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terça-feira, 3 de setembro de 2019

REPORTAGEM: BRASIL TEM QUASE 1 MILHÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM TRABALHO IRREGULAR - JOANA CUNHA - COM GABARITO

REPORTAGEM: Brasil tem quase 1 milhão de crianças e adolescentes em trabalho irregular


JOANA CUNHA
ENVIADA ESPECIAL AO RIO
29/11/2017 10h00 - Atualizado às 15h04

   O trabalho infantil atingia 1,8 milhão de crianças e adolescentes no Brasil em 2016. Cerca de 998 mil delas, em situação irregular.
     Segundo dados divulgados nesta quarta-feira (29) pelo IBGE, havia, no ano passado, 30 mil crianças entre 5 a 9 anos de idade trabalhando e outras 160 mil entre no grupo de 10 a 13 anos.
        Nesse grupo dos pequenos, de 5 a 13 anos, 74% não receberam nenhum tipo de renda monetária decorrente do trabalho, sinal de que o dinheiro pode não ter sido a principal causa do ingresso precoce no mundo das obrigações.
        As conclusões, que estão na Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), desenham um cenário mais grave no Norte, a região com maior proporção de trabalho infantil a ser erradicado. Lá, o nível de ocupação das crianças entre 5 e 13 anos de idade chega a 1,5%. No Sudeste a taxa de ocupação desta faixa etária fica em torno 0,3%.
        A maior parte são meninos (65,3%), pretos ou pardos (64,1%) e chegam a trabalhar em média 25,3 horas por semana.

                      Mão de obra infantil
                      Três quartos das crianças ocupadas
                      De 5 a 13 anos não são remuneradas.
                      Total de crianças de 5 a 17 anos no Brasil em 2016
                      1,8 milhão crianças ocupadas.
                      40,1 milhões.

        Segundo a legislação brasileira, a idade mínima para a entrada no mercado e trabalho é de 16 anos. Antes disso, com 14 ou 15 anos é permitido o trabalho apenas na condição de aprendiz. Com 16 ou 17, o adolescente pode trabalhar desde que esteja registrado e não seja exposto a abusos físicos, psicológicos e sexuais. A lei também não permite que a pessoa com menos de 18 anos exerça atividades usando equipamentos perigosos ou em meio insalubre.
        Em resumo, qualquer forma de trabalho realizado entre 5 e 13 anos está irregular e precisa ser abolido, segundo a legislação. As atividades exercidas por essa faixa etária apresentam características muito diferentes das praticadas por jovens entre 14 e 17 anos e por isso foram tratadas separadamente pelas estatísticas.
        Em 2016 havia 40,1 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos no país. Ou seja, 4,5% realizavam algum tipo de trabalho no período.
        Os dados do IBGE confirmam uma preocupação de especialistas em relação à evasão escolar provocada pela entrada prematura no mercado de trabalho. Enquanto a taxa de escolarização das crianças ocupadas entre 5 e 13 anos atinge 98,4% —pouco abaixo da taxa registrada entre as crianças não ocupadas—, no grupo dos ocupados com 16 e 17 anos de idade, essa taxa de escolarização cai para 74,9%.
        [...]
        NÍVEL DE OCUPAÇÃO DAS PESSOAS DE 5 A 17 ANOS POR REGIÃo Em %
        Norte: 5,7.
        Nordeste: 4,4.
        Sudeste: 3,7.
        Sul: 6,3.
        Centro-Oeste: 5.                              Fonte: Pnad Contínua.

