domingo, 23 de agosto de 2026

CONTO: A PEDRA NO CAMINHO - WILLIAM J. BENNETT - COM GABARITO

 Conto: A pedra no caminho

 

        Conta-se a lenda de um rei que viveu há muitos anos num país para lá dos mares. Era muito sábio e não poupava esforços para inculcar bons hábitos nos seus súbditos. Frequentemente, fazia coisas que pareciam estranhas e inúteis; mas tudo se destinava a ensinar o povo a ser trabalhador e prudente.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhpNb1GOhled-UxGCZpxAWbMl5DXpwSHHtKTpt1jeJnsk0f_hd1F1mWpCKZm_D-D8mk9vg-e5TsRPT098lvTW-AwK_AWZ6Y-YF0YdvdE_l1hRF0kKwPu1fFcIz5GLREfsgjndbvzG7r_I6YJNu7vbWTZpcojLM2xzwKGERXJokpWnRfLg00l26i48j59fQ/s320/images.jpg


        — Nada de bom pode vir a uma nação — dizia ele — cujo povo reclama e espera que outros resolvam os seus problemas. Deus concede os seus dons a quem trata dos problemas por conta própria.

        Uma noite, enquanto todos dormiam, pôs uma enorme pedra na estrada que passava pelo palácio. Depois, foi esconder-se atrás de uma cerca e esperou para ver o que acontecia.

        Primeiro, veio um fazendeiro com uma carroça carregada de sementes que ele levava para a moagem.

        — Onde já se viu tamanho descuido? — disse ele contrariado, enquanto desviava a sua parelha e contornava a pedra. — Por que motivo esses preguiçosos não mandam retirar a pedra da estrada?  E continuou a reclamar sobre a inutilidade dos outros, sem ao menos tocar, ele próprio, na pedra.

        Logo depois surgiu a cantar um jovem soldado. A longa pluma do seu quépi ondulava na brisa, e uma espada reluzente pendia-lhe à cintura. Ele pensava na extraordinária coragem que revelaria na guerra.

        O soldado não viu a pedra, mas tropeçou nela e estatelou-se no chão poeirento. Ergueu-se, sacudiu a poeira da roupa, pegou na espada e enfureceu-se com os preguiçosos que insensatamente haviam deixado uma pedra enorme na estrada. Também ele se afastou então, sem pensar uma única vez que ele próprio poderia retirar a pedra.

        Assim correu o dia. Todos os que por ali passavam reclamavam e resmungavam por causa da pedra colocada na estrada, mas ninguém lhe tocava.

        Finalmente, ao cair da noite, a filha do moleiro passou por lá. Era muito trabalhadora e estava cansada, pois desde cedo andara ocupada no moinho.

        Mas disse consigo própria: “Já está quase a escurecer e de noite, alguém pode tropeçar nesta pedra e ferir-se gravemente. Vou tirá-la do caminho.”

        E tentou arrastar dali a pedra. Era muito pesada, mas a moça empurrou, e empurrou, e puxou, e inclinou, até que conseguiu retirá-la do lugar. Para sua surpresa, encontrou uma caixa debaixo da pedra.

        Ergueu a caixa. Era pesada, pois estava cheia de alguma coisa. Havia na tampa os seguintes dizeres: “Esta caixa pertence a quem retirar a pedra.”

        Ela abriu a caixa e descobriu que estava cheia de ouro.

        A filha do moleiro foi para casa com o coração cheio de alegria. Quando o fazendeiro e o soldado e todos os outros ouviram o que havia ocorrido, juntaram-se em torno do local onde se encontrava a pedra. Revolveram com os pés o pó da estrada, na esperança de encontrarem um pedaço de ouro.

        — Meus amigos — disse o rei — com frequência encontramos obstáculos e fardos no nosso caminho. Podemos, se assim preferirmos, reclamar alto e bom som enquanto nos desviamos deles, ou podemos retirá-los e descobrir o que eles significam. A decepção é normalmente o preço da preguiça.

        Então, o sábio rei montou no seu cavalo e, dando delicadamente as boas-noites, retirou-se.

 

William J. Bennett O Livro das Virtudes II Editora Nova Fronteira, 1996.

 

Entendendo o conto:

01 – Qual era o principal objetivo do rei ao colocar uma pedra propositalmente no meio da estrada e o que isso revela sobre a sua visão de liderança?

      O rei, descrito como sábio, não buscava apenas pregar uma peça, mas sim criar uma lição prática sobre cidadania e iniciativa. Seu objetivo era "inculcar bons hábitos" e testar a disposição do povo em resolver problemas por conta própria em vez de apenas reclamar. Isso revela uma visão de liderança educativa, onde o governante não apenas provê, mas desafia seus súbditos a serem proativos e responsáveis pelo bem comum.

