Fábula: A Amoreira
A
pobre amoreira não suportava mais aquilo. Agora, que seus galhos estavam
novamente carregados de amoras, os insolentes melros bicavam e estragavam todos
os ramos com o bico e com as patas.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgl93IZDyIeh0x63hXEXu7pnTFkK-6affOU0OO0wib58Bf29drcpqeBAFmeu7nTNYUgA5suuE3U3yXwyjKgXptjXH0jlt7A16NXCrkGl_-hChM_XUxQuHYU89BnMFMR6TcEPxMpRYWr319X4evGXYVJHhC7c2YEN-SzYhbLLUHy_R0d2yVhZtKeYShZSs/s320/istockphoto-2197969242-612x612.jpg
-- Por favor – suplicou a amoreira, dirigindo-se ao melro mais importuno
– poupe ao menos minhas folhas! Sei que vocês gostam muito dos meus frutos, que
são seus preferidos. Porém não me privem da sombra de minhas folhas, que me
protegem contra os raios do Sol. E não me estraguem com as patas, não arranquem
minha casca macia.
A
essas palavras o melro, ofendido, respondeu:
-- Silêncio, sua mal-educada! Você não sabe que a natureza fez você
produzir essas frutas apenas para me alimentar? Não sabe, sua estúpida, que
quando chegar o inverno você vai servir apenas para alimentar o fogo?
Ao
ouvir essas palavras a amoreira pôs-se a chorar baixinho.
Algum
tempo depois o insolente melro caiu numa armadilha preparada por um homem. A
fim de construir uma gaiola para o pássaro, o homem cortou os galhos de uma
sebe, e coube à amoreira fornecer a madeira para as barras da gaiola.
-- Oh! Melro, disse a amoreira – ainda estou aqui. Quando você era livre
vinha me importunar, e agora são meus galhos que impedem sua liberdade. Ainda
não fui consumida pelo fogo, como você disse que ia acontecer. Você não me viu
queimada, mas eu estou vendo você prisioneiro.
Moral:
A soberba e a ingratidão mais cedo ou mais tarde cobram o seu preço. Não
devemos menosprezar ou humilhar os outros quando estamos por cima (ou em uma
posição de privilégio), pois o mundo dá voltas e a vida pode nos colocar em uma
posição de total dependência daqueles que um dia maltratamos. Além disso,
mostra que a arrogância nos impede de ver o valor do que nos sustenta.
Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo
Da Vinci (Século XV).
Entendendo a fábula:
01 – Qual era o
apelo que a amoreira fez ao melro e por quê?
A amoreira suplicou para que o melro poupasse ao menos as suas folhas, sua casca macia e seus ramos. Ela entendia que os pássaros gostavam de comer seus frutos, mas precisava das folhas para se proteger dos raios intensos do sol.
02 – Como o melro
reagiu ao pedido da amoreira?
O melro reagiu de forma extremamente arrogante, insolente e ofensiva. Ele chamou a amoreira de "mal-educada" e "estúpida", afirmando que ela existia apenas para alimentá-lo e que, no inverno, ela só serviria para virar lenha no fogo.
03 – O que aconteceu
com o melro algum tempo depois de ter humilhado a amoreira?
O melro acabou caindo em uma armadilha preparada por um homem e foi capturado, perdendo a sua preciosa liberdade.
04 – De que maneira
a amoreira acabou fazendo parte do destino do melro na prisão?
Para construir a gaiola onde o melro ficaria preso, o homem utilizou justamente a madeira dos galhos da amoreira para fazer as barras da gaiola. Assim, a árvore que ele humilhou passou a ser o que limitava a sua liberdade.
05 – No final da
fábula, qual o sentido da frase da amoreira: "Você não me viu queimada,
mas eu estou vendo você prisioneiro"?
A frase serve
para confrontar a soberba do melro. Ela mostra que a previsão cruel dele (de
que ela seria destruída pelo fogo) não se realizou, enquanto o destino dele
mudou drasticamente para pior. Ela destaca a ironia da vida: o pássaro que se
achava superior e livre terminou preso pelos galhos da árvore que ele tanto
desprezou.
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