Conto: Sapatos de capim
David Gonçalves
Vem
esta viração da tarde farfalhando as roseiras e as folhagens verdes, sacudindo
levemente as trepadeiras do mato, redescobrindo na alma a alegria doce da
infância. Ela chega devagar toda tarde, acaricia a pele e purifica os sonhos do
menino que existe dentro do homem grande e surrado pelo tempo...
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgirf6tKFnqcEV_ByT4YCVNVdoQKznuN5_Vl5d2Y6LE5FbAGnIHeG9nr3Fge7gH8lnz_uids6JVjNNJaD-vUNhI-rQD7X5zvPNe2I-J47rxiE2JS_xPv97o9mlmavyyBnrNSMwJ3vVX1UYNmLkeHGR8hzUgO6oqWvSB_hxLz4_PSOxcB4GpzADB5GslQ_c/s320/SAPATOS.jpg Aquele
menino magro e franzino que abre a porteira de dobradiças enferrujadas sou eu.
Ele se dependura no gemido prolongado das dobradiças enferrujadas no pátio da
fazenda. O gemido parece alma penada solta no meio das pastarias e dos cafezais
verdes.
O
sol vermelho, na tarde calorenta, é uma ciranda de fogo dependurada na aba dos
morros, à espera do encantamento da noite. As sombras invadem o pátio. Os
boias-frias trepam nos caminhões de lona. Cansados, estropiados, cobertos por
uma camada de terra vermelha, soltam suspiros entalados nas gargantas
ressecadas. O patrão paga-os, nota por nota, como se eles fossem vadios.
-- Você, amanhã, não precisa vir. O trabalho não rendeu. Quem sabe,
noutro dia...
-- Mas tenho família, preciso do trabalho, me dá mais uma chance –
implora o boia-fria, como mendigo.
-- Já disse: vá andando! – engrossa a voz.
Depois,
o patrão chama o gato:
-- Não me traga mais essa gente carcomida, que não aguenta sequer um
saco de batatas às costas!
O
menino brinca pelo pátio. Corre de um lado a outro. Parece que engoliu um
pedaço da ciranda do sol. Dependura-se na porteira e faz repetir o lamento
prolongado das dobradiças enferrujadas. No mourão esquerdo há uma caveira de
boi. É para espantar as pragas, doenças e maldições. O ringido das dobradiças
corta o pátio empoeirado e o caminhão de trabalhadores se movimenta devagar – o
fordeco geme, sente o lamento da porteira.
-- Para com isso, menino! – ralha o capataz. – Tem fogo no rabo?
Ele
pula da porteira e mete os pés na poeira fofa como um redemoinho. Reina no ar
uma alegria incontida. O sangue pula nas veias. Os olhos brilham. Novamente o
vento da tarde farfalha as roseiras, os folhames das trepadeiras e arrepia a
sua pele. Ele não se aguenta de contentamento; parece que vai estourar de tanta
alegria. Ah, o mundo é belo, a vida se renova a cada instante.
O
caminhão atravessa a porteira e some na estrada, deixando um canudo de pó na
tarde. O capataz fecha a porteira e o lamento das dobradiças enferrujadas corta
o pátio da fazenda.
Na
sede da fazenda há grande reboliço. O coração do menino ronda inquieto a sala.
Lá, não pode entrar. Espia de longe, curioso, magoado. As moças preparam o
presépio. Dão os últimos retoques. Pelas frestas de tábuas largas ele se
esforça e consegue ver o Menino Jesus num berço de palha, rodeado por Nossa
Senhora e São José. Os animais acalentando – as narinas inchadas expelindo o
bafo quente. Lembra-se da vaquinha Andorinha e da mula Preciosa, as duas
riquezas de sua família. Quer embarafustar corredor adentro, num supetão, mas é
esbarrado.
-- Sai, moleque! Aqui não é seu lugar!
