Causo (Fabula): A causa da chuva
Não
chovia há muitos e muitos meses, de modo que os animais ficaram inquietos. Uns
diziam que ia chover logo, outros diziam que ainda ia demorar. Mas não chegavam
a uma conclusão.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgSmuOb2OhiqPffh22h5zOnIkYbz2PZbaC4ZzrNAEp7LdRGUBto8CgOKPZjst6_OEHfOAMWCdOu4HVuPWiLjt021nM3kl6qwgrp4WeJ3vU3ATdi-QhA88sBRyg7DArvNGU4_327VxeAuBmSmQTUdU7JZp9lnZqFvDRxAMihTucwaMOxqhxlGEjw3aoVjOk/s320/images.jpg
-- Chove só quando a água cai do telhado de meu galinheiro – esclareceu a
galinha.
-- Ora, que bobagem! - disse o sapo de dentro da lagoa. – Chove quando a
água da lagoa começa a borbulhar suas gotinhas.
-- Como assim? – disse a lebre. – Está visto que só chove quando as
folhas das árvores começam a deixar cair as gotas d'água que têm dentro.
Nesse
momento começou a chover.
-- Viram? – gritou a galinha. – O telhado de meu galinheiro está
pingando. Isso é chuva!
-- Ora, não vê que a chuva é a água da lagoa borbulhando? – disse o
sapo.
-- Mas, como assim? – tornou a lebre – Parecem cegos! Não veem que a
água cai das folhas das árvores?
Millôr Fernandes.
Entendendo o causo:
01 – O trecho do texto que indica um fato é:
(A) “...começou a chover.”
(B) “... diziam que ia demorar...”
(C) “... que bobagem!”
(D) “... diziam que ia chover...”
02 – A ideia central do texto é apresentar uma
discussão sobre:
(A) o telhado do galinheiro.
(B) a chuva.
(C) a água da lagoa.
(D) as folhas das árvores.
03 – A inquietação dos animais tem como causa:
(A) a necessidade de águas nas árvores do
lugar.
(B) a expectativa de chuva no verão na lagoa.
(C) a ausência de água na lagoa onde moravam;
(D) a falta de chuvas no lugar onde moravam.
04 – O que o ponto
de vista de cada animal (galinha, sapo e lebre) revela sobre a forma como eles
enxergam o mundo?
Revela que cada animal é egocêntrico, ou seja, eles enxergam
a realidade apenas a partir de suas próprias vivências e do ambiente onde
vivem. A galinha foca no galinheiro, o sapo na lagoa e a lebre nas árvores e
matas. Eles não conseguem perceber o fenômeno de forma ampla e geral, apenas
como o afeta diretamente.
A ironia está no fato de que, mesmo com a chuva acontecendo diante deles e provando que todos estavam certos de alguma forma (a água caía no telhado, na lagoa e nas folhas ao mesmo tempo), eles continuaram discutindo. Em vez de celebrarem o fim da seca, preferiram focar em provar quem tinha a "razão absoluta".
06 – A moral implícita
dessa fábula de Millôr Fernandes critica um comportamento muito comum entre os
seres humanos. Que comportamento é esse?
O texto critica a
intolerância e a incapacidade de ouvir e aceitar a verdade do outro. Assim como
os animais, muitas vezes as pessoas brigam por defenderem pontos de vista
limitados e individuais, acreditando que a sua própria percepção da realidade é
a única verdade correta, ignorando o contexto geral.
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