Fábula: A Águia
Certo
dia uma águia olhou para baixo, do alto do seu ninho, e viu uma coruja.
-- Que estranho animal! – pensou consigo mesma. Certamente não se trata
de um pássaro.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgSHM0vjgvcVlszXB1vmWsPWDcz1hyZ9fs-eD0nXxI-Y00BdlMZPXd4w_xnIUjnFOvTqQjcK-DzcsBHn9lPMCWO6RMvxpXdrBRfPXXBasbP3jWK9b3j96oMK5OOeIWp0df7VQmmsrPtvR4ThjVyMl-NuTCtAFe5Ws0Fi00uz8pDFLmiX3kzSZ4chj945sk/s1600/images.jpg Movida
pela curiosidade, abriu suas grandes asas e pôs-se a descer voando em círculos.
Ao
aproximar-se da coruja perguntou:
-- Quem é você? Como é seu nome?
-- Sou a coruja – respondeu o pobre pássaro em voz trêmula, tentando
esconder-se atrás de um galho.
-- Há, há! Como você é ridícula! – riu a águia – sempre voando em torno
da árvore. Só tem olhos e penas! Vamos ver – acrescentou, pousando num galho –
vamos ver de perto como você é. Deixe-me ouvir sua voz. Se for tão bonita
quanto sua cara vou ter que tapar os ouvidos.
Enquanto
isso a águia tentava, por meio das asas, abrir caminho por entre os galhos para
apanhar a coruja.
Porém
um fazendeiro havia colocado, entre os galhos da árvore, diversos ramos
cobertos de visgo, e também espalhara visgo nos galhos maiores.
Subitamente
a águia viu-se com as asas presas à árvore, e quanto mais lutava para se
desvencilhar, mais grudadas ficavam suas penas.
A
coruja disse-lhe:
-- Águia, daqui a pouco o fazendeiro vai chegar, apanhar você e
trancá-la numa grande gaiola. Ou talvez a mate para vingar-se pelos cordeiros
que comeu. Você, que passou toda a sua vida no céu, livre de qualquer perigo,
tinha alguma necessidade de vir até aqui para caçoar de mim?
Moral:
A arrogância e a vaidade nos cegam para os perigos reais. Não devemos perder
nosso tempo menosprezando ou caçoando dos outros, pois a soberba pode nos
atrair para armadilhas das quais não conseguiremos escapar. Quem se julga
superior e livre de perigos pode cair pela sua própria tolice.
Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo
Da Vinci (Século XV).
Entendendo a fábula:
01 – O que
inicialmente motivou a águia a descer do alto do seu ninho para se aproximar da
coruja?
A águia foi movida pela curiosidade. Ao olhar para baixo e ver a coruja, achou-a um animal muito estranho e pensou que certamente não se tratava de um pássaro, decidindo voar até lá para ver de perto.
02 – Como a águia se
comportou ao interagir com a coruja e quais características da coruja ela ridicularizou?
A águia comportou-se de forma arrogante, prepotente e cruel. Ela riu da coruja, chamou-a de ridícula e caçoou de sua aparência física, dizendo que ela "só tinha olhos e penas" e ironizando que a voz dela deveria ser tão feia quanto a sua cara.
03 – Como a águia
acabou ficando presa na árvore?
Enquanto tentava abrir caminho por entre os galhos com as asas para apanhar a coruja, a águia acabou encostando em vários ramos e galhos maiores que um fazendeiro havia coberto com visgo (uma substância grudenta usada para capturar aves). Quanto mais ela lutava para se soltar, mais suas penas ficavam grudadas.
04 – Quais foram as
duas possíveis consequências que a coruja previu para o destino da águia após
ser capturada pelo fazendeiro?
A coruja previu que o fazendeiro poderia trancar a águia em uma grande gaiola ou, pior, matá-la para se vingar pelos cordeiros que ela havia comido no passado.
05 – Qual é o
principal questionamento que a coruja faz à águia no final do texto e o que
esse questionamento revela sobre o erro da águia?
A coruja
questiona por que a águia, que passou a vida inteira livre de perigos no céu,
sentiu a necessidade de descer até ali apenas para caçoar dela. Esse
questionamento revela que o erro da águia foi agir por pura vaidade e malícia;
ela não precisava daquela situação para sobreviver, mas colocou sua própria
liberdade em risco apenas pelo prazer de humilhar alguém.
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