sexta-feira, 22 de maio de 2026

FÁBULA: O LEÃO QUE VAI À GUERRA - JEAN DE LA FONTAINE - TRADUÇÃO DE FILINTO ELÍSIO - COM GABARITO

 Fábula: O leão que vai à guerra



Tendo o leão na ideia certa empresa,
Fez conselho de guerra;
E a todos animais mandou aviso
Por seus régios alcaides.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj8NGnhY2v9Xis2B20qmumGB4k50s7qUl-FmDfKhf3LXEFAMdjEQsKnE0FAnzFcOkR_mETek_EisiLdU30-L3uWe0bjzv-0EnI3hQG5HGsO4bF8cg46au07hbgkAhoBbN0uSrNW4-j9qLdqcs03aBT4UmakN1wjU_wnIyH3xvhGAnWOZciD7p3vYiWoubE/s320/LEAO.jpg


Cada um, por seu teor, entrou no alvitre:
Às costas o elefante
Levar quantos petrechos importasse,
E pelejar, como usa;
Para os assaltos, o urso, aparelhar-se;
Engenhar-se o raposo
A ter inteligências no inimigo,
E diverti-lo o mono
Com suas mogigangas. Alguém disse
Que despedidos fossem,
Por boto o burro, e por medrosa a lebre.
«Oh, não! – disse o monarca –
Quero empregá-los: nem completo fora
Sem eles nosso exército.
De trombeta, que espante, sirva o burro;
E a lebre de correio.»
Do mais ténue vassalo o rei prudente
Tirar proveito sabe:
Todo o talento emprega; nada é inútil,
Onde o bom senso lavra.

Fábula de Jean de La Fontaine. tradução de Filinto Elísio.

Entendendo a fábula:

01 – Qual é o primeiro passo que o leão dá ao decidir iniciar uma nova empresa ou campanha militar?

      O leão convoca um conselho de guerra e, através dos seus oficiais (alcaides), envia um aviso a todos os animais do reino para que se reúnam.

02 – Que funções específicas foram atribuídas ao elefante e ao raposo (raposa) no plano do leão?

      O elefante ficou responsável por carregar todos os mantimentos e equipamentos necessários ("petrechos") e lutar na linha de frente. Já o raposo ficou encarregado de usar a sua astúcia para obter informações secretas ("inteligências") sobre o inimigo.

03 – Por que razão alguns conselheiros sugeriram que o burro e a lebre fossem dispensados do exército?

      Sugeriram a dispensa do burro por considerá-lo estúpido ou vagaroso ("boto") e a da lebre por ser considerada um animal muito medroso, achando que nenhum dos dois seria útil num combate.

04 – Como o leão rebateu a sugestão de dispensar o burro e a lebre, e quais funções lhes deu?

      O leão recusou dispensá-los, afirmando que o exército não estaria completo sem eles. Ele decidiu usar o burro como trombeta (para assustar os inimigos com o seu zurro) e a lebre como correio (aproveitando a sua velocidade para entregar mensagens).

05 – Qual é a moral da história expressa nos versos finais da fábula?

      A moral é que um líder prudente sabe extrair valor e tirar proveito de todos os seus submetidos, por mais simples que sejam. Onde há bom senso, nenhum talento é desperdiçado e ninguém é considerado completamente inútil.

 

 

FÁBULA: O CÃO, O GALO E A RAPOSA - ESOPO - COM GABARITO

 Fábula: O cão, o galo e a raposa

         Um Cachorro e um Galo que viajavam juntos, resolveram se abrigar da noite, em uma árvore. O Galo se acomodou num galho no alto, enquanto o cão deitou-se num oco, na base do tronco da mesma. Quando amanheceu, o Galo, como de costume, cantou ao despertar.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiwL0EFqPSWro7ySu4GOT-bB02JBKdm89bE16sxjoAvIzQOldUoAAtYmohRx0Y5p7whYb5GxZfsHUMCw0u6Y8cotxwsDB-T1ijIfngmqcv7JxSDqANKiq1B6E7NMBJtRlRa3ZO8V9wE2T_-qWIOsUKFkd5NPU_hqq9GkVM2iPxa2m06QOxrkNGPQVNxNkE/s320/cao.jpg


        Uma Raposa, que procurava comida ali perto, ao escutar o canto, se aproximou da árvore, e foi logo dizendo o quanto lhe agradaria conhecer de perto, o dono de tão extraordinária voz.
"Se você me permitir", ela disse, "Ficarei muito grato de passar o dia em sua companhia, apreciando sua voz."

        O Galo então disse: "Senhor, por favor, dê a volta na árvore, e peça para meu porteiro lhe abrir a porta, pois eu o receberei de bom grado."

        Quando a Raposa se aproximou da árvore, o Cachorro a atacou afugentando-a para longe.


Moral da História: Quem age de má fé, cedo ou tarde acaba por cair na própria armadilha.

Fábula de Esopo.

Entendendo a fábula:

 01 – Como o cão e o galo se organizaram para passar a noite e de que forma essa escolha estratégica influenciou o desfecho da história?

      O galo e o cão escolheram uma mesma árvore para se abrigar, mas em alturas diferentes: o galo acomodou-se num galho alto e o cão deitou-se num oco na base do tronco. Esta organização foi crucial para o desfecho, pois permitiu que o galo ficasse seguro e fora do alcance imediato de predadores, enquanto o cão ficou posicionado estrategicamente no chão, pronto para agir caso algum perigo se aproximasse da base da árvore.

02 – Qual era a verdadeira intenção da raposa ao elogiar a voz do galo e que argumento ela utilizou para tentar convencê-lo a descer?

      A verdadeira intenção da raposa, que estava à procura de comida, era caçar e devorar o galo. Para alcançar o seu objetivo sem levantar suspeitas, ela usou a lisonja e o fingimento, elogiando a "extraordinária voz" do galo e afirmando que ficaria muito grata se pudesse passar o dia na sua companhia apenas para apreciar o seu canto.

03 – Como o galo demonstrou astúcia ao responder à proposta capciosa da raposa?

      O galo demonstrou grande inteligência ao não se deixar levar pelos elogios da raposa. Em vez de descer do galho seguro, ele fingiu aceitar o pedido, mas direcionou a raposa para a base da árvore, dizendo de forma irónica que ela deveria falar primeiro com o seu "porteiro" para que este lhe abrisse a porta. Com isso, ele fez com que a raposa fosse ao encontro do cão sem que ela suspeitasse do perigo.

04 – O que aconteceu quando a raposa seguiu as instruções do galo e como o conflito foi resolvido?

      Seguindo a indicação do galo, a raposa aproximou-se do oco da árvore à procura do suposto "porteiro". Nesse momento, o cão, que ali dormia, acordou e atacou-a imediatamente, afugentando-a para longe. O conflito resolveu-se através da união e da proteção mútua entre os dois animais viajantes, que neutralizaram a ameaça da predadora.

05 – De que maneira o desfecho da narrativa ilustra a moral da história: "Quem age de má fé, cedo ou tarde acaba por cair na própria armadilha."?

      A moral ilustra-se no facto de a raposa ter tentado criar uma armadilha psicológica (usando a mentira e a falsa amizade) para enganar o galo e transformá-lo em refeição. No entanto, por agir de má fé, a sua própria ganância cegou-a para os perigos ao redor, fazendo com que ela caísse na "armadilha" armada pelo galo, acabando por ser surpreendida e atacada pelo cão que ela não previu que estivesse ali.

 

 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

FÁBULA: O MORCEGO E A DONINHA - ESOPO - COM GABARITO

 Fábula: O Morcego e a Doninha

         Um dia, um Morcego caiu num buraco de uma Doninha e foi apanhado por ela. Pediu-lhe que lhe poupasse a vida, mas a Doninha recusou respondendo-lhe que não o podia fazer porque era inimiga dos pássaros.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgL7aO_KjJslHznTUNoUIVlrwdyFmsnZjkrwcvma4bi5h1iG57Fw4qhxxnhwXzFWRZa-CUKmGu-fux-CtptOZ11ots-yVzFpHQ2JYQr0rldFH9ODdcurL5S0aFhrPpYg1BaWVUF5JCt6sokw21HKWjnbvctJ-WzIw_g0eRehHCY9N9z0mForcwyLarXFCY/s320/morcego.jpg
 

        -- Mas eu não sou um pássaro, sou um rato! – argumentou o Morcego.

        Ouvindo isto, a Doninha poupou-lhe a vida e deixou-o partir.

        Pouco tempo depois, o Morcego voltou a cair e foi apanhado por outra Doninha. Desta vez, quando o Morcego lhe pediu que lhe poupasse a vida, a Doninha respondeu que não podia, porque detestava ratos.

        -- Mas eu não sou um rato, sou um pássaro! – respondeu-lhe o Morcego.

        A Doninha deixou-o partir, poupando-lhe a vida.

Moral da história: É bom sabermos adaptar-nos às circunstâncias.

Fábula de Esopo.

Entendendo a fábula:

01 – No primeiro encontro, por que a Doninha recusou inicialmente o pedido do Morcego para lhe poupar a vida e qual foi o argumento utilizado por ele para se salvar?

      A Doninha recusou poupar a vida do Morcego porque afirmou que era, por natureza, inimiga declarada dos pássaros. Para se salvar, o Morcego usou a sua anatomia ambígua a seu favor, argumentando que ele não era um pássaro, mas sim um rato. Ao ouvir essa justificativa, a Doninha mudou de ideias e libertou-o.

02 – O que aconteceu no segundo encontro do Morcego que o colocou novamente em perigo de vida? Como a ameaça desta segunda Doninha diferia da primeira?

      O Morcego cometeu o erro de cair novamente num buraco e foi capturado por uma segunda Doninha. A ameaça desta nova Doninha era exatamente o oposto da primeira: enquanto a primeira odiava pássaros, esta segunda afirmou que detestava ratos, o que invalidava o argumento anterior que o Morcego tinha utilizado para sobreviver.

03 – Como o Morcego conseguiu salvar-se da segunda Doninha, considerando que ela detestava a criatura que ele dizia ser no primeiro encontro?

      O Morcego adaptou rapidamente o seu discurso à nova ameaça. Como a segunda Doninha detestava ratos, ele alterou a sua identidade e afirmou: "Mas eu não sou um rato, sou um pássaro!". Mostrando as suas asas, ele convenceu o predador e conseguiu que a sua vida fosse poupada mais uma vez.

04 – As características físicas do morcego (ter asas como uma ave, mas corpo e feições semelhantes aos de um roedor) são fundamentais para o desenvolvimento da história. Explique como o personagem usou essa dualidade de forma estratégica.

      O Morcego usou a sua dualidade física como uma estratégia de sobrevivência baseada na conveniência. Ele não mentiu completamente em nenhuma das situações, mas escolheu omitir uma parte da sua natureza e enfatizar a outra dependendo de quem o atacava. Contra o inimigo dos pássaros, agiu como rato; contra o inimigo dos ratos, agiu como pássaro.

05 – A moral da história afirma que "É bom sabermos adaptar-nos às circunstâncias". De que forma as ações do Morcego exemplificam essa lição e como isso pode ser aplicado à vida real?

      O Morcego exemplifica a moral ao não demonstrar um comportamento rígido ou teimoso; ele avaliou o perigo de cada momento e mudou a sua postura para sobreviver. Na vida real, a fábula ensina que a flexibilidade e a astúcia são ferramentas essenciais. Em vez de nos lamentarmos perante as dificuldades, devemos analisar o cenário e ajustar o nosso comportamento e argumentos para superar os diferentes obstáculos que surgem.

 

CONTO: A VIRTUDE DA PACIÊNCIA - COM GABARITO

 Conto: A virtude da paciência

 

        Um mandarim foi nomeado para o seu primeiro posto oficial.

        Ele recebeu a visita de um amigo, que vinha se despedir dele.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjOOfcgE6wG8LeOmeWx0ha8PGPkAP3r0qEMnD2UuoFQzrAp_g8r_vRn-idAAIQLjS2E2840awus6vZzhsIpjl9gb0QuPAwafKzJMzqz90d160JP5Ctj6aakd3iQaMTSotpeWVL1aGDjCVlZAU7MEHLaOuIrc8D29TsdbaydpGaXLYzFbvZqgHLwiTjKjQQ/s1600/o-mandarim.jpg


        -- Seja paciente, recomendou o amigo, se fores paciente, não vais ter nenhuma dificuldade no novo posto.

        O mandarim disse que iria se lembrar do conselho.

        Seu amigo repetiu a recomendação mais três vezes e a cada vez o mandarim dizia que iria se lembrar.

        Mas quando o mesmo conselho foi repetido pela quarta vez, ele irritou-se:
        -- Acha que eu sou um imbecil? É a quarta vez que me repete a mesma coisa!

        -- Estás vendo o quanto é difícil ter paciência? Bastou em dar o mesmo conselho duas vezes a mais e já ficaste com raiva.

 

Contos do Oriente.

Entendendo o conto:

 01 – Qual foi o principal conselho que o amigo deu ao mandarim antes de ele assumir seu novo posto oficial?

      O amigo recomendou expressamente que ele fosse paciente, afirmando que, se agisse com paciência, não encontraria nenhuma dificuldade em seu novo cargo.

02 – Como o mandarim reagiu nas primeiras vezes em que o amigo repetiu o conselho?

      Nas primeiras três vezes em que o amigo repetiu a recomendação, o mandarim reagiu de forma tranquila e educada, dizendo que iria se lembrar do conselho.

03 – O que fez com que o mandarim perdesse o controle e se irritasse?

      O mandarim perdeu o controle quando o amigo repetiu o mesmo conselho pela quarta vez. Ele se sentiu ofendido e questionou se o amigo o achava um imbecil por insistir tanto na mesma coisa.

04 – Qual foi a intenção do amigo ao repetir o conselho tantas vezes?

      A intenção do amigo era testar e demonstrar, na prática, o nível de paciência do mandarim, provando que falar sobre a paciência é fácil, mas exercitá-la diante da repetição ou do incômodo é muito mais difícil.

05 – Qual é a grande lição ou moral que esse conto nos transmite?

      O conto nos ensina que a paciência é uma virtude difícil de ser mantida e que muitas vezes superestimamos nossa própria capacidade de sermos pacientes. A verdadeira paciência é testada em situações de desconforto, e o mandarim falhou no teste logo na quarta repetição, mostrando que ainda precisava trabalhar essa virtude.

 



FÁBULA: A LAMPARINA - ESOPO - COM GABARITO

 Fábula: A lamparina

 

        Uma lamparina cheia de óleo gabava-se de ter um brilho superior ao do Sol.

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhWZ1mINa9LzGVhyWDTe4OzgXyloZVgolnTHRnGDZMPjifykiK7Ud0nFbpt1p7ldf0nphSw5_kX6YYj0-KouxOsF8ETYv-n1eylZeV6tZNQHfQ3lUMUkMo40uhCAj574TUVAqQuGnB-WFs2xBBg4FyKi1T0HCB_zjl08y3_Z14raWVYuQiIkJBUSN90jhs/s320/LAMPARINA.jpg


        Um assobio, uma rajada de vento e ela apagou-se.

        Acenderam-na de novo e lhe disseram:

        -- Ilumina e cala-te. O brilho dos astros não conhece o eclipse.

Moral da Estória:

        Que o brilho de uma vida gloriosa não te encha de orgulho. Nada do que adquirimos nos pertence de verdade.


Fábulas de Esopo

Entendendo a fábula:

01 – Por que a lamparina se gabava no início da fábula?

      A lamparina se gabava porque estava cheia de óleo e acreditava que o seu brilho era superior ao do próprio Sol.

02 – O que aconteceu para que a lamparina se apagasse?

      Bastaram um assobio e uma rajada de vento para que a chama da lamparina se apagasse completamente.

03 – O que disseram à lamparina depois que a acenderam novamente?

      Disseram para ela iluminar e calar-se, lembrando-lhe que o verdadeiro brilho dos astros (como o Sol e as estrelas) não sofre eclipses ou se apaga facilmente como ela.

04 – Qual é a principal crítica feita ao comportamento da lamparina?

      A crítica é direcionada à sua arrogância e vaidade. Ela se orgulhava de algo temporário e frágil (seu brilho alimentado por óleo) comparando-se a algo grandioso e permanente (o Sol).

05 – Qual é a moral da história e o que ela nos ensina sobre o orgulho?

      A moral é que o brilho de uma vida gloriosa não deve nos encher de orgulho, pois nada do que adquirimos nos pertence de verdade. Ela nos ensina que o sucesso e as posses materiais são passageiros e que devemos cultivar a humildade.

 

 

 

CONTO: O CORVO - ANTÓNIO TORRADO - COM GABARITO

 Conto: O corvo

          Era uma vez um corvo.

        Preto e luzidio como todos o são, este corvo sentia-se fadado para grandes voos.

        Mas que voos?

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgDLO3RVw2A3UXBqeXp3hWFBiFnc7OcmqIw3BdZGLAi16NCGSsbKXeI-xjFgVPb7eqOPDnaIbRxk1j22lAZ8Qq3t8zX_ql0nmLXs5lgWHERcrcF6DZqCILRR9L1dzvwSZ3jU2cZDWBVyzx8A3KjGnwXLwYbCsh7PoUcjeOf4Z_r__VNnFQpoPPdaATlXCo/s320/corvo.jpg


        Assim vestido, como se usasse casaca, podia ser músico. Aí estava uma profissão bonita. Atrairia os olhares das plateias e os aplausos do público, seria conhecido e gabado. Ele, o corvo violinista ou pianista ou violoncelista, com o nome destacado em todos os cartazes de concertos, pelo mundo fora, não era sensacional?
Mas, para que isso acontecesse, tinha primeiro de aprender música. Pois era. Aí é que estava o enfado. Aprender, estudar, ensaiar, em intermináveis sessões de trabalho, debruçado sobre pautas, repetindo, insistindo... Que enjoo!

        Afinal, pensando bem, já não queria ser músico.

        Mas podia ser ilusionista. Com todos os holofotes concentrados sobre ele, num círculo mágico de luz, o corvo brilharia. Tirava um lenço do bolso e transformava-o numa borboleta. Abria um baralho em leque e adivinhava, de olhos fechados, o valor de cada carta. Soprava um balão e desfazia-o em poalha de espuma. E palmas, muitas palmas sempre, ao fim de cada número.

        Mas, para que isso acontecesse, tinha primeiro de exercitar minuciosamente cada truque, preparar-se muito bem, experimentar, adestrar-se. Que canseira!

        Afinal, pensando bem, já não queria ser ilusionista.

        Mas podia ser juiz. A presidir ao tribunal, com toda a autoridade de quem decide, sendo respeitado e temido, concentraria sobre ele a admiração de todos.

        Mas, para que isso acontecesse, tinha primeiro de ler os códigos, tinha de passar longas noites a consultar calhamaços, a avaliar os processos, a tirar apontamentos, a escrever pareceres, a decorar leis. Que aborrecimento!

        Afinal, pensando bem, já não queria ser juiz.

        O corvo via-se ao espelho e imaginava para a sua bela plumagem, para o requinte dos seus gestos, para a elegância da sua pose, os mais distintos atributos profissionais.

        Apetecia-lhe ser pregador, professor catedrático, diplomata, presidente da república, eu sei lá que mais, embora houvesse sempre uns preparos a cumprir, uns estudos a fazer, que antecipadamente o agoniavam.

        Em qualquer dos casos, sobre o preto brilhante das penas, a fieira de condecorações em destaque provaria que ele era um corvo distinto, diferente, especial, um corvo lançado em altos voos.

        Pois sim, mas... Há sempre um "mas" arreliador, ao cabo destas histórias.

        Alguém lhe lançou uma rede, enquanto ele se aturdia, no meio dos seus sonhos. Alguém o meteu num saco. Alguém o levou a uma feira. Alguém o expôs de pernas para o ar, presas com um atilho. Alguém o vendeu por pouco dinheiro.

        -- Quer que lhe corte as asas? – perguntou esse alguém ao comprador.

        -- É mais prudente. Assim já não pode fugir.

        Umas tantas tesouradas riparam-lhe as penas mais compridas das asas. Para sempre.

        O corvo trabalha agora num armazém de carvão. Faz de guarda. Usa uma corrente comprida presa à pata e grasna, a dar sinal, à presença de qualquer estranho.

        Os corvos são muito bons nisso.


António Torrado.

Entendendo o conto:

01 – O que motivava o corvo a imaginar-se em profissões de grande prestígio, como músico, ilusionista ou juiz? O que todas essas ambições tinham em comum?

      O corvo era movido pela vaidade e pelo desejo de reconhecimento social. Ele olhava para a sua plumagem preta e luzidia e sentia-se "fadado para grandes voos". O que todas as profissões sonhadas tinham em comum era o desejo pelos holofotes, aplausos, admiração e autoridade. Ele não se importava com a profissão em si, mas sim com o estatuto, a fama e as condecorações que ela lhe traria.

02 – Apesar dos seus grandes sonhos, o corvo desiste rapidamente de cada uma das profissões que imagina. Qual era o principal obstáculo que o impedia de concretizar os seus planos?

      O principal obstáculo era a sua total aversão ao esforço, ao estudo e ao trabalho. Sempre que pensava nas exigências práticas para alcançar o sucesso — como as intermináveis sessões de ensaio da música, o treino minucioso dos truques de ilusionismo ou as noites passadas a ler calhamaços de leis para ser juiz —, ele sentia preguiça e agonia. O corvo queria a glória do topo, mas rejeitava o sacrifício do processo.

03 – Como a distração do corvo com os seus próprios delírios de grandeza contribuiu para a sua captura?

      O corvo vivia tão alienado e focado nas suas fantasias de sucesso que perdeu a noção da realidade e do perigo ao seu redor. O texto afirma que ele foi capturado ("Alguém lhe lançou uma rede") justamente "enquanto ele se aturdia, no meio dos seus sonhos". A sua falta de atenção e o desprezo pelas ações práticas do presente tornaram-no uma presa fácil.

04 – No final do conto, as asas do corvo são cortadas. Qual é o significado simbólico desse ato em relação ao início da história?

      No início do conto, o corvo acreditava estar "fadado para grandes voos", uma metáfora para o sucesso e a liberdade de atingir grandes objetivos na vida. O corte das suas asas pelas tesouras do comprador simboliza a destruição definitiva dos seus sonhos e do seu potencial de crescimento. Ao perder as penas mais compridas, ele perde também a capacidade física e metafórica de "voar", ficando condenado a uma vida rasteira e limitada.

05 – Explique a ironia trágica presente no desfecho da vida do corvo, considerando o local onde ele vai trabalhar e a função que passa a desempenhar.

      A ironia é total e trágica por dois motivos:

      O local: O corvo, que tanto se orgulhava do brilho requintado das suas penas pretas e queria o luxo dos palcos e tribunais, acaba a trabalhar num armazém de carvão, um lugar sujo e escuro onde o seu brilho se apaga.

      A função: Ele, que sonhava ser uma exceção única e "um corvo diferente, especial", acaba preso por uma corrente à pata para fazer o trabalho genérico de um cão de guarda, cumprindo apenas aquilo em que "os corvos [em geral] são muito bons". Em vez da distinção, ele terminou na mais absoluta banalidade.

 

 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

MITOS E LENDAS: QUAL É A DIFERENÇA? (HABILIDADE EF67LP28) - COM GABARITO

 Mitos e Lendas: Qual é a diferença?(Habilidade EF67LP28)

 Embora pareçam iguais, os mitos e as lendas têm objetivos diferentes. Os mitos são histórias sagradas criadas por povos antigos para explicar como o mundo surgiu, como os seres humanos nasceram ou de onde vieram as forças da natureza (como o trovão ou o sol). Eles geralmente envolvem deuses e heróis poderosos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj-Zd49pBrPoX69LVXbxZXYzh1ehyphenhyphenJaVTkcx-BELgerefZ5c6vla_gWBr2vR99qtXJ4rRs-mYc1i6dXbW22TCHZzZPfAQekpRL7FGuv5FuUdyXF0wDGD1VAGNC0TCkLScE20Ix0v0DJ3YU94S7pYsEPIrRqAPg0GNA9mesoZKOgFA1VEEwvUtCN4UfGlz0/s320/mito-e-lenda.jpg
Já as lendas misturam um pouquinho de história real com imaginação. Elas nascem do povo e narram acontecimentos extraordinários, mistérios ou feitos de pessoas que realmente existiram no passado, mas que ganharam elementos mágicos com o passar do tempo.

Entendendo o texto

01. Qual é o principal objetivo de um mito?

      Explicar a origem do mundo, dos seres ou das forças da natureza.

02. Que tipo de personagens costuma aparecer nos mitos?

       Deuses, semideuses e heróis poderosos.

03. O que as lendas usam como base para a sua história?

       Fatos históricos reais misturados com imaginação e elementos mágicos.

04. Se uma história conta como o Deus Sol criou a noite, ela é um mito ou uma lenda?

       É um mito, porque explica a criação/origem de algo no mundo.

05. Qual é a diferença entre o que o mito explica e o que a lenda narra?

        O mito explica a origem das coisas; a lenda narra acontecimentos extraordinários ou feitos do passado.

 

 

TEXTO INFORMATIVO: O MUNDO DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS - FRAGMENTO - LEILA R. IANNPNE E ROBERTO A. IANNONE - COM GABARITO

 Texto informativo: O mundo das histórias em quadrinhos – Fragmento

         Leila R. Iannone e Roberto A. Iannone

        Como surgiram as histórias em quadrinhos

        Desde o tempo das cavernas, o homem tem utilizado desenhos e outros elementos gráficos para retratar suas aventuras e misticismos. No entanto pode-se dizer que as precursoras das histórias em quadrinhos surgiram apenas no século passado (séc. XIX). Não apresentavam, ainda, a forma atual, mas estavam muito próximas. As ilustrações predominavam, e os textos, quando existiam, eram diminutos e apareciam sob cada quadro ou desenho. Em geral vinham em forma de prosa ou verso e o diálogo praticamente inexistia.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijv3jZkMt1klzVZTW6GQf8_Q7e1XvbPsQZR1pWY3e3Zlk3o2XqDDYsdINNUxfNoN-XI7M2DdVcKynRV-9x9475rgfwIdpDiHz3RsyLXL0Di9sWTlJDTDiF941n2z2_zGh0-BfXl4Eh1CFTOOLbiM96LstFoMGDV2DB07t6fP3-Kg45a8u30LIruhMcNEI/s320/comic-cuts-considerada-a-primeira-revista-em-quadrinhos-1526567831799_v2_580x731.jpg


        No princípio, os desenhistas desenvolveram as ilustrações para retratar cenas ou contar histórias. Muitas vezes, tudo era mostrado em um único desenho. Em outras, as ilustrações apareciam em sequência, sem legendas. [...]

