segunda-feira, 8 de junho de 2026

CRÔNICA: PEGA LADRÃO, PAPAI NOEL! COM GABARITO

 Crônica: Pega ladrão, Papai Noel!

Ele não era bem um Papai Noel, pois trabalhava numa grande loja, a Emperor, aquela grande, da Avenida Consta, inclusive, que fez um curso de seis semanas para testar e aperfeiçoar sua tendência vocacional, obtendo boa nota. Mas seu visual, mesmo sem uniforma, impressionou favoravelmente a banca examinadora: era gordo, como convém a um Papai Noel; tinha olhos da cor do céu e a capacidade de sorrir durante horas inteiras sem nenhum motivo aparente. Aliás, um Papai Noel é isto: uma mancha vermelha que sabe rir e às vezes fala.

 
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhVujHWHm8gNKxCHXZdsOzSl55JjIysANwDqpz9ooGaDclJmn4mLhMBVYyeduX3Zic8ZSAtb6HYlL6JxoHh2PB3LdPu2pD-UpM_bIdKK7QCiL1es1xvdqD4QqK9IrOpRfXPCQkIDqP3ZmiGWIJpq6drXuWiYmQuhUYWO15cfm6nXEHDRVMfyYtD8g078Pg/s320/papai.png

-          Você está ótimo! – disse-lhe o chefe da seção de brinquedos. – As crianças vão adorá-lo!

Era véspera de Natal e a loja andava preocupadíssima com as vendas, inferiores ao ano anterior. E preocupada com outra coisa, ainda: o incrível número de furtos, razão por que o Papai Noel além de sorrir e estimular as vendas teria que ser também um olheiro, um insuspeito fiscal de seção.

Ele passeava pelo atraente departamento de brinquedos eletrônicos, juntamente com seu sorriso, e acabara de passar a mão nos cabelos louros de um garotinho, quando viu. Viu o quê? Um homem, e mais que ele, sua mão surrupiando um trenzinho de pilha, imediatamente metido nua bolsa. Interrompendo em meio seu sorriso, Papai Noel deu um passo firme, fez voz de vigia:

-          Por favor, me deixe ver essa bolsa!

Nem todo susto é paralisante: o homem, sem largar a bolsa, saiu em disparada pela seção de brinquedos, empurrando pessoas, chutando coisas, derrubando e pisando em brinquedos. Atrás desse furacão, seguia outro furacão, este encarnado, o Papai Noel, que repetia em cores mais vivas os desastres provocados pelo primeiro. A cena prosseguiu com mais dramaticidade e ruídos na escadaria da loja, pois a seção de brinquedos era no sexto andar. No quarto pavimento, Papai Noel chegou a grampear o ladrão pelo braço, mas este conseguiu escapar, livrando oito degraus entre o quarto e o segundo andares, Aí, novamente, Papai Noel pôs a mão enluvada no fugitivo, mas um grupo de pessoas que saía do elevador poluiu a imagem e ele tornou a ganhar distância.

Na avenida a perseguição teve novos aspectos e emoções. A pista era melhor para corridas, mas ainda maior o número de pessoas e obstáculos. O ladrão, logo à saída da loja, chocou-se com uma mulher que carregava mil pacotes, pacotinhos e pacotões. Foram todos para o chão. Um propagandista de longas pernas de pau fez uma aterrissagem forçada, que o Aeroporto de Congonhas teria desaconselhado devido ao mau tempo. O Papai Noel também empurrava, esbarrava e derrubava, aduzindo ao seu esforço o clássico “pega ladrão!”, um refrão tão comum na cidade que não entendo como ainda não musicaram. Na primeira esquina, quase... Um carro bloqueou a fuga do homem, que ficou hesitante enquanto seu colorido perseguidor se aproxima em alta velocidade.

Consta que Papai Noel perseguiu o ladrão inclusive no Minhocão, de ponta a ponta, onde é proibida a circulação de pedestres. Também sem resultado.

A história, que nem história é, podia acabar aqui, mas prefiro que acabe lá.

Lá, onde?

Naquele quarto de subúrbio.

Aquela noite, o ladrão, à meia-noite em ponto, deu para o filho o belo presente das lojas Emperor, o trenzinho de pilha, que tinha luzes diversas e até apitava, excessivamente incrementado para qualquer garoto pobre.

O menino, que sabia dos apuros do pai, não recebeu alegremente a maravilha eletrônica.

-Papai, o senhor não devia ter comprado.

- Mas não comprei.

- Ahn?

- Ganhei.

- De quem?

- De Papai Noel, ora. Bom cara. Nem precisei pedir, Ele correu atrás de mim e me deu o presente. Disse que a pilha dura três meses. Legal, não?

 
Entendendo o texto

 

01. Além de sorrir e ajudar nas vendas de Natal, qual era a outra função que a loja Emperor esperava que o Papai Noel exercesse? 

a) Limpar a seção de brinquedos eletrônicos.

b) Vigiar o local de forma disfarçada para evitar furtos.

c) Distribuir doces e trenzinhos de pilha de graça.

d) Cuidar das crianças enquanto os pais faziam compras.

02. Durante a correria dentro e fora da loja, o Papai Noel e o ladrão acabaram causando:

a) Um grande silêncio na avenida por causa do susto das pessoas. 

b) Muita confusão, derrubando brinquedos, pacotes e até um homem em pernas de pau.

c) Um grave acidente de trânsito que parou o Aeroporto de Congonhas.

d) Uma festa na rua onde as pessoas começaram a cantar músicas de Natal.

03. O narrador afirma que a perseguição passou pelo "Minhocão". Esse detalhe indica que a história se passa em qual ambiente?

a) Em uma floresta encantada cheia de animais.

b) No interior de um shopping center muito antigo.

c) Em uma grande cidade urbana (como São Paulo).

d) Em uma praia deserta durante o feriado.

04. No final do texto, como o menino reage ao receber o trenzinho eletrônico de presente?

a) Ele fica muito feliz e vai correndo brincar na rua com os amigos. 

b) Ele fica desconfiado e preocupado, pois sabia das dificuldades financeiras do pai.

c) Ele rejeita o presente porque queria ganhar um brinquedo que não usasse pilhas.

d) Ele chora de tristeza porque o brinquedo veio quebrado e não acendia as luzes.

05. Qual é a grande mentira (ou justificativa) que o pai conta ao filho para explicar como conseguiu o brinquedo?

a) Diz que achou o trenzinho jogado no lixo perto do Minhocão.

b) Diz que trabalhou na loja Emperor e recebeu o brinquedo como pagamento.

c) Diz que o próprio Papai Noel correu atrás dele para lhe entregar o presente.

d) Diz que juntou moedas durante o ano inteiro para poder comprar o trem.

 

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