terça-feira, 23 de junho de 2026

POEMA: FALO DE TI ÀS PEDRAS DAS ESTRADAS - FLORBELA ESPANCA - COM GABARITO

 Poema: Falo de Ti às Pedras das Estradas

           Florbela Espanca

 

Falo de ti às pedras das estradas,
E ao sol que e louro como o teu olhar,
Falo ao rio, que desdobra a faiscar,
Vestidos de princesas e de fadas;

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEitKmP2ODD59on0Py1i5xszvizDl8Yss2XnEA92_GPhX3O_iCHq0NorMYD12lAZ_5kjw-LA-EGVi5zGyOJ2RAV-u9NgwaTpZJvP7WgJ6N1JrbtzKxKt_PaOqKmJD_PNZzj8z8TC7JjNp2sFyxLKRfa_y51zHDL8YJypSu1DXN4WkzggnrkfByCjiCfPxcU/s320/FADA.jpg


Falo às gaivotas de asas desdobradas,
Lembrando lenços brancos a acenar,
E aos mastros que apunhalam o luar
Na solidão das noites consteladas;

Digo os anseios, os sonhos, os desejos
Donde a tua alma, tonta de vitória,
Levanta ao céu a torre dos meus beijos!

E os meus gritos de amor, cruzando o espaço,
Sobre os brocados fúlgidos da glória,
São astros que me tombam do regaço! 

 

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas".

Entendendo o poema:

01 – A quem o eu lírico se dirige para falar sobre a pessoa amada e qual é o efeito dessa escolha no poema?

      O eu lírico dirige seu desabafo amoroso aos elementos da natureza e do cenário ao seu redor: as pedras das estradas, o sol, o rio, as gaivotas, os mastros dos navios e o luar. O efeito dessa escolha é mostrar a grandiosidade e o transbordamento do sentimento. O amor é tão intenso que o eu lírico não consegue guardá-lo para si, projetando a figura da pessoa amada em absolutamente tudo o que vê, transformando o mundo inteiro em testemunha de sua paixão.

 

02 – No primeiro quarteto, que associações o eu lírico faz entre a pessoa amada e os elementos da natureza (o sol e o rio)?

      O eu lírico utiliza uma comparação e uma metáfora visual:

      O Sol: É descrito como "louro como o teu olhar", associando o brilho, o calor e a cor dourada do sol à beleza e à luz dos olhos da pessoa amada.

      O Rio: Suas águas, ao refletirem a luz e faiscarem, são metaforizadas como "vestidos de princesas e de fadas", conferindo uma atmosfera mágica, encantada e aristocrática ao cenário.

 

03 – Que sentimentos e sensações são sugeridos pelas imagens das gaivotas e dos mastros no segundo quarteto?

      O segundo quarteto introduz uma transição para sentimentos de saudade e solidão. As gaivotas de asas abertas lembram "lenços brancos a acenar", uma imagem poética tradicionalmente ligada à despedida, à distância e à espera. Logo em seguida, a forte imagem dos mastros que "apunhalam o luar" traz uma sensação de dor sutil ou de angústia que corta a calmaria, reforçada pelo verso final que fala explicitamente na "solidão das noites consteladas".

 

04 – Como o primeiro terceto expressa a elevação desse amor através da metáfora da "torre dos meus beijos"?

      O terceto mostra um amor que triunfa e se agiganta. Ao descrever a alma do ser amado como "tonta de vitória", o eu lírico indica o impacto arrebatador que essa paixão causa. A metáfora da "torre dos meus beijos" que se levanta ao céu simboliza uma construção monumental, vertical e sagrada. É a ideia de um amor que não é terreno ou mundano, mas que se eleva em direção ao infinito e ao divino.

 

05 – De que maneira o soneto é encerrado no último terceto e qual é o significado da metáfora cósmica final?

      O poema atinge seu ápice expandindo o sentimento para uma dimensão universal e celestial. Os "gritos de amor" do eu lírico são tão fortes que cruzam o espaço sideral e se transformam em "astros que me tombam do regaço" (estrelas que caem do seu colo). Essa metáfora cósmica traduz tanto a escala infinita e brilhante do amor quanto o cansaço ou o desabamento emocional do eu lírico, que gera mundos e estrelas através de sua própria dor e paixão, mas que vê essa imensidão desabar sobre si.

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário