sexta-feira, 22 de maio de 2026

LENDA ÁRABE: NA'AUM, O HAMZA - COM GABARITO

 Lenda Árabe: Na’aum, o Hamza

        O sábio Na'aum fora cognominado "Hamza" pois, diante de qualquer sucesso da vida ele afirmava com inabalável confiança:

        "Isso também (Hamza) foi para melhor!"

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        Nos últimos anos de sua vida, Na'aum ficou completamente cego; suas mãos tornaram-se paralíticas; em consequência da lepra perdeu os pés e seu corpo cobriu-se de feridas.

        Jazia estirado no fundo do cubículo imundo de uma casa em ruínas, com as pernas mergulhadas em uma bacia d'água, para que as formigas não o atacassem.

        Os discípulos iam visitá-lo e voltavam impressionados com o sofrimento do sábio.

        Certa vez um deles não se conteve e interrogou o enfermo:

        -- Se sois um homem tão justo, por que vos atormentam tantos males?
        -- Meu filho – retorquiu o paciente – o único culpado sou eu.

        E ante o incalculável espanto daqueles que o rodeavam, narrou o seguinte:

        -- Certa vez, ao chegar à casa de meus sogros, com três burros carregados, um de provisões, outro com água e o terceiro de frutos raros, encontrei andrajoso mendigo que implorou:

        "Patrão, daí-me alguma coisa para comer."

        Sem apiedar-me da triste situação em que se achava o infeliz, respondi desabridamente:

        "Espera que eu descarregue os burros!!!"

        Mas, antes que eu finalizasse a árdua tarefa, o homem, vencido pela fome, morreu.

        O crime por mim praticado revestira-se da maior perversidade, e, olhando para o corpo inanimado do mendicante, proferi, num ímpeto de remorso:

        "Percam a vista os meus olhos que não souberam ver e medir a tua miséria; fiquem paralíticas estas minhas mãos que não souberam levar a tempo o auxílio pedido; que sejam cortados os pés que não me conduziram pela estrada da caridade".

        E disse mais ainda:

        "Cubra-me a lepra o corpo todo".

        Um dos discípulos deplorou com sincero pesar:

        -- É bem triste, para nós, vermos agora nosso bom mestre nesse estado!
        Acudiu Na'aum, assumindo um ar de séria profundidade:

        -- Triste de mim, se vós não me pudésseis ver assim!

 

Lenda árabe.

Entendendo a lenda:

 

01 – Por que o sábio Na'aum recebeu o cognome de "Hamza"?

      Ele recebeu esse apelido porque, diante de qualquer acontecimento ou sucesso da vida, ele demonstrava uma confiança inabalável e afirmava sempre a frase: "Isso também (Hamza) foi para melhor!".

02 – Qual era a gravíssima situação de saúde e moradia em que Na'aum se encontrava no final de sua vida?

      Na'aum estava completamente cego, com as mãos paralíticas, sem os pés (devido à lepra) e com o corpo coberto de feridas. Ele vivia deitado no fundo de um cubículo imundo em uma casa em ruínas, mantendo as pernas em uma bacia d'água para evitar o ataque das formigas.

03 – Segundo o próprio Na'aum, quem era o culpado por todos os males que o atormentavam?

      O próprio Na'aum se declarou o único culpado por seu sofrimento, explicando aos seus discípulos que a sua condição atual era o resultado de um grave erro cometido no passado.

04 – Qual foi o acontecimento do passado que gerou o remorso e a punição de Na'aum?

      No passado, um mendigo faminto implorou-lhe por comida. Na'aum foi insensível e respondeu rudemente que ele esperasse até que os três burros fossem descarregados. Antes que ele terminasse a tarefa, o homem morreu de fome, o que fez Na'aum rogar pragas contra o seu próprio corpo (olhos, mãos, pés e pele) em um forte ímpeto de remorso.

05 – Como Na'aum reagiu quando um discípulo lamentou vê-lo naquele estado lamentável? Qual o significado dessa resposta?

      Na'aum respondeu com seriedade: "Triste de mim, se vós não me pudésseis ver assim!". Com isso, ele quis dizer que considerava seu sofrimento físico uma forma necessária de expiação e justiça pelo seu erro; para ele, seria pior não pagar pelo mal que causou ao mendigo.

 

 

CONTO: SINAL DO CÉU - GENTIL MARQUES - COM GABARITO

 Conto: Sinal do Céu

 

        Como se estivesse pairando entre o céu e a terra, no silêncio da cela semiobscurecida, D. Gualdim orava, profundamente entregue às suas devoções. O corpo lasso — cansado das lutas a que se havia exposto durante a famosa e difícil conquista de Lisboa — sentia um prazer físico e espiritual nessa semiobscuridade, nessa semi-inacção, nesse quase absoluto silêncio.

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 De joelhos em terra, o rosto escondido nas mãos, o corpo inclinado para a frente, dir-se-ia a verdadeira estátua da oração. Mas porque a sua sensibilidade era profundamente apurada, o seu espírito começou subitamente a turbar-se em ondas de alerta, como se movimenta a água parada de um lago ao ser-lhe lançada uma pequenina pedra.