A
mulher gorda o pega pelo revés das calças curtas e o joga no terreiro, além do
varandão, como cachorro. Que mal fizera? Quer ver o presépio, ajoelhar-se
diante do Menino Jesus e pedir um presente. Desapontado, ele sai pelo pátio,
sem destino, uma grande dor no peito magro. Sente raiva da mulher gorda. Jesus
a castigaria, com certeza. Deseja que ela se transforme numa rã chata, redonda,
buchuda, as papadas caindo de lado, orlada de limo verde e fedorento. Com muito
arrependimento, ela cantaria: um-dois, h-a-ã-ã-ã, um-dois, h-a-ã-ã-ããããã!
Príncipe nenhum haveria de beijá-la. Ela apodreceria no brejo, repetindo
um-dois-h-a-ã-aã-ããããã!
O
menino – olhos grandes e saltados – se abeira do pai, Seu Angico, peão
respeitado, empurrador de boias-frias nos caminhões de lona, na esperança de
receber migalhas de amor. Lembra-se da missa que assistiu meses atrás – o padre
de Jandaia, um sujeito taludo e ruivo, numa voz doce e confiante, que era tempo
de amar. O menino Jesus entraria em todas as casas e nelas faria um berço de
capim. Permanece ao redor do pai olhando os trabalhadores desnutridos e
cadavéricos. Tenta descobrir o que há por trás daqueles rostos pejados de
rugas. Mas não encontra nenhuma alegria. Roça nas pernas do pai, que o
interpela:
-- Sai, moleque! Não vê que estou na lida?
Vai
enxugar as lágrimas atrás do paiol, sentado sobre as pedras do pequeno córrego
de águas cristalinas e burbulhantes. O riozinho sulca a terra vermelha e
fértil. Vários patinhos brincam no seu leito sob os olhos atentos da mãe. Sente
uma imensa poesia dentro de si, mas não consegue transmitir. Expulso da sede,
não conseguia ver o presépio. O pai sequer o repara. A tarde avança. Outro
caminhão entra no pátio para levar o restante dos trabalhadores. A poeira
levantada pelo rodado esparge no ar abafado uma camada fina de terra. Há, nele,
uma vontade incontrolável de espiar o presépio, quem sabe perguntar ao menino
Jesus se a caminha é quente, macia, se não machuca as costelinhas nos fiapos de
vassoura seca... Em sua cabeça as palavras do padre de Jandaia:
-- Natal é tempo de amar... Cada coração se enche de bondade e
transborda. Só assim se pode receber as graças do Menino...
Mas
ninguém lhe dá atenção. A vontade de amar e ser amado explode dentro do peito.
Ele tem vontade de colher as flores nos campos e distribuir entre os últimos
camaradas suados.
Nesta
noite, o Menino renasceria dentro do homem; cada homem se tornaria menino de
orvalho novamente a correr pelas campinas verdes. No amanhecer, a pureza
tomaria cada coração.
Natal!
– o renascimento do homem. A alegria de viver estaria em cada rosto. Ela
dançaria dentro de cada coração como o minuano dança nos telheiros de ricos e
pobres. Em sua casa, não haverá presépio. Mas o que importa? O menino Jesus
está no ar, dança alegre na tarde sobre a copada das árvores.
Sai
em disparada ao campo e colhe sempre-vivas e margaridas. Distribui aos trabalhadores
suados. O pai balança a cabeça:
-- Este pirralho está bestando!
Então,
ele pergunta, com medo:
-- Deixa eu ir na missa do galo?
-- Ora, só: nem calças compridas veste!
Os
camaradas riem.
-- Pra casa, já! Me deixe em paz!
O
pai fala sério. Sente as lágrimas brotarem ali no meio dos homens. Com
sacrifício, engole o nós na garganta. Desmancha-se num sorriso sem graça.
Onde está o amor que o padre de Jandaia falara naquela missa de domingo? O gato
comeu. Ele quer mostrar o quanto ama, mas as muralhas são intransponíveis. O
pai nem o olha, acha-o muito pequeno. Sente inveja dos homens grandes. Mas ele
haveria de crescer muito, ficar taludo, forte como um touro. Acordaria o sol nas
madrugadas, amarraria os bois nos mangueiros, tiraria leite gordo das tetas da
vaquinha Mimosa, montaria em burro brabo, dirigiria o trator da fazenda...
Poderia ir aos bailes, beliscar as moças, dançar, jogar truco, embebedar-se...
Ah, como o tempo não passa!
Ele
sabe que é tempo de ganhar presentes. O Papai Noel faz visitas no meio da
noite, com um grande saco cheio de brinquedos e vai deixando em casa os pedidos
dos meninos. O padre de Jandaia dissera que ele entra nas casas dos patrões e
dos empregados. Com certeza, também entraria na sua casa nesta noite. Ele
desejava tanto um caminhãozinho! Igual àquele que puxava os trabalhadores para
o eito, sob sol e chuva... Há dias vinha sonhando com o presente. Nesta noite,
com certeza, Papai Noel não o esqueceria.
Volta
apressado à sede da fazenda e, sorrateiro, por entre tábuas, olha o presépio.
Lá está o menino Jesus, Nossa Senhora e São José com o seu cajado. Ao redor, os
animais. Novamente vem à cabeça: será que a caminha de fiapos de vassoura é
quentinha? Será que o menino Jesus não passará frio?
-- Acho que não – conclui, depois de alguns segundos. – Está fazendo
calor, faz dias que não chove...
Mira
o final de tarde. O sol cai esbraseado na aba dos morros achatados. Não há
prenúncios de chuva. A noite será morna e cálida. Dá uma volta ao redor casarão
e ouve vozes dos filhos do fazendeiro: A menina diz:
-- Eu quero ganhar uma boneca que fala. Daquelas que eu vi na revista.
Se não for igual, eu jogo fora! Já pedi pro Papai Noel. E você?
O
garoto remexe um baú de madeira cheio de brinquedos, que raramente são
lembrados.
-- Eu quero um robô que me obedeça! Estou cansado desses brinquedos que
não se movem. Parecem lesma...
-- Você já fez o pedido?
-- Ah, sim, já coloquei os sapatos na janela.
-- Seu bobo! O sapato limpo não chama o Papai Noel.
-- Não chama?
-- Claro que não! Você tem que fazer uma caminha de capim dentro dele,
como foi feito no presépio, a caminha do menino Jesus.
Ele
se sobressalta. Não tinha colocado nada na janela. Como receberia Papai Noel?
Sai apressado. Como um raio, antes de escurecer, vai ao campo, logo depois do
piquete dos bezerros e com as mãos magras arranca um feixe de capim. Por que
não pensara nisto antes? Agora, precisa correr, fazer tudo às pressas. Passa
como um rojão entre os últimos trabalhadores. Esbarra num boia-fria e quase
deixa escapar o feixezinho de capim ainda tenro.
-- Mas que pirralho! Vê se olha por onde anda! Parece que tem formigas
na bunda!
Passa
pela mãe na cozinha de chão batido. Ela prepara o arroz e feijão. Depena também
uma galinha para o almoço de Natal. Alguns fiapos de capim caem pelo chão, mas
a mãe não vê. Há cheiro de cebola e alho por toda a casa. Ele entra no
quartinho e procura o par de sapatos rotos debaixo da cama. Aquilo nem era
cama. O pai a fizera com três tábuas podres que serviam de poleiro para as
galinhas. Ansioso, coloca o feixe de capim no fundo do sapato velho. Fica indeciso:
no pé direito ou no esquerdo? Por um momento, sente-se perdido, como se
estivesse numa encruzilhada e não soubesse que rumo tomar. Por via das dúvidas,
faz o ninho nos dois. E fica imaginando se é quentinho como o berço de fiapos
de vassoura do presépio na sede da fazenda. Apalpa e remexe o capim. Sente o
cheiro acre. Está fofo, sim. Agora, ele precisa fazer o pedido. Quer ganhar um
caminhãozinho igual àqueles que levam os trabalhadores de volta à cidade depois
de uma jornada de trabalho. Quando se prepara para pedir, é interrompido.
A mãe o chama.
-- O que você está aprontando no quarto? Vem cá, vá chamar o pai, que a
janta está quente! Mexa-se, pirralho!
Ele
coloca os sapatos debaixo da cama e sai correndo. Ninguém pode descobrir o seu
segredo. Passa pela cozinha como um pé de vento, nem percebe que a mãe está
acendendo o lampião a querosene e as primeiras sombras da noite estão dançando
nas paredes sujas de picumãs.
-- Paiêêê!
Está
lusco-fusco. A noite abraça a natureza rapidamente.
-- O que é? – a voz do pai parece
aborrecida, cansada.
-- A mãe tá chamando!
-- Ainda tenho um monte de coisas pra fazer...
-- O que eu digo pra ela?
-- Não enche, moleque! Eu já vou!
Por
que o pai anda aborrecido? É véspera de Natal. Lembra-se novamente das palavras
do padre de Jandaia. Tempo de alegria, muito amor nos corações... De volta ao
casebre, já é noite e as sombras produzidas pelo lampião dançam nas paredes
fazendo desenhos assustadores.
-- Meu Deus! Como você está sujo! Já pro banho! – a mãe o empurra para a
casinha de banho, que fica no quintal, perto da bica d’água.
Entrega-lhe
uma toalha úmida de algodão ralo. Enche o tambor de água morna e o levanta à
altura do caibro, amarrando-o com uma corda.
-- Passe bastante sabão e esfregue pra valer! Está parecendo mais um
porco! Não sei o que você faz pra ficar assim!
Toma
banho rápido esfrega, esfrega, ensaboa, esfrega, depois abre a torneirinha do
latão e deixa a água já fria escorrer-lhe pelo corpo magro. Está visivelmente
com pressa. Ainda não fez o pedido a Papai Noel. Enxuga-se pela metade. Nos
ouvidos ainda permanecem manchas de terra vermelha como cascões. Veste a
camiseta de malha e o calção de brim. E sai descalço. A mãe ralha:
-- Pestinha! Coloque o chinelo, pelo menos!
Ele
se dirige ao quartinho, espia debaixo da cama. Lá estão os sapatos de capim.
Precisa fazer o pedido. Mas não sabe como fazer. Ajoelha-se, coloca os dois
sapatos sobre o peito e olha para o alto. Com os lábios trêmulos, diz:
-- Papai Noel, não me esqueça. Sei que você passa em todas as casas. Eu
quero o caminhãozinho...
Os
joelhos, nas tábuas largas e ásperas, doem.
-- Prometo que serei um bom menino. Obedecerei à mamãe, papai, e não
matarei os passarinhos.
Mexe
os joelhos nas tábuas largas e pressiona os sapatos de capim sobre o peito
magro.
-- Ah, ia me esquecendo! Quero um caminhãozinho vermelho!
Da
cozinha, vem a voz da mãe:
-- Onde se meteu este pestinha? Venha comer, moleque!
O
pai entra na cozinha e liga o rádio a pilha. Uma doce melodia natalina toma
conta da pequena cozinha. O fogo na taipa do fogão a lenha está quase apagado.
Os pernilongos esvoaçam famintos.
-- Arre, não gosto desse tipo de música. Parece moda de enterro...
-- Você não gosta de Natal! – diz a mãe, irritada, lavando a louça numa
bacia de alumínio.
-- Pudera! Que alegria os pobres têm com tanta propaganda? Só tem Natal
gordo quem tem dinheiro!
-- O que importa é a fé! – rebate a mãe, agora esfregando um pano de
prato com força para tirar a gordura.
O
pai se torna ofendido.
-- Minha parte eu quero em dinheiro! O que se ganha não dá nem pra
comida! Que alegria posso ter por ocasião das festas?
-- Faça orações, quem sabe seremos ouvidos.
-- Sabe, mulher, estou cansado desta vida. Natal, pra mim, não significa
nada. É um bom meio de vida para os mais vivos ganharem suas fortunas...
-- Agradeça, homem, agradeça! Se fosse um boia-fria, teria muitas razões
para reclamar! Moramos na fazenda, temos um teto, ainda não fomos expulsos da
terra. Agradeça, homem!
-- Até quando ficaremos aqui? O patrão está doidinho pra botar todo
mundo porteira afora!
-- A mãe não rebate. O menino vai ao quartinho. Está cansado. As
pálpebras pesam. Com esforço, abaixa-se e pega os sapatos e os coloca no
parapeito da janela. Dormiria com a janela aberta. Em seguida, deita-se. Não
quer dormir. Quem sabe, fechar um olho e deixar o outro aberto para espiar a
chegada do Papai Noel carregando o grande saco cheio de brinquedos... Mas o
sono vem e ele adormece.
O
menino sonha. Lá vem o Papai Noel. Carrega um saco grande de brinquedos. Passa
de casa em casa. Bate na porta, segura os meninos no colo largo, beija a face
de cada um, entrega os presentes. Ele está deitado, finge que dorme. Mas está
de olhos bem abertos. As estrelas brilham. A noite está clara como dia. Lá vem
o papai Noel. Em pouco tempo, estará na sua janela. Dá passadas apressadas, tem
muitos presentes para entregar, não pode perder tempo. Os presentes devem ser
entregues antes do nascer do sol. Ele está bem perto, a poucos passos. Uma luz
resplandece por onde passa. Chega à janela, espia para dentro do quarto. E diz:
-- Ah, que belo menino! Como me esqueci de você em outros Natais! Oh,
aqui está o seu caminhãozinho vermelho! Mas tem que me prometer que será um bom
menino durante o ano inteiro. Promete?
Ele
balança a cabeça. Papai Noel entra pela janela e o suspende da cama e dá um
beijo em cada face. Em seguida, vai embora, um feixe de luz o acompanha. Há
muitos presentes para entregar. O menino sorri satisfeito.
Acorda
já dia. A passarinhada faz um barulhão no quintal; galos e galinhas esvoaçam de
um lado a outro bicando o chão duro. Ele se lembra do sonho e sorri. Abre os
olhos e pula como mola para ver o presente sobre os sapatos de capim. Mas não vê
nada, senão os sapatos forrados de capim. Sem crer, ele se abaixa, olha debaixo
da cama. Quem sabe, Papai Noel escondeu em outro lugar só para atiçar a sua
curiosidade. Mas também não vê nada. Desapontado, volta para a cama e soluça.
Papai Noel se esquecera dele. Ouve a mãe, da cozinha, chamando-o:
-- Acorde, moleque! O sol já está alto. Vá ajudar seu pai!
Vai
até a janela e recolhe o capim dos fundilhos rotos dos sapatos e o joga pela
janela, enquanto recoloca os sapatos debaixo da cama. Mais tarde, os meninos da
sede da fazenda estão mostrando os presentes aos moleques da pária. Ele cobiça
os brinquedos com os olhos saltados e lacrimejantes.
Ah,
esta viração da tarde que vem farfalhando as roseiras e as folhagens verdes,
sacudindo levemente as trepadeiras do mato, redescobrindo na alma a infância
amarga. Resta ao menino trepar na porteira e fazer as dobradiças enferrujadas
soltarem o lamento pelo pátio.
David Gonçalves
Entendendo o conto:
01 – Por que o conto tem o título “Sapatos
de Capim”?
O título faz referência à estratégia que o menino usa na esperança de receber um presente de Natal. Após ouvir a conversa dos filhos do fazendeiro, ele acredita que, para atrair o Papai Noel, precisa preparar uma "caminha de capim" dentro de seus sapatos velhos, imitando o berço do Menino Jesus no presépio.
02 – A caveira de boi dependurada no mourão da
porteira tinha uma finalidade. Qual?
A finalidade era mística/supersticiosa: servia para afastar pragas, doenças e maldições da fazenda.
03 – O que estava provocando rebuliço na
fazenda?
O rebuliço era causado pelos preparativos de Natal na sede da fazenda, especificamente a montagem e os retoques finais do presépio pelas moças.
04 – “Protagonista” é o personagem principal de
uma história. Em “Sapatos de Capim”, o protagonista passa por dois momentos bem
distintos: um de felicidade e outro de decepção, de tristeza. Diga:
A – Quando ocorre o primeiro momento?
Ocorre no final da tarde, quando ele brinca na porteira,
sente a viração do vento e é tomado por uma alegria pura e incontida, fascinado
pela beleza do mundo e pela esperança do Natal. Também se repete no momento em
que ele sonha que o Papai Noel o visita e lhe dá o caminhãozinho.
B – Quando ocorre o segundo momento?
Ocorre na manhã de Natal, quando ele acorda e percebe que seus sapatos continuam vazios (apenas com o capim), percebendo que o Papai Noel se esqueceu dele.
05 – Em um determinado momento, o personagem
principal, desapontado, sente raiva e deseja algo.
A – Quando isso acontece?
Acontece quando ele tenta espiar o presépio dentro da casa
grande e é rudemente expulso por uma mulher gorda, que o joga no terreiro
"como um cachorro".
B – O que deseja ele?
Ele deseja que a mulher gorda seja castigada por Jesus e se transforme em uma rã chata, redonda e buchuda, morando em um brejo fedorento, sem que nenhum príncipe a beije.
06 – O desejo do protagonista, quando sente
raiva, faz lembrar de alguma história que você conhece? Qual?
O desejo faz lembrar o clássico conto de fadas "O Príncipe Sapo" (dos Irmãos Grimm), mas de forma invertida: enquanto na história original o sapo vira príncipe com um beijo, no desejo do menino a mulher viraria rã e quebraria a tradição do "beijo do príncipe", apodrecendo no brejo.
07 – “Emissor” é aquele que emite, que diz
algo. Identifique o emissor nos trechos abaixo.
A – “Natal é tempo de amar.” O Padre de Jandaia (lembrado pelo menino).
B – “Tem fogo no rabo?” O capataz.
C – “Deixa eu ir na missa do galo?” O protagonista (o menino).
D – “Eu quero ganhar uma boneca que fala.” A filha do fazendeiro.
E – “(...) Estou cansado desses brinquedos que
não se movem.” O filho do fazendeiro.
F – “Papai Noel, não me esqueça (...). Eu quero
o caminhãozinho...” O protagonista (o menino).
G – “Natal pra mim não significa nada. (...)” Seu Angico (o pai do menino).
H – “Agradeça, homem, agradeça.” A mãe do menino.
08 – Você sabe o que é “missa do galo”? O que
é?
Resposta pessoal do aluno. Sugestão: A Missa do Galo é uma tradicional celebração da Igreja Católica que ocorre à meia-noite do dia 24 de dezembro para o dia 25 de dezembro (Véspera de Natal), celebrando o nascimento de Jesus Cristo.
09 – De acordo com o padre de Jandaia, o que é
o Natal? Você concorda com ele?
De acordo com o padre: O
Natal é o tempo de amar, um momento em que cada coração se enche de bondade e
transborda, permitindo que o Menino Jesus entre nas casas (tanto de patrões
quanto de empregados) e faça nelas um berço de capim.
Opinião pessoal: Sugestão: Sim, concordo, pois a essência do Natal deveria ser a empatia, a união e o amor ao próximo, independentemente de bens materiais. (Você também pode discordar apontando que, na realidade do conto, o Natal se mostra muito mais comercial e desigual do que o padre pregava).
10 – Qual parte de “Sapatos de capim”
você mais gostou? Por quê?
Resposta pessoal do aluno. Sugestão: A parte de que mais
gostei foi o momento em que o menino colhe sempre-vivas e margaridas no campo
para distribuir aos trabalhadores suados. Gostei dessa parte porque mostra a
pureza genuína da infância e como o menino, mesmo sem ter nada material para oferecer,
tentou praticar o verdadeiro espírito do Natal (o amor e a partilha) com
aqueles que eram tão invisíveis e sofridos quanto ele.
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