 

02 – Compare a reação do fazendeiro e do soldado diante do obstáculo. O que há de comum entre as atitudes desses dois personagens?

      Ambos os personagens reagem com indignação e buscam culpados externos ("preguiçosos"), mas nenhum deles considera a possibilidade de resolver o problema pessoalmente. O fazendeiro desvia sua carroça e reclama; o soldado, embora sofra um acidente físico ao tropeçar, também se limita a limpar a poeira e amaldiçoar os outros. O ponto comum é a passividade e o egoísmo: eles enxergam a pedra como um incômodo para si, mas não sentem a responsabilidade de removê-la para ajudar a coletividade.

 

03 – Por que a filha do moleiro foi a única a retirar a pedra e qual foi a sua principal motivação, de acordo com o texto?

      Diferente dos outros, a filha do moleiro foi movida pela empatia e pela prudência. Mesmo estando cansada após um dia de trabalho, ela pensou na segurança alheia ao notar que, com a chegada da noite, alguém poderia tropeçar e se ferir gravemente. Sua motivação não foi a busca por recompensa (já que ela não sabia do ouro), mas sim o desejo genuíno de evitar um mal ao próximo e melhorar o caminho para todos.

 

04 – Explique o significado da frase final do rei: "A decepção é normalmente o preço da preguiça." Relacione-a com o comportamento final dos outros súbditos ao descobrirem o ouro.

      A frase sugere que aqueles que evitam o esforço e o trabalho perdem as oportunidades de crescimento e recompensa que estão escondidas sob os desafios. A "decepção" mencionada refere-se ao sentimento do fazendeiro e do soldado que, ao verem o ouro, perceberam que a riqueza poderia ter sido deles se tivessem tido a iniciativa de agir. O comportamento final deles, de procurar ouro no pó da estrada, demonstra que eles ainda não haviam entendido a lição: a recompensa não cai do céu por sorte, mas é fruto de enfrentar o obstáculo.

 

05 – O conto utiliza a "pedra" como uma metáfora. Para além do objeto físico, o que a pedra representa na vida humana e qual é a mensagem central do conto sobre como devemos lidar com os nossos "fardos"?

      A pedra representa as dificuldades, problemas sociais e obstáculos inesperados que surgem em nossa jornada. A mensagem central é que os problemas não devem ser apenas contornados ou usados como motivo de reclamação; eles são oportunidades disfarçadas para o desenvolvimento pessoal e para o serviço ao próximo. O conto ensina que o progresso (o "ouro") pertence àqueles que arregaçam as mangas para transformar obstáculos em degraus.

 

 

POEMA: O LUAR ATRAVÉS DOS ALTOS RAMOS - FERNANDO PESSOA - COM GABARITO

 Poema: O luar através dos altos ramos

           Fernando Pessoa

O luar através dos altos ramos,
Dizem os poetas todos que ele é mais
Que o luar através dos altos ramos.


Mas para mim, que não sei o que penso,
O que o luar através dos altos ramos
É, além de ser
O luar através dos altos ramos,
É não ser mais
Que o luar através dos altos ramos.

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhp3-7Eyh-LbstAJvANwPC_wf7oS6CsBSF-q-nvGUPxBhjxzlikL7i3VIPgiKhGnEXUDC1HAF6ZsaMDsi-jdrqbWlpUlaHTb0Q4fZBb8cc-KmvZYiUSby251e8Uayv49jtcOorgHc7x9KeHtZKnc3iy2-ksbHK9-ZwMfiypdvNhvO8r_QW27t-__sZGNXQ/s320/images.jpg

Fernando Pessoa. In: Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, p. 222.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 90.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a principal crítica feita à tradição poética convencional na primeira estrofe do poema?

a) A atribuição de significados simbólicos e transcendentes aos fenômenos naturais.

b) O uso recorrente de descrições visuais puramente objetivas sobre a paisagem.

c) A valorização excessiva da forma métrica em detrimento do conteúdo poético.

d) A incapacidade de expressar emoções humanas profundas por meio da linguagem.

02 – O uso reiterado do verso 'O luar através dos altos ramos' ao longo de todo o texto produz qual efeito de sentido?

a) A negação de uma dimensão metafísica para além da própria realidade física observada.

b) A demonstração de uma limitação vocabular do eu lírico para descrever o cenário.

c) A construção de uma atmosfera de mistério e desolação típica do romantismo.

d) A tentativa de convencer o leitor sobre a complexidade oculta da natureza.

03 – De que maneira a expressão 'que não sei o que penso' reflete a postura do sujeito poético?

a) Pela dúvida metódica que busca provar a inexistência dos objetos materiais.

b) Pela confissão de uma angústia existencial provocada pela ignorância do mundo.

c) Pelo desejo de alcançar o conhecimento teórico por meio do estudo filosófico.

d) A recusa do intelectualismo e a valorização da percepção direta da realidade.

04 – Explique qual a função da repetição insistente, presente nesses versos.

      Por meio da repetição, o eu lírico enfatiza que não há nada além do que se pode ver e, assim, divulga a ideia de que nada existe além dos nossos sentidos.

 

 

 

 

NOTÍCIA: MUNDO COR-DE-ROSA - COM GABARITO

 Notícia: MUNDO COR-DE-ROSA

 

        Perfume Barbie B comemora os 50 anos da boneca mais famosa do mundo

 

        Comemoração com cheirinho gostoso: a multinacional espanhola Puig Beauty & Fashion Group acaba de lançar no Brasil a fragrância Barbie B, celebrando os 50 anos da boneca mais famosa do mundo.

        O novo perfume pretende refletir a personalidade moderna e dinâmica das meninas que já se sentem mocinhas e não veem a hora de entrar no mundo adolescente. Esse universo está identificado em detalhes como o frasco, lapidado como uma joia, e na letra "B" estilizada que pode ser usada como um pingente ou um acessório fashion.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjww8T_3ER-KpJ7VTFggge84HCCet-s5SCCABGtJIA1GY3BUe3dnUkiwtQToRTyb38BkFeir0KKF5B723k257OeB-gOlbZGrGIYKUg2rZ4mORCqKDDGFFYcZIJ-PlJow2DDNwgsYXukJNhKskaJFlKru8tateccCBmqRbYw3dd2XxNQnKBO__fdC5cMV8A/s1600/images.jpg


        Floral, frutado e fresco, o lançamento é composto de notas açucaradas com elementos de sândalo e almíscar que se complementam com essências de cereja e framboesa. Nas notas de saída predominam a bergamota, laranja italiana e maçã verde.

        O frasco, nas versões 40ml e 75ml, vem em tons de rosa e fúcsia. A embalagem traz uma imagem da Barbie com um look mais moderno, igual ao das meninas de hoje.

        O preço médio sugerido do frasco de 75ml é R$ 49,50.

        SAC 0800-7265616 / sac@puig.com.br

 

http://extra.globo.com/lazer/canalExtra/ [26/03/09].

Entendendo a notícia:

01 – A finalidade do texto é:  

(A) divertir   

(B) informar.   

(C) opinar.   

(D) emocionar.

 

02 – A informação principal do texto é:

(A) o lançamento do perfume Barbie B.   
(B) a fragrância do perfume Barbie B.

(C) a descrição do frasco e a embalagem do perfume Barbie B.   
(D) a definição do consumidor do perfume Barbie B.

 

03 – De acordo com o texto, qual é o público-alvo pretendido pelo perfume Barbie B e de que forma o design do produto reflete esse universo?

      O público-alvo são as meninas modernas e dinâmicas que já se sentem "mocinhas" e estão prestes a entrar na adolescência. O universo desse público reflete-se em detalhes do design, como o frasco lapidado no formato de uma joia, a presença da letra "B" estilizada (que pode ser removida e usada como pingente ou acessório fashion) e a embalagem com tons de rosa e fúcsia apresentando uma imagem moderna da Barbie.

 

04 – Quais são os componentes e fragrâncias que formam o perfume Barbie B, segundo as informações apresentadas no texto?

      A fragrância é descrita como floral, frutada e fresca. É composta por:

      Notas de saída (predominantes): bergamota, laranja italiana e maçã verde.

      Corpo e complemento: notas açucaradas combinadas com essências de cereja e framboesa.

      Base: elementos de sândalo e almíscar.

 

05 – Qual evento comemorativo motivou o lançamento da fragrância no Brasil e qual é o valor médio sugerido para a versão de 75ml?

      O lançamento do perfume ocorreu para celebrar o aniversário de 50 anos da boneca Barbie. O preço médio sugerido para o frasco de 75ml informado na notícia é de R$ 49,50.

 

 

ROMANCE: SOMBRAS DE REIS BARBUDOS (O ENSAIO) - FRAGMENTO - JOSÉ J. VEIGA - COM GABARITO

 Romance: Sombras de reis barbudos (O Ensaio) – Fragmento

               José J. Veiga

        O ensaio

        [...]