        D. Gualdim estremeceu. Teve a sensação de que não estava só. E, retirando do rosto as mãos, ergueu o busto e voltou-se num vagar mal contido. Os seus olhos habituados à meia-luz ambiente descortinaram logo a figura magra e alta do superior do convento. E o seu olhar indagou de tão honrosa presença. O superior, numa voz baixa e pausada, que se esforçava por ser humilde, elucidou:


        — Perdoai, irmão. Não desejaria interromper a vossa oração piedosa... mas tenho algo de importante a comunicar-vos.


        — Falai sem receio. Estava apenas dando graças a Deus pela dita deste silêncio, depois do tremendo inferno que foi a conquista de Lisboa.


        — Bem mereceis este repouso, irmão. Por isso mesmo me aflige interromper-vos.


        — É esta a nossa missão de cavaleiros e monges.


        — Sim, é essa a nossa missão... Já o disse Sancho de Castela: «O som da trombeta transforma-nos em leões e o do sino em cordeiros...» Que se cumpra, pois, em nós, a vontade de Deus!
D. Gualdim sorriu com o respeito devido ao seu superior.


        — Mas decerto não viestes aqui para nos enaltecerdes...
Foi a vez do monge sorrir também.


        — Oh, não! A minha presença nesta cela deve-se a um desejo do nosso rei D. Afonso Henriques.


        Os olhos do cavaleiro-monge brilharam mais intensamente. O seu busto endireitou-se com estranha altivez.


        — El-rei vai sair de novo a campo?


        Com um sinal de cabeça o monge confirmou:


        — Sim... O sangue ferve-lhe nas veias… o seu fervor à causa cristã é indomável!


        D. Gualdim já não parecia o mesmo homem humilde e abatido de há pouco.


        — Quando precisa el-rei de mim?


        — Amanhã, ao romper do dia.


        — Que Deus seja louvado! Lá estarei com os meus homens.


        Sorriu o monge superior do convento.


        — El-rei aprecia-vos muito. Contou-me a vossa proeza, quando subistes as escarpas do monte cujo terreno parecia desfazer-se debaixo dos pés... Falou-me dos pedregulhos que iam caindo por todos os lados e só por milagre vos não acertaram... E disse-me como fostes sempre avançando de armas nos dentes, para que as mãos ficassem mais livres e vos ajudassem a subir...


        D. Gualdim começou a impacientar-se.


        — Por Deus!... Nada fiz que os outros não fizessem também.


        — Mas fostes o primeiro a chegar à muralha...


        — Foi el-rei que vos contou tudo isso?


        — Foi ele, em parte, e os outros ajudaram-no.


        — Os outros!...


        Sorriu e suspirou fundo, D. Gualdim. Depois, como quem falasse consigo próprio, o cavaleiro-monge declarou, numa voz serena e firme:


        — Com um rei como o nosso, que sempre está onde a luta se trava mais renhida, não podem haver descuidados ou cobardes... Eu fiz apenas o que me cumpria fazer.


        — Por isso el-rei vos reclama de novo em campo...


        — E lá estarei, se Deus quiser, para maior honra e glória de Deus!


        — Ámen...


        E silenciosamente, como chegara, o superior saiu da cela de Gualdim.


        Só, este ficou um momento imóvel, olhando um ponto vago no espaço. Depois os seus joelhos voltaram a roçar a terra, o seu busto esguio tornou a encurvar-se e as suas mãos mais uma vez cobriram o seu rosto, de olhar brilhante e feições vincadas.


        Em volta, o silêncio continuou silêncio e a penumbra, penumbra. Só o seu pensamento, feito senhor absoluto do ambiente, cresceu como único vencedor...


        No horizonte, uma nesga de luz impôs a sua presença às trevas da noite. Madrugada fresca de S. João. Em massa ainda indefinida, caminhava o exército lusitano. D. Afonso Henriques mandou fazer alto. Toda aquela enorme multidão estacou. A voz de el-rei D. Afonso Henriques voltou a ouvir-se. Queria falar a um dos seus cavaleiros. Foram buscá-lo sem demora.


        Subiu sonora e firme a voz do rei, como sempre que dava uma ordem.

        — Aproximai-vos, D. Gualdim!


        Submisso mas isento de humildade humilhante, o cavaleiro-monge curvou a cabeça.


        — Dizei, Senhor.


        Voltou o rei a falar com altivez:


        — Vou deixar aqui o exército sob as ordens de D. Ordonho. Preciso, primeiramente, de fazer um reconhecimento.
Admirou-se o cavaleiro.


        — Vós? Será perigoso! Ficai, que eu me sentirei honrado com a vossa mercê, se puder fazer esse reconhecimento em vosso lugar!
Franziu o rei as sobrancelhas espessas.


        — Disse-vos que desejo fazer um reconhecimento. E não lego em ninguém esse meu desejo!


        Arriscou ainda o cavaleiro-monge:


        — Mas... ides sair do campo?


        — Sim. Sairei disfarçado e acompanhado apenas por vós, D. Gualdim…


        Curvou o monge a cabeça, para logo olhar de frente o seu rei.


        — É grande a honra que me concedeis, Senhor! Tão grande como a responsabilidade, que me cabe, de vos trazer, de novo são e salvo.


        Sorriu ligeiramente o rei.


