quarta-feira, 25 de abril de 2018

ARTIGO DE OPINIÃO: USAR ÁGUA SIM; DESPERDIÇAR NUNCA - ANTONIO ERMÍRIO DE MORAES


ARTIGO DE OPINIÃO: USAR ÁGUA SIM; DESPERDIÇAR NUNCA


     O verão veio bravo. Ninguém aguenta o calor. É tempo de piscina, praia, refrescos, sorvetes e muito desperdício de água.
        Esse mau hábito não é novo. Ao ler uma instrutiva reportagem publicada pelo “Estado” (6/2/2006), fiquei estarrecido ao sabor que o consumo por pessoa em São Paulo é de 200 litros recomendados pela ONU.
        Em 2005, o consumo da água na região da Grande São Paulo aumentou 4% em relação a 2004. Só em dezembro, foram consumidos 128 milhões de metros cúbicos de água – o maior consumo desde 1997.
       É uma soma fantástica e sinalizadora de muito desperdício. Os repórteres responsáveis pela reportagem mencionada “flagraram” muitas pessoas lavando as calçadas com mangueira a jato em lugar de vassoura. Trata-se de um luxo injustificável. No consumo doméstico, cerca de 72% da água são gastos no banheiro e, neste, o chuveiro responde por 47%. Os banhos exageradamente demorados desperdiçam água e energia elétrica.
        É verdade que o asseio é uma das virtudes dos brasileiros e devemos conservá-la. Mas não há necessidade de ficar meia hora debaixo do chuveiro para manter a boa higiene. Quando estudei nos Estados Unidos, há mais de 50 anos, a dona da república onde morava, uma senhora franzina e de cara muito fechada, me fez pagar uma sobretaxa de aluguel porque sabia que, como brasileiro, eu estava acostumado a tomar banho todos os dias e a “gastar” muita água. Na época, garoto novo, achei a mulherzinha um monstro de avareza. Hoje, vejo que todas as nações do mundo precisam economizar água.
        O Brasil é um país abençoado por possuir cerca de 20% da água do mundo. Isso é um privilégio quando se considera que só 3% da água do planeta é aproveitável e que mesmo esses 3% não são imediatamente utilizáveis, porque uma grande parte está nas geleiras longínquas e em aquíferos profundos. Na verdade, a quantidade de água que pode ser usada para alimentar os seres vivos, gerar energia e viabilizar a agricultura é de aproximadamente 0,3%.
        Desse ponto de vista, a água é um bem escasso. Não é porque temos 20% da água do mundo que podemos perde-la irresponsavelmente. O uso da água precisa ser racionalizado, em especial nas grandes aglomerações urbanas, onde os mananciais não dão conta de atender a população.
        O Brasil já possui uma lei das águas, promulgada em 1997, cujo objetivo central é o de “assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água”. Recentemente, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos aprovou o plano Nacional de Recursos Hídricos, com vistas a induzir o uso racional da água.
        Tais instrumentos são importantes. Mas o Brasil ganhará muito se as escolas e as famílias ensinarem as crianças a não repetirem os desperdícios praticados pelos adultos. Comece hoje a ensinar seus filhos e netos. E, sobretudo, dê o bom exemplo. Afinal, para mudar hábitos, os exemplos e a educação são peças-chave.

                            Antônio Ermírio de Moraes. Folha de São Paulo, 12 fev. 2006.

Entendendo o texto:
01 – A que assunto o artigo de Antônio Ermírio de Moraes se refere?
      Ao desperdício de água no Brasil.

02 – Qual é a posição apresentada no título a respeito do assunto do artigo? Copie os trechos do texto em que essa posição é reafirmada.
      O autor é contra o desperdício de água, de acordo com o título; “Esse mau hábito não é novo”, “é uma soma fantástica e sinalizadora de muito desperdício”; “trata-se de um luxo injustificável”; entre outros.

03 – Do ponto de vista do articulista, o que deve ser feito a respeito do desperdício de água?
      O consumo de água precisa ser racionalizando e o bom exemplo deve ser dado na escola e nas famílias no sentido de educar as futuras gerações.

04 – Em que parágrafos essas ideias são expressas?
      Essas ideias aparecem no sétimo e no nono parágrafos.
       

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