        Toda tarde íamos ensaiar em casa da professora, tinha lá sala grande que ela preparou para os ensaios riscando no chão todas as indicações do palco, bastava a gente passar por cima de uma meia-lua de giz para entrar ou sair de cena, quem estava de um lado do risco tinha de fingir que não via nem ouvia quem estava do outro; eu, por exemplo, ficava do lado de fora esperando a hora de entrar e ouvindo as maiores ofensas a mim; quando entrava e era recebido com elogios e rapapés, precisava me segurar muito para não rir nem me atrapalhar no papel. Não sei se a professora estava pensando nisso quando disse que teatro ensina a viver.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi-guFmciyVoDjoS6A8IIOQS0Pwl0jbqGeK2M_KhSL_vX-mf-iy46C2ccmQc02UvshOnkY15zeg9yhL9xG_tChhPfm-aeNrxJY-J4aPnikJMiokJidCrT4W_sB8rOu1Y-2OkJvr6S4jL9SYyVjy87qQVzCx2-_BReW-gCd8zufD2hEz8MxBl7tfWzfvfvo/s320/images.jpg


        Os ensaios estavam adiantados, ninguém errava mais as frases, a professora já tinha dado os modelos das roupas que íamos vestir no palco. Quando eu soube que tio Baltazar tinha dado ordem para a Companhia ajudar nas despesas de carpintaria e outras, e que na semana seguinte ia haver um ensaio com roupa para ele e tia Dulce, o meu entusiasmo pelo teatro começou a esfriar. Eu tinha medo de gaguejar em minha fala, ou de falar desafinado, e nunca mais me levantar do desastre.

        [...]

José J. Veiga. Sombras de reis barbudos. 24. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.

Fonte: Língua Portuguesa Palavras. 5ª série. Hermínio Geraldo Sargentim. IBEP. 1ª edição. São Paulo, 2002. p. 97.

Entendendo o romance:

01 – No trecho "quem estava de um lado do risco tinha de fingir que não via nem ouvia quem estava do outro [...] Não sei se a professora estava pensando nisso quando disse que teatro ensina a viver", o narrador reflete sobre as regras do ensaio. Explique a relação metafórica entre o aprendizado teatral e a afirmação da professora de que "teatro ensina a viver".

      A metáfora estabelecida revela que a vida social, assim como o teatro, exige a aceitação de convenções e papéis sociais pré-determinados. Para interagir em sociedade, as pessoas muitas vezes precisam praticar a dissimulação e a tolerância — ouvindo ofensas ou falsidades ("rapapés") sem reagir impulsivamente e fingindo ignorar o que acontece "bastidores" das relações. A professora sugere que o teatro ensina a viver porque exercita o autocontrole, a adaptação às regras do jogo social e a capacidade de desempenhar um papel perante os outros.

02 – Identifique o tipo de narrador presente no fragmento e analise como a sua perspectiva influenciou a forma como os acontecimentos do ensaio e a figura de Tio Baltazar são apresentados.

      Trata-se de um narrador-personagem (foco narrativo em 1ª pessoa). A história é contada a partir da perspectiva juvenil ou infantil do protagonista, marcada pela subjetividade, pela inocência e pelo olhar atento às contradições dos adultos. A figura do Tio Baltazar e a presença da autoridade (a "Companhia") são vistas sob a ótica do temor e do constrangimento, o que faz com que a simples presença dos tios na plateia do ensaio transforme uma atividade divertida em uma fonte de ansiedade e opressão.

03 – O entusiasmo do narrador em relação ao teatro sofre uma alteração repentina no segundo parágrafo. O que motiva essa mudança de atitude e qual sentimento passa a dominar o personagem?

      A mudança é motivada pela notícia da interferência do Tio Baltazar e da "Companhia" no evento (financiando a carpintaria) e pela confirmação de que ele e a Tia Dulce assistiriam a um ensaio geral de figurino. O entusiasmo do narrador "esfria" porque a atividade lúdica e despretensiosa se transforma em um momento de cobrança e vigilância sob o olhar da autoridade familiar/social. O sentimento que passa a dominá-lo é o medo do fracasso (medo de gaguejar, desafinar e sofrer uma humilhação da qual "nunca mais se levantaria").

04 – José J. Veiga utiliza uma linguagem fluida e próxima do ritmo da fala. Observe a estruturação das frases no primeiro parágrafo e indique dois recursos sintáticos ou estilísticos que evidenciam o caráter de oralidade do texto.

      Dois recursos que evidenciam a oralidade são:

      Uso de períodos longos encadeados por pontuação leve (vírgulas) e conjunções coordenadas: O primeiro parágrafo é construído como um fluxo contínuo de pensamento, imitando a forma espontânea como uma história é contada oralmente.

      Uso de expressões populares e de registro coloquial: Termos e construções como "a gente", "fiquei me segurando muito" e "rapapés" conferem proximidade e informalidade ao discurso do narrador.

05 – Mesmo em um fragmento cotidiano sobre o ensaio de uma peça escolar, o texto de Sombras de reis barbudos traz elementos que dialogam com o tema central do romance (a chegada do autoritarismo e do controle social). Como a intervenção do "Tio Baltazar" e da "Companhia" no ensaio antecipa esse clima de controle?