        As primeiras histórias e personagens

        Em 1897, Rudolph Dirks, jovem desenhista norte-americano da equipe do Morning Journal, apresentou um modelo de expressão cômico-gráfica que ficaria definitivamente conhecido como história em quadrinhos. [...]

        William Hearst [proprietário do jornal] incumbiu Dirks de desenvolver uma nova história, baseada nos personagens Max e Moritz, do desenhista alemão Wilhelm Busch. O exemplar inaugural da série chamou-se Acb, Those Katzenjammer Kids! (Ah! Esses garotos Katzenjammer), com os personagens Hans e Fritz. Driks [...] foi o primeiro autor a apresentar uma história em quadrinhos completa. [...].

        Pouco a pouco, as aventuras de Hans e Fritz consolidaram-se como a série pioneira dos comics. Depois, por volta de 1899, o autor já havia elaborado tantos desenhos da dupla que foi possível aponta-la também como a primeira série permanente do gênero.

        Uma curiosidade: a palavra alemã Katze significa “gato” e Katzenjamme, além de “miado”, é uma expressão de gíria que corresponde a “ressaca”. Sem dúvida, uma referência às consequências das travessuras dos garotos.

        Os personagens principais, os irmãos Hans (o loiro) e Fritz, viviam em guerra com o pai adotivo, o Capitão, e com o inspetor escolar, o Coronel. Todos eram alvos das traquinagens dos garotos, inclusive sua mãe, Dona Chucruts. [...] Essas histórias são publicadas até hoje, com o título de The Captain and The Kids (Os sobrinhos do Capitão). [...]

        Os elementos

        Os quadrinhos – Em sua estrutura usual, a história em quadrinhos compõe-se de quadros que combinam dois meios de comunicação distintos: desenho e texto. seu veículo principal é o próprio quadrinho, também denominado “vinheta”, criado para transmitir uma mensagem. Juntando-se dois ou mais quadros para contar uma história, obtém-se uma sequência. É ela que sugere o movimento ou, em outras palavras, a ação da história.

        Seu formato mais comum é o retângulo, delimitado por linhas retas (moldura). Esse traço que envolve o quadrinho não tem presença obrigatória, pois, na maioria dos casos, sua única função consiste na divisão (separação) das vinhetas. [...]

        A imagem – A imagem é o desenho contido no interior do quadrinho. Geralmente, apresenta uma cena (cenário) que traduz a mensagem do autor para seus leitores. Além da cena, o artista insere os textos (balões e letreiros), compondo o quadro (enquadramento). A análise de uma tira ou sequência permite constatar que o desenhista procura organizar a distribuição das imagens e orientar a leitura.

        O enquadramento – O artista “arranja” o cenário, isto é, o espaço interior do quadrinho para que as figuras associadas ao texto transmitam a sensação de movimento (ação) e facilitem a compreensão da mensagem. Isso significa que o desenhista procura a forma que melhor traduza sua intenção, ou seja, busca uma organização que permite o desenvolvimento da história.

        De modo semelhante ao que se faz no cinema ou na televisão, nos quadrinhos o desenho também pode ser apresentado em planos e ângulos de visão diferentes.

        Os tipos de plano variam de acordo com o destaque que o artista quer dar ao cenário ou aos personagens. Parece que o desenhista usa uma lente zoom, como no cinema ou na fotografia, para aproximar uma figura ou mostrar uma visão geral da cena. Por exemplo, para enfatizar a reação de um determinado personagem, ele pode desenhar apenas o rosto do herói, ocupando todo o quadrinho com essa imagem. [...]

        Os personagens – O personagem principal é o herói e os demais são os coadjuvantes (figuras secundárias ou auxiliares). Algumas histórias trazem mais de um personagem principal, como as estreladas pela dupla Batman e Robin, pela turminha da Mônica, pelo Pato Donald e seus sobrinhos Huguinho, Luizinho e Zezinho e tantos outros casos.

        Sempre que se fala em personagem, surge a questão da tipologia, ou seja, dos traços característicos dos personagens. Segundo a tradição (do cinema, do desenho animado e dos contos de fadas), o mocinho não pode ser confundido com o bandido, nem a heroína com a megera. Desse modo, o artista recorre, mais uma vez, ao traço do desenho para diferenciá-los. Na terminologia dos quadrinhos, o que distingue os diferentes personagens é o chamado “tipo”. Assim, de acordo com o traço e as feições utilizados pelo desenhista, o personagem assume um tipo, independentemente da sua descrição. Pode-se encontrar o tipo tímido, o galante, o espertalhão e assim por diante.

        Outra característica refere-se ao “modelo” que determinados personagens representam para o leitor. Assim, certos personagens acabam virando símbolos. No linguajar técnico, esse símbolo ou padrão é denominado “arquétipo” e, nesses casos, o tipo por si só determina as características do personagem. Tarzan exemplifica o modelo clássico de herói: é esbelto, bonito, esperto, inteligente e, principalmente,  justo. Já o bandido tem como marcas registradas o mau-caráter e a fisionomia abrutalhada.

        Nas histórias infantis, os personagens bons se diferenciam dos maus pela expressão e também pela figura. As aventuras de Disney estão repletas de bons exemplos. Como ele utiliza a imagem de bichos, procura transferir as características de determinado animal para o personagem. Assim, Tico e Teco são dois inocentes esquilos, preocupados basicamente com a estocagem de nozes nos troncos ocos das árvores. Já o Lobão, que é um vilão, passa todo o seu tempo perseguindo os pobres porquinhos. [...]

        Nada acontece por acidente nos comics. A rigor, eles não têm movimento, som e dimensão: essas sensações são apenas sugeridas e nisso residem o desafio e a arte do desenhista. No cinema ou diante da televisão, o público é o espectador. Já os quadrinhos exigem maior envolvimento do leitor, que precisa interpretar e co-participar da ação, como se houvesse uma interação com o artista.

Leila R. Iannone e Roberto A Iannone. O mundo das histórias em quadrinhos. São Paulo, Moderna, 1994.

Fonte: Língua portuguesa. Entre Palavras, edição renovada. Mauro Ferreira – 6ª série – FTD. São Paulo – 1ª edição. 2002. p. 146-150.

Entendendo o texto:

01 – De acordo com o texto, quando surgiram as primeiras precursoras das histórias em quadrinhos e qual era a sua principal característica gráfica?

      As precursoras surgiram no século XIX (século passado). Elas se caracterizavam pelo predomínio de ilustrações, com textos diminutos que apareciam sob cada quadro ou desenho (geralmente em prosa ou verso), e o diálogo praticamente inexistia.

02 – Quem foi o desenhista norte-americano que apresentou, em 1897, o modelo de expressão cômico-gráfica definitivamente conhecido como história em quadrinhos?

      O jovem desenhista foi Rudolph Dirks, membro da equipe do jornal Morning Journal.

03 – Em quais personagens de um desenhista alemão Rudolph Dirks se baseou para criar a série pioneira "Ah! Esses garotos Katzenjammer"?

      Dirks baseou-se nos personagens Max e Moritz, criados pelo desenhista alemão Wilhelm Busch.

04 – O que é uma "vinheta" dentro da estrutura usual das histórias em quadrinhos e qual é a função da sequência de quadros?

      A vinheta é o próprio quadrinho, veículo principal criado para transmitir uma mensagem combinando desenho e texto. A junção de dois ou mais quadros forma uma sequência, que tem a função de sugerir o movimento ou a ação da história.

05 – Como o texto explica a variação dos tipos de plano no enquadramento e qual recurso tecnológico é comparado a essa técnica?

      Os tipos de plano variam de acordo com o destaque que o artista quer dar ao cenário ou aos personagens. O texto compara essa técnica ao uso de uma lente zoom do cinema ou da fotografia, utilizada para aproximar uma figura (como o rosto do herói para enfatizar uma reação) ou mostrar uma visão geral da cena.

06 – O que é um "arquétipo" no contexto dos personagens de quadrinhos, segundo os autores, e qual exemplo é citado para ilustrar o modelo clássico de herói?

      O arquétipo é um símbolo ou padrão no qual o tipo, por si só, determina as características marcantes do personagem. O exemplo citado é Tarzan, que representa o modelo clássico de herói: esbelto, bonito, esperto, inteligente e, principalmente, justo.

07 – Por que os quadrinhos exigem maior envolvimento do leitor em comparação com o cinema ou a televisão?

      Porque os quadrinhos não possuem movimento, som e dimensão reais; essas sensações são apenas sugeridas pelo desenhista. Assim, enquanto na TV o público é um mero espectador, nos quadrinhos o leitor precisa interpretar e co-participar da ação, interagindo diretamente com a arte.

 

domingo, 17 de maio de 2026

MITO: HERA, RAINHA DO OLIMPO - COM GABARITO

 Mito: Hera, rainha do Olimpo


Hera era a filha mais nova de Cronos (Saturno) e Réia (Cibele). Assim como o irmão Zeus, foi poupada de ser devorada pelo pai, através de um ardil da mãe, que a entregaria recém nascida aos cuidados de Tétis e das Horas.
Quando Zeus derrotou Cronos, após uma guerra sangrenta de dez anos, tornando-se o senhor dos deuses, procurou pela irmã. Fascinado por sua beleza, encantou-se por ela, declarando-lhe uma paixão arrebatadora. Mas Hera declinou diante da paixão do irmão, preferindo manter-se casta. Inconsolável, Zeus transformou-se em um cuco, surgindo na frente da amada como um pássaro triste e quase morto pelo frio. 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg_1KBDncGbSBBeNvMX7lPrMqTCD-1P7cBmmpV_RBJI2CDyzJtN7UlJwzMYozjyvXj7inwSGQ6xEfuGlOUKCNR7E196KWDfEWXyw8e5Jor38K1H217gq65fROw7SOnbDsqipO8hHQgHgPgUyrm-LvZonZCPxIGkT2wQruUGa-yV392xrTGz-cwOBAK_2SM/s320/HERA.JPG


Compadecida, Hera, pegou a ave, aquecendo-a no calor do seio. Tão logo se viu junto ao corpo da deusa, Zeus, entorpecido pelo desejo, tomou-a para si, violando-a.
Diante da vergonha e humilhação sofrida, Hera exigiu que o irmão reparasse o ultraje. Apaixonado e decidido a encontrar uma companheira, o senhor dos deuses tomou a irmã como esposa, em uma pomposa cerimônia no Olimpo, assistida por todos os deuses. Hera tornava-se, ao lado do marido, a rainha de todos os deuses do Olimpo.
Reza a lenda, que após a grandiosa festa de matrimônio, Hera e Zeus partiram para um longo período de núpcias que duraria trezentos anos. Após regressar das núpcias, a deusa foi até Náuplia, banhando-se na fonte de Cánatos, sendo ali, restituída a sua virgindade.

