PIADAS DE CAIPIRA
I
O caipira está belo e folgado, pescando à beira de um rio, quando aparece um
sujeito desesperado.
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhW9ANW3_x-AJTN0pYQ3II5UHdIdtzIU391DLQ2-haur1bbQ3y-a9IsAlUEM10MhzBdgmSybLbQZyBvgBNEhIGZFM_TB4ZhndGYMOnwwg1lh4g228UxA5ZWJ_s1TtMFbmNRo0w4h5lZJDIjHFSAv_TMxUy_i_X9wd-F-OH4ILI1HwJfbl1_6ZXIKHqbBSs/s1600/images.jpg — Ei, amigo! O senhor não viu
por aí uma mulher loira, de camisa azul e saia amarela?
— Ora, vi sim senhor! Passou
aqui inda agorinha!
— Puxa, graças a Deus! Então
ela não deve estar longe, né?
— Tá não! Principalmente hoje,
que a correnteza tá fraquinha, fraquinha...
II
E perguntaram ao caipira:
— O que você faria, se
ganhasse sozinho 50 milhões da Megasena?
— Eu ia pagar umas dívidas.
— Sim, mas e o resto?
— Ah! O resto que espere, uai!
III
O mineiro, observando o
engenheiro com o teodolito.
— Dotô, pra que serve esse
treco aí?
— É que vamos passar uma
estrada por aqui. Estou fazendo as medições.
— E precisa desse negócio pra fazê
a estrada?
— Sim, precisa! Vocês não usam
isso pra fazer estradas?
— Ah não, homi. Aqui, quando a
gente qué fazê uma estrada, a gente sorta um burro e vai seguindo ele. Por onde
o bicho passá, é o mió caminho pra fazê a estrada.
— Ah, que interessante! E se
vocês não tiverem o burro?
— Bem, daí a gente chama os
engenhero.
IV
O caipira entra na loja de
ferragens e pede uma tomada.
— Você quer uma tomada macho
ou fêmea?
— Sei não, seu moço. Eu queria
uma tomada pra acender a luz, num é pra fazê criação!
V
O caipira foi a Brasília. Como
lá não há esquina, resolveu atravessar uma daquelas avenidas monumentais. Veio
um Porsche em alta velocidade, e quase atropelou o pobre coitado. Cem metros
adiante, um deputado grita de dentro do carro:
— Caipira filho da mãe, não
enxerga?!
O caipira, assustado por ter
quase sido atropelado, ficou mais assustado ainda, pensando como o cara tinha
adivinhado que ele era caipira. Teria sido pelas roupas? Assim, foi a uma das
lojas mais caras de Brasília para se produzir. Comprou um terno Armani, óculos ray-ban
legítimo, sapatos italianos, pulseira de ouro, um Rolex, e tudo o mais que
pudesse lhe dar um status significativo. Sentiu-se, enfim, extremamente
sofisticado. Voltou para o mesmo ponto e foi atravessar a rua, mas outro
Porsche quase o atropelou. O carro pára a uns cem metros, e outro deputado
grita:
— Paulista filho da mãe, até
parece caipira!!
Entendendo as piadas:
I
01 – Qual é o duplo sentido
(ou mal-entendido) que gera o humor na piada?
O humor surge do
fato de o sujeito estar procurando a mulher viva, provavelmente caminhando pela
beira do rio, enquanto o caipira revela, no final, que a viu passando flutuando
(afogada ou sendo levada) pela correnteza do rio, tratando a situação com uma
tranquilidade chocante.
02 – O que a fala final do
caipira ("Principalmente hoje, que a correnteza tá fraquinha,
fraquinha...") revela sobre o estado da mulher?
Revela que a
mulher caiu no rio e foi levada pela água. Como a correnteza estava fraca, ela
não deve ter ido muito longe rio abaixo, o que confirma o humor negro da piada.
03 – Como a atitude inicial do
caipira contrasta com a do sujeito que aparece procurando a mulher?
O sujeito aparece
"desesperado" procurando a mulher, demonstrando extrema preocupação.
Já o caipira está "belo e folgado" pescando, e mantém essa mesma
postura relaxada e indiferente ao relatar que viu a mulher passar pela
correnteza, agindo como se fosse algo completamente normal.
II
01
– O que o interlocutor quis dizer com a pergunta "Sim, mas e o
resto?" e como o caipira a interpretou?
O interlocutor
usou a palavra "resto" para se referir à sobra do dinheiro (o
montante milionário que restaria após o pagamento das dívidas). O caipira, no
entanto, interpretou "resto" como o restante das dívidas que ele
ainda devia, indicando que 50 milhões não seriam suficientes para pagar tudo.
02
– Onde está o humor (o "pulo do gato") dessa piada?
O humor está na
quebra de expectativa e no exagero da situação financeira do caipira. Onde
qualquer pessoa veria 50 milhões de reais como a solução definitiva de sua vida
e o início de uma imensa riqueza, a resposta do caipira revela que a dívida
dele é tão absurdamente gigantesca que nem o prêmio máximo da loteria
conseguiria quitá-la totalmente.
03
– Como a expressão "uai", usada no final, reforça o perfil do
personagem na piada?