        — Nada temais! Quero apenas chegar junto do castelo dos mouros antes que o sol rompa. Preciso descer para Alcácer, e não quero deixar mal defendidas as nossas costas, com focos que poderão perder-nos. Este castelo terá de ser nosso. Mas preciso saber se chegou a hora de o tomar.


        — O castelo será vosso, como o têm sido os outros que tendes desejado!


        — Sim! — confirmou alegremente o rei. — Depois de Lisboa renderam-se os castelos de Almada, Sintra e Palmela. Este fica perto de Lisboa, e também terá de ser nosso, repito!


        — E eu repito também, se o permitis: sê-lo-á em breve!


        A expressão dura de D. Afonso Henriques adoçou-se. Mas a sua voz soou áspera e breve, como sempre.


        — Aprontai-vos e segui-me... Tenho pressa!


        A nesga de luz que impunha a sua presença às trevas da noite alargou-se mais. E o recorte do exército português tornou-se mais nítido na cinza rosada da manhã.


        A areia ensaibrada rangeu sob o metal do calçado do rei português. Do alto de todo o seu corpo imponente, D. Afonso Henriques olhava o castelo, sobranceiro e sereno. Tudo parecia calmo à volta. A própria pureza do ar, correndo como brisa, parecia um convite para tornar cristão mais aquele bocado de terra. O rei cofiou lentamente as barbas, enquanto lentamente, contra o seu costume, dizia ao companheiro:


        — Parece até um castelo de mouros encantados! Não se vê ninguém...


        — Custa a crer que nem tenham vigias!


        — Quem sabe?


        — Cuidado, Senhor! Descobri além um vulto a mover-se...


        O rei de Portugal franziu as sobrancelhas, numa concentração, enquanto dizia como se falasse consigo próprio:


        — Vim aqui para saber se a hora era propícia à conquista deste castelo. Mandai-me um sinal do Céu, ó Deus Todo-Poderoso! Mandai-me um sinal!


        D. Gualdim guardara silêncio. Mas vendo que o vulto corria agora direito a eles, preveniu:


        — Descobriram-nos! Vão dar o alarme!


        O rei semicerrou os olhos, numa tentativa de ver melhor na meia-luz da madrugada nascente.


        — Reparai bem, D. Gualdim! O vulto que corre para nós... é o de um cão enorme!


        O cavaleiro-monge concentrou todos os seus sentidos nesse vulto que corria direito a eles e se distinguia já perfeitamente.


        — Assim é, meu Senhor! Mas nunca vi um alão tão forte e grande! Teremos de o matar antes que dê o alarme...
Já o cão se dirigia na direcção do rei de Portugal. D. Gualdim gritou quase, ao mesmo tempo que puxava da espada:


        — Cuidado, Senhor!


        Mas D. Afonso Henriques suspendeu-lhe o gesto. O alão mal chegara junto do rei conquistador começara a lamber-lhe as mãos, dando saltos de imensa e estranha alegria. D. Afonso Henriques sorriu.


        — Reparai, D. Gualdim: o alão rende-me vassalagem! Recebe-me como a um libertador, ou como se me conhecesse há muito... Deve ser este o sinal do Céu! O avanço das nossas tropas far-se-á imediatamente e o castelo será nosso. O alão o quer!


        Como num eco, D. Gualdim repetiu:


        — O alão quer!


        E desta frase lendária, que ficou para todos os tempos, resultou a conquista de mais uma praça e o nome da terra que hoje se chama Alenquer. O sinal do Céu chegara e o rei de Portugal obedecera! E quando o Sol, em toda a sua pujança, longe das lamúrias da noite, dardejava os seus raios quentes sobre a terra morena, já o estandarte do rei de Portugal flutuava no alto do que fora um castelo de mouros!...


Gentil Marques  -  Alenquer.

Entendendo o conto:

01 – O que D. Gualdim estava fazendo no início do conto e de qual batalha importante ele estava descansando?

      D. Gualdim estava em sua cela semiobscurecida, profundamente entregue às suas orações e devoções. Ele estava descansando do desgaste físico e espiritual decorrente da famosa e difícil conquista de Lisboa.

02 – Quem interrompeu a oração de D. Gualdim e qual era o motivo dessa interrupção?

      O superior do convento interrompeu a oração. O motivo de sua presença era transmitir um desejo do rei D. Afonso Henriques, que convocava D. Gualdim para ir a campo novamente no romper do dia seguinte.

03 – Qual proeza de D. Gualdim na conquista de Lisboa foi recordada pelo monge superior?

      O monge relembrou quando D. Gualdim subiu as escarpas do monte sob chuva de pedregulhos, avançando com as armas nos dentes para deixar as mãos livres para escalar, sendo o primeiro a atingir a muralha inimiga.

04 – Por que o rei D. Afonso Henriques decidiu fazer um reconhecimento disfarçado e quem ele escolheu para acompanhá-lo?

      O rei queria examinar o castelo dos mouros antes do amanhecer para avaliar se era a hora propícia para tomá-lo, garantindo a segurança de suas costas antes de descer para Alcácer. Ele escolheu D. Gualdim para acompanhá-lo nessa perigosa missão.

05 – Que pedido o rei fez a Deus ao observar o castelo inimigo e notar que tudo parecia calmo demais?

      Olhando para o castelo imponente, D. Afonso Henriques pediu uma providência divina dizendo: "Vim aqui para saber se a hora era propícia à conquista deste castelo. Mandai-me um sinal do Céu, ó Deus Todo-Poderoso! Mandai-me um sinal!"

06 – Como o "sinal do Céu" se manifestou e qual foi a reação surpreendente do animal ao se aproximar do rei?

      O sinal manifestou-se na figura de um cão enorme (um alão) que correu na direção deles. Em vez de atacar ou dar o alarme, o animal começou a lamber as mãos do rei e a dar saltos de imensa alegria, rendendo-lhe vassalagem como se o reconhecesse como libertador.

07 – Qual é a origem lendária do nome da terra "Alenquer" segundo o desfecho do conto?

      O nome surgiu a partir da frase lendária dita pelo rei e repetida por D. Gualdim diante da reação do cão: "O alão o quer!" (ou "O alão quer!"). A partir dessa expressão, a praça foi conquistada e a região passou a se chamar Alenquer.

 

 

FÁBULA: A FORMIGA - ESOPO - COM GABARITO

 Fábula: A Formiga


        Diz uma lenda que a formiga atual era em outros tempos um homem que, consagrado aos trabalhos de agricultura, não se contentava com o produto de seu próprio esforço, senão que olhava com inveja o produto alheio e roubava os frutos de seus vizinhos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj_jK8vIhNX-TU-rRMOqheITy8XgHFfMV5yFmlPQ1QqTuNiCnC_JJfSV0nI3cSspmoitOfFnj6BdjG5IqRcPpOmGpLOrfo8si6Q8Pgr_NCOELzehDvsWg0FNhDnuMXXeWHPDqBRKMrRddG0J0JZ4BDqX6xzGamg2kPRlaVjrIQj07SiCdEouxHrJeeOE3w/s1600/FORMIGA.jpg


        Indignado Zeus pela avareza deste homem, transformou-o em formiga.

        Porém ainda que tenha mudado de forma, não mudou seu caráter, pois até hoje percorre os campos e recolhe o trigo e a cevada alheios e os guarda para seu uso.


Moral da Estória: Ainda que aos malvados se lhes castigue severamente, dificilmente mudarão sua natureza.

 

Fábulas de Esopo.

Entendendo a fábula:

01 – De acordo com a lenda, como era a vida da formiga antes de ser transformada e quais eram os seus principais defeitos?

      Antes da transformação, a formiga era um homem dedicado à agricultura. Os seus principais defeitos eram a inveja e a avareza, pois ele não se contentava com o resultado do seu próprio trabalho e preferia cobiçar e roubar os frutos do esforço dos seus vizinhos.

02 – Qual foi a reação do deus Zeus perante o comportamento do agricultor e que punição lhe aplicou?

      Zeus ficou profundamente indignado com a ganância e a desonestidade do homem. Como castigo por essa avareza, o deus transformou-o num inseto: a formiga.

03 – Que semelhanças no comportamento da formiga atual provam que ela manteve o seu caráter da vida passada?

      Mesmo com o corpo de um inseto, o seu caráter permaneceu o mesmo. A prova disso é que a formiga continua a percorrer os campos para recolher e acumular o trigo e a cevada que foram cultivados e produzidos por outros, guardando-os egoisticamente para o seu próprio uso.

04 – Como a metamorfose imposta por Zeus falhou em alcançar uma mudança interna no homem?

      A punição de Zeus alterou apenas a forma física (a aparência externa) do homem, transformando-o num animal pequeno. No entanto, o castigo falhou em regenerar a sua mente ou a sua moral, mostrando que a essência gananciosa do indivíduo permaneceu intacta.

05 – Explique a relação entre as ações da formiga e a moral da história: "Ainda que aos malvados se lhes castigue severamente, dificilmente mudarão sua natureza."

      A moral reflete-se perfeitamente no facto de que, apesar de o homem ter sofrido um castigo divino severo e humilhante (perder a sua condição humana), ele não se arrependeu. Isso demonstra que as penalizações externas, por mais duras que sejam, raramente conseguem transformar o caráter de alguém que é intrinsecamente mau ou egoísta; a criatura apenas adapta a sua maldade à nova realidade.

 

FÁBULA: O LEÃO, , A RAPOSA E O RATO - ESOPO - COM GABARITO

 Fábula: O Leão, a Raposa e o Rato


        Era um dia de Verão, o Sol ia alto no horizonte e o Leão dormia calmamente a sua sesta. Nisto, um Rato trepou para cima dele e desatou a correr. 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6DtEF_w11gwQCNs9RdTU7tidY-8WqG4bQ5S2sSaqix-CRz_BVC3Fm6Yyrl2RGdHfwRhUbY67aR3FKHriREYMrTZp08mmx0ozDrJEWP7P8I6amFUigNavGKAh26SSpoIIKDMbu8oagyRcZwqxm-px4FNaGvl_pC-WhTO_pdhK5BR4gXEONivOwO7QIDiI/s320/leao.jpg


O Leão acordou sobressaltado e pôs-se às voltas sobre si mesmo, à procura do Rato. A Raposa, que o observava, criticou-o dizendo:

        -- Que grande Leão, cheio de medo de um Rato...

        -- Não é do Rato que tenho medo – respondeu-lhe o Leão.

        -- Estou admirado com o seu à vontade e com a sua coragem.


Moral da história: Nunca subestimes o valor dos outros.

 

Fábula de Esopo.

Entendendo a fábula:

01 – Como a raposa interpretou a reação inicial do leão ao acordar sobressaltado e qual foi a crítica que ela fez?

      A raposa interpretou a reação do leão como um sinal de covardia. Ela julgou que o "rei da selva", por estar a dar voltas sobre si mesmo à procura do rato, estava cheio de medo de um animal tão pequeno e frágil, criticando-o ironicamente por essa aparente falta de coragem.

02 – Qual foi a verdadeira razão apresentada pelo leão para a sua inquietação após o despertar?

      O leão explicou que a sua atitude não era motivada pelo medo do rato em si. Na verdade, o que o deixou intrigado e admirado foi a audácia, o à-vontade e a coragem invulgar que o pequeno roedor demonstrou ao atrever-se a trepar e correr por cima de um predador de grande porte.

03 – De que forma o comportamento do rato desafia as expectativas normais num ambiente selvagem?

      Geralmente, espera-se que um animal pequeno como o rato fuja ou se esconda de um leão para garantir a sua sobrevivência. Ao subir para cima do leão e correr livremente, o rato quebra essa expectativa de submissão ou medo, demonstrando uma ousadia que surpreendeu o próprio felino.

04 – Relacione a resposta do leão com a moral da história: "Nunca subestimes o valor dos outros."

      Embora o rato seja fisicamente insignificante comparado ao leão, o leão soube reconhecer e valorizar uma qualidade nobre no roedor: a coragem. Ao invés de o esmagar ou menosprezar pelo seu tamanho, o leão validou a atitude do rato, o que se alinha perfeitamente com a moral de não julgar ou subestimar o valor de alguém pelas suas aparências ou dimensões.

05 – Como a perspectiva da raposa difere da perspectiva do leão nesta fábula?

      A raposa tem uma visão superficial e preconceituosa, focando-se apenas no tamanho dos animais e assumindo imediatamente que o leão deveria ser superior e implacável. Já o leão demonstra uma visão mais madura e observadora, sendo capaz de olhar além do tamanho físico do rato para admirar o seu comportamento e a sua valentia.

 

 

 

CONTO: O CASTELO DE AREIA - AUTOR DESCONHECIDO - COM GABARITO

 Conto: O castelo de areia


        Era uma praia muito carregada de gente. Toldos e barracas de lona tapavam a vista do mar. Chapéus-de-sol, em cacho, uns sobre os outros, tapavam a vista do céu.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgdOLwuVrp728bvUmDwNGqZbr1x8NCiQquQTkrg6mmos1giefIU4rZnzycP5qYsNvhcnNhhlVB1ONkyPqm-URmKBAHVMODDjX46R2ZtmJ9i9lUYn82f3RL54SEozausdy2VAgNlYWaMiRnXeuni3Hck-rvNy_ujTNbaGPxL6e9nGXfnPNtvCe2PNN3DL2c/s320/areia.jpg


        Para que um banhista, mesmo magrinho, conseguisse estender a toalha de banho sobre a areia, tinha de pedir? “Com licença, com licença” aos vizinhos, para que se chegassem um pouco mais para o lado. Então, toda a praia se movia, à esquerda e à direita, como uma onda e as pessoas, sucessivamente, diziam? “Com licença, com licença”, a pedirem espaço ao vizinho do lado, até nos dois extremos da praia os últimos banhistas gritarem: “Não apertem mais!” E estes últimos banhistas acabavam por ter de ficar em pé, de encontro à muralha.

        -- Quero fazer um castelo de areia – disse o menino, que tinha trazido para a praia um balde novo e uma pá e um ancinho.

        -- Só quando o teu pai for tomar banho – disse a mãe.

        -- Para que lado é que é a água? – perguntou o pai.

        -- Acho que é para ali – apontou a mãe. – Foi donde veio ainda agora aquele senhor, que está a limpar-se.

        O pai, para ter a certeza, foi perguntar ao tal senhor:

        -- O mar estava bom?

        -- Não sei – respondeu o senhor, que esfregava furiosamente a cabeça com uma toalha. – Não encontrei mar nenhum. Para me refrescar, tive de ir tomar duche a um balneário.

        -- Se fosse a ti não saía de ao pé de nós – disse a mãe do menino. – Vais e, depois nunca mais nos encontras, no meio de tanta gente.

        -- Então quando é que eu faço o castelo de areia? – perguntou o menino, já amuado.

        -- Descansa que eu vou já tomar banho – disse o pai. – Para voltar, oriento-me pela cor do nosso chapéu-de-sol.

        -- Há milhares de chapéus-de-sol iguais – disse a mãe, mas o marido dela e pai do menino já ia longe.

        Ia, todo satisfeito, a caminho do mar, embora só muito mais tarde viesse a descobrir, quando chegou à estrada, que se tinha enganado.

        O menino pôs-se a construir o castelo de areia, cheio de entusiasmo. Depois de ter erguido o torreão e a primeira cintura de ameias, lembrou-se de pedir à mãe:

        -- Quero um gelado.

