Conto: A HISTÓRIA DE IAÇÁ
Suely Mendes Brazão
A bela índia Iaçá, da tribo dos
caxinauás, apaixonou-se por Tupá, filho do deus supremo, Tupã.
Com muita inveja de Tupá, o demônio
Anhangá resolveu tomar sua noiva. Para isso, propôs à mãe de Iaçá que impedisse
o casamento da filha, dando-lhe em troca caça e pesca abundantes para o resto
da vida.
Interesseira, a mãe de Iaçá proibiu-a
de ver Tupá e marcou logo o casamento da filha com Anhangá.
Triste e desesperada, a jovem não tinha
outra saída, mas pediu a Anhangá que a deixasse ver Tupá pela última vez, nem
que fosse de longe. Ela sabia que, depois de casada, teria de ir para o
interior da terra, para o inferno, onde morava Anhangá, e nunca mais poderia
chegar perto de Tupá, que vivia no céu, junto com seu pai, Tupã.
Anhangá resolveu atender ao pedido da
moça, mas com uma condição: ela teria de fazer um corte em seu braço, para que
o sangue pingado fosse formando um rastro em sua subida ao céu; desse modo, o
demônio poderia acompanhar sua caminhada.
No dia do casamento, pouco antes da
cerimônia, Iaçá partiu para sua última visita a Tupá. E o sangue de seu braço
foi formando um arco vermelho no céu.
Tupá, que era muito poderoso, mandou
que o sol, o céu e o mar fizessem companhia à jovem em sua viagem, descrevendo
outros três rastros, ao lado do risco vermelho, para confundir Anhangá. O sol,
Guaraci, traçou um arco amarelo; o céu, Iuaca, um arco azul-claro; e o mar,
Pará, um arco azul-escuro.
Iaçá, porém, não conseguiu chegar ao
céu, nem ver Tupá: muito enfraquecida, foi caindo lentamente em direção à
terra. Seu sangue misturou-se primeiro com o traçado amarelo de Guaraci, formando
um rastro laranja, e depois com o arco azul de Iuaca, descrevendo outro rastro,
cor de violeta.
Quando chegou à terra, Iaçá não foi
para o inferno, nem se casou com Anhangá. Morreu numa praia, banhada pelo mar e
pelos raios de sol. De seu corpo, subiu ao céu um arco verde, formado pela
mistura do azul de Pará com o amarelo de Guaraci. Era o sétimo arco, que
acompanhava a trajetória dos seis anteriores. É por isso que o arco-íris tem
sete cores e sempre aparece no céu em forma de arco...
BRAZÃO, Suely Mendes.
Como surgiram os seres e as coisas. Co-edição Latino-americana. São Paulo,
Ática, 1997. p. 13-6.
Fonte: Linguagem Nova.
Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São
Paulo. 2003. p. 24-25.
Entendendo o conto:
01
– Qual foi o conflito principal que desencadeou a separação de Iaçá e Tupá, e
qual foi a motivação do personagem que causou esse impedimento?
O conflito
principal surge quando o demônio Anhangá, motivado pela inveja de Tupá, decide
tomar Iaçá como sua noiva. Para conseguir o que queria, ele propõe um pacto de
interesse com a mãe da jovem índia, oferecendo caça e pesca abundantes para o
resto da vida em troca do cancelamento do casamento de Iaçá com Tupá. A mãe
aceita a proposta por puro interesse material, proibindo a filha de ver seu
amado e marcando o casamento dela com o demônio.
02
– Para se despedir de Tupá, Iaçá precisou aceitar uma condição imposta por
Anhangá. Explique que condição foi essa e qual era o objetivo real do demônio
ao exigi-la.
Anhangá permitiu
que Iaçá visse Tupá pela última vez, desde que ela fizesse um corte em seu
próprio braço. O objetivo do demônio era que o sangue pingado da jovem formasse
um rastro vermelho no céu durante a subida, permitindo que ele monitorasse,
seguisse e controlasse os passos de Iaçá em sua caminhada em direção ao céu.
03
– Como Tupá reagiu para proteger Iaçá da perseguição de Anhangá durante a
viagem dela, e quais elementos da natureza o ajudaram nessa estratégia?
Sendo muito
poderoso, Tupá ordenou que três elementos da natureza fizessem companhia a Iaçá
e criassem rastros coloridos no céu ao lado do risco vermelho de sangue, com o
intuito de confundir Anhangá. Os ajudantes foram: o Sol (Guaraci), que traçou
um arco amarelo; o céu (Iuaca), que traçou um arco azul-claro; e o mar (Pará),
que descreveu um arco azul-escuro.
04
– De acordo com o texto, o enfraquecimento e a queda de Iaçá resultaram na
mistura de cores no céu. Explique como surgiram os rastros laranja e violeta na
narrativa.
Devido ao
sangramento no braço, Iaçá ficou muito enfraquecida e começou a cair lentamente
em direção à Terra. Durante essa queda, o seu rastro de sangue (vermelho)
misturou-se primeiro com o traçado amarelo do sol (Guaraci), gerando a cor
laranja. Em seguida, o sangue misturou-se com o arco azul do céu (Iuaca),
descrevendo o rastro cor de violeta.
05
– O conto de Suely Mendes Brazão funciona como um mito de criação (uma
narrativa que explica a origem de um fenômeno natural). Qual é o desfecho de
Iaçá e como ele explica a origem do arco-íris e suas sete cores?
Iaçá não chega ao
céu e nem vai para o inferno com Anhangá; ela morre em uma praia, banhada pelo
mar e pelo sol. No momento de sua morte, um sétimo arco, de cor verde, sobe de
seu corpo ao céu, gerado pela mistura do azul do mar (Pará) com o amarelo do
sol (Guaraci). A união desse último arco aos seis traçados anteriores
(vermelho, amarelo, azul-claro, azul-escuro, laranja e violeta) explica, de
forma lendária, por que o arco-íris possui sete cores e tem o formato de um
arco.

Nenhum comentário:
Postar um comentário