A expressão "uai"
é uma interjeição típica da cultura caipira/mineira, usada para expressar
espontaneidade ou estranheza. Na piada, ela reforça a simplicidade e a
ingenuidade do personagem, que reage com total naturalidade a uma situação
financeira que, na realidade, seria desesperadora.
III
01
– Qual é o principal choque cultural ou de perspectiva que a piada apresenta?
A piada apresenta
o choque entre o conhecimento técnico/científico (representado pelo engenheiro
e seu teodolito) e o conhecimento prático/popular (representado pelo mineiro e
a sabedoria da roça). O humor nasce da forma como o mineiro desvaloriza a
complexidade da engenharia moderna diante da simplicidade da natureza.
02
– Como o mineiro justifica o método de usar um burro para planejar a estrada?
Ele justifica
dizendo que o animal, por instinto, sempre escolhe o caminho mais fácil, plano
e seguro para caminhar ("o mió caminho"). Para o mineiro, o instinto
do bicho substitui com vantagem todos os cálculos matemáticos e geográficos do
engenheiro.
03
– Onde está a "quebra de expectativa" que garante o soco humorístico
no final da piada?
A quebra ocorre
quando o engenheiro, achando a história curiosa, pergunta o que eles fazem na
ausência do burro. O leitor espera que o mineiro mude o tom e reconheça a
importância da ciência, mas ele dá uma resposta que coloca os engenheiros no
mesmo nível (ou até abaixo) do burro, como um plano B menos eficiente.
04
– Na visão do mineiro, qual é o verdadeiro papel do engenheiro?
Para o mineiro, o
engenheiro é apenas um substituto para quando não se tem um burro disponível.
Na lógica dele, o trabalho técnico do profissional serve para fazer o mesmo que
o animal faria de graça e de forma mais natural.
05
– De que forma o uso de termos como "Dotô", "treco aí" e
"sorta" contribui para a construção dos personagens?
Essas expressões
linguísticas reforçam o estereótipo do caipira/mineiro matuto: simples,
informal e ligado à vida rural. Isso cria um contraste direto com o engenheiro
(visto como a autoridade culta), tornando a ironia final do mineiro ainda mais
surpreendente e divertida.
IV
01
– Qual é o duplo sentido técnico que o caipira não compreende na piada?
O caipira não
entende os termos técnicos "macho" e "fêmea", que na
eletricidade e na hidráulica são usados para classificar conectores (o
"macho" possui os pinos que se inserem e a "fêmea" possui
os orifícios que recebem a conexão).
02
– Como o caipira interpretou a pergunta do vendedor?
Ele interpretou
os termos no sentido literal da biologia, associando "macho e fêmea"
à reprodução animal. Por isso, ele responde que quer a tomada apenas para
acender a luz e não para "fazer criação" (cruzar os animais para ter
filhotes).
03
– O que torna a resposta final do caipira engraçada?
O humor vem da
ingenuidade e da lógica perfeitamente coerente do caipira dentro do seu próprio
universo. Ao aplicar o vocabulário da vida no campo a um contexto de materiais
elétricos, ele cria uma imagem absurda e cômica de tomadas se reproduzindo como
se fossem bichos.
V
01
– Por que o caipira decidiu mudar completamente o seu visual após o primeiro
quase atropelamento?
Ele ficou intrigado
e assustado com o fato de o deputado saber que ele era um "caipira"
sem conhecê-lo. Deduzindo que sua identidade foi descoberta por causa de suas
roupas simples da roça, ele gastou uma fortuna em marcas de luxo para tentar se
disfarçar de homem sofisticado e urbano.
02
– Onde está a ironia e a quebra de expectativa no final da piada?
A ironia está no
fato de que, mesmo vestido com terno Armani e relógio Rolex, o comportamento do
caipira ao atravessar a avenida monumental continuou o mesmo. O segundo
deputado o chama de "paulista", mas o xinga dizendo que ele "até
parece caipira", revelando que o disfarce luxuoso não conseguiu esconder o
seu jeito ingênuo de agir no trânsito.
03
– O que a reação dos dois deputados revela sobre o trânsito e a cultura
política retratada na piada?
Revela uma
crítica social humorística. Ambos os deputados andam em carros de luxo
(Porsches), correm em alta velocidade pelas avenidas e, em vez de se
desculparem por quase atropelar um pedestre, reagem com arrogância, xingando a
vítima de forma elitista e preconceituosa.
04
– A piada começa mencionando que Brasília não tem esquinas. Como essa
característica geográfica da cidade se relaciona com a trama?
As avenidas de
Brasília são famosas por serem largas, monumentais e projetadas
majoritariamente para carros, sem as tradicionais esquinas de cidades do
interior. Essa falta de familiaridade do caipira com o desenho urbano da
capital é justamente o que o faz atravessar a rua de forma errada ou hesitante,
chamando a atenção dos motoristas.
05
– Qual é a lição cômica sobre "aparência versus essência" que a piada
transmite?
A piada mostra de
forma cômica que as roupas e os bens materiais (a aparência) não mudam a
essência ou os hábitos de uma pessoa. O caipira podia se vestir como um
milionário, mas sua falta de costume com o trânsito pesado de uma grande
metrópole continuou denunciando sua origem.
Nenhum comentário:
Postar um comentário