        A mãe escusou-se, explicando-lhe que se ela fosse procurar a barraca dos gelados, ia ser muito difícil depois dar de novo com o sítio onde estavam.

        Mas o menino insistiu tanto, que ela acedeu.

        No bocado de areia deixado livre pela mãe, o menino acrescentou ao castelo uma segunda cintura de muralhas e um fosso todo à volta. Estava um trabalho perfeito e já com uma certa dimensão.

        Passou que tempos.

        -- Estou cheio de fome – gritou o menino, sem tirar os olhos da sua construção, que já tinha preenchido todo o espaço disponível.
Um par de namorados, que estava estendido ao lado, condoeu-se daquele menino, que se perdera dos pais, e foi procurar o cabo-do-mar, para dar-lhe conta da ocorrência. Os namorados partiram de mão dada, tendo a mãe da rapariga recomendado que não se demorassem.

        Pois sim. A verdade é que se demoraram, tanto que a mãe da rapariga, muito enervada, resolveu ir à cata deles, pela praia fora.

        A obra crescia a olhos vistos. Era um imponente amuralhado com várias cercas e fossas, torres anexas e trincheiras defensivas, esculpidas com primor pelos dedos hábeis do menino, esquecido de tudo o mais à sua volta.

        Preenchia uma importante extensão de terreno, que até parecia impossível que, no aperto de tanta gente, ainda houvesse um quadrado de areia disponível para um menino brincar tão à vontade.

        Declinava o sol, quando o pai regressou, tiritando. Logo a seguir apareceu a mãe, com um gelado todo derretido. Abraçaram-se, como se já tivessem perdido a esperança de voltarem a encontrar-se.

        -- Este dia correu muito mal – concordaram os pais.

        Só o menino não era da mesma opinião.

Autor desconhecido.

Entendendo o conto:

 

01 – De que forma o autor descreve a superlotação da praia no início do texto e que consequências isso trazia para os banhistas?

        O autor descreve uma praia extremamente cheia, onde toldos, barracas e chapéus-de-sol em "cacho" tapavam completamente a vista do mar e do céu. Para conseguir um espaço na areia, as pessoas tinham de pedir licença sucessivamente, gerando um efeito de onda que empurrava os últimos banhistas das extremidades para a muralha, onde eram obrigados a ficar de pé.

02 – Por que razão o pai do menino teve dificuldade em encontrar o mar e o que acabou por lhe acontecer?

      A praia estava tão cheia e a vista tão obstruída que nem sequer se conseguia ver onde ficava a água. O pai tentou guiar-se pelas indicações da mãe e pela direção de outro banhista, mas acabou por se enganar no caminho e foi parar à estrada, descobrindo o erro muito mais tarde.

03 – Qual foi a condição imposta pela mãe para que o menino pudesse começar a construir o seu castelo de areia e por que razão ela hesitou em ir comprar o gelado?

      A mãe estabeleceu que o menino só poderia fazer o castelo quando o pai fosse tomar banho, presumivelmente para aproveitar o espaço que o pai deixaria vago ao levantar-se. Mais tarde, ela hesitou em comprar o gelado porque temia perder-se e não conseguir encontrar novamente o local onde tinham estendido as toalhas, devido à imensidão de pessoas iguais.

04 – Como o menino conseguiu expandir tanto o seu castelo de areia num espaço inicialmente tão apertado?

      O menino aproveitou o espaço deixado livre pelas pessoas que se iam ausentando. Primeiro, usou o espaço do pai; depois, expandiu o castelo para o lugar da mãe quando esta foi buscar o gelado; e, finalmente, ocupou o espaço do par de namorados e da mãe da rapariga que saíram para se procurar uns aos outros.

05 – O que motivou a saída do par de namorados e da mãe da rapariga do seu lugar na areia?

      O par de namorados sentiu pena do menino, achando que ele estava abandonado e perdido dos pais porque gritava que tinha fome sozinho. Por isso, afastaram-se para procurar o cabo-do-mar. Como os namorados demoraram a voltar, a mãe da rapariga ficou enervada e decidiu ir atrás deles pela praia afora, libertando ainda mais espaço.

06 – Descreva a evolução da construção do menino ao longo do conto e o que isso demonstra sobre o seu estado de espírito.

      O castelo começou de forma simples, com um torreão e uma cintura de ameias. À medida que as pessoas se afastavam, transformou-se numa obra imponente com uma segunda muralha, fossos, várias cercas, torres anexas e trincheiras esculpidas com primor. Isto demonstra que o menino estava totalmente focado, entusiasmado e alheio à confusão e aos problemas dos adultos ao seu redor.

07 – Por que razão, no final do dia, a opinião do menino era diferente da opinião dos seus pais sobre como correu o dia de praia?

      Para os pais, o dia correu muito mal porque se perderam, enfrentaram a enorme confusão da praia e viveram momentos de grande stresse e ansiedade. Para o menino, o dia foi excelente porque o facto de os adultos se terem perdido uns dos outros deu-lhe o espaço e o tempo necessários para realizar o seu grande objetivo: construir um castelo de areia perfeito e gigante.

 

CONTO: O LAVRADOR TOMÉ E O SACO DAS LIBRAS - ANTÓNIO TORRADO - COM GABARITO

 Conto: O lavrador Tomé e o saco das libras

        O senhor Tomé era um lavrador abastado.

        De uma vez que foi à feira da vila fazer uns negócios, levou consigo uma bolsa com libras, com libras bem contadas e recontadas. Como tivesse medo que lhas roubassem, nos encontrões da feira, deu-as a guardar ao estalajadeiro

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgiRK6xa7NvkwpR1WLZfP25ZZne4ptmpgitkGyq5JRSRoFG7wy93MzdcfzEuwhP-SCDwsJgDaRkQCRi-4s9rpjRdV8Q0PZzTJnMgbBND8WWIg-Hoj7LDli8PPuz5WIttk7D9LMx9R7k1IYOO7fOM2ywu9_yaki915pNwhj4eFDVmLH1nM6UCd4vitrMAh4/s320/LIBRAS.jpg

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        -- Vá descansado que ficam em boas mãos – disse-lhe este.
Quando, mais tarde, precisou das libras, voltou à estalagem para as levar. Sabem o que o estalajadeiro lhe respondeu? Respondeu-lhe, fingindo de parvo, que não se lembrava de ter recebido nenhuma bolsa com libras. Vejam lá o descaramento!

        O senhor Tomé esteve quase para ir chamar um médico que consertasse a pouca memória do estalajadeiro. Depois, pensando melhor, achou que o caso era mais da conta de um bom advogado do que da medicina. Consultado o doutor jurista, disse-lhe este assim:

        -- Tenha paciência, meu amigo, mas só vejo uma solução.

        Manhosos destes tratam-se com a pele das suas manhas. Portanto, vá ter com o estalajadeiro, fale-lhe com bons modos e peça-lhe desculpa. Diga-lhe que se esquecera de que as tais cem libras tinham ficado ao cuidado de outra pessoa de confiança...

        -- Mas não ficaram – atalhou o senhor Tomé. – Se ainda agora disse ao senhor doutor que foi esse malandro que se governou com elas.

        -- Deixe-me acabar e não perca a cabeça – aconselhou-lhe o advogado.

        -- Vai ver que, guiando-se pelos meus planos, o dinheiro há-de voltar-lhe às mãos. Depois de lhe pedir desculpa pelo engano, volte lá com um amigo, como testemunha, e entregue outras cem libras ao estalajadeiro.

        -- Que é lá isso?! Assim se paga aos ladrões nesta terra? Está o mundo avariado.

        O advogado não se ofendeu e mais miudamente explicou a armadilha que queria armar ao estalajadeiro desonesto. Ainda que com má vontade, o senhor Tomé resolveu-se a seguir o conselho.
Procurou na feira um amigo endinheirado, que lhe emprestasse cem libras e que se dispusesse a acompanhá-lo à estalagem. Encontrada a testemunha, levou-a consigo, pedindo-lhe segredo do que se estava a tramar.

        -- Desculpe, mas há bocado pensei mal de si – disse o senhor Tomé ao estalajadeiro. – Foi tudo um engano meu, porque o dinheiro que eu procurava tinha-o eu deixado noutra parte. Guarde-me agora estas cem libras, que, depois, lhas peço.

        E os dois, o senhor Tomé e o amigo, despediram-se do estalajadeiro, que ficou de boca aberta.

        -- E agora? – perguntou o senhor Tomé, passado tempo, ao advogado.

        -- Agora volte à estalagem e peça só as cem libras.

        -- Levo o meu amigo?

        -- Não, vá sozinho. Estas não pode ele recusar-lhas, pois havia testemunha para provar a verdade.

        O lavrador assim fez e o estalajadeiro prontamente lhe entregou as cem libras.

        Foi o lavrador, pulando de contente, a casa do advogado:

        -- Estas já cá estão! Só faltam as outras cem.

        -- Também virão, descanse – tranquilizou-o o advogado. – Passe por lá agora com o seu amigo, que as viu depositar.

        Não é preciso dizer que o estalajadeiro se viu apanhado e não teve outro remédio senão dar as outras cem libras ao lavrador.

António Torrado.

Entendendo o conto: 

 

01 – Por que o senhor Tomé decidiu dar a sua bolsa com libras ao estalajadeiro?

      Sendo um lavrador abastado e temendo que lhe roubassem o dinheiro nos encontrões da feira da vila, ele decidiu entregar a bolsa ao estalajadeiro para que este a guardasse em segurança.

02 – Como o estalajadeiro reagiu quando o senhor Tomé voltou para reaver o seu dinheiro?

      O estalajadeiro agiu de forma desonesta e, fingindo-se de parvo, respondeu que não se lembrava de ter recebido nenhuma bolsa com libras, recusando-se a devolver o dinheiro.

03 – Qual foi a estratégia (ou armadilha) aconselhada pelo advogado para recuperar o dinheiro?

      O advogado aconselhou Tomé a pedir desculpa pelo "engano" e a entregar outras cem libras ao estalajadeiro, mas desta vez na presença de uma testemunha (um amigo), para depois recuperar ambas as somas estrategicamente.

04 – Como o plano do advogado funcionou na prática para recuperar a primeira e a segunda parte do dinheiro?

      Primeiro, Tomé foi sozinho pedir as cem libras; o estalajadeiro não pôde recusar porque sabia que havia uma testemunha do depósito. Depois, Tomé voltou com o amigo (a testemunha) para pedir as cem libras que tinham sido vistas depositar, obrigando o estalajadeiro apanhado a devolver a quantia inicial.

05 – Que lição sobre a esperteza e a justiça podemos retirar deste conto?

      O conto ensina que contra pessoas manhosas e desonestas muitas vezes não basta a força ou a confrontação direta, sendo necessário usar de inteligência, estratégia e prudência (como obter testemunhas) para repor a justiça.

 

 

 

CRÔNICA: TINTIM POR TINTIM - ANTÓNIO TORRADO - COM GABARITO

 Crônica: Tintim por tintim

        O rapazinho entrou, à pressa, na biblioteca e pediu:

        -- Têm livros de cozinha?

        O bibliotecário levou-o a uma prateleira, onde havia uma quantidade de livros de receitas ou para fazer doces ou para preparar grandes banquetes ou para cozinhar pratos que não engordem...

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgev3bi7jtYDlPJBL_xmZQLJO5TJlCtlNIND1gS4D7fF1IceYV5TDI57Z7cEOVGvW3IaDV9zDzCihFdfA_Bv1L5aluqcyBQ6-AX8ndva4yZRT4aHGwgEvNI19ayozSF8TbDww375m9cVEpju0YvhnaU1d7hjCuK7yEfA4wXYpgDqKa8VqxT2er5n4_Rtcg/s320/timitim.jpg


        O rapazinho folheou uns, folheou outros, mas não se decidia.

        Pacientemente, o bibliotecário esperou e, de caminho, ia informando:

        -- Este é de comida regional... Este é só de saladas... Este é de comida japonesa...

        Tantos livros de cozinha! Uma pessoa, a lê-los, até pode apanhar uma indigestão.

        O rapazinho é que não havia meio de escolher.

        -- É para um trabalho para a tua escola? – perguntou o bibliotecário.

        -- Não é, não.

        Silêncio entre os dois. E o rapazinho sempre a folhear este e aquele, numa grande indecisão.

        Neste ponto, o bibliotecário resolveu ir mais longe:

        -- Para que queres, então, um livro de cozinha?

        Aqui, o rapazinho esclareceu, um pouco embaraçado:

        -- Queria estrelar um ovo e não sei se hei-de deitar primeiro, na frigideira, o ovo ou a margarina...

        O bibliotecário fez um? “Ah” de admiração e aprontou-se a responder:

        -- Primeiro deitas a margarina e esperas que ela derreta. E cuidado com o bico do gás. Lume brando. Só depois é que deitas o ovo.

        -- Ah! – foi, agora, a vez de fazer o rapazinho.

        Largou os livros de cozinha e já se ia embora, quando o bibliotecário lhe perguntou:

        -- Não queres, então, levar outro livro? Um livro de histórias, por exemplo?

        -- Só se for com histórias pequenas – disse o rapazinho.

        O bibliotecário emprestou-lhe um livro, onde esta e outras histórias que tais bem podiam estar e a nossa pequena história talvez acabasse aqui.

        Não acaba, porque o rapazinho não conseguiu estrelar o ovo, apesar de ter seguido à risca as recomendações do bibliotecário: lume brando, margarina a derreter-se... ovo, no fim.

        Mas como o rapazinho deitou o ovo inteiro, com casca e tudo, para dentro da frigideira, o cozinhado não ficou grande coisa.

        Em certas ocasiões, tem de se explicar tudo, tintim por tintim.

 

António Torrado.

Entendendo a crônica:

01 – O que o rapazinho foi procurar na biblioteca e qual era a sua real dúvida de culinária?

      O rapazinho foi à procura de um livro de cozinha. A sua dúvida real era bem simples: ele queria estrelar um ovo e não sabia se devia colocar primeiro o ovo ou a margarina na frigideira.

02 – Como o bibliotecário reagiu ao descobrir a dúvida do rapaz e qual instrução ele deu?

      O bibliotecário ficou admirado, mas prontificou-se a ajudar. Ele explicou que primeiro se deita a margarina, espera-se que ela derreta em lume brando (com cuidado com o bico do gás) e só depois é que se coloca o ovo.

03 – Que tipo de livro o rapazinho aceitou levar para casa além da resposta à sua dúvida?

      O bibliotecário sugeriu que ele levasse outro livro, como um de histórias, e o rapazinho aceitou, desde que fosse um livro com histórias pequenas.

04 – Por que a tentativa do rapazinho de estrelar o ovo fracassou, mesmo seguindo o que o bibliotecário disse?

      O cozinhado não deu certo porque, apesar de ter colocado a margarina primeiro e esperado derreter em lume brando, o rapazinho colocou o ovo inteiro na frigideira, com casca e tudo.

05 – Qual é a principal lição ou reflexão que o autor traz no desfecho da crônica?

      O autor reflete que não se deve presumir que o óbvio é conhecido por todos. Em certas ocasiões ou ao lidar com iniciantes, as instruções precisam ser dadas de forma extremamente detalhada, ou seja, explicadas "tintim por tintim", sem omitir nenhuma etapa.