      O romance Sombras de reis barbudos é uma alegoria sobre a infiltração gradual do autoritarismo e da perda de liberdade em uma comunidade. No fragmento, a chegada do Tio Baltazar — associado à "Companhia" (entidade corporativa/estatal que passa a dominar a cidade) — através do financiamento das despesas e da presença fiscalizadora no ensaio, simboliza a perda da autonomia lúdica dos moradores. A arte/teatro deixa de ser um espaço livre e puro de expressão para se tornar um espaço vigiado, gerando inibição, medo e paralisia no indivíduo.

 

 

ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS - COM GABARITO

 0rações Subordinadas Adverbiais

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgIzu1vhJtUwHuX-OXGH7J_NicFNjXpZmZ3Pu5SERQcrTLOY6Rc5Yc9ZfCmKmk5LuQoKEAl6-v0A_GhvNasAjMVMVYT1Z6M6fP3KNLn4AfknhKrkkF6nPFRpObLlfU8XMoP6K5XbS1QfRjbJXG-V81RoYECVdnoL5OTxgsVyS9g4fNcEO6PPUZLffS2VI4/s320/images.jpg

01 – Leia as frases a seguir.

        O cadáver foi descoberto pelo porteiro e pela criada às sete da manhã.

        Quando o cambista subiu no ônibus, Edmundo entrou no táxi.

        Reconheça em cada exemplo qual expressão indica o momento em que a ação ocorreu.

      "Às sete da manhã"; "Quando o cambista subiu no ônibus".

 

02 – Identifique que circunstância as orações em destaque a seguir acrescentam ao processo verbal (tempo, condição, finalidade, consequência).

a) Edmundo entrou espremido, quando a porta já ia fechandoTempo

b) Tive que tomar dinheiro emprestado para comprar os prêmiosFinalidade

c) Se vou esperar, perco o homem de vista. Condição

d) Nas esquinas Edmundo olhava bem para não perder o malandro de vistaFinalidade

e) Assim que eu puder, ligarei para você. Tempo

f) As falsificações são tão perfeitas que é impossível diferenciá-las das de verdadeConsequência

g) Logo que o ônibus saiu, o cambista virou o pescoço e olhou os passageiros. Tempo

 

03 – Classifique as orações subordinadas adverbiais presentes nos períodos a seguir.

a) Se furo sinal, o guarda me toma a carteira de chofer. Condicional

b) Ninguém visitara a Senhora Stevens depois que lhe entregara o jornalTemporal

c) Quase não contive o riso quando ele me entregou o relógioTemporal

d) O relógio foi limpo antes de me ser enviadoTemporal

e) Eu acusava meu amigo de usar uma desculpa esfarrapada para que eu não percebesse seu fracassoFinal

 

 

TEXTO: O ESPAÇO - COM GABARITO

 Texto: O Espaço

        "O Espaço" retrata a história de uma menina imaginativa que deseja viajar para o universo. Trata-se de uma atividade escolar clássica (frequentemente associada a blogs educativos como o Armazém de Texto), cujo objetivo original é identificar e corrigir falas repetitivas, erros de pontuação, problemas de ortografia e misturas de foco narrativo.



Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgEMLf7Flmt6dXxhmr56_aBqH70JCuOE1FCU8CAkPWeYTGUJnGrd5mQZTgd62otLRq0A5j7uuHZIbnxhZri0ZZbw-LDFnyjPaWg9JiGX_JBxKGPCL8WFlJHXiYOB1FUzX2gRlFpYakQ383dejU-5yJyfxTIX-pw2SkOZHJbv1uHq-6HTdFsY-4oTvmQm9I/s320/images%20(1).jpg 


        O Espaço

        Era uma vez uma menina imaginativa. Ela estava pensando em ir para o espaço e disse:

        -- Se eu for para o espaço deixarei meus pais preocupados.

        E fiquei confusa se ia para o espaço ou se avisava meus pais. Eu podia ir para o espaço e disse:

        -- Se avisar meus pais aposto que eles não vão deixar eu ir para o espaço.

        E o problema era esse: como ir para o espaço.

        O primeiro problema foi resolvido eu não ia avisar meus pais que eu ia para o espaço, mas o outro não resolvi e disse:

        -- Vou dormir já e muito tarde a manhã de manhã resolverei esse problema e irei para o espaço.

        E dormi todo alegre e sonhei que estava no espaço, estava assentada e ouvi passos e corri, entrei num objeto estranho e era cheio de computadores. Descobri que era a espaçonave daquele passos que eu ouvi e fiquei com medo e quando eu ia sair da espaçonave os marcianos entraram e me pegaram quando iam me paralisar eu acordei e descobri que era um sonho e disse:

        -- Sabi, eu acho que eu não vou para o espaço não.

 

        O Texto Corrigido (Versão Revisada)

        Esta versão ajusta a pontuação, remove repetições viciosas (como o uso excessivo de "para o espaço") e padroniza a narrativa em 3ª pessoa.

        O Espaço

        Era uma vez uma menina muito imaginativa que planejava uma viagem ao espaço sideral. Pensativa, refletiu:

        — Se eu for, deixarei meus pais muito preocupados.

