terça-feira, 2 de junho de 2026

CONTO: O HOMEM QUE TEVE QUE CUIDAR DA CASA - COM GABARITO

 Conto: O Homem que teve que cuidar da casa

        Era uma vez um homem muito rabugento e mal-humorado, que nunca achava certo nada que a mulher fizesse em casa. Uma tarde, na época de secar o feno, ele chegou em casa reclamando que o jantar não estava pronto, o bebê estava chorando e a vaca não tinha sido recolhida ao estábulo.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhzFwP_POqRJ_pIAgo74yOMMmOLhu-WpBNazIz02pg0MXe2VZf3nRM9Ftq2U02b4cAS7vnoyobcpn5ZuXzxUxBiDrtwas87L24uO6AlY8CZD5wwGypbur2h_VKgzCoOHuUtH2jlfUcG2pS0eFT6MjGpDNrpd7VJctKchFZEyrTW6c3jhFeeNZ5k6RrEq20/s1600/HOMEM.jpg


        -- "Eu trabalho o dia inteiro", ele resmungou. "Você fica só aqui cuidando da casa. Bem que eu queria essa moleza para mim. Eu ia aprontar o jantar na hora, palavra."

        -- "Amorzinho querido, não fique zangado", disse a mulher. "Amanhã vamos trocar nossos trabalhos. Eu saio com os ceifeiros, corto feno, e você fica aqui, cuidado da casa".

        O marido achou que daria certíssimo.

        -- "É, eu ganho um dia livre", ele disse, "faço todos os seus afazeres em uma hora ou duas e durmo o resto da tarde inteira".

        Assim, na manhã seguinte, bem cedo, a mulher pendurou a foice no ombro e partiu com os ceifeiros. O marido ficou incumbido de fazer todo o trabalho doméstico.

        Em primeiro lugar, lavou umas roupas e começou a bater a manteiga. Mas depois de bater um pouquinho, lembrou que tinha que pendurar as roupas para secar. Saiu para o quintal e mal tinha acabado de estender suas camisas quando viu o porco correndo para dentro da cozinha.

        Voou para a cozinha para tratar do porco, temendo que estragasse a manteiga. Mas logo que entrou, viu o porco derrubando a batedeira. Lá estava ele, grunhindo e chafurdando o creme, que escorria pelo chão da cozinha inteira. O homem ficou tão louco da vida que esqueceu das camisas no varal e partiu para cima do porco.

        Conseguiu agarra-lo, mas o porco estava tão lambuzado de manteiga, que lhe escapuliu dos braços e saiu porta afora. O homem correu para o quintal, decidido a pegar o porco de qualquer jeito, mas estacou apavorado quando viu o bode, parado bem debaixo do varal e mascando as camisas. Então o homem espantou o bode, trancou o porco e tirou do varal o que sobrara das camisas.

        Em seguida foi à leiteira, pegou creme bastante para encher de novo a batedeira e recomeçou a bater, pois tinham que ter manteiga para o jantar. Quando já tinha batido um pouco, lembrou que a vaca ainda estava fechada no estábulo sem ter comido nem bebido nada a manhã toda; e o sol já estava alto.

        Matutando que o pasto ficava muito longe para levar a vaca até lá, decidiu coloca-la em cima da casa, pois o telhado, como se sabe, era coberto de capim. A casa ficava perto de um morro íngreme e ele achou que, estendendo uma tábua larga da lateral do morro até o telhado, levaria facilmente a vaca para cima.

        Mas não podia abandonar a batedeira, pois lá vinha o bebê engatinhando pela casa. – "Se eu deixar a batedeira", ele pensou, "a criança com certeza vai estragar tudo".

        Assim, ajeitou a batedeira às costas e saiu carregando-a. Aí, pensou que era melhor dar água à vaca antes de leva-la para o telhado e pegou um balde para tirar água do poço. Porém, quando se debruçou na borda do poço, o creme escorreu para fora da batedeira, por cima dos ombros, pelas costas e caiu todo no poço.

        Agora já estava quase na hora do jantar e ele nem ao menos tinha feito a manteiga! Então, logo que colocou a vaca no telhado, achou melhor ferver o mingau. Encheu o caldeirão de água e pendurou-o sobre o fogo.

        Quando acabou, imaginou que a vaca pudesse cair do telhado e quebrar o pescoço. Então subiu na casa para prende-la. Amarrou uma ponta da corda no pescoço da vaca e a outra ele passou pelo buraco da chaminé. Voltou para dentro da casa e amarrou a ponta da corda na cintura. Tinha que se apressar, pois a água começava a ferver no caldeirão e ele ainda tinha que moer a aveia.

        Começou a moer bem rápido! Mas quando estava bem empenhado., a vaca acabou caindo do telhado e na queda arrastou o homem pela chaminé, suspenso pela corda! Ele ficou entalado, bem apertado. E a vaca ficou balançando ao lado da casa, entre o céu e a terra, sem conseguir nem subir nem descer.