        Os maiores, de 14 a 17 anos, aparecem com mais frequência em atividades de comércio e reparação.
        "Nenhuma criança pode trabalhar com menos de 14 anos de idade. Com 14 e 15, só pode mediante o processo de aprendizado. Com 16 e 17, desde que não tenha condições como trabalho noturno, uso de químicos, objetos cortantes etc. Independentemente de ser algo cultural, precisa ser abolido", diz Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.
        Dentre os jovens de 14 ou 15 anos ocupados 89,5% não tinham carteira de trabalho assinada, ou seja, estavam irregulares. Entre os de 16 e 17 anos, 70,8% estavam sem registro, conforme os dados do levantamento.
        A pesquisa não tem histórico para comparações porque esta é a primeira vez que a Pnad Contínua divulga o módulo de trabalho infantil, depois que o IBGE promoveu mudanças na forma de captação das informações. Mas especialistas estimam que a divulgação desta quarta-feira deve refletir um agravamento do problema.
        [...]
                                CUNHA, Joana. Brasil tem quase 1 milhão de crianças e adolescentes em trabalho irregular. Folha de São Paulo. São Paulo, 29 nov. 2017.
Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 7º ano – Ensino Fundamental – IBEP p. 266-9.
Por dentro do texto:
01 – Releia o título da reportagem: “Brasil tem quase 1 milhão de crianças e adolescentes em trabalho irregular”.
a)   Qual fato deu origem à reportagem?
Os dados de pesquisa que mostram o alto número de crianças e adolescentes em trabalho irregular.

b)   Qual informação chama atenção no título?
O número de “1 milhão” relacionado a crianças e adolescentes trabalhando ainda de forma irregular.

c)   Pesquise o significado da palavra irregular aplicada ao contexto.
A palavra assume o sentido de desrespeito às leis, às regras, aos costumes estabelecidos.

02 – Os dados da reportagem são da Pesquisa Nacional por Amostra em Domicílios (PNAD) contínua do IBGE, realizada em 2018. Responda:
a)   Quantas crianças e adolescentes trabalham no Brasil em 2016, em números absolutos e percentuais, quando os dados foram coletados?
No momento da pesquisa, trabalhavam no Brasil 1,8 milhão, totalizando 4,5% do total de crianças e adolescentes.

b)   Quantas dessas crianças e adolescentes trabalharam em situação irregular?
Trabalhavam em situação irregular 998 mil jovens, ou seja, cerca de 60% de crianças e adolescentes estavam trabalhando em situação irregular.

c)   Das crianças entre 5 e 13 anos que trabalhavam em situação irregular, quantas não recebiam nenhuma remuneração?
Não recebiam qualquer remuneração 74% das crianças que trabalham nessa faixa etária.

03 – Segunda a reportagem, o número de crianças pequenas trabalhando, com idade entre 5 e 13 anos, é mais grave no Norte do país. Com base nesse dado, responda.
a)   Qual é o percentual de crianças trabalhando entre 5 e 13 anos nessa região em comparação com a região Sudeste?
O nível de ocupação das crianças entre 5 e 13 anos de idade chega a 1,5%. No Sudeste a taxa de ocupação desta faixa etária fica em torno de 0,3%.

b)   Dentre essas crianças, qual é o percentual de meninos e de pretos ou pardos que trabalham?
A maior parte são meninos (65,3%) e pretos ou pardos correspondem a 64,1% deles.

c)   Qual é a média de horas trabalhadas por semana por essas crianças?
Essas crianças chegam a trabalhar em média 25,3 horas por semana.

04 – Reproduza o quadro e preencha-o com as informações sobre da legislação brasileira presentes na reportagem.

Legislação brasileira sobre trabalho de crianças e adolescentes:

PROIBIÇÕES = Trabalho de crianças e adolescentes em qualquer circunstância é permitido somente a partir dos 16 anos; a pessoa com menos de 18 anos não pode exercer atividades usando equipamentos perigosos ou em meio insalubre, inclusive em horário noturno.

PERMISSÕES= Adolescentes de 14 e 15 anos podem trabalhar na condição de aprendizes, adolescentes de 16 e 17 anos podem trabalhar desde que sejam registrados e não sejam expostos a abusos físicos, psicológicos e sexuais.

05 – Com base nas informações do texto, defina trabalho infantil irregular.
      Todo trabalho realizado por crianças até os 13 anos de idade é irregular. O trabalho de adolescentes entre 13 e 14 anos é irregular, exceto na condição de aprendiz. Entre 16 e 17 anos, o trabalho é irregular quando o adolescente não tem a sua carteira assinada, realiza trabalho noturno de qualquer natureza ou é exposto a qualquer risco a sua saúde, podendo sofrer abusos sexuais, psicológicos e físicos.

