Conto: UM CRIME QUASE PERFEITO – Parte Final
Chamei
o garçom, paguei a bebida que não tomara, embarquei num táxi e fui à casa da
criada. No quarto, me sentei à frente dela.
—
Olhe-me nos olhos – disse-lhe – e veja bem o que vai responder: a senhora
Stevens tomava uísque com gelo ou sem gelo?
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgiodpkbtZDoGkHI_To4Ri4tUIJEOa0BfPgSdnOG42xEKXcoq3D3Je6z8ksKL9YRPN7fONKgfx_93tkSqfer4XQxeDa5GrK0K4KSeXUaYaSywzS5SlBpied1gsrfRT1AAfN4jaJV5io9420ltbhvj7HYy18ErPswOaM8gjKE9bClqbCIOZfaKUTJ_5_s_k/s1600/CRIME.jpg — Com
gelo, senhor.
— Onde
comprava o gelo?
—
Não comprava, senhor. Em casa há uma geladeira pequena que faz gelo em cubinhos
– e a criada, como acordando, prosseguiu: — Agora me lembro, a geladeira estava
estragada. Ontem, o senhor Pablo a consertou num instante.
Uma
hora depois nos encontrávamos na residência da senhora Stevens: o químico de
nosso laboratório, o técnico da fábrica que vendera a geladeira, o juiz de
instrução e eu. O técnico retirou a água do depósito do congelador e vários
cubinhos de gelo. O químico iniciou seu trabalho e, minutos depois, disse:
—
A água está envenenada, os cubos também.
Olhamo-nos,
contentes. O mistério tinha terminado.
Agora
era um mero jogo a reconstituição do crime. O doutor Pablo, ao trocar o fusível
da geladeira (era este o defeito, segundo o técnico), lançara no congelador
certa quantidade de veneno dissolvido em água. Sem suspeitar, a senhora Stevens
preparava seu uísque. Retirara um cubinho do congelador (o que explicava o
prato com gelo derretido, encontrado na mesa) e o colocara no
copo. Sem imaginar que a morte a esperava em seu vício, passara a
ler o jornal, até que, julgando o uísque suficientemente gelado, tomara um
gole. Os efeitos não tardaram.
Faltava
prender o veterinário. Em vão o esperamos em sua casa. Ignoravam onde estava.
No laboratório da indústria leiteira nos informaram que lá chegaria só às dez
da noite.
Às
onze, o juiz, meu superior e eu nos apresentamos no laboratório da Erpa. O
doutor Pablo, quando nos viu em grupo, levantou o braço, como se quisesse
anatematizar nossas conclusões. Abriu a boca e despencou ao lado de uma mesa de
mármore. Um infarto o matara. Em seu armário estava o frasco do veneno. Foi o
assassino mais engenhoso que conheci.
Entendendo o conto:
01 – Qual é afinal, a terceira hipótese para o
crime?
A terceira hipótese é a de que o veneno não havia sido
colocado diretamente na bebida, na comida ou no copo, mas sim dentro da água do
congelador da geladeira, misturando-se aos cubos de gelo que a vítima usaria
mais tarde.
02 – Qual a primeira atitude do narrador ao
imaginar essa última hipótese para o crime? Por quê?
A primeira atitude do narrador foi chamar o garçom, pagar a
bebida que nem chegou a tomar, pegar um táxi e ir direto à casa da criada da
senhora Stevens. Ele fez isso porque precisava confirmar urgentemente se a
vítima tomava uísque com gelo e de onde vinha esse gelo.
03 – Quem se tornou o suspeito número um?
Explique por que razão.
O doutor Pablo tornou-se o suspeito número um. A razão é que
a criada revelou que a geladeira estava estragada e que ele a havia
"consertado" no dia anterior. Isso deu a ele a oportunidade perfeita
para colocar o veneno na água do congelador sem que ninguém desconfiasse.
04 – A reconstituição é a história do crime
contada de acordo com uma hipótese baseada em fortes evidências. Explique com
suas palavras como o crime foi cometido.
O doutor Pablo foi até a casa da vítima com o pretexto de
consertar a geladeira (que era apenas um fusível queimado). Enquanto fazia o
conserto, ele jogou veneno dissolvido na água do depósito do congelador. Mais
tarde, sem saber de nada, a senhora Stevens preparou seu uísque e colocou um
cubo daquele gelo envenenado no copo. Enquanto ela lia o jornal, o gelo
derreteu, liberando o veneno na bebida. Ao dar o primeiro gole, ela morreu.
05 – Em que lugares o assassino foi procurado?
Ele foi procurado primeiro em sua própria casa e, como não
estava lá, foi procurado e encontrado no laboratório da indústria leiteira
(Erpa), onde trabalhava.
06 – O assassino foi preso? O que aconteceu?
Não, ele não chegou a ser preso pelas autoridades. Ao ver o
narrador, o juiz e o superior entrando juntos no laboratório, o doutor Pablo
percebeu que havia sido descoberto, teve um infarto fulminante e caiu morto ali
mesmo.
07 – Onde foi encontrado o envoltório do
veneno?
O frasco contendo o veneno foi encontrado dentro do armário
do doutor Pablo, no laboratório.
08 – Podemos dizer que o final foi
surpreendente? Por quê?
Sim, por dois motivos principais: primeiro, pela
engenhosidade do crime (o veneno estava escondido no gelo, algo difícil de
rastrear antes de derreter); e segundo, pelo destino do assassino, que morreu
de causas naturais (um ataque cardíaco provocado pelo susto/pressão de ser
pego) segundos antes de receber a voz de prisão, frustrando o desfecho
tradicional de um julgamento.
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