Texto informativo: O mundo das histórias em quadrinhos – Fragmento
Leila R. Iannone e Roberto A. Iannone
Como surgiram as histórias em
quadrinhos
Desde o tempo das cavernas, o homem tem
utilizado desenhos e outros elementos gráficos para retratar suas aventuras e
misticismos. No entanto pode-se dizer que as precursoras das histórias em
quadrinhos surgiram apenas no século passado (séc. XIX). Não apresentavam,
ainda, a forma atual, mas estavam muito próximas. As ilustrações predominavam,
e os textos, quando existiam, eram diminutos e apareciam sob cada quadro ou
desenho. Em geral vinham em forma de prosa ou verso e o diálogo praticamente
inexistia.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijv3jZkMt1klzVZTW6GQf8_Q7e1XvbPsQZR1pWY3e3Zlk3o2XqDDYsdINNUxfNoN-XI7M2DdVcKynRV-9x9475rgfwIdpDiHz3RsyLXL0Di9sWTlJDTDiF941n2z2_zGh0-BfXl4Eh1CFTOOLbiM96LstFoMGDV2DB07t6fP3-Kg45a8u30LIruhMcNEI/s320/comic-cuts-considerada-a-primeira-revista-em-quadrinhos-1526567831799_v2_580x731.jpg No princípio, os desenhistas
desenvolveram as ilustrações para retratar cenas ou contar histórias. Muitas
vezes, tudo era mostrado em um único desenho. Em outras, as ilustrações
apareciam em sequência, sem legendas. [...]
As primeiras histórias e
personagens
Em 1897, Rudolph Dirks, jovem
desenhista norte-americano da equipe do Morning Journal, apresentou um modelo
de expressão cômico-gráfica que ficaria definitivamente conhecido como história
em quadrinhos. [...]
William Hearst [proprietário do jornal]
incumbiu Dirks de desenvolver uma nova história, baseada nos personagens Max e
Moritz, do desenhista alemão Wilhelm Busch. O exemplar inaugural da série
chamou-se Acb, Those Katzenjammer Kids! (Ah! Esses garotos Katzenjammer), com
os personagens Hans e Fritz. Driks [...] foi o primeiro autor a apresentar uma
história em quadrinhos completa. [...].
Pouco a pouco, as aventuras de Hans e
Fritz consolidaram-se como a série pioneira dos comics. Depois, por volta de
1899, o autor já havia elaborado tantos desenhos da dupla que foi possível
aponta-la também como a primeira série permanente do gênero.
Uma curiosidade: a palavra alemã Katze
significa “gato” e Katzenjamme, além de “miado”, é uma expressão de gíria que corresponde
a “ressaca”. Sem dúvida, uma referência às consequências das travessuras dos
garotos.
Os personagens principais, os irmãos
Hans (o loiro) e Fritz, viviam em guerra com o pai adotivo, o Capitão, e com o
inspetor escolar, o Coronel. Todos eram alvos das traquinagens dos garotos,
inclusive sua mãe, Dona Chucruts. [...] Essas histórias são publicadas até
hoje, com o título de The Captain and The Kids (Os sobrinhos do Capitão). [...]
Os elementos
Os quadrinhos – Em
sua estrutura usual, a história em quadrinhos compõe-se de quadros que combinam
dois meios de comunicação distintos: desenho e texto. seu veículo principal é o
próprio quadrinho, também denominado “vinheta”, criado para transmitir uma
mensagem. Juntando-se dois ou mais quadros para contar uma história, obtém-se
uma sequência. É ela que sugere o movimento ou, em outras palavras, a ação da
história.
Seu formato mais comum é o retângulo,
delimitado por linhas retas (moldura). Esse traço que envolve o quadrinho não
tem presença obrigatória, pois, na maioria dos casos, sua única função consiste
na divisão (separação) das vinhetas. [...]
A imagem – A imagem é o desenho
contido no interior do quadrinho. Geralmente, apresenta uma cena (cenário) que
traduz a mensagem do autor para seus leitores. Além da cena, o artista insere
os textos (balões e letreiros), compondo o quadro (enquadramento). A análise de
uma tira ou sequência permite constatar que o desenhista procura organizar a
distribuição das imagens e orientar a leitura.
O enquadramento – O artista
“arranja” o cenário, isto é, o espaço interior do quadrinho para que as figuras
associadas ao texto transmitam a sensação de movimento (ação) e facilitem a
compreensão da mensagem. Isso significa que o desenhista procura a forma que
melhor traduza sua intenção, ou seja, busca uma organização que permite o
desenvolvimento da história.
De modo semelhante ao que se faz no
cinema ou na televisão, nos quadrinhos o desenho também pode ser apresentado em
planos e ângulos de visão diferentes.
Os tipos de plano variam de acordo com
o destaque que o artista quer dar ao cenário ou aos personagens. Parece que o
desenhista usa uma lente zoom, como no cinema ou na fotografia, para aproximar
uma figura ou mostrar uma visão geral da cena. Por exemplo, para enfatizar a
reação de um determinado personagem, ele pode desenhar apenas o rosto do herói,
ocupando todo o quadrinho com essa imagem. [...]
Os personagens – O personagem
principal é o herói e os demais são os coadjuvantes (figuras secundárias ou
auxiliares). Algumas histórias trazem mais de um personagem principal, como as
estreladas pela dupla Batman e Robin, pela turminha da Mônica, pelo Pato Donald
e seus sobrinhos Huguinho, Luizinho e Zezinho e tantos outros casos.
Sempre que se fala em personagem, surge
a questão da tipologia, ou seja, dos traços característicos dos personagens.
Segundo a tradição (do cinema, do desenho animado e dos contos de fadas), o
mocinho não pode ser confundido com o bandido, nem a heroína com a megera.
Desse modo, o artista recorre, mais uma vez, ao traço do desenho para
diferenciá-los. Na terminologia dos quadrinhos, o que distingue os diferentes
personagens é o chamado “tipo”. Assim, de acordo com o traço e as feições
utilizados pelo desenhista, o personagem assume um tipo, independentemente da
sua descrição. Pode-se encontrar o tipo tímido, o galante, o espertalhão e
assim por diante.
Outra característica refere-se ao
“modelo” que determinados personagens representam para o leitor. Assim, certos
personagens acabam virando símbolos. No linguajar técnico, esse símbolo ou
padrão é denominado “arquétipo” e, nesses casos, o tipo por si só determina as
características do personagem. Tarzan exemplifica o modelo clássico de herói: é
esbelto, bonito, esperto, inteligente e, principalmente, justo. Já o bandido tem como marcas
registradas o mau-caráter e a fisionomia abrutalhada.
Nas histórias infantis, os personagens
bons se diferenciam dos maus pela expressão e também pela figura. As aventuras
de Disney estão repletas de bons exemplos. Como ele utiliza a imagem de bichos,
procura transferir as características de determinado animal para o personagem.
Assim, Tico e Teco são dois inocentes esquilos, preocupados basicamente com a
estocagem de nozes nos troncos ocos das árvores. Já o Lobão, que é um vilão,
passa todo o seu tempo perseguindo os pobres porquinhos. [...]
Nada acontece por acidente nos comics.
A rigor, eles não têm movimento, som e dimensão: essas sensações são apenas
sugeridas e nisso residem o desafio e a arte do desenhista. No cinema ou diante
da televisão, o público é o espectador. Já os quadrinhos exigem maior envolvimento
do leitor, que precisa interpretar e co-participar da ação, como se houvesse
uma interação com o artista.
Leila R. Iannone e
Roberto A Iannone. O mundo das histórias em quadrinhos. São Paulo, Moderna,
1994.
Fonte: Língua
portuguesa. Entre Palavras, edição renovada. Mauro Ferreira – 6ª série – FTD.
São Paulo – 1ª edição. 2002. p. 146-150.
Entendendo o texto:
01 – De acordo com o texto,
quando surgiram as primeiras precursoras das histórias em quadrinhos e qual era
a sua principal característica gráfica?
As precursoras
surgiram no século XIX (século passado). Elas se caracterizavam pelo predomínio
de ilustrações, com textos diminutos que apareciam sob cada quadro ou desenho
(geralmente em prosa ou verso), e o diálogo praticamente inexistia.
02 – Quem foi o desenhista
norte-americano que apresentou, em 1897, o modelo de expressão cômico-gráfica
definitivamente conhecido como história em quadrinhos?
O jovem desenhista foi Rudolph Dirks,
membro da equipe do jornal Morning Journal.
03 – Em quais personagens de
um desenhista alemão Rudolph Dirks se baseou para criar a série pioneira
"Ah! Esses garotos Katzenjammer"?
Dirks baseou-se nos personagens Max e
Moritz, criados pelo desenhista alemão Wilhelm Busch.
04 – O que é uma
"vinheta" dentro da estrutura usual das histórias em quadrinhos e
qual é a função da sequência de quadros?
A vinheta é o
próprio quadrinho, veículo principal criado para transmitir uma mensagem
combinando desenho e texto. A junção de dois ou mais quadros forma uma
sequência, que tem a função de sugerir o movimento ou a ação da história.
05 – Como o texto explica a
variação dos tipos de plano no enquadramento e qual recurso tecnológico é
comparado a essa técnica?
Os tipos de plano
variam de acordo com o destaque que o artista quer dar ao cenário ou aos
personagens. O texto compara essa técnica ao uso de uma lente zoom do cinema ou
da fotografia, utilizada para aproximar uma figura (como o rosto do herói para
enfatizar uma reação) ou mostrar uma visão geral da cena.
06 – O que é um
"arquétipo" no contexto dos personagens de quadrinhos, segundo os
autores, e qual exemplo é citado para ilustrar o modelo clássico de herói?
O arquétipo é um
símbolo ou padrão no qual o tipo, por si só, determina as características
marcantes do personagem. O exemplo citado é Tarzan, que representa o modelo
clássico de herói: esbelto, bonito, esperto, inteligente e, principalmente,
justo.
07 – Por que os quadrinhos
exigem maior envolvimento do leitor em comparação com o cinema ou a televisão?
Porque os
quadrinhos não possuem movimento, som e dimensão reais; essas sensações são
apenas sugeridas pelo desenhista. Assim, enquanto na TV o público é um mero
espectador, nos quadrinhos o leitor precisa interpretar e co-participar da
ação, interagindo diretamente com a arte.
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