06 – Releia o trecho a seguir: "Nenhuma criança pode trabalhar com menos de 14 anos de idade. Com 14 e 15, só pode mediante o processo de aprendizado. Com 16 e 17, desde que não tenha condições como trabalho noturno, uso de químicos, objetos cortantes etc. Independentemente de ser algo cultural, precisa ser abolido", diz Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

a)   De quem é o depoimento?
O depoimento é de Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

b)   Da fala do entrevistado, o que pode ser considerado fato?
Nenhuma criança pode trabalhar com menos de 14 anos de idade. Com 14 e 15, só pode mediante o processo de aprendizado. Com 16 e 17, desde que não seja submetido a condições como trabalho noturno, uso de químicos, objetos cortantes.

c)   Nesse excerto, o que pode ser considerado opinião e o que pode ser considerado como transmissão de informação? Você concorda com a opinião do emissor? Explique.
Discuta a respeito do trecho lido com os alunos, procurando auxiliá-los a identificar o momento em que o autor expressa sua opinião, por meio do uso de verbos como precisar, que auxilia na expressão de uma opinião.



domingo, 7 de dezembro de 2025

REPORTAGEM: HISTÓRIA DOS BAIRROS PAULISTANOS - LIBERDADE - FRAGMENTO - A. GHEDINE - COM GABARITO

 Reportagem: História dos bairros paulistanos – Liberdade – Fragmento

        [...]

        Em suas origens, no século 17, a Liberdade compreendia terras situadas ao longo do caminho que ligava o centro da cidade à Zona Sul, ao município de Santo Amaro. Esse caminho, conhecido como "caminho de Ibirapuera" ou "caminho de carro para Santo Amaro", saia do centro em direção ao sul pelo traçado atual da avenida Liberdade e da rua Vergueiro. Há registros de que esse caminho também tenha sido conhecido como "estrada nova para Santos". Nessa região, havia muitas chácaras, algumas de grande extensão territorial, onde era cultivado especialmente chá. Da divisão dessas chácaras nasceu o bairro da Liberdade.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg9frELNSQ3bXUIQJpzDoFYYkFU5yDovYFW1QqsOXt64lJOf_skScKyjqWU8M6uLARuti1zumNiZqz9OniHbjboVw23O9dKoje2BuWeEsVL3a2DhZQQGg4yBYiFk6NABpog11pxLVor9yhTYELWyS4piHqxm5MflocNEmsGeWNRgQcKvywJqCTZo9znla8/s1600/images.jpg


        O bairro abrigou, no século 19, o largo do Pelourinho, onde eram amarrados escravos fugitivos. Ali também ficava localizado o Largo da Forca, que recebeu essa denominação por ser local de execuções, [...]. Com a abolição da pena de morte do Brasil, o Largo da Forca passou a chamar-se Largo da Liberdade.

        No século 19, o centro de São Paulo foi ligado a Santo Amaro pelas linhas de bonde, cujos trilhos foram construídos no traçado do "caminho de carro". Uma parte desse caminho viria a ser a rua Domingos de Moraes. Na virada do século 19 para o século 20, a Liberdade começa a sofrer um forte processo de urbanização com alargamento de ruas, desapropriações de terras e imóveis, construções de praças e largos e calçamento de ruas com paralelepípedos.

        Nessa época, a Liberdade era um bairro residencial habitado por imigrantes portugueses e italianos que, com o passar dos anos, deixariam ao bairro em direção a outras partes da cidade. Os traços orientais de prédios e residências só começaram a aparecer após a chegada dos primeiros imigrantes japoneses ao Brasil, em 1908, e ganharam impulso na década de 60. O bairro conheceu então as lanternas suzuranto, os jardins japoneses e as festas típicas japonesas.

        A influência oriental cresceu tanto que, em 1969, foi anunciado um plano de reurbanização do bairro dentro do processo de expansão da Linha 1 – Azul do Metrô. Em 1974, aconteceu a criação do "Bairro Oriental", com ruas e praças do bairro inteiramente decoradas com motivos orientais, adquirindo características de uma autêntica cidade japonesa. Por fim, em fevereiro de 1975, foram inauguradas as estações Liberdