terça-feira, 2 de junho de 2026

CONTO: A HISTÓRIA DE IAÇÁ - SUELY MENDES BRAZÃO - COM GABARITO

 Conto: A HISTÓRIA DE IAÇÁ

           Suely Mendes Brazão

        A bela índia Iaçá, da tribo dos caxinauás, apaixonou-se por Tupá, filho do deus supremo, Tupã.

 
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi7OPvuvXwHZWbhrtWdCk3wcXeWn_eseWxnPboJr2BIcjbKmi788tLOfI8FL7hF3Ryhhyphenhyphenx2NZO7L1Kgw7gUVVLiUH9vm7QZdIqi1u3uRj0w1kyxZ_Xrf88xZJ4QjBW4-lci93zWMAf5Y_yobCp-CSRRjVQdNOil6YGk9WGUcBYeas7uoP2yzsiBm6MivDA/s1600/IA%C3%87A.jpg

        Com muita inveja de Tupá, o demônio Anhangá resolveu tomar sua noiva. Para isso, propôs à mãe de Iaçá que impedisse o casamento da filha, dando-lhe em troca caça e pesca abundantes para o resto da vida.

        Interesseira, a mãe de Iaçá proibiu-a de ver Tupá e marcou logo o casamento da filha com Anhangá.

        Triste e desesperada, a jovem não tinha outra saída, mas pediu a Anhangá que a deixasse ver Tupá pela última vez, nem que fosse de longe. Ela sabia que, depois de casada, teria de ir para o interior da terra, para o inferno, onde morava Anhangá, e nunca mais poderia chegar perto de Tupá, que vivia no céu, junto com seu pai, Tupã.

        Anhangá resolveu atender ao pedido da moça, mas com uma condição: ela teria de fazer um corte em seu braço, para que o sangue pingado fosse formando um rastro em sua subida ao céu; desse modo, o demônio poderia acompanhar sua caminhada.

        No dia do casamento, pouco antes da cerimônia, Iaçá partiu para sua última visita a Tupá. E o sangue de seu braço foi formando um arco vermelho no céu.

        Tupá, que era muito poderoso, mandou que o sol, o céu e o mar fizessem companhia à jovem em sua viagem, descrevendo outros três rastros, ao lado do risco vermelho, para confundir Anhangá. O sol, Guaraci, traçou um arco amarelo; o céu, Iuaca, um arco azul-claro; e o mar, Pará, um arco azul-escuro.

        Iaçá, porém, não conseguiu chegar ao céu, nem ver Tupá: muito enfraquecida, foi caindo lentamente em direção à terra. Seu sangue misturou-se primeiro com o traçado amarelo de Guaraci, formando um rastro laranja, e depois com o arco azul de Iuaca, descrevendo outro rastro, cor de violeta.

        Quando chegou à terra, Iaçá não foi para o inferno, nem se casou com Anhangá. Morreu numa praia, banhada pelo mar e pelos raios de sol. De seu corpo, subiu ao céu um arco verde, formado pela mistura do azul de Pará com o amarelo de Guaraci. Era o sétimo arco, que acompanhava a trajetória dos seis anteriores. É por isso que o arco-íris tem sete cores e sempre aparece no céu em forma de arco...

BRAZÃO, Suely Mendes. Como surgiram os seres e as coisas. Co-edição Latino-americana. São Paulo, Ática, 1997. p. 13-6.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 24-25.

Entendendo o conto:

01 – Qual foi o conflito principal que desencadeou a separação de Iaçá e Tupá, e qual foi a motivação do personagem que causou esse impedimento?

      O conflito principal surge quando o demônio Anhangá, motivado pela inveja de Tupá, decide tomar Iaçá como sua noiva. Para conseguir o que queria, ele propõe um pacto de interesse com a mãe da jovem índia, oferecendo caça e pesca abundantes para o resto da vida em troca do cancelamento do casamento de Iaçá com Tupá. A mãe aceita a proposta por puro interesse material, proibindo a filha de ver seu amado e marcando o casamento dela com o demônio.

02 – Para se despedir de Tupá, Iaçá precisou aceitar uma condição imposta por Anhangá. Explique que condição foi essa e qual era o objetivo real do demônio ao exigi-la.

      Anhangá permitiu que Iaçá visse Tupá pela última vez, desde que ela fizesse um corte em seu próprio braço. O objetivo do demônio era que o sangue pingado da jovem formasse um rastro vermelho no céu durante a subida, permitindo que ele monitorasse, seguisse e controlasse os passos de Iaçá em sua caminhada em direção ao céu.

03 – Como Tupá reagiu para proteger Iaçá da perseguição de Anhangá durante a viagem dela, e quais elementos da natureza o ajudaram nessa estratégia?

      Sendo muito poderoso, Tupá ordenou que três elementos da natureza fizessem companhia a Iaçá e criassem rastros coloridos no céu ao lado do risco vermelho de sangue, com o intuito de confundir Anhangá. Os ajudantes foram: o Sol (Guaraci), que traçou um arco amarelo; o céu (Iuaca), que traçou um arco azul-claro; e o mar (Pará), que descreveu um arco azul-escuro.

04 – De acordo com o texto, o enfraquecimento e a queda de Iaçá resultaram na mistura de cores no céu. Explique como surgiram os rastros laranja e violeta na narrativa.

      Devido ao sangramento no braço, Iaçá ficou muito enfraquecida e começou a cair lentamente em direção à Terra. Durante essa queda, o seu rastro de sangue (vermelho) misturou-se primeiro com o traçado amarelo do sol (Guaraci), gerando a cor laranja. Em seguida, o sangue misturou-se com o arco azul do céu (Iuaca), descrevendo o rastro cor de violeta.

05 – O conto de Suely Mendes Brazão funciona como um mito de criação (uma narrativa que explica a origem de um fenômeno natural). Qual é o desfecho de Iaçá e como ele explica a origem do arco-íris e suas sete cores?

      Iaçá não chega ao céu e nem vai para o inferno com Anhangá; ela morre em uma praia, banhada pelo mar e pelo sol. No momento de sua morte, um sétimo arco, de cor verde, sobe de seu corpo ao céu, gerado pela mistura do azul do mar (Pará) com o amarelo do sol (Guaraci). A união desse último arco aos seis traçados anteriores (vermelho, amarelo, azul-claro, azul-escuro, laranja e violeta) explica, de forma lendária, por que o arco-íris possui sete cores e tem o formato de um arco.

 

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