        Enquanto isso a mulher lá no campo, estava esperando o marido chamá-la para jantar. Por fim, achou que já tinha esperado demais e foi para casa.

        Quando chegou e viu a vaca pendurada tão insolitamente, correu para cima e cortou a corda com a foice. Mas logo que cortou, o marido despencou da chaminé! Quando ela entrou na cozinha, encontrou-o de cabeça para baixo, enterrado no caldeirão de mingau.

        -- "Que bom que você voltou", ele disse, depois que ela o pescou. "Preciso lhe dizer uma coisa".

        Então ele pediu desculpas, beijou-a e nunca mais reclamou de nada. 

BENNETT, William J. (Org.). O Livro das Virtudes. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1995. p. 245-247.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 80-82.

Entendendo o conto:

01 – No início do conto, qual é a principal reclamação do marido em relação ao trabalho de sua esposa e que proposta ela faz para resolver o desentendimento?

      O marido, que era muito rabugento e mal-humorado, reclamava que o trabalho doméstico da esposa era uma "moleza" e que ela passava o dia "só cuidando da casa", enquanto ele trabalhava duro no campo. Para acabar com as reclamações, a esposa propõe, de forma gentil, que eles troquem de papéis no dia seguinte: ela iria para o campo cortar o feno com os ceifeiros e ele assumiria os afazeres domésticos.

02 – O que o marido imaginava que aconteceria no seu dia cuidando da casa e qual foi a primeira sequência de acidentes que desmistificou essa ideia?

      O marido acreditava piamente que terminaria todo o serviço doméstico em apenas uma ou duas horas e que passaria o restante da tarde inteira dormindo. No entanto, a realidade foi bem diferente: enquanto tentava lavar as roupas e bater a manteiga, um porco invadiu a cozinha e derrubou o creme no chão; ao tentar perseguir o porco, ele acabou deixando o bode mastigar as camisas que estavam no varal.

03 – Por que o homem decidiu colocar a vaca em cima do telhado da casa e qual foi a solução arquitetônica que ele idealizou para fazer isso?

      O sol já estava alto e o homem percebeu que a vaca continuava trancada no estábulo sem comer nem beber. Como ele achava que o pasto ficava longe demais para levá-la, decidiu colocá-la no telhado porque, na época, as casas tinham o teto coberto de capim. Para subir o animal, ele aproveitou que a casa ficava perto de um morro íngreme e estendeu uma tábua larga ligando a lateral desse morro diretamente ao telhado.

04 – A batedeira de manteiga causou dois grandes prejuízos ao homem. Explique o que aconteceu com o creme de manteiga na cozinha e, posteriormente, no poço.

      O primeiro prejuízo ocorreu quando o porco entrou na cozinha e derrubou a batedeira, chafurdando e espalhando o creme por todo o chão. Depois de limpar a sujeira e pegar mais creme na leiteira, o homem amarrou a batedeira nas costas para protegê-la do bebê que engatinhava. Porém, ao se debruçar na borda do poço para tirar água para a vaca, a batedeira virou e todo o creme novo escorreu por seus ombros diretamente para dentro do poço.

05 – Para evitar que a vaca caísse do telhado, o marido elaborou um sistema de segurança peculiar utilizando uma corda. Como funcionava esse sistema e o que aconteceu quando a vaca de fato caiu?

      O homem amarrou uma ponta da corda no pescoço da vaca, passou a outra ponta pelo buraco da chaminé para o lado de dentro da casa e amarrou essa extremidade na sua própria cintura. Quando a vaca escorregou e caiu do telhado, o peso do animal arrastou o homem para cima através da chaminé. Ele ficou rigidamente entalado na estrutura, enquanto a vaca ficou balançando do lado de fora da casa, suspensa entre o céu e a terra.

06 – Como a esposa resolveu a situação caótica do lado de fora da casa ao retornar do campo e qual foi a consequência imediata dessa ação para o marido que estava no interior da residência?

      Ao chegar do campo e ver a vaca pendurada de forma tão bizarra, a esposa correu instantaneamente e cortou a corda usando a sua foice de ceifeira para salvar o animal. A consequência imediata para o marido foi desastrosa: sem o contrapeso da vaca, ele despencou chaminé abaixo e caiu direto, de cabeça para baixo, enterrado dentro do caldeirão de mingau que estava fervendo no fogo.

07 – Apesar de todas as trapalhadas e acidentes, o desfecho da história traz uma mudança profunda no comportamento do marido. Qual foi a lição que ele aprendeu com essa experiência?

      O marido aprendeu, da pior maneira possível, a valorizar o trabalho doméstico e a dedicação de sua esposa. Ele percebeu que cuidar de uma casa e de uma criança exige muito esforço, atenção mútua e agilidade, não tendo nada de "moleza". Após ser "pescado" do caldeirão, ele reconheceu seus erros, pediu desculpas, beijou a esposa e nunca mais reclamou das tarefas dela.

 

 

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