 Entendendo o texto

01. Quem foram os responsáveis por cuidar de Hera logo após o seu nascimento?

a. Cronos e Réia.

b. Tétis e as Horas.

c. Zeus e Saturno.

d. Náuplia e Cánatos.

02. Que estratégia Zeus utilizou para se aproximar de Hera após ela rejeitar a sua paixão?

a. Iniciou uma guerra sangrenta que durou dez anos.

b. Organizou uma cerimônia pomposa no Olimpo.

c. Transformou-se em um cuco triste e castigado pelo frio.

d. Levou-a para um período de núpcias de trezentos anos.

03. O que Hera exigiu de Zeus após ter sido violada por ele?

a. Exigiu que ele derrotasse Cronos imediatamente.

b. Exigiu que ele a devolvesse aos cuidados de Réia.

c. Exigiu que o irmão reparasse o ultraje, tornando-a sua esposa.

d. Exigiu banhar-se na fonte de Cánatos para recuperar a virgindade. 

04. De acordo com o texto, quanto tempo durou o período de núpcias de Hera e Zeus?

a. Dez anos.

b. Cem anos.

c. Trezentos anos.

d. Quinhentos anos.

05. O que aconteceu quando Hera se banhou na fonte de Cánatos, em Náuplia?

a. Ela foi coroada oficialmente como a rainha do Olimpo.

b. Ela teve a sua virgindade restituída.

c. Ela transformou-se em uma ave para fugir de Zeus.

d. Ela encontrou os seus pais, Cronos e Réia.


FÁBULA: AS CABRAS MONTANHESAS E O CABREIRO - ESOPO - COM GABARITO

Fábula: As cabras montanhesas e o cabreiro

              Esopo

         Levou um cabreiro a pastar a suas cabras e de pronto viu que as acompanhavam unas cabras montanhesas. Legada a noite, levou todas a sua gruta.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhvPhQ1W7tK3NvjY77F1EFs43WoP-uS25uz8QcMRygxaRggJGxBFUmm9K3Cvu3j7WtbUrt8EfMoYZIa4Q9vuGAZJbtOBcHRzusjOeKAhvJylWZukwwa0RmHNBnZAFbjF2pFrKX0scyTgtKigJFphGrp2mlwZ5i_xQBiZtMxIgkiEMNAzu0gXypuWeupf8g/s1600/CABRAS.jpg

         Na manhã seguinte caiu uma forte tormente e não podendo levá-las, cuidou lá mesmo. Porém, enquanto dava a suas próprias cabras um punhado de forragem, às montanhesas servia muito mais, com o propósito de ficar com elas. Terminou por fim o mau tempo, e saíram todas ao campo, porém as cabras montanhesas escaparam para a montanha. Acusou-as o pastor de ingratas, por abandoná-lo depois de tê-las atendido tão bem, mas elas lhe responderam:
- Maior razão para desconfiar de ti, porque se a nós recém chegadas nos tratou melhor que a tuas velhas e leais escravas, significa isto que se logo vierem outras cabras, tu nos depreciaria por elas.

       Nunca confíes em quem pretende tua nova amizade a ponto de abandonar a que já tinha.


Entendendo o texto

01. O que o cabreiro percebeu de diferente enquanto levava as suas cabras para pastar no início do texto?

a. percebeu que o lobo estava vigiando o seu rebanho de longe.

b. viu que algumas cabras montanhesas haviam se juntado às suas cabras.

c. notou que o pasto estava seco e que precisaria buscar abrigo em uma gruta.

d. descobriu que metade do seu rebanho havia fugido para a montanha.

 

02. Por qual motivo o pastor decidiu dar muito mais alimento (forragem) para as cabras montanhesas do que para as suas próprias cabras?

a. porque as cabras montanhesas estavam muito mais magras e doentes que as dele.

b. porque ele tinha medo de ser atacado pelas cabras montanhesas dentro da gruta.

c. porque ele tinha o propósito de agradá-las para que elas ficassem com ele definitivamente.

d. porque suas próprias cabras se recusavam a comer a forragem durante a tormenta.

 

03. Como as cabras montanhesas reagiram assim que o mau tempo acabou e todos os animais saíram ao campo?

a. elas atacaram o pastor para defender as outras cabras.

b. elas agradeceram ao cabreiro e prometeram voltar no próximo inverno.

c. elas fugiram imediatamente de volta para a montanha.

d. elas decidiram expulsar as cabras velhas para liderar o rebanho.

 

04. O pastor acusou as cabras montanhesas de serem ingratas. Qual foi o argumento utilizado por elas para justificar a fuga?

a. disseram que preferiam a liberdade da montanha do que a comida da gruta.

b. explicaram que, se o pastor tratou as recém-chegadas melhor do que as suas velhas e leais escravas, ele faria o mesmo com elas se outras cabras surgissem no futuro.

c. afirmaram que a comida oferecida pelo pastor era de má qualidade e as deixou doentes.

d. responderam que o rebanho antigo do pastor não as aceitou bem e foi agressivo.

 

05. A moral da história alerta para nunca confiar em quem pretende uma nova amizade a ponto de abandonar a que já tinha. Na história, quem representa essa atitude criticada?

a. as cabras montanhesas, que abandonaram o pastor após comerem bastante.

b. as cabras antigas, que não defenderam o dono diante das estrangeiras.

c. a forte tormenta, que mudou o rumo dos animais sem aviso prévio.

d. o cabreiro, que desvalorizou suas companheiras leais e antigas para tentar bajular as novas cabras.