domingo, 28 de junho de 2026

FÁBULA: A ÁGUIA - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Águia

 

        Certo dia uma águia olhou para baixo, do alto do seu ninho, e viu uma coruja.

        -- Que estranho animal! – pensou consigo mesma. Certamente não se trata de um pássaro.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgSHM0vjgvcVlszXB1vmWsPWDcz1hyZ9fs-eD0nXxI-Y00BdlMZPXd4w_xnIUjnFOvTqQjcK-DzcsBHn9lPMCWO6RMvxpXdrBRfPXXBasbP3jWK9b3j96oMK5OOeIWp0df7VQmmsrPtvR4ThjVyMl-NuTCtAFe5Ws0Fi00uz8pDFLmiX3kzSZ4chj945sk/s1600/images.jpg


        Movida pela curiosidade, abriu suas grandes asas e pôs-se a descer voando em círculos.

        Ao aproximar-se da coruja perguntou:

        -- Quem é você? Como é seu nome?

        -- Sou a coruja – respondeu o pobre pássaro em voz trêmula, tentando esconder-se atrás de um galho.

        -- Há, há! Como você é ridícula! – riu a águia – sempre voando em torno da árvore. Só tem olhos e penas! Vamos ver – acrescentou, pousando num galho – vamos ver de perto como você é. Deixe-me ouvir sua voz. Se for tão bonita quanto sua cara vou ter que tapar os ouvidos.

        Enquanto isso a águia tentava, por meio das asas, abrir caminho por entre os galhos para apanhar a coruja.

        Porém um fazendeiro havia colocado, entre os galhos da árvore, diversos ramos cobertos de visgo, e também espalhara visgo nos galhos maiores.

        Subitamente a águia viu-se com as asas presas à árvore, e quanto mais lutava para se desvencilhar, mais grudadas ficavam suas penas.

        A coruja disse-lhe:

        -- Águia, daqui a pouco o fazendeiro vai chegar, apanhar você e trancá-la numa grande gaiola. Ou talvez a mate para vingar-se pelos cordeiros que comeu. Você, que passou toda a sua vida no céu, livre de qualquer perigo, tinha alguma necessidade de vir até aqui para caçoar de mim?

        Moral: A arrogância e a vaidade nos cegam para os perigos reais. Não devemos perder nosso tempo menosprezando ou caçoando dos outros, pois a soberba pode nos atrair para armadilhas das quais não conseguiremos escapar. Quem se julga superior e livre de perigos pode cair pela sua própria tolice.

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

 

01 – O que inicialmente motivou a águia a descer do alto do seu ninho para se aproximar da coruja?

      A águia foi movida pela curiosidade. Ao olhar para baixo e ver a coruja, achou-a um animal muito estranho e pensou que certamente não se tratava de um pássaro, decidindo voar até lá para ver de perto.

02 – Como a águia se comportou ao interagir com a coruja e quais características da coruja ela ridicularizou?

      A águia comportou-se de forma arrogante, prepotente e cruel. Ela riu da coruja, chamou-a de ridícula e caçoou de sua aparência física, dizendo que ela "só tinha olhos e penas" e ironizando que a voz dela deveria ser tão feia quanto a sua cara.

03 – Como a águia acabou ficando presa na árvore?

      Enquanto tentava abrir caminho por entre os galhos com as asas para apanhar a coruja, a águia acabou encostando em vários ramos e galhos maiores que um fazendeiro havia coberto com visgo (uma substância grudenta usada para capturar aves). Quanto mais ela lutava para se soltar, mais suas penas ficavam grudadas.

04 – Quais foram as duas possíveis consequências que a coruja previu para o destino da águia após ser capturada pelo fazendeiro?

      A coruja previu que o fazendeiro poderia trancar a águia em uma grande gaiola ou, pior, matá-la para se vingar pelos cordeiros que ela havia comido no passado.

05 – Qual é o principal questionamento que a coruja faz à águia no final do texto e o que esse questionamento revela sobre o erro da águia?

      A coruja questiona por que a águia, que passou a vida inteira livre de perigos no céu, sentiu a necessidade de descer até ali apenas para caçoar dela. Esse questionamento revela que o erro da águia foi agir por pura vaidade e malícia; ela não precisava daquela situação para sobreviver, mas colocou sua própria liberdade em risco apenas pelo prazer de humilhar alguém.

 

 

 

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