        Dividida entre partir em segredo ou avisar, concluiu:

        — Se eu contar, aposto que não me deixarão ir.

        O primeiro impasse estava resolvido: não avisaria a família. No entanto, o verdadeiro problema persistia: como chegar lá?

        Exausta, decidiu:

        — Vou dormir, pois já é muito tarde! Amanhã de manhã resolvo esse mistério e viajo de vez.

        Então, a menina imaginativa pegou no sono, feliz e cheia de sonhos.

Fonte: Língua Portuguesa Palavras. 5ª série. Hermínio Geraldo Sargentim. IBEP. 1ª edição. São Paulo, 2002. p. 83.

Entendendo o texto:

01 – No texto original, observa-se uma instabilidade quanto ao ponto de vista do narrador. Explique como essa oscilação ocorre ao longo da narrativa original e de que maneira a versão revisada corrigiu essa incoerência.

      No texto original, há uma mistura indevida de foco narrativo: a narrativa começa em 3ª pessoa ("Era uma vez uma menina imaginativa. Ela estava pensando..."), mas logo migra para a 1ª pessoa sem justificativa ("E fiquei confusa...", "E dormi todo alegre..."). A versão revisada corrigiu esse problema padronizando toda a narração em 3ª pessoa do singular, mantendo a 1ª pessoa restrita apenas aos travessões do discurso direto (as falas das personagens).

02 – A repetição excessiva de termos compromete a qualidade da coesão textual. Identifique a expressão mais repetida no texto original e explique quais recursos foram utilizados na versão reescrita para evitar essa redundância.

      A expressão exaustivamente repetida é "para o espaço". Na versão revisada, para evitar o vício de linguagem, empregaram-se recursos de substituição vocabular e sinônimos (como "ao espaço sideral", "ao universo", "viajo de vez"), o uso de advérbios de lugar ("chegar lá") e a omissão do termo quando o contexto já o tornava subentendido (elipse).

03 – Analise o trecho do sonho no texto original ("E dormi todo alegre e sonhei que estava no espaço, estava assentada e ouvi passos e corri..."). Como a escassez de pontuação afeta a leitura desse trecho e como isso poderia ser solucionado?

      A falta de vírgulas e pontos-finais cria um longo período truncado (uma "frase-chiclete"), acumulando ações coordenadas pela conjunção "e". Isso gera um ritmo acelerado e confuso, prejudicando a clareza das ações da personagem. A solução consiste em fragmentar o período com ponto-e-vírgula ou pontos continuativos, organizando a sequência temporal dos acontecimentos (ouvidos os passos – corrida – entrada na nave – encontro com os marcianos).

04 – Identifique no texto original dois erros referentes à norma-padrão — um de ortografia e outro de concordância nominal — e apresente a correção adequada para ambos.

      Erro de Ortografia: A palavra "a manhã" escrita separadamente no trecho "a manhã de manhã". A forma correta para indicar o dia seguinte é o advérbio de tempo "amanhã" (amanhã de manhã). Além disso, há o desvio ortográfico na fala final com a palavra "Sabi" em vez de "Sabe".

      Erro de Concordância Nominal: No trecho "E dormi todo alegre", a concordância de gênero falha, pois a protagonista é apresentada como "uma menina imaginativa". O correto seria "toda alegre".

05 – Qual é o conflito central enfrentado pela protagonista ao longo da história e como a experiência do sonho atua na resolução desse conflito?

      O conflito central da menina é um dilema de tomada de decisão: ela deseja ir ao espaço, mas se vê dividida entre avisar os pais (e ser proibida) ou não os avisar (e deixá-los preocupados), além da dúvida prática sobre como realizar essa viagem. O sonho atua como o elemento desestruturador da fantasia, pois o susto de ser capturada por marcianos traz um choque de realidade simbólico. Com isso, a menina desiste do desejo inicial, resolvendo o impasse de forma cômica e simplista.

06 – Na fala final da personagem — "-- Sabi, eu acho que eu não vou para o espaço não." —, identificam-se marcas características da linguagem falada. Quais são essas marcas e qual é a função delas dentro do discurso direto em uma narrativa?

      As marcas de oralidade presentes são:

      A grafia fonética da palavra "Sabi" (reproduzindo a pronúncia informal da consoante final /e/ como /i/);

      A dupla negação enfática ("não vou [...] não"), típica da fala informal no português brasileiro.

 

 

POESIA: ESTÁTUA FALSA - FRAGMENTO - MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO - COM GABARITO

 Poesia: Estátua Falsa – Fragmento

         Mário de Sá-Carneiro

Só de oiro falso os meus olhos se douram;
Sou esfinge sem mistério no poente.
A tristeza das coisas que não foram
Na minh'alma desceu veladamente.


[...]

Já não estremeço em face do segredo;
Nada me aloira já, nada me aterra:
A vida corre sobre mim em guerra,
E nem sequer um arrepio de medo!

Sou estrela ébria que perdeu os céus,
Sereia louca que deixou o mar;
Sou templo prestes a ruir sem deus,
Estátua falsa ainda erguida no ar...

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgy2GKlM5U9exjn_GsP60uIuuz5Bl3Bj0jMqOZFlfn5o2xvWkysm9RbRnx4Ri09LIVcjs4TyjyNxzpSOpbHX9o8gy9IfocGTMJsJt4PF_fKRPi2DlVF56B0lmafHYp1xLl6IyOHw5s6bluCEH84S-DOgnM2OTtzqv-jr-8MuiR4y9KGQnnpk3216JGyQDw/s320/images.jpg

Mário de Sá-Carneiro. Poesias completas. Porto: Orfeu, p. 24.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 95.

Entendendo a poesia:

01 – Qual é o tema principal abordado neste fragmento de Mário de Sá-Carneiro?

      O tema principal é o vácuo existencial, o sentimento de inadaptação e o desapego emocional do eu lírico. O poema expressa uma profunda melancolia decorrente do desencanto com a vida, da perda de ideal e de uma autoimagem marcada pela falsidade e pela ruína interior.

02 – O que significa a metáfora "Esfinge sem mistério" no contexto do poema?

      A esfinge é tradicionalmente associada ao mistério e ao enigma. Ao se definir como uma "esfinge sem mistério", o eu lírico revela que, por trás de sua aparência exterior imponente ou enigmática, não há profundidade, propósito ou segredo a revelar; há apenas um vazio interior e uma casca sem conteúdo vital.

03 – Como o eu lírico reage às experiências da vida na segunda estrofe citada?

      Ele reage com total apatia e indiferença. Nos versos "Já não estremeço em face do segredo" e "E nem sequer um arrepio de medo!", o poeta mostra estar imune tanto às fascinações quanto aos terrores da vida. A vida acontece e passa ("em guerra"), mas ele permanece insensível, incapaz de sentir medo ou entusiasmo.

04 – Analise o efeito do verso "A tristeza das coisas que não foram". Qual sentimento ele evoca?

      Esse verso evoca o sentimento do desapontamento com o irrealizado, a nostalgia do que poderia ter sido e não foi. É uma tristeza profunda voltada para os sonhos, desejos e potenciais não concretizados, característica marcante da poesia sa-carneiriana e do Sensacionismo/Modernismo português.

05 – Qual é o papel das metaforizações utilizadas na última estrofe ("estrela ébria", "sereia louca", "templo prestes a ruir", "estátua falsa")?

      Essas metáforas servem para intensificar o estado de deslocamento, degradação e desespero existencial. Elas mostram seres ou objetos deslocados do seu habitat natural ou de seu propósito essencial (uma estrela fora dos céus, uma sereia fora do mar, um templo sem deus), culminando na imagem da "estátua falsa", que se mantém erguida apenas como uma aparência sem substância.

 

 

 

POEMA: NEVOEIRO - FRAGMENTO - FERNANDO PESSOA - COM GABARITO

 Poema: NEVOEIRO – Fragmento

           Fernando Pessoa

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,

Define com perfil e ser

Este fulgor baço da terra

Que é Portugal a entristecer —

Brilho sem luz e sem arder

Como o que o fogo-fátuo encerra.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgJaTKL7eQf4eqhgDFwfabw-TsZNgkggfC8BMliCty9F4kv0Rkc-MgByqyHsZdCsEyAH0Ep9bfkNyCgN76MToUDYOKcc8LygqhXunqvYXcN4EIYf_KQL6MP_SsdUBaptUTg9mEeDvOalk0I2nTm3RZj9c-rrNDsZudDDhRKc-LrPoqsoKYDq0DItXufT-k/s320/images.jpg 

Ninguém sabe que coisa quer.

Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.

(Que ânsia distante perto chora?)

Tudo é incerto e derradeiro.

Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

 

É a hora! [...].

Fernando Pessoa. In: Obra poética (com atualização ortográfica). Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, p. 89.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 94.

Entendendo o poema:

01 – Qual é o tema central do poema "Nevoeiro" e qual é o estado de Portugal descrito pelo poeta?

      O tema central é a decadência, a indefinição e a perda de identidade da nação portuguesa em seu presente histórico. O poeta descreve Portugal como um país num estado de torpor, incerteza e estagnação, simbolizado pela imagem do "nevoeiro" — uma atmosfera em que "tudo é disperso" e "nada é inteiro".

02 – O que significa a metáfora do "fogo-fátuo" na primeira estrofe?

