terça-feira, 24 de março de 2020

QUADRO: O VAGÃO DE TERCEIRA CLASSE - ANÁLISE - COM GABARITO


Quadro: O vagão de terceira classe
         
       Honoré Daumier

    Honoré Daumier foi um dos grandes pintores franceses do Romantismo. Como percebemos, nesse quadro, Daumier preocupou-se em retratar os aspectos negativos da realidade social. Sua arte teve como objetivo a sociedade: ele denunciou os piores dramas sociais, como militante artístico e político. Focalizou o povo, ou melhor, a pobreza da classe operária, na sua época, lutando contra os governos liberal-burgueses, pela liberdade da França. Segundo os críticos, a obra de Daumier representa a raiz romântica da futura arte expressionista.
Honoré Daumier, O vagão de terceira classe (1862).
                                  Fonte: Livro – Oficina de Redação – Leila Lauar Sarmento, 7ª Série. Editora Moderna, 1ª edição,1998. p. 132-4.
Entendendo o quadro:

01 – Como o artista conseguiu conferir beleza a uma cena tão real?
      Mostrando a atitude digna e resignada de pessoas pobres e humildes, na luta pela sobrevivência.

02 – Dos personagens mostrados no quadro, qual lhe desperta maior sensibilidade? Por quê?
      Resposta pessoal do aluno.

03 – A seu ver, qual foi a intenção do autor, ao criar essa obra?
      Denunciar a realidade, revelando a diferença entre as classes sociais.

04 – Que detalhes o artista buscou salientar nesse vagão de terceira classe?
      A promiscuidade, com a aglomeração de homens, mulheres e crianças, num espaço reduzido, abafado e escuro, bem como a falta de conforto, tristeza e cansaço dos ocupantes do vagão.

05 – Esse quadro romântico data de 1862. A situação aí representada ainda se verifica na época atual? Por quê?
      Infelizmente a pobreza continua a predominar no mundo, devido a maus governos e à injusta distribuição de renda.

06 – Você acha importante a utilização da arte como crítica social, ou ela deve expressar somente o belo? Justifique sua resposta.
      Resposta pessoal do aluno.

07 – Como você vê a diferença entre as classes sociais? Ela existe em função de que valores?
      Resposta pessoal do aluno.

08 – O quadro de Honoré Daumier mostra que a fome já espreita a humanidade há um bom tempo. Você acha que estaremos todos um dia num vagão de primeira classe? Esclareça sua resposta.
      Resposta pessoal do aluno.



QUADRO ARTÍSTICO - ANÁLISE E APRECIAÇÃO - COM GABARITO


QUADRO ARTÍSTICO - LEITURA  E  APRECIAÇÃO

                         
                                                                                                         François Boucher, Pastoral
François Boucher (1703-1770), extraordinário pintor e decorador francês, foi diretor da Academia de Belas Artes de Paris, sendo nomeado, em 1765, primeiro pintor do rei Luís XV. Adotou o estilo rococó, caracterizado pelo excesso de detalhes decorativos e por uma requintada elegância.

Fonte: Livro- Oficina de Redação – Leila Lauar Sarmento, 7ª Série. Editora Moderna, 1ªedição,1998.p.5/6.

         O amor é um dos sentimentos humanos mais complexos, que nos leva a sensações e atitudes inexplicáveis. Daí a magia que ele exerce sobre os artistas. Observe o quadro acima e responda:
1)   Qual é a expressão do rapaz diante da amada?
Ele parece absorvido pela figura da mulher, que envolve seus pensamentos; só tem olhos para ela.

2)   Que detalhes no quadro revelam o comportamento romântico do jovem?
Além do olhar apaixonado, ele está com um pequeno pássaro na mão e parece oferece-lo à amada, humildemente, como se fosse um presente, ou apenas para agradá-la.

3)   Explique a atitude da jovem – sua postura no quadro.
Ela sente-se atraída pela atenção do rapaz que a envolve com carinho, por isso põe-se à vontade, a observá-lo com doçura, em seu gesto de amor.

4)   Observe o local e o casal de namorados e descreva-os.
Trata-se de um ambiente aberto, um cenário campestre, totalmente ermo; há uma elevação, em meio à natureza simples e rústica, onde se veem algumas árvores grandes, frondosas e poucos arbustos.
Os namorados estão sentados no chão, nesse lugar isolado e tranquilo; usam roupas coloridas, alegres, mas sem luxo; parecem jovens camponeses. A moça tem os pés descalços e uma coroa de flores nas mãos. Completando a cena primaveril, há uma cesta de flores, no chão, próxima aos dois.

5)   Na sua opinião, o autor reproduziu a cena “Pastoral” de forma expressiva? Justifique sua resposta.
Resposta pessoal.                                              

segunda-feira, 23 de março de 2020

POEMA: FOTOGRAFIA - CARLOS QUEIROZ TELLES - COM GABARITO

POEMA: Fotografia

             Carlos Queiroz Telles

Um homem, uma mulher,
uma criança.

Com alguns cabelos a mais
este homem é meu pai.

Com algumas rugas a menos
esta mulher é minha mãe.


A criança, muito pequena
em seu xale e sua touca,
não parece que sou eu.

Mas os sorrisos atestam
serenos laços de amor.

O tempo trata as pessoas
com medidas diferentes.

Pelo espelho do retrato
fui eu quem mais mudou.

Pai e mãe estão iguais
Quase iguais...quase.

Carlos Queiroz Telles, Sementes de sol. São Paulo, Moderna, 1992.
Fonte: Livro- Oficina de Redação – Leila Lauar Sarmento, 7ª Série. Editora Moderna, 1ªedição,1998.p.87/88.
ENTENDENDO O POEMA

1)   Levante hipóteses: que idade o eu lírico tem?
Podemos afirmar que o eu lírico do poema é provavelmente um jovem ou um adulto que observa a fotografia de quando era criança com certa nostalgia.

2)   Qual o tema principal do poema?
O tema principal do poema se refere a saudade que o eu lírico tem de quando era próximo aos pais e como essa relação entre ele e os pais se modificou com o envelhecimento dele.

3)   Que relação existe entre o tema principal e o título “Fotografia”?
A narrativa central é o eu lírico analisando uma fotografia antiga sua com seus pais.

4)   O eu lírico é masculino ou feminino?
O eu lírico pode ser feminino pelo simples fato das terminações das palavras serem feminino, porém, para determinar se o eu lírico é feminino ou masculino não está claramente expresso no poema fotografia. Há outra hipótese que o eu lírico seja o próprio poeta, neste caso seria masculino


CONTO: O GIGANTE (FRAGMENTO) - CARLOS HEITOR CONY - COM GABARITO

Conto: O gigante (Fragmento)
            Carlos Heitor Cony 

        Se dava vexame nos números, até certo ponto alegrava o pai com as redações. Havia um quadro na parede da sala que o acompanhava desde os tempos de moleque em São Cristóvão, desde os tempos do tal Absalão: um menino levando um feixe de lenha para uma casa à beira de um rio, a fumaça saindo de uma chaminé, um quadro campestre de autor francês.
        A pedido dele, fiz umas cinco ou seis composições sobre aquilo, variando o nome do menino e do lugar, ora o menino era órfão explorado pela madrasta cruel, ora o menino estava perdido na floresta e encontrava uma casa na qual pediria abrigo, eu me virava como podia.
        Ele corrigia aqui e ali, riscava frases, colocava enormes interrogações nos trechos em que ficara faltando alguma coisa, mas sempre deixava escrito a lápis azul um “muito bem”, um “bravo”.
        Deu-me certa vez um tema livre: “Escreva sobre o que quiser. Cuidado com as concordâncias. Não se esqueça de que os advérbios atraem os pronomes”.
        Passei a tarde em cima de um caderno de folhas muito brancas. A tinta que ele me destinara era vermelha, marca Sardinha, como sempre. A pena era nova.
        Eu não tinha um tema, olhava o papel branco, nunca esqueci essa página em branco, sabia que seria gostoso escrever alguma coisa nela. Não sabia o quê. Pensei em repetir a dose e recontar a história do menino com o feixe de lenha, a casinha à beira do rio, a chaminé deitando fumaça. Era um tema íntimo, recorrente, no qual me sentia à vontade.
        De repente, tive vontade de escrever sobre um gigante que vinha todas as noites e me trazia bombons e balas. Um gigante que fazia coisas terríveis que me amedrontavam mas que eu gostava dele porque, no final de tudo, ele sempre tirava de um alforje de couro um brinquedo, e me mandava brincar. Um gigante que morava longe, onde moram o vento e as coisas do mundo, que apesar de morar tão longe nunca deixava de chegar, em horas estranhas, mas sempre chegando, porque sabia que eu precisava dele.
        O pai corrigiu fartamente, riscou com traços vermelhos uma concordância abominável, substituiu um “medonho” por “terrível” e achou razoável a composição. Disse que eu precisava ler o Zé de Alencar, depois o Machado, mais tarde o Eça.
        Pensou um pouco, desconfiou que nem Machado nem Eça seriam apropriados a um seminarista, falou em Vieira, em Bernardes, tinha uma edição de A nova floresta, falou, falou, falou – e não compreendeu.
        Quase memória, quase romance. São Paulo, Cia. das Letras, 1996.
Fonte: Português – Linguagem & Participação, 5ª Série – MESQUITA, Roberto Melo/Martos, Cloder Rivas – Ed. Saraiva, 1999, p. 234-6.
Entendendo o conto:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:
·        Vexame: atitude desagradável, papelão.

·        Campestre: do campo.

·        Íntimo: próprio da pessoa, interior.

·        Recorrente: que acontece muitas vezes.

·        Alforje: espécie de bolsa de couro.

·        Fartamente: com fartura, abundantemente.

·        Abominável: detestável.

02 – Quem são as personagens do texto?
      São: pai e filho.

03 – Qual o foco narrativo utilizado no texto Procure um trecho que justifique sua resposta.
      O texto é narrado em primeira pessoa. “A pedido dele, fiz umas cinco ou seis composições sobre aquilo...”; “Passei a tarde em cima de um caderno de folhas muito brancas”.

04 – Ao escrever várias vezes sobre a mesma gravura, o menino revela algumas qualidades. Quais são elas?
      Ele era criativo e esforçado.

05 – Por que o menino demorou a escrever sobre o tema livre?
      Resposta pessoal do aluno.

06 – Como era a história que o menino escreveu?
      Era a história de um gigante que vinha todas as noites e que trazia ao menino bombons e balas.

07 – Quem era na verdade o gigante?
      Era o pai do menino.

08 – O que faz o pai diante do texto do filho?
      O pai corrigiu fartamente a linguagem e achou razoável a composição, embora não tenha entendido o texto.

09 – O que o pai não compreendeu?
      O pai não compreendeu que o gigante era ele próprio e que o filho precisava dele.
        

REPORTAGEM: FILHOS INVERTEM PAPÉIS E PATRULHAM PAIS - CLÁUDIA FONTOURA - COM GABARITO

Reportagem: Filhos invertem papéis e patrulham pais
          

 Fumar, usar roupa brega ou namorar estão na lista dos vetos impostos pela garotada
                                                         Cláudia Fontoura

        Basta o empresário Ivan Frug, de 40 anos, pegar o maço de cigarros para que seus filhos Pedro, de 15 anos, Gabriel, de 13, e Manuela, de 5, comecem uma encenação. Se estavam rindo, passam a fazer caretas e fingem que se sentem mal e com tosse. “Antes de acender o cigarro, preciso me esconder na varanda para evitar reclamações”, conta ele. “É o único lugar onde ele pode fumar”, avisa Gabriel.
        A patrulha dos Frug se repete em outras famílias. Há filhos que policiam as saídas noturnas, os namorados e o modo de se vestir dos pais. Nem mesmo a quantidade de café que consomem por dia escapa. Preocupação com a saúde, ciúme e a necessidade de controlar os gostos dos pais são os motivos da vigilância, que não é relaxada nem no Dia da Criança. Pelo contrário. É uma época de reforçar as cobranças.
        Os irmãos Frug detestam cigarro. Incansáveis nas tentativas de convencer o pai a deixar o vício, os meninos decidiram delimitar a área de fumantes da casa. “No nosso quarto ele não entra com cigarro e só fuma nos outros lugares se não estivermos perto”, diz Gabriel.
        Com a professora Valéria Moura da Costa, o controle é outro. Seu filho Felipe, de 11 anos, fica uma fera por causa da quantidade de café que ela toma. Valéria teve de reduzir o consumo. “Eu tomava seis cafezinhos por dia e diminui para dois”.
        Felipe tem um motivo que considera concreto para vigiar a mãe. “O café estraga o estômago e ela passa mal”, diz. Para evitar que Valéria tenha dores de estômago, Felipe já fez de tudo. “Até joguei o café na pia”, conta. “Ela ficou muito brava”.
        Brega – A roupa que a mãe ou o pai vão vestir também é um forte motivo para que alguns filhos sintam-se no direito de criticar. Saia curta demais, peças bregas, enfeitadas ou decotadas são os argumentos mais usados para fazer a mãe voltar ao guarda-roupas em busca de outra produção.
        Quase todos os dias, antes de sair para o trabalho, a professora Vera Busch Rigo Neves Bezerra enfrenta as críticas da filha Carolina, de 16 anos. “Mãe, você não tem uma roupinha mais básica?”, pergunta Vera, imitando a filha. “Para ela, tenho de usar jeans, camiseta e tênis”.
        Vera não é uma pessoa extravagante, mas Carolina detesta os acessórios que a mãe insiste em usar. “Ela usa brincos maiores do que ela mesma”, implica Carolina. “Fica muito brega”. Para Vera, não é fácil agradar aos filhos. “O que eles acham bonito não combina com o meu modo de ser”.
        Camila Militello, de 12 anos, está segura do bom gosto da mãe, Telma Anauate, mas fica atenta a suas minissaias. Se Telma abusa do comprimento, a filha é categórica. “Ela diz que fica ridículo e que eu não deveria sair de casa daquele jeito”, conta a mãe. “Acho que fico com ciúme porque ela chama atenção”, justifica Camila.
        A administradora de empresas Rosaura de Oliveira enfrenta patrulha um pouco mais complicada. A filha Fernanda, de 7 anos, é capaz das maiores cenas para deixar claro que não está disposta a ver a mãe namorando. “Quando recebo a visita de um namorado, ela não o cumprimenta e ainda faz cara feia”. Sair à noite para ir ao cinema ou jantar com amigos também aborrece a menina. “Se pudesse, ela me trancaria na gaveta”.
        Para Fernanda, a mãe só deveria se interessar por programas que a incluam e a palavra namorado deveria ser cortada do vocabulário. “Não gosto que ela namore, pois fico com ciúmes”. Rosaura acredita que Fernanda esteja passando por uma fase comum da infância e tenta lidar com o problema com paciência e carinho. “Acho comum os filhos sentirem necessidade de exclusividade nessa fase”, diz. “Procuro explicar e não deixo de fazer o que tenho vontade”.

                 O Estado de São Paulo, 8 out. 1995.
                              Fonte: Português – Linguagem & Participação, 5ª Série – MESQUITA, Roberto Melo/Martos, Cloder Rivas – Ed. Saraiva, 1999, p. 215-7.
Entendendo a reportagem:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:
·        Encenação: ato de agir como se estivesse representando no palco.

·        Policiar: fiscalizar, regular ou manter em ordem.

·        Relaxado: descuidado, negligente, desmazelado.

·        Incansável: ativo, laborioso; infatigável.

·        Delimitar: fixar os limites de, demarcar.

·        Concreto: relativo a realidade, real, efetivo; material de construção feito com cimento, areia, pedra britada e água.

·        Brega: diz-se da pessoa ou coisa que revela mau gosto; deselegante, fora de moda, “cafona”.

·        Exclusividade: especial, privativo, restrito.

02 – O texto que você leu é uma reportagem ou uma notícia?
      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: É uma reportagem, pois não apresenta um fato que seja notícia, mas sim expõe um assunto.

03 – Qual é o tema?
      O relacionamento entre pais e filhos hoje em dia e a dificuldade dos pais em respeitar os desejos dos filhos, sem passar por cima dos seus próprios.

04 – O que existe de curioso no comportamento dos filhos no texto?
      O curioso é que os filhos buscam controlar a vida dos pais, quando habitualmente acontece o contrário.

05 – Na sua opinião, os filhos estão certos ao chamar a atenção dos pais? Faça um comentário a respeito.
      Resposta pessoal do aluno.

06 – Quais as atitudes que você condenaria nos pais presentes no artigo? Por quê?
      Resposta pessoal do aluno.

07 – Você faz com seus pais o mesmo que as crianças do texto? Como eles reagem aos seus comentários?
      Resposta pessoal do aluno.

08 – O que você acha do comportamento dessas crianças?
      Resposta pessoal do aluno.

