sábado, 16 de junho de 2018

TEXTO: O BRASIL DOS RONALDOS - RB REVISTA DO BRASIL - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


Texto: O Brasil dos Ronaldos
       
Mesmo fora de forma e acima do peso, eles não abrem mão de correr atrás da bola e da diversão para aliviar o estresse. Especialistas alertam sobre os riscos para o esportista eventual que não prepara o seu corpo.

        Já passava das três e meia da tarde e os quatro homens em trajes de futebol esperam sob o sol suave de outono diante do campo de futebol soçaite na quadra 904 Sul, em Brasília. Eles costumam jogar no Iate Clube, ocupado pela festa junina, mas a pelada de sábado é sagrada e precisavam de uma alternativa. Cada um veste a camisa de um time e o jeito de distinguir as equipes será a cor dos coletes que logo alguém haverá de trazer. Os peladeiros chegam aos poucos. Finalmente foi atingido o quorum.
        Ops, passou, já são 16... Tudo bem. O importante é competir. Com a chegada de reforços, os times já podem ter nove jogadores e se dar ao luxo de jogar com sete de cada lado – como pede a regra – e ainda ter dois suplentes, não para uma possível mudança tática, mas para revezar o fôlego. Falta o responsável pelos coletes, mas a bola estando ali, dá-se um jeito: o time da direita tira as camisas. Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo.
        A brincadeira dessa turma de jornalistas de Brasília acontece há tanto tempo, quase duas décadas, que já incorporou profissionais de outras áreas e filhos dos atletas. Um dos organizadores, Jânio Lessa, brinca que a aceitação de médicos e fisioterapeutas foi oportuna, “só falta o reforço de um psiquiatra”. Luís Lima, o Lula, sofre quando precisa faltar, nem que seja para organizar o Trem do Forró de Recife, sua cidade de origem: “Prefiro jogar”. João Forni, com a camisa do Grêmio, confirma: “A pelada é sagrada”. Um dos sem-camisa, o diplomata José Renato, viveu um dilema quando estudava para o concurso do Instituto Rio Branco. Tinha exames no domingo, mas não conseguia faltar à pelada da véspera. “Preferia conviver com a ‘culpa’ de não ter estudado como deveria.” Ainda bem que passou.
        As peladas de fim de semana fazem parte da vida de milhões de brasileiros e, cada vez mais, brasileiras. Algumas são mais organizadas, têm calendário e razão social, rendem associações e campeonatos. Mas a maioria é pura diversão, sem juiz ou bandeirinha, com atacantes e defensores se revezando até para defender o gol. E a diversão não se restringe ao futebol: vôlei, basquete e tênis também fazem parte dos remédios antiestresse.


        Lívia Borges dos Santos joga de tudo desde pequena. No colégio e na faculdade tinha treinos intensivos para participar de campeonatos. Mas o fim da faculdade levou embora o tempo livre e ela ingressou no time dos atletas de fim de semana. “A gente combina durante a semana, via internet, e se encontra nas quadras do Ibirapuera para formar três ou quatro times de handebol ou futsal. Cada partida dura mais ou menos cinco minutos ou dois gols, quem ganhar fica na quadra”.
        A administradora Luciana Stocco de Campos, que mora em Paulínia (SP) e trabalha em Campinas, também treinava intensamente para campeonatos de vôlei e tênis quando era estudante. Mas o trabalho tomou-lhe o tempo e sobrou o fim de semana, que ela faz questão de usar como válvula de escape. “O problema é que a gente adquire hábitos errados como comer além da conta, beber, fumar. Ganhei oito quilos em oito anos. Pode não ser muito, mas na hora de jogar a diferença aparece e o corpo sofre”, lamenta.
Brincadeira arriscada
        Cardiologistas e ortopedistas alertam para os altos riscos dos exercícios eventuais porém intensos de pessoas sem preparo físico. Não há estatísticas confiáveis, até por falta de uma notificação, mas o médico responsável pelo setor de Cardiologia do Esporte do Instituto Dante Pazzanese e pelo check-up esportivo do Hospital do Coração, Nabil Gorayeb, conta que não é pequeno o número dos que encontram no esporte de fim de semana o gatilho para um enfarte. “Quem gosta de atividades esportivas tem de se preparar, conhecer o esporte e treinar”, afirma.
        A “sorte” de quem exagera nos exercícios de fim de semana, segundo Gorayeb, é que o trauma ortopédico vem antes do cardiovascular e às vezes “salva a pessoa”. O professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Arnaldo Hernandez, chefe do núcleo de medicina do esporte do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica: “Se a pessoa faz um esforço grande depois de ficar cinco dias sem fazer exercícios, tolera um nível de sobrecarga muito menor. Há o risco de a recuperação de uma fadiga demorar mais de cinco dias e um novo esforço provocar uma soma de fadigas – gerando lesões por sobrecarga repetitiva que são as tendinopatias, ou doenças dos tendões”.
        Outro risco são as lesões traumáticas agudas do esporte: torção de tornozelo, distensão ou ruptura muscular por falta de condicionamento específico. O jornalista e peladeiro de Brasília Policarpo Júnior sabe bem o que isso significa: “Torço constantemente o tornozelo por conta do despreparo físico”. O ortopedista Hernandez diz que ele precisa treinar o chamado “gesto esportivo”, com exercícios específicos para saltar, chutar, mudar de direção, bloquear e fazer fintas: “Sem isso, a musculatura não responde como deveria e abre caminho para a lesão”. Mas Policarpo não desiste da sagrada pelada que frequenta há 15 anos. “A grande vantagem é o relaxamento mental que ela proporciona. O objetivo é brincar, brigar, xingar um ao outro e depois tomar uma cerveja para falar sobre os melhores momentos da partida.”
        A goleira de futebol soçaite Lais Kerry, de 21 anos, treinou alguns anos intensivamente e parou por causa do trabalho. Como adora o esporte, joga nos fins de semana e percebe que tem mais dificuldade. Ela se machuca pouco: “É preciso jogar com proteções para a mão e as articulações, mas o máximo que acontece é ficar com alguma marca roxa ou uma torção de tornozelo. Já me contaram muitos casos de jogadores de fim de semana que tiveram ataques cardíacos no meio da partida, mas ainda me sinto segura”.
                                                 RB Revista do Brasil n° 2, julho 2006.
                                               www.redebrasilatual.com.br – revistas.
Entendendo o texto:
01 – Qual o título do texto?
      O Brasil dos Ronaldos.
02 – Por que foi dado esse título para o texto?
       Porque fala de pessoas que mesmo fora de forma e acima do peso, eles não abrem mão de correr atrás da bola e da diversão para aliviar o estresse.
03 – Onde eles se encontravam para a partida de futebol? E como era chamado o jogo?
      Na quadra 904 Sul, em Brasília. Eram chamados de peladeiros.
04 – Quantos jogadores tem cada time? E os que sobram, o que fazem?
      São 07 jogadores cada time. Os que sobram ficam para revezar o fôlego, dos que vão cansando.
05 – Os times dos peladeiros eram formados por pessoas de várias profissões, quais são elas?
      Eram jornalistas, médicos, fisioterapeutas e os filhos dos atletas.
06 – As peladas de fim de semana, fazem parte da vida de milhões de brasileiros, quais são os tipos de esportes praticados por eles?
      Além do futebol, praticam o vôlei, o basquete, o tênis, etc.
07 – De acordo com Lívia Borges dos Santos, que também entrou para o time dos fins de semana, como eles combinam e dividem-se para as partidas?
      “A gente combina durante a semana, via internet, e se encontra nas quadras do Ibirapuera para formar três ou quatro times de handebol ou futsal. Cada partida dura mais ou menos cinco minutos ou dois gols, quem ganhar fica na quadra”.
08 – A administradora Luciana Stocco de Campos, também tornou-se atleta do fim de semana, qual o seu esporte e qual a sua mensagem?
      Ela pratica vôlei e tênis, e diz: “O problema é que a gente adquire hábitos errados como comer além da conta, beber, fumar. Ganhei oito quilos em oito anos. Pode não ser muito, mas na hora de jogar a diferença aparece e o corpo sofre”, lamenta.

09 – Por que os Cardiologistas e ortopedistas, acham uma brincadeira arriscada?
      Eles alertam para os altos riscos dos exercícios eventuais, porém intensos de pessoas sem preparo físico. Dizem ser um gatilho para o enfarte. “Quem gosta de atividades esportivas tem de se preparar, conhecer o esporte e treinar”, afirma.

10 – Qual a mensagem deixada pelo professor Dr. Arnaldo Hernandez, ao esportista do fim de semana?
      “Se a pessoa faz um esforço grande depois de ficar cinco dias sem fazer exercícios, tolera um nível de sobrecarga muito menor. Há o risco de a recuperação de uma fadiga demorar mais de cinco dias e um novo esforço provocar uma soma de fadigas – gerando lesões por sobrecarga repetitiva que são as tendinopatias, ou doenças dos tendões”.

11 – Quais outros riscos, que podem ter os atletas do fim de semana?
      Lesões traumáticas agudas, torção de tornozelo, distensão ou ruptura muscular por falta de condicionamento específico.

12 – Para os atletas do fim de semana, o que é mais importante?
      “A grande vantagem é o relaxamento mental que ela proporciona. O objetivo é brincar, brigar, xingar um ao outro e depois tomar uma cerveja para falar sobre os melhores momentos da partida.”
13 – A goleira de futebol soçaite Laís Kerry, que também participa do fim de semana, qual a mensagem e o aprendizado adquirido por ela?
      “É preciso jogar com proteções para a mão e as articulações, mas o máximo que acontece é ficar com alguma marca roxa ou uma torção de tornozelo. Já me contaram muitos casos de jogadores de fim de semana que tiveram ataques cardíacos no meio da partida, mas ainda me sinto segura”.





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