segunda-feira, 29 de junho de 2026

FÁBULA: A NAVALHA - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Navalha

 

        Era uma vez uma navalha de excelente qualidade, que morava numa barbearia. Um dia em que a loja estava vazia ela resolveu dar uma voltinha. Soltou-se do cabo e saiu para apreciar o lindo dia de primavera.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjdsYOUb4CjdMVGO7U6jiGD17ASgtwy4EG8eVMnugg8Y0QGv1zzFrQ1IxrQiAi9vAAv8Umuv_4e-T43HfDY6Wgc5wDZCvLUJvc3fKmsIszm0hIYedrd0rUM9m5XKrO6UcJTU4AYWYPGQw1fhCb2T4t1u760_WFwlc8vMZgQgXie3cONudtzdfZRebBPpYo/s320/91nzV5BbErL._AC_UF1000,1000_QL80_.jpg


        Quando a navalha viu o reflexo do Sol em si mesma, ficou surpresa e encantada. A lâmina de aço lançava uma luz tão brilhante que, subitamente, com excessivo orgulho, a navalha disse a si mesma:

        -- E eu vou voltar para aquela loja de onde acabei de fugir? É claro que não! Os deuses não podem querer que uma beleza tal como a minha seja desonrada desta maneira. Seria loucura ficar aqui cortando as barbas ensaboadas daqueles camponeses, repetindo sem cessar a mesma tarefa mecânica! Será que minha beleza foi realmente feita para um trabalho desses? Certamente não! Vou esconder-me num local secreto e passar o resto da vida em paz.

        E em seguida foi procura um esconderijo onde ninguém a visse.

        Passaram-se meses. Um dia a navalha teve vontade de respirar ar fresco. Saiu cautelosamente de seu refúgio e olhou para si mesma.  Ai, que acontecera? A lâmina estava horrorosa, parecendo uma serra enferrujada, e não refletia mais a luz do Sol.

        A navalha ficou muito arrependida pelo que havia feito, e lamentou amargamente a irreparável perda, dizendo:

        -- Oh, como teria sido melhor se eu tivesse conservado em forma a minha linda lâmina, cortando barbas ensaboadas! Minha superfície teria permanecido brilhante e minha borda afiada! Agora aqui estou eu, toda corroída e coberta de uma horrível ferrugem! E não há nada a fazer!

        Moral: O triste fim da navalha é o mesmo que sucede às pessoas inteligentes que preferem ser preguiçosas a usar seus talentos. Essas pessoas, assim como a navalha, perdem o brilho e a parta afiada de seu intelecto, sendo logo corroídas pela ferrugem da ignorância.

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

01 – O que motivou a navalha a fugir da barbearia e abandonar o seu trabalho cotidiano?

      A navalha foi motivada pelo excessivo orgulho e pela vaidade. Ao ver o reflexo do Sol em sua lâmina de aço e notar como ela brilhava, ela se julgou bela e superior demais para realizar o trabalho mecânico e repetitivo de cortar as barbas dos camponeses. Ela considerou que aquela função desonrava a sua beleza e preferiu se esconder para viver em paz.

02 – De que maneira a passagem do tempo no esconderijo afetou a integridade física da navalha? Descreva o que ela encontrou ao sair do refúgio.

      O tempo passado no ócio e no isolamento destruiu as qualidades físicas da navalha. Ao sair do refúgio para respirar ar fresco após meses escondida, ela percebeu que sua lâmina estava horrorosa, parecida com uma serra enferrujada, e que já não refletia mais a luz do Sol, perdendo completamente o seu brilho e o seu corte original.

03 – Após perceber o seu novo estado, qual foi o arrependimento manifestado pela navalha? O que ela concluiu sobre a sua antiga rotina de trabalho?

      A navalha lamentou amargamente ter fugido e percebeu que o trabalho na barbearia, embora repetitivo, era justamente o que a mantinha em boa forma. Ela concluiu que se tivesse continuado a cortar as barbas ensaboadas, sua superfície teria permanecido brilhante e sua borda afiada, em vez de terminar totalmente corroída pela ferrugem.

04 – A moral do texto estabelece uma analogia (comparação). Como essa relação é feita entre os elementos da história e as características humanas?

      A fábula associa as qualidades físicas da navalha (o brilho e o corte afiado) à inteligência e aos talentos humanos. Da mesma forma, a "ferrugem" que corrói o metal é comparada à ignorância que consome a mente das pessoas que escolhem a preguiça e o ócio em vez de exercitarem e utilizarem suas capacidades no dia a dia. 

05 – A partir da leitura da fábula, qual é a principal lição que o autor deseja transmitir sobre a utilidade e a prática do nosso intelecto e talentos?

      A principal lição é a de que o talento e a inteligência não têm valor se forem mantidos isolados ou inativos; eles precisam ser praticados constantemente. Assim como o ferro precisa do trabalho para não enferrujar, as habilidades humanas exigem esforço e utilidade contínua, caso contrário, definham e são destruídas pelo comodismo e pela falta de uso.

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário