terça-feira, 3 de setembro de 2019
REPORTAGEM: BRASIL TEM QUASE 1 MILHÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM TRABALHO IRREGULAR - JOANA CUNHA - COM GABARITO
domingo, 7 de dezembro de 2025
REPORTAGEM: HISTÓRIA DOS BAIRROS PAULISTANOS - LIBERDADE - FRAGMENTO - A. GHEDINE - COM GABARITO
Reportagem: História dos bairros paulistanos – Liberdade – Fragmento
[...]
Em suas origens, no século 17, a
Liberdade compreendia terras situadas ao longo do caminho que ligava o centro
da cidade à Zona Sul, ao município de Santo Amaro. Esse caminho, conhecido como
"caminho de Ibirapuera" ou "caminho de carro para Santo
Amaro", saia do centro em direção ao sul pelo traçado atual da avenida
Liberdade e da rua Vergueiro. Há registros de que esse caminho também tenha
sido conhecido como "estrada nova para Santos". Nessa região, havia
muitas chácaras, algumas de grande extensão territorial, onde era cultivado
especialmente chá. Da divisão dessas chácaras nasceu o bairro da Liberdade.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg9frELNSQ3bXUIQJpzDoFYYkFU5yDovYFW1QqsOXt64lJOf_skScKyjqWU8M6uLARuti1zumNiZqz9OniHbjboVw23O9dKoje2BuWeEsVL3a2DhZQQGg4yBYiFk6NABpog11pxLVor9yhTYELWyS4piHqxm5MflocNEmsGeWNRgQcKvywJqCTZo9znla8/s1600/images.jpg O bairro abrigou, no século 19, o largo
do Pelourinho, onde eram amarrados escravos fugitivos. Ali também ficava
localizado o Largo da Forca, que recebeu essa denominação por ser local de
execuções, [...]. Com a abolição da pena de morte do Brasil, o Largo da Forca
passou a chamar-se Largo da Liberdade.
No século 19, o centro de São Paulo foi
ligado a Santo Amaro pelas linhas de bonde, cujos trilhos foram construídos no
traçado do "caminho de carro". Uma parte desse caminho viria a ser a
rua Domingos de Moraes. Na virada do século 19 para o século 20, a Liberdade
começa a sofrer um forte processo de urbanização com alargamento de ruas,
desapropriações de terras e imóveis, construções de praças e largos e
calçamento de ruas com paralelepípedos.
Nessa época, a Liberdade era um bairro
residencial habitado por imigrantes portugueses e italianos que, com o passar
dos anos, deixariam ao bairro em direção a outras partes da cidade. Os traços
orientais de prédios e residências só começaram a aparecer após a chegada dos
primeiros imigrantes japoneses ao Brasil, em 1908, e ganharam impulso na década
de 60. O bairro conheceu então as lanternas suzuranto, os jardins japoneses e
as festas típicas japonesas.
A influência oriental cresceu tanto
que, em 1969, foi anunciado um plano de reurbanização do bairro dentro do
processo de expansão da Linha 1 – Azul do Metrô. Em 1974, aconteceu a criação
do "Bairro Oriental", com ruas e praças do bairro inteiramente
decoradas com motivos orientais, adquirindo características de uma autêntica
cidade japonesa. Por fim, em fevereiro de 1975, foram inauguradas as estações
Liberdade e São Joaquim do Metrô.
GHEDINE, A. História
dos bairros paulistanos – Liberdade. Banco de dados Folha. Disponível em: http://almanaque.folha.uol.com.br/bairros_liberdadde.htm.
Acesso em: 17 ago. 2018.
Fonte: Da escola para o
mundo. Roberta Hernandes; Ricardo Gonçalves Barreto. Ensino Fundamental – Anos
finais. Projetos integradores 8º e 9º anos. Ed. Ática. São Paulo, 1ª edição,
2018. p. 130-131.
Entendendo a reportagem:
01
– Quais eram os nomes antigos do caminho que ligava o centro da cidade à Zona
Sul (Santo Amaro) e que marcou a origem do bairro da Liberdade no século 17?
O caminho era
conhecido como "caminho de Ibirapuera", "caminho de carro para
Santo Amaro" ou, segundo outros registros, "estrada nova para
Santos".
02
– Qual foi o evento que fez com que o antigo "Largo da Forca"
passasse a ser chamado de "Largo da Liberdade"?
A mudança de nome
ocorreu com a abolição da pena de morte no Brasil, já que o local era usado
para execuções e, anteriormente, também abrigava o largo do Pelourinho, onde
escravos fugitivos eram amarrados.
03
– Quem eram os primeiros imigrantes a habitar o bairro da Liberdade no século
19, antes da chegada dos orientais?
Na virada do
século 19 para o 20, o bairro era uma área residencial habitada por imigrantes
portugueses e italianos.
04
– Em que ano chegaram os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil e a partir de
quando os traços orientais no bairro da Liberdade ganharam impulso?
Os primeiros
imigrantes japoneses chegaram ao Brasil em 1908. Os traços orientais em prédios
e residências ganharam impulso na década de 60.
05
– Qual projeto de infraestrutura e qual evento de reurbanização foram marcos
importantes na consolidação da identidade oriental do bairro na década de 1970?
O marco de
infraestrutura foi o processo de expansão da Linha 1 – Azul do Metrô (com a
inauguração das estações Liberdade e São Joaquim em 1975). O evento de
reurbanização foi a criação do "Bairro Oriental" em 1974, quando ruas
e praças foram decoradas com motivos orientais.
domingo, 25 de outubro de 2020
TEXTO: INTELIGÊNCIA É FUNDAMENTAL - BIA SANTANA - COM GABARITO
Texto: Inteligência é fundamental
Você abriria mão da sua inteligência para ser mais bonito? Tem gente que sim, numa boa. Vaidade descontrolada, consumismo, culpa da mídia, que expõe padrões estéticos irreais, ou intolerância? Pense um pouco – e, para isso, beleza não ajuda.
Bia Santanna
“Apesar de saber que a inteligência é o
que conta no final, certamente trocaria um pouco da minha por beleza. Acho que
teria menos conflitos, melhoraria minha autoestima. Na balada, por exemplo, não
tem jeito: todo mundo procura gente bonita”, assume Alexandre Ribeiro, de 19
anos, que diz estar sempre de regime e preocupado com a pele e o cabelo.
Do outro lado do front, o estudante
Ivan Petrich, de 17 anos, acredita que “de cara, a beleza ajuda muito mais que
o fato de ser inteligente”. E completa: “Já consegui várias coisas na vida por
ser ‘mais ajeitadinho’, por pior que isso possa soar. Na noite, por exemplo,
sempre pego umas meninas mais bonitas e levo a melhor numa disputa com um cara
considerado mais feio”.
Verdade seja dita: a garota que tem a
pele malcuidada ou o cara com vários quilinhos a mais despertam menos interesse
numa festa, por exemplo. Mas a obsessão da rapaziada com a beleza e a vaidade
descontrolada não estão virando loucura? Não é exagero, pra dizer o mínimo,
aceitar de bom grado trocar inteligência por beleza, ainda mais sabendo que a
beleza estética é limitada pelo tempo e a inteligência não? E se alguém parasse
pra conversar com a garota espinhuda ou com o cara gordinho na festa não
poderia se surpreender com outro tipo de beleza – aquela que não se põe na
mesa?
Na versão de 2005 do Dossiê Universo
Jovem, uma pesquisa da MTV com brasileiros de 15 a 30 anos para detectar
tendências e entender comportamentos, 60% dos 2.359 entrevistados acreditam que
pessoas bonitas têm mais oportunidade na vida. Mais que isso: cerca de 350
delas abririam mão de 25% do conhecimento acumulado para serem 25% mais
bonitos. Numa interpretação livre dos dados, dá pra dizer, entre aspas mesmo,
que “eles preferem ser bonitos e burros a inteligentes e feios”.
A busca por um visual mais descolado,
magro e malhado parece ter mais importância do que ser inteligente, acumular
conhecimento, se embrenhar em cursos legais e aprender línguas pelo mundo. Numa
espécie de Teoria da Evolução às avessas, vivemos num mundo onde,
aparentemente, só os bonitos sobrevivem. E a vaidade estética ganha de lavada
da vaidade intelectual, como se ninguém mais pensasse em ler um bom livro,
fazer uma faculdade legal ou aprender a tocar um instrumento. O negócio é ser
bonito, custe o que custar, e ponto. Há dezenas de reality shows mundo afora
que, quanto maior a mudança estética dos candidatos, maior o ibope. Mas não há
nenhum em que você possa ficar enfurnado numa casa durante um mês, que seja,
alimentando a alma com informação, lendo livros incríveis, tendo palestras com
filósofos inspiradores, conversando com poetas e escritores escolhidos a dedo e
escutando só sonzeira da boa.
“Infelizmente, beleza abre muitas
portas. Pode ver, todo mundo é pressionado por essa ditadura da magreza, está
sempre fazendo mil dietas, se acabando na academia. Eu já fiz plástica pra
reduzir os seios. Não tinha problema de coluna nem nada, mas achava que assim
ia ficar mais bonita”, conta Regiane Ferreira, de 21 anos, que entrou
tranquilamente em uma concorrida universidade pública do interior paulista.
“Claro que não queria ficar burra, mas acho que, sei lá, se trocasse um pouco
da minha inteligência por um pouco de beleza não ia ter que ficar me matando
por um monte de coisas, estudando feito louca. Eu ia ser modelo e pronto!”.
“A beleza pode ser um caminho mais
fácil para você mostrar que é também inteligente. Quando se é bonito todo mundo
parece mais interessado nas coisas que você tem a dizer”, afirma o estudante de
Engenharia Elétrica Lucas Micheletto Sobral, de 22 anos, que emagreceu 20 Kg e
viu tudo a sua volta mudar. “O mundo dá muito mais chances e atenção a quem é
magro ou bonito. A forma como os outros me tratam mudou junto com o meu corpo.
Até quando vou comprar roupa as vendedouras são mais atenciosas do que eram”.
Afinal, beleza é mesmo fundamental?
Sim, pra muita gente é. No Orkut, por exemplo, existem pelo menos 11
comunidades (com quase 3 mil participantes) que defendem esse mundo “mais
belo”. Até aí tudo bem. O problema é a busca pelo padrão de beleza se torna o
único projeto de vida de uma pessoa. Porque as loucuras, doenças e obsessões
que vêm como efeito colateral não costumam ser nada belas.
Em 2003, depois de ser recusada na
última etapa de uma entrevista de emprego porque “meu perfil de beleza não se
encaixava no da empresa”, a paulista Viviane Vicente entrou em depressão. Não
teve dúvidas: largou a faculdade e se internou num SPA. “Até então meus 80 Kg
não incomodavam, mas depois de ouvir que meus cursos, estudos e até os testes
da entrevista não bastavam para conseguir a vaga, fiquei neurótica”, conta. Tão
neurótica que ganhou mais 70 Kg e se juntou aos mais de 800 mil pacientes por
ano que recorrem à cirurgia plástica no Brasil. “Fiz várias cirurgias, redução
da mama, reconstrução de umbigo, dez lipos nas costas, lipoescultura e até
redução de estômago. Não pensava em mais nada, parei de sair com meus amigos.
Só queria ser magra e bonita”. Depois de quase ficar bulímica, ela acredita que
são os próprios jovens que se impõem essa neurose de ser bonito. “A menina vê
uma outra mais bonita na praia, e ainda o namorado olha para essa outra também,
pronto: já quer ser igual. Só pensa nisso”.
Hoje, com 60 Kg a menos, Viviane
retomou os estudos e botou na cabeça a real: o que importa é estar bem consigo
mesmo – essa é uma vaidade positiva, que não tem nada a ver com padrões
estabelecidos ou com o que os outros pensam sobre você.
Revista MTV, set.
2005.
Fonte: Língua Portuguesa. Viva
Português. 9° ano. Editora Ática. Elizabeth Campos. Paula Marques Cardoso.
Silvia Letícia de Andrade. 2ª edição. 2011. P. 159-62.
Entendendo o texto:
01 – De acordo com o texto,
qual o significado das palavras abaixo:
·
Bulímico: que sofre de bulimia.
·
De
bom grado: com satisfação.
·
Dossiê: conjunto de documentos e informações a respeito de uma
pessoa, um grupo, uma instituição, etc.
·
Front: campo de batalha.
·
Embrenhar-se: aprofundar-se, estudar com dedicação.
02 – Faça em seu caderno, um
quadro colocando as respostas dadas pelos entrevistados, com relação a estas
três perguntas:
·
Beleza
ou inteligência?
·
Que
reocupações tem ou teve para ficar mais bonito(a)?
·
Qual
a vantagem de ser bonito(a)?
a)
Alexandre Ribeiro, 19 anos.
Beleza; Está sempre de regime e preocupa-se com a pele e com o
cabelo; Quem é bonito tem menos conflitos, melhora a autoestima e se dá bem nas
baladas.
b)
Ivan Petrich, 17 anos.
Beleza; O texto não apresenta nenhuma; A beleza facilita as coisas
muito mais do que a inteligência.
c)
Regiane Ferreira, 21 anos.
Beleza; Fez plástica para reduzir os seios; Se fosse bonita seria
modelo e não precisaria se esforçar por mais nada.
d)
Lucas Micheletto Sobral, 22 anos.
Beleza; Emagreceu 20 Kg; As pessoas ficam mais interessadas no que
as pessoas bonitas têm a dizer.
e)
Viviane Vicente.
Beleza; Redução da mama, reconstrução do umbigo, dez lipos nas
costas, lipoescultura e redução de estômago; Atende-se ao padrão autoimposto
pelos jovens.
03 – Nas situações abordadas
pela reportagem, a preocupação dos jovens entrevistados é com a satisfação
pessoal ou com a opinião dos outros? Justifique sua resposta.
Com exceção de
Viviane, que aprendeu que o que importa é estar bem consigo mesma, os demais
pensam na beleza como forma de conquistar as demais pessoas, seja essa
conquista profissional ou afetiva.
04 – De 1 a 5, que grau de
importância você atribui a beleza?
1 = nenhuma; 2 = alguma; 3 =
moderada; 4 = grande; 5 = excessiva.
Resposta pessoal
do aluno.
05 – Ao longo da reportagem,
verificamos que a autora apresenta um contraponto a cada depoimento, a fim de
questionar algumas ideias comuns entre os jovens. Indique no caderno os trechos
em que ela rebate cada um dos depoimentos transcritos a seguir:
Depoimento
1: “Claro que não queria ficar burra, mas acho que, sei lá, se trocasse um
pouco da minha inteligência por um pouco de beleza não ia ter que ficar me
matando por um monte de coisas [...]” (Regiane Ferreira).
a) Opinião da autora.
“Não é exagero, pra dizer o mínimo, aceitar de bom grado trocar
inteligência por beleza, ainda mais sabendo que a beleza estética é limitada
pelo tempo e a inteligência não?”.
b) O que pensa o grupo? É um “bom negócio” trocar inteligência por beleza?
Resposta pessoal do aluno. Sugestão: O mais importante é que os
alunos relacionem os dados e formem uma opinião sobre o assunto, ainda que
limitada a princípio.
Depoimento
2: “Pode ver, todo mundo é pressionado por essa ditadura da magreza, está
sempre fazendo mil dietas, se acabando na academia”. (Regiane Ferreira).
a) Opinião da autora.
“A busca por um visual mais decolado, magro e malhado parece ter
mais importância do que ser inteligente, acumular conhecimento, se embrenhar em
cursos legais e aprender línguas pelo mundo.”
b) O que pensa o grupo? A busca por um visual bonito é mais importante que a busca pelo conhecimento, pelo desenvolvimento da inteligência?
Resposta pessoal do aluno. Sugestão: É possível aliar beleza e
conhecimento/inteligência. O problema é quando a beleza passa a tomar todos os
espaços da vida da pessoa.
Depoimento
3: “Fiz várias cirurgias, redução de mama, reconstrução de umbigo, dez
lipos nas costas, lipoescultura e até redução de estômago. Não pensava em mais
nada, parei de sair com meus amigos. Só queria ser magra e bonita”. (Viviane
Vicente).
a) Opinião da autora.
“O problema é a busca pelo padrão de beleza se tornar o único
projeto de vida de uma pessoa. Porque as loucuras, doenças e obsessões que vêm
como efeito colateral não costumam ser nada belas.”
b) O que pensa o grupo? Vale tudo para ser mais bonito?
Resposta pessoal do aluno.
06 – No quarto parágrafo são
apresentadas informações que reforçam as constatações dos três parágrafos
anteriores. Em que se baseiam as informações do quarto parágrafo?
Na versão 2005 do Dossiê Universo Jovem,
uma pesquisa da MTV feita com brasileiros de 15 a 30 anos.
07 – De acordo com os dados
do Dossiê Universo Jovem, mais de 50% dos jovens abriria mão de 25% da
inteligência para ser 25% mais bonito?
Não. Segundo o
Dossiê, 350 dos 2.359 entrevistados fariam isso, ou seja, cerca de 15%.
08 – Copie no caderno a(s)
alternativa(s) correta(s): A reportagem “Inteligência é fundamental” apresenta
os seguintes elementos:
·
As causas da valorização da beleza.
·
Um histórico sobre o assunto.
·
Depoimentos de pessoas que nunca se
preocuparam com o padrão de beleza vigente e nunca foram infelizes por isso.
·
Depoimentos de pessoas que jamais trocariam a
inteligência pela beleza.
·
Provas de que as consequências da busca
desenfreada pelo padrão de beleza não são nada agradáveis.
Resposta pessoal
do aluno. Sugestão: Nenhuma das alternativas estão corretas.
09 – Com base na sua
resposta ao exercício anterior, copie no caderno a afirmativa correta.
a)
O texto trata o tema de forma aprofundada,
mostram-se resultados de uma rigorosa pesquisa sobre o assunto, confronto de
ideias, depoimentos de especialistas.
b)
O texto trata o tema de forma
superficial, restringindo-se a apresentar depoimentos com praticamente o mesmo
ponto de vista.
sábado, 13 de agosto de 2022
NOTÍCIA: CÃES VÃO TOMAR UMA "GELADA" COM CERVEJA PET - FOLHA DE S.PAULO - COM GABARITO
Notícia: Cães vão tomar uma “gelada” com cerveja pet
Produto feito especialmente para cachorros chega ao mercado nacional em agosto
Nada é melhor que uma cervejinha depois
de um dia de cão.
Agora eles, os cães, também vão poder
fazer jus a essa máxima. No mês de agosto chega ao mercado a Dog Beer,
cerveja criada especialmente para os amigos de quatro patas. “Quem tem bicho de
estimação gosta de dividir o prazer até na hora de comer e beber”, aposta o
empresário M. M., 47, dono da marca.
Para comemorar a final da Libertadores,
a executiva A. P. C., 40, corintiana roxa, quis inserir Manolito, seu
labrador, na festa.
“Ele tomou tudo. A cerveja é docinha,
com fundinho de carne”, descreve.
Uniformizado, Manolito não só bebeu a
gelada durante o jogo contra o Boca Juniors como latiu sem parar até o fim da
partida.
Desenvolvida pelo centro de tecnologia
e formação de cervejeiros do Senai, no Rio de Janeiro, a bebida canina é
feita à base de malte e extrato de carne; não tem álcool, lúpulo, nem gás
carbônico.
O dono da empresa promete uma linha
completa de “petiscos líquidos”, que inclui suco, vinho e champanhe.
A lista de produtos humanos em versões
animais não para de crescer.
Já existem
molhos, tempero para ração e até patê.
O sorvete Ice Pet é uma boa opção para
o verão. A sobremesa tem menos lactose, não tem gorduras nem açúcar.
Adaptado de
Ricardo Bunduky, Folha de S.Paulo, São Paulo, 22 jul. 2012, Cotidiano, p.
3.
Vergonha Nacional
As décadas de descumprimento da lei
[...] contribuíram para que os adultos se habituas sem a ver o consumo de
bebidas entre adolescentes como “mal menor”, comparado aos perigos do mundo.
[...] Um estudo publicado pela revista Drugs and Alcohol
Dependence ouviu 15000 jovens nas 27 capitais brasileiras. O cenário que
emerge do estudo é alarmante. Ao longo de um ano, um em cada três jovens
brasileiros de 14 a 17 anos se embebedou ao menos uma vez. Em 54% dos
casos mais recentes, isso ocorreu na sua casa ou na de amigos ou parentes. Os
números confirmam também a leniência com que os adultos encaram a transgressão.
Em 17% dos episódios, os menores estavam acompanhados dos próprios pais ou de
tios.
Resultados da pesquisa realizada com 15
000 jovens de 14 a 17 anos nas 27 capitais brasileiras:
1
– Quantas vezes
se embebedou:
Nenhuma
vez .................................................. 12%.
Uma
vez na vida .............................................. 35%.
Ao
menos uma vez no último ano .................... 32%.
Ao
menos uma vez no último mês ................... 21%.
2
– Onde
ficou embriagado: (na última vez em que bebeu).
Bar
.................................................................... 35%.
Casa
de amigos ............................................... 30%.
Casa
de parentes ............................................. 13%.
Própria
casa ..................................................... 11%.
Festas
ou praia ................................................ 11%.
3
– Com quem bebeu: (na última vez em que
bebeu).
Amigos
............................................................. 50%.
Irmãos
e primos ............................................... 26%.
Pais
e tios ........................................................ 17%.
Namorado(a)
................................................... 5%.
Sozinho
........................................................... 2%.
Adaptado
de Revista Veja, São Paulo, n° 28, 11 jul. 2012, p. 81-82.
Agora, leia a carta de leitor produzida
por um candidato a partir da proposta anterior.
Prezados redatores,
Acompanho diariamente este jornal – e
não o leio, apenas; mas também me questiono sobre o conteúdo que é nele
reproduzido. Dessa forma, ao renegar a posição de leitor passivo, me vejo
na função de expressar meu descontentamento perante a matéria veiculada no
caderno “Cotidiano” do último dia 22 de julho, que tinha por objetivo informar
sobre uma nova linha de cerveja para cães. Abarcada pela explosão de produtos
de consumo humano que ganharam versões para animais domésticos, a reportagem
exalta a bebida para os cães, como se ela levasse a outro nível o
companheirismo do animal, que agora acompanha o dono até na “cervejinha”
de cada dia. Inclusive, o texto ilustra esta ideia por meio do caso de um
cachorro que foi inserido pelos donos, com sua cerveja especial, na festa
de comemoração por um time de futebol.
Me incomoda, assim, que não surja na
matéria nenhum questionamento sobre consequências mais sérias desta banalização
do consumo de álcool em nossa sociedade (mesmo que a bebida dos cães não possua
teor etílico, a referência é clara), principalmente entre aqueles que possuem
menos maturidade para avaliar suas atitudes: os adolescentes. Dados de um
estudo publicado no periódico “Drugs and Alcohol Dependence” mostram que 88%
dos jovens brasileiros de 14 a 17 anos entrevistados na pesquisa já se
embebedaram ao menos uma vez na vida, sendo um terço deles num período recente
de um ano. A pesquisa também revela que, muitas vezes, o contato com a
bebida se associa ao ambiente familiar, já que quase 25% daqueles que afirmaram
ter se embebedado estavam em casa própria ou de parentes quando o fizeram pela
última vez. Além disso, 17% foram acompanhados por pais ou tios, o que
denuncia a naturalidade com que tal atitude é encarada por seus responsáveis.
Então, se agora até o cão está apto a compartilhar da bebida, como fazer com
que os jovens não se sintam ainda mais estimulados a abusar do consumo de álcool?
Não pretendo me colocar por meio desta
como um moralista ou defensor do que alguns chamariam de “bons costumes”, mas
me indigna o fato de que este jornal não tenha proposto um debate relevante
sobre o assunto, e simplesmente transcreva um fato que contribui na
institucionalização velada do abuso de álcool por parte dos jovens.
O.D.M.
Fonte: Livro Língua Portuguesa
– Trilhas e Tramas – Volume 1 – Leya – São Paulo – 2ª edição – 2016. p. 331-4.
Entendendo a notícia:
01 – A carta que você
leu pode ser dividida em cinco partes. No caderno, indique os trechos que
correspondem:
a) Ao cumprimento formal.
“Prezados redatores,”.
b) Á introdução.
De “Acompanho diariamente este jornal” até “por um time de futebol”.
c) Ao desenvolvimento.
De “Me incomoda” até “abusar do consumo de álcool”.
d) Ao fecho.
De “Não pretendo me colocar” até “por parte dos jovens”.
e) Ás iniciais do remetente.
O. D. M.
02 – A quem é dirigida
a carta? Por quê?
Aos redatores
do jornal, porque são considerados pelo remetente os responsáveis pela decisão
de publicar a notícia.
03 – Releia este trecho
da introdução da carta:
“Acompanho
diariamente este jornal – e não o leio, apenas; mas também me questiono sobre o
conteúdo que é nele reproduzido. Dessa forma, ao renegar a posição de
leitor passivo, me vejo na função de expressar meu descontentamento perante a
matéria veiculada no caderno ‘Cotidiano’ do último dia 22 de julho.”
Qual é o objetivo desse trecho e que argumento ele apresenta?
Por meio desse trecho,
o autor da carta se identifica de forma positiva, como leitor assíduo,
questionador e crítico do jornal. Ele afirma que acompanha o debate a respeito
do alcoolismo na adolescência e, dessa forma, argumenta que tem legitimidade
para criticar o veículo de comunicação e fazer cobranças.
04 – A carta de leitor
é um texto em que o remetente expõe seu ponto de vista e apresenta
argumentos, pois busca a adesão de outros leitores ao seu posicionamento.
a) Qual é o posicionamento expresso nessa carta? Explique.
O leitor posiciona-se criticamente em relação à notícia apresentada
na proposta e expressão “descontentamento” porque a matéria não faz alusão ao
aumento do consumo de álcool por adolescentes.
b) Que argumentos o leitor utiliza para defender esse posicionamento?
Ele defende que esse tipo de notícia, ainda que se refira a uma
cerveja sem álcool para cães, pode contribuir para a banalização, naturalização
e “institucionalização” do consumo de bebida alcoólica; considera negativo
associar consumo de cerveja a prazer, a companheirismo entre cão e dono;
considera que a matéria jornalística faz propaganda subliminar, velada do
consumo de álcool; reforça sua argumentação com dados objetivos e confiáveis de
um estudo publicado no periódico “Drugs and Alcohol Dependence” apresentados na
proposta.
c) Explique o efeito argumentativo do emprego dos verbos destacados nos trechos a seguir:
·
Me incomoda,
assim, que não surja na matéria nenhum questionamento sobre consequências mais
sérias desta banalização do consumo de álcool em nossa sociedade,
especialmente entre os adolescentes que podem ser estimulados pela reportagem a
consumir álcool.
·
[...] mas me indigna o fato de que este jornal não tenha proposto um
debate relevante sobre o assunto, e simplesmente transcreva um fato que contribui
na institucionalização velada do abuso de álcool por parte dos jovens.
Reiterar o
descontentamento expresso na introdução da carta e manter a coesão, com o
emprego de verbos do mesmo campo semântico.
05 – Releia este trecho
e explique seu objetivo:
“Não
pretendo me colocar por meio desta como um moralista ou defensor do que alguns
chamariam de ‘bons costumes’ [...].”.
O leitor busca
preservar sua imagem e se defender do possível rótulo de moralismo.
06 – Considerando o contexto,
explique o uso de aspas em:
a) “Cervejinha”.
Ironizar o emprego do diminutivo para se referir à bebida, de
maneira afetiva.
b) “Bons costumes”.
Ironizar a expressão entre aspas.
c) “Cotidiano”.
Indicar o nome do caderno do jornal.
07 – Leia:
“Me incomoda,
assim, que não surja na matéria nenhum questionamento sobre consequências mais
sérias desta banalização do consumo de álcool em nossa sociedade (mesmo que a
bebida dos cães não possua teor etílico, a referência é clara).”
De acordo com as regras da
gramática normativa, não se inicia frase com pronome oblíquo. Como se
explica esse uso no trecho anterior?
O leitor empregou
o pronome oblíquo no início da frase seguindo uma tendência do português falado
do Brasil.