domingo, 28 de junho de 2026

MÚSICA/POEMA(ATIVIDADES): HINO À PAZ - GOIÁS - JOSÉ FERNANDES - COM GABARITO

 Música/poema (Atividades): HINO À PAZ – Goiás

            José Fernandes

Ó Paz, divina Paz, musica ouvida nos absconsos
silêncios, longe dos olhos dos deuses e dos homens,
que confundes amor e ódio, temperas a guerra com as chamas
da mentira e sufocas a verdade no interior das frias pedras
dos pólos, esconjuro-te pela poderosa Necessidade,
pela inexorável flecha de Eros e pela lira de Hermes,
incendeie os sistemas límbicos de homens e deuses,
para que eles, revigorados pela flecha do grande
arqueiro possam derreter-se em amor uns para os outros
e celebrar as palavras de paulos e pedros nos montes
e nas oliveiras restaurados pelas bem-aventuranças!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiDWsvwzC7IEIZIiCaQ_XrlG-Yu2EKvhNUsC5__HKf9jTMqp0pmoXPhke6QhrfGiVfjvQ8fN-za2ggv9hCUeVUl_5eCz95fQymYizk4jCaYRAkby0gUeacQgeyqApltYyfNP3pIqhPjIJGWrvVfTHJjfPDpXGZ3bwvVxttr2tyS4dkpheIUaeB45bCkW5M/s320/paz_2024.jpg



Ó Paz, que consomes os sonhos de cristos e maomés,
que desejas silenciar o tiritir, o zinir e o sibilar de balas,
raios, coriscos, baionetas e bombardas de mísseis,
levanta-te e vede por todos os lugares e ponde sobre
o trágico viver dos infelizes humanos que se digladiam,
a fuga dos ventos maus que esfuziam canhões e bombas
e, como uma chama acesa, como um relâmpago,
enfraqueça-os, debilite-os e os torne incapazes
de qualquer atividade que contrarie Aquele
que é Logos, Palavra, Amor, Ahavá, Szerelem.
Ó Sabaot, Adonai, Eloim, Pagourê, Zagourê!

José Fernandes.

 

Entendendo a música:

01 – No início do poema, a Paz não é descrita de forma puramente idílica ou romântica; o eu lírico aponta ambiguidades em sua atuação. Como o texto caracteriza essa natureza complexa da Paz na primeira estrofe?

      A Paz é caracterizada como uma força complexa e ambígua que atua nos "absconsos silêncios". O eu lírico afirma que ela "confundes amor e ódio", "temperas a guerra com as chamas da mentira" e "sufocas a verdade". Essa descrição mostra que, para que a paz exista no mundo dos homens, muitas vezes ocorrem concessões duras, silenciamentos e uma tênue linha entre o equilíbrio e o conflito, distanciando-a de uma visão puramente ingênua.

02 – O autor mistura referências da mitologia clássica grega com a tradição judaico-cristã. Identifique esses dois universos no texto e explique como eles se fundem no pedido do eu lírico.

      O universo mitológico grego aparece na primeira estrofe através das menções à "Necessidade" (Ananque), à "flecha de Eros" (deus do amor) e à "lira de Hermes". Já o universo judaico-cristão surge nas referências às "palavras de paulos e pedros", aos "montes e nas oliveiras" e às "bem-aventuranças". Eles se fundem no clamor para que a força avassaladora do amor mitológico (Eros) revigore os homens para que eles possam, finalmente, compreender e celebrar as mensagens de amor, paz e espiritualidade cristãs.

03 – A segunda estrofe utiliza várias palavras que mimetizam os sons de armas e combates. Que recurso estilístico é esse e quais palavras o autor usa para retratar a violência da guerra?

      O recurso estilístico utilizado é a onomatopeia (ou aliteração associada a imagens sonoras). O autor utiliza os termos "tiritir", "zinir" e "sibilar" para reproduzir o som agudo, metálico e ameaçador de balas, raios, baionetas e mísseis. O objetivo é criar um forte contraste acústico entre o barulho destrutivo da guerra e o silêncio/calmaria pedidos para a manifestação da Paz. 

04 – O que o eu lírico roga que a Paz faça com os seres humanos que se "digladiam" e qual é o objetivo final dessa intervenção?

      O eu lírico roga para que a Paz se levante e dissipe os "ventos maus que esfuziam canhões e bombas". Ele pede que a Paz enfraqueça, debilite e torne os seres humanos incapazes de realizar qualquer atividade violenta. O objetivo final é neutralizar a capacidade humana de fazer o mal, forçando-os a parar a guerra para que não contrariem Aquele que representa a essência universal do "Logos, Palavra, Amor".

 

05 – O poema se encerra com uma sequência de palavras de forte apelo sagrado: "Ó Sabaot, Adonai, Eloim, Pagourê, Zagourê!". Qual é a função dessa escolha de vocabulário no fechamento do hino?

      A escolha de vocábulos como Sabaot, Adonai e Eloim (nomes hebraicos ancestrais para Deus na tradição judaica), junto a termos de tradições místicas e sincréticas (Pagourê, Zagourê), funciona como um encantamento, prece litúrgica ou mantra universal. Ao evocar o divino através de diferentes nomes e línguas, o poema reforça o caráter ecumênico e sagrado do pedido, clamando por uma intervenção espiritual e superior para estabelecer a paz universal acima de qualquer barreira religiosa ou cultural.

 

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