginação prodigiosa". O velho proprietário, ao perceber que acreditou na história de uma "fedelha", mostra-se inicialmente incrédulo, mas reage de forma bonacheirão e simpática. Longe de ficar furioso, ele abraça a ideia da menina com ternura, reconhecendo que a essência da proposta — construir uma comunidade baseada na amizade e na paz — era válida e necessária, independentemente do disfarce inicial.

05 – A lenda menciona um importante marco histórico e político que impulsionou o desenvolvimento da nova povoação. Que marco foi esse e como ele alterou o status da comunidade que estava sendo erguida?

      O marco histórico e político foi a concessão do foral àquela terra por parte de El-rei D. Afonso III. O foral era um documento real de extrema importância na Idade Média, pois garantia autonomia jurídica, administrativa e privilégios aos moradores da nova comunidade. Esse ato real oficializou a existência da povoação, transformando o assentamento informal de foragidos e trabalhadores locais em uma vila formalmente reconhecida pela Coroa, o que gerou imenso júbilo, celebração e um sentimento de irmandade entre todos.

06 – Explique os argumentos utilizados pela menina para sugerir o nome de "Estremoços" para a nova terra e como o velho chefe complementou essa escolha.

      A menina sugeriu o nome "Estremoços" argumentando que a comunidade deveria homenagear a árvore (o tremoceiro) que lhes havia garantido a sombra acolhedora no momento mais difícil de suas vidas, destacando que ela foi a única companheira constante da família, junto com o Sol e a Lua. O velho chefe apoiou e complementou a escolha acrescentando uma razão prática e de sobrevivência: os frutos da árvore (os "estremoços", na linguagem popular da época) funcionaram como o "pão nosso de cada dia" para os trabalhadores durante o esforço da construção, justificando a lealdade da comunidade àquela planta abençoada.

07 – A narrativa conecta elementos lendários à realidade histórica e geográfica de Portugal. De acordo com o desfecho do texto, como a antiga "Terra dos Estremoços" se reflete na geografia e na heráldica atuais?

      A lenda explica que a herança daquela época se reflete diretamente na identidade da atual cidade de Estremoz, localizada no distrito de Évora, no Alentejo, cujo nome atual é uma evolução linguística de "Estremoços" (antiga designação popular para tremoços). Além disso, a narrativa justifica a composição do brasão original da cidade, que trazia a representação de um tremoceiro encimado pelo escudete das quinas (símbolo de Portugal) e ladeado pelo Sol e pela Lua, imortalizando graficamente os elementos naturais citados pela menina sábia na fundação da terra.

 

 

 


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