sexta-feira, 22 de maio de 2026

CONTO: O CASTELO DE AREIA - AUTOR DESCONHECIDO - COM GABARITO

 Conto: O castelo de areia


        Era uma praia muito carregada de gente. Toldos e barracas de lona tapavam a vista do mar. Chapéus-de-sol, em cacho, uns sobre os outros, tapavam a vista do céu.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgdOLwuVrp728bvUmDwNGqZbr1x8NCiQquQTkrg6mmos1giefIU4rZnzycP5qYsNvhcnNhhlVB1ONkyPqm-URmKBAHVMODDjX46R2ZtmJ9i9lUYn82f3RL54SEozausdy2VAgNlYWaMiRnXeuni3Hck-rvNy_ujTNbaGPxL6e9nGXfnPNtvCe2PNN3DL2c/s320/areia.jpg


        Para que um banhista, mesmo magrinho, conseguisse estender a toalha de banho sobre a areia, tinha de pedir? “Com licença, com licença” aos vizinhos, para que se chegassem um pouco mais para o lado. Então, toda a praia se movia, à esquerda e à direita, como uma onda e as pessoas, sucessivamente, diziam? “Com licença, com licença”, a pedirem espaço ao vizinho do lado, até nos dois extremos da praia os últimos banhistas gritarem: “Não apertem mais!” E estes últimos banhistas acabavam por ter de ficar em pé, de encontro à muralha.

        -- Quero fazer um castelo de areia – disse o menino, que tinha trazido para a praia um balde novo e uma pá e um ancinho.

        -- Só quando o teu pai for tomar banho – disse a mãe.

        -- Para que lado é que é a água? – perguntou o pai.

        -- Acho que é para ali – apontou a mãe. – Foi donde veio ainda agora aquele senhor, que está a limpar-se.

        O pai, para ter a certeza, foi perguntar ao tal senhor:

        -- O mar estava bom?

        -- Não sei – respondeu o senhor, que esfregava furiosamente a cabeça com uma toalha. – Não encontrei mar nenhum. Para me refrescar, tive de ir tomar duche a um balneário.

        -- Se fosse a ti não saía de ao pé de nós – disse a mãe do menino. – Vais e, depois nunca mais nos encontras, no meio de tanta gente.

        -- Então quando é que eu faço o castelo de areia? – perguntou o menino, já amuado.

        -- Descansa que eu vou já tomar banho – disse o pai. – Para voltar, oriento-me pela cor do nosso chapéu-de-sol.

        -- Há milhares de chapéus-de-sol iguais – disse a mãe, mas o marido dela e pai do menino já ia longe.

        Ia, todo satisfeito, a caminho do mar, embora só muito mais tarde viesse a descobrir, quando chegou à estrada, que se tinha enganado.

        O menino pôs-se a construir o castelo de areia, cheio de entusiasmo. Depois de ter erguido o torreão e a primeira cintura de ameias, lembrou-se de pedir à mãe:

        -- Quero um gelado.

        A mãe escusou-se, explicando-lhe que se ela fosse procurar a barraca dos gelados, ia ser muito difícil depois dar de novo com o sítio onde estavam.

        Mas o menino insistiu tanto, que ela acedeu.

        No bocado de areia deixado livre pela mãe, o menino acrescentou ao castelo uma segunda cintura de muralhas e um fosso todo à volta. Estava um trabalho perfeito e já com uma certa dimensão.

        Passou que tempos.

        -- Estou cheio de fome – gritou o menino, sem tirar os olhos da sua construção, que já tinha preenchido todo o espaço disponível.
Um par de namorados, que estava estendido ao lado, condoeu-se daquele menino, que se perdera dos pais, e foi procurar o cabo-do-mar, para dar-lhe conta da ocorrência. Os namorados partiram de mão dada, tendo a mãe da rapariga recomendado que não se demorassem.

        Pois sim. A verdade é que se demoraram, tanto que a mãe da rapariga, muito enervada, resolveu ir à cata deles, pela praia fora.

        A obra crescia a olhos vistos. Era um imponente amuralhado com várias cercas e fossas, torres anexas e trincheiras defensivas, esculpidas com primor pelos dedos hábeis do menino, esquecido de tudo o mais à sua volta.

        Preenchia uma importante extensão de terreno, que até parecia impossível que, no aperto de tanta gente, ainda houvesse um quadrado de areia disponível para um menino brincar tão à vontade.

        Declinava o sol, quando o pai regressou, tiritando. Logo a seguir apareceu a mãe, com um gelado todo derretido. Abraçaram-se, como se já tivessem perdido a esperança de voltarem a encontrar-se.

        -- Este dia correu muito mal – concordaram os pais.

        Só o menino não era da mesma opinião.

Autor desconhecido.

Entendendo o conto:

 

01 – De que forma o autor descreve a superlotação da praia no início do texto e que consequências isso trazia para os banhistas?

        O autor descreve uma praia extremamente cheia, onde toldos, barracas e chapéus-de-sol em "cacho" tapavam completamente a vista do mar e do céu. Para conseguir um espaço na areia, as pessoas tinham de pedir licença sucessivamente, gerando um efeito de onda que empurrava os últimos banhistas das extremidades para a muralha, onde eram obrigados a ficar de pé.

02 – Por que razão o pai do menino teve dificuldade em encontrar o mar e o que acabou por lhe acontecer?

      A praia estava tão cheia e a vista tão obstruída que nem sequer se conseguia ver onde ficava a água. O pai tentou guiar-se pelas indicações da mãe e pela direção de outro banhista, mas acabou por se enganar no caminho e foi parar à estrada, descobrindo o erro muito mais tarde.

03 – Qual foi a condição imposta pela mãe para que o menino pudesse começar a construir o seu castelo de areia e por que razão ela hesitou em ir comprar o gelado?

      A mãe estabeleceu que o menino só poderia fazer o castelo quando o pai fosse tomar banho, presumivelmente para aproveitar o espaço que o pai deixaria vago ao levantar-se. Mais tarde, ela hesitou em comprar o gelado porque temia perder-se e não conseguir encontrar novamente o local onde tinham estendido as toalhas, devido à imensidão de pessoas iguais.

04 – Como o menino conseguiu expandir tanto o seu castelo de areia num espaço inicialmente tão apertado?

      O menino aproveitou o espaço deixado livre pelas pessoas que se iam ausentando. Primeiro, usou o espaço do pai; depois, expandiu o castelo para o lugar da mãe quando esta foi buscar o gelado; e, finalmente, ocupou o espaço do par de namorados e da mãe da rapariga que saíram para se procurar uns aos outros.

05 – O que motivou a saída do par de namorados e da mãe da rapariga do seu lugar na areia?

      O par de namorados sentiu pena do menino, achando que ele estava abandonado e perdido dos pais porque gritava que tinha fome sozinho. Por isso, afastaram-se para procurar o cabo-do-mar. Como os namorados demoraram a voltar, a mãe da rapariga ficou enervada e decidiu ir atrás deles pela praia afora, libertando ainda mais espaço.

06 – Descreva a evolução da construção do menino ao longo do conto e o que isso demonstra sobre o seu estado de espírito.

      O castelo começou de forma simples, com um torreão e uma cintura de ameias. À medida que as pessoas se afastavam, transformou-se numa obra imponente com uma segunda muralha, fossos, várias cercas, torres anexas e trincheiras esculpidas com primor. Isto demonstra que o menino estava totalmente focado, entusiasmado e alheio à confusão e aos problemas dos adultos ao seu redor.

07 – Por que razão, no final do dia, a opinião do menino era diferente da opinião dos seus pais sobre como correu o dia de praia?

      Para os pais, o dia correu muito mal porque se perderam, enfrentaram a enorme confusão da praia e viveram momentos de grande stresse e ansiedade. Para o menino, o dia foi excelente porque o facto de os adultos se terem perdido uns dos outros deu-lhe o espaço e o tempo necessários para realizar o seu grande objetivo: construir um castelo de areia perfeito e gigante.

 

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