09 – Crie outro título para esse texto.
      Resposta pessoal do aluno.


segunda-feira, 16 de março de 2020

MÚSICA(ATIVIDADES): GENIPAPO ABSOLUTO - CAETANO VELOSO - COM GABARITO

Música(Atividades): Genipapo Absoluto

                               Caetano Veloso

Como será pois se ardiam fogueiras
Com olhos de areia quem viu
Praias, paixões fevereiras
Não dizem o que junhos de fumaça e frio
Onde e quando é jenipapo absoluto
Meu pai, seu tanino, seu mel
Prensa, esperança, sofrer prazeria
Promessa, poesia, Mabel


Cantar é mais do que lembrar
É mais do que ter tido aquilo então
Mais do que viver do que sonhar
É ter o coração daquilo


Tudo são trechos que escuto - vêm dela
Pois minha mãe é minha voz
Como será que isso era este som
Que hoje sim, gera sóis, dói em dós
"Aquele que considera"
A saudade de uma mera contraluz que vem
Do que deixou pra trás
Não, esse só desfaz o signo
E a "rosa também"
                                      Composição: Caetano Veloso

Entendendo a canção:

01 – Que temática é abordada nesta canção?
      O autor relata fatos de seu cotidiano com seus pais e irmãs.

02 – Nos versos: “Onde e quando é genipapo absoluto / Meu pai, seu tanino, seu mel / Prensa, esperança, sofrer prazeria”. O que nos revela o poeta?
      Que seu pai o chamava para ajudá-lo a prensar o genipapo para fazer licor.

03 – Quem era Mabel, citada por Caetano?
      Sua irmã favorita quando eram crianças e agora faz poesia.

04 – Em que verso o poeta fala de sua mãe?
      “Pois minha mãe é minha voz”.

05 – Quem são os personagens da canção?
      O poeta, seu pai, sua mãe, sua irmã. 



POEMA: COISAS DA TERRA - FERREIRA GULLAR - COM QUESTÕES GABARITADAS

Poema: Coisas da Terra    
    Ferreira Gullar

Todas as coisas de que falo estão na cidade
entre o céu e a terra.
São todas elas coisas perecíveis
e eternas como o teu riso
a palavra solidária
minha mão aberta
ou este esquecido cheiro de cabelo
que volta
e acende sua flama inesperada
no coração de maio.

Todas as coisas de que falo são de carne
como o verão e o salário.
Mortalmente inseridas no tempo,
estão dispersas como o ar
no mercado, nas oficinas,
nas ruas, nos hotéis de viagem.
São coisas, todas elas,
cotidianas, como bocas
e mãos, sonhos, greves,
denúncias,
acidentes de trabalho e do amor. Coisas,
de que falam os jornais,
às vezes tão rudes
às vezes tão escuras
que mesmo a poesia as ilumina com dificuldade.

Mas é nelas que te vejo pulsando,
mundo novo,
ainda em estado de soluços e esperança. 
                                                                              Ferreira Gullar
Entendendo o poema:

01 – Reescreva a frase abaixo, substituindo a palavra grifada por um sinônimo (se for preciso, consulte o dicionário).
        “São todas elas coisas perecíveis...”
      “São todas elas coisas transitórias...”.

02 – Onde se encontram todas as coisas de que fala o poeta?
      Encontram-se na cidade.

03 – Qual a relação de significado entre as palavras perecíveis e eternas?
      Perecíveis são transitórias e eternas são os sentimentos e emoções.

04 – Quais as coisas que conseguem ser perecíveis e eternas de que nos fala o poema?
      São: O teu riso, a palavra solidária, minha mão aberta.

05 – O que você acha que o poeta quer dizer quando chama essas coisas de perecíveis e eternas?
      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: É que elas são passageiras e permanecem eterna no pensamento.

06 – O poeta afirma que o verão e o salário “são de carne”. Como você interpreta essa imagem?
      Resposta pessoal do aluno.

07 – Qual a comparação criada pelo poeta a fim de mostrar que as coisas de que fala estão em toda parte?
      Ele usa a conjunção “como” no seguinte verso: “São todas elas coisas perecíveis e eternas como o teu riso...”

08 – Quais as coisas cotidianas de que nos fala o poeta?
      As coisas cotidianas: bocas e mãos, sonhos, greves, denúncias, acidentes do trabalho e do amor.

09 – Por que às vezes a poesia tem dificuldade em iluminar as coisas de que fala o poeta?
      A poesia tem dificuldade porque as coisas de que falam os jornais as vezes tão rudes, as vezes tão escuras.

10 – O que você entende por essa ideia de “iluminar” as coisas?
      Iluminar tem sentido de clarear, esclarecer.     

11 – Em que estado se encontra o mundo novo? O que nos sugere esse estado?
      Encontra-se ainda em estado de soluços e esperança. Sugere que ele está pulsando.

12 – É nas coisas da terra que se encontra o novo mundo que podemos construir? Qual a sua opinião a respeito disso?
      Resposta pessoal do aluno.