      O "fogo-fátuo" é um brilho ilusório, sem luz real e sem calor para aquecer ou transformar ("brilho sem luz e sem arder"). A metáfora reflete a situação de Portugal, que vive de glórias do passado, mas na atualidade apresenta apenas um brilho falso e sem força vital, representando o "fulgor baço da terra".

03 – Como os anáforas e as negações ("Nem...", "Ninguém...", "Tudo...") contribuem para o sentido da segunda estrofe?

      O uso repetido de termos negativos e generalizantes reforça a ideia de indefinição, ignorância e crise moral que assola o povo. Ao dizer que "ninguém sabe", "ninguém conhece" e que "tudo é incerto", Pessoa enfatiza o extravio da alma coletiva portuguesa e o desorteio espiritual e político da nação.

04 – Qual é o significado simbólico do verso final "É a hora!" dentro do contexto da obra Mensagem?

      O verso "É a hora!" representa o chamado para o despertar e para a regeneração espiritual da nação. Apesar do cenário desolador do "nevoeiro", a expressão marca o ápice do Sebastianismo: o momento de superação da estagnação para a construção de um novo império espiritual (o Quinto Império).

05 – Em qual das três partes da obra Mensagem o poema "Nevoeiro" está localizado e qual a sua importância estrutural?

      "Nevoeiro" é o poema que encerra a terceira e última parte do livro Mensagem, intitulada "O Encoberto". Sua importância estrutural reside no fato de fechar o ciclo de glorificação do passado e constatação da decadência presente, deixando a porta aberta, na última linha, para o futuro redentor de Portugal.

 

CRÔNICA: HOJE EU ESTOU MEIO ROMÂNTICO - FRAGMENTO - MÁRIO PRATA - COM GABARITO

 Crônica: HOJE EU ESTOU MEIO ROMÂNTICO – Fragmento

             Mário Prata

        Foi numa grande festa na pequena cidade que o fato se deu.

        O grande homem, olhando a pequena mulher, pensou:

        -- Que pequena.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhAsnE2r9ORwFnvVoLkUl2pkbhVg8SwV1eYshCSzBYHLYdlEl0LcicLD7pUhaow8ec3tAOENDQLg88RwVv8iwLWVxkW1-I9SaN-yb1Nil_nt5xTU7rRjPfB9EpRMLPUdYGJzXAON6-SXSzcvrZF7Rp9lav53OfJq9lxJKMQldaEYBvv7KQ0QIlwbwmtt1M/s320/images.jpg


        A pequena mulher, sentindo os grandes fluidos em sua cabeça, pensou:

        -- Grande.

        Pequenas piscadas, grandes sorrisos, uma só cumplicidade.

        E foi assim que eles foram.

        Ele pegou nas pequenas mãos da mulher com sua grande mão.

        Com seus grandes olhos, procurou os pequenos dela, grande ternura, pequena timidez.

        Com o grande dedo da grande mão direita passou, levemente, uma pequena alegria para os pequenos lábios do pequeno sorriso.

        Ele sorriu, mostrando dois grandes dentes e deu um beliscão no pequeno nariz que ficou vermelho como o pequeno coração que disparou dentro do seu pequeno corpo.

        [...].

Mário Prata. Hoje eu estou meio romântico. In: 100 crônicas. São Paulo: Cartaz Editorial,1997. p. 23.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 43.

Entendendo a crônica:

01 – Qual é o recurso estilístico (figura de linguagem) predominantemente explorado no texto para descrever os personagens e suas ações?

      O texto utiliza predominantemente a antítese e a oposição semântica entre as palavras "grande" e "pequena/pequeno". O autor contrapõe constantemente as dimensões físicas e as sensações do "grande homem" e da "pequena mulher" para criar ritmo e expressividade na crônica.

02 – Onde e em qual contexto ocorreu o encontro entre os dois personagens principais?

      O encontro aconteceu durante uma grande festa realizada em uma pequena cidade.

03 – Como os personagens reagem ao se olharem pela primeira vez?

      A reação inicial ocorre no plano do pensamento e da atração mútua: o homem olha para a mulher e pensa "Que pequena", enquanto a mulher, sentindo os sentimentos/fluidos dele, pensa "Grande". A partir disso, trocam "pequenas piscadas" e "grandes sorrisos", estabelecendo uma cumplicidade imediata.

04 – De que forma o autor descreve o gesto de carinho e afeto feito pelo homem nos lábios da mulher?

      O autor descreve que o homem, com o grande dedo de sua grande mão direita, passou levemente uma pequena alegria para os pequenos lábios do pequeno sorriso dela.

05 – O que provoca a alteração física na mulher no final do trecho (o nariz vermelho e o coração disparado)?

      A alteração ocorre quando o homem sorri (mostrando dois grandes dentes) e dá um beliscão no pequeno nariz da mulher. Isso faz com que o nariz fique vermelho e o coração dela dispare de emoção/timidez dentro do seu pequeno corpo.