terça-feira, 2 de junho de 2026

CRÔNICA: IMAGENS DA ESCRAVIDÃO URBANA - FRAGMENTO - BORIS KOSSOY E MARIA LUIZ TUCCI CARNEIRO - COM GABARITO

 Crônica: Imagens da escravidão urbana – Fragmento

           Boris Kossoy e Maria Luiza Tucci Carneiro

        O vaivém dos negros, no Rio de Janeiro – capital do Império –, foi captado em diferentes tempos, locais e situações pelos artistas e cronistas. Na condição de escravos ou libertos, contribuíram para o burburinho das cenas urbanas, tomando conta do cais do porto, das ruas, chafarizes, feiras, vendas e mercados. [...]

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEihAKd5xK6EXVDWb6qCgx7UMsYpmok5xab4wlW4xJXEih6FYCbl4qmGJgSpOnax4U-u_Ome9gyBcd9UbwmXThRGg5sum8kW-XFYytjiwG2PZ-_6-_JdMs447rZFqwKS1Sdv0rtIQR6jh-5-iItkOXlKvAou3tfj1abK44C28Lp_Me8ZOmUSPVrdWxdMbC0/s1600/COTIDIANO.jpg


        Já a vida cotidiana do branco desenrola-se no isolamento, para dentro das casas. Isso é notório, principalmente com relação às mulheres, que levavam uma vida social limitada, contida pelos valores morais e tradições herdadas da Península Ibérica. Vez ou outra foram flagradas à janela ou sacada pelo olhar aguçado do viajante.

        Seus raros passeios se restringiam às idas à missa, às visitas de cerimônia e às eventuais festas, sempre, é claro, acompanhadas do chefe da família. mulher honrada se resguardava dos olhares curiosos, escondendo-se por trás das cortinas das cadeirinhas, hábito que serviu de tema para as imagens e crônicas dos visitantes estrangeiros.

        O uso da cadeirinha persistiu ao longo do século; e, nesta sua trajetória, era comum a mulher ser carregada por negros uniformizados de libré e casaca enfeitada com galões dourados. Mas sempre descalços, como manda a tradição para os escravos. [...]

        Referindo-se à cidade de Salvador, Avé-Lallemant comenta: “[...] tudo parece negro: negros na praia, negros na cidade, negros na parte baixa, negros nos bairros altos. Tudo que corre, grita, trabalha, tudo que transporta e carrega é negro”.

Kossoy, Boris & Carneiro, Maria L. Tucci. O olhar europeu – O negro na iconografia brasileira do século XIX. São Paulo, Edusp, 1994. p. 109-110. (Adaptado).

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 38-39.

Entendendo a crônica:

01 – Como os autores descrevem a presença e o papel da população negra (escravizada ou liberta) no espaço público do Rio de Janeiro durante o Império?

      A população negra é descrita como o elemento central que movimentava e dava vida ao cenário urbano. Eles protagonizavam o "vaivém" e o "burburinho" das cenas da capital, ocupando intensamente os espaços públicos e de trabalho, tais como o cais do porto, as ruas, os chafarizes, as feiras, as vendas e os mercados.

02 – Em contrapartida à intensa circulação dos negros nas ruas, como funcionava a rotina social da população branca, especialmente a das mulheres?

      A vida cotidiana da população branca desenrolava-se no isolamento, voltada para o interior das casas. Isso era ainda mais rígido para as mulheres, que tinham uma vida social altamente limitada e contida pelos valores morais e pelas tradições herdadas da Península Ibérica.

03 – Quais eram as raras ocasiões em que as mulheres brancas saíam de casa e que condição era obrigatória para que esses passeios acontecessem?

      Os raros passeios das mulheres brancas restringiam-se a idas à missa, visitas de cerimônia e eventuais festas. Para que pudessem sair, era obrigatório que estivessem sempre acompanhadas pelo chefe da família.

04 – O uso da cadeirinha de arruar é citado como um hábito marcante da época. De que maneira esse transporte reforçava, ao mesmo tempo, o isolamento da mulher rica e a condição de submissão do escravizado?

      O uso da cadeirinha reforçava o isolamento da mulher porque ela se resguardava dos olhares curiosos escondendo-se atrás das cortinas do transporte. Por outro lado, evidenciava a submissão dos escravizados que a carregavam: embora vestissem uniformes de libré e casacas enfeitadas com galões dourados para demonstrar o status de seus senhores, eles eram rigidamente mantidos descalços, símbolo máximo da condição de escravidão.

05 – O fragmento termina com uma citação do viajante Avé-Lallemant sobre a cidade de Salvador. Qual é a principal impressão que ele relata e que termo ele repete para enfatizar a realidade demográfica e laboral daquela cidade?

      Avé-Lallemant relata a impressão de que "tudo parece negro" em Salvador. Ele repete exaustivamente a palavra "negros" para enfatizar que a população negra estava em todos os lugares (praia, cidade, parte baixa, bairros altos) e que eles eram os únicos responsáveis por toda a força de trabalho e movimentação da cidade ("tudo que corre, grita, trabalha, tudo que transporta e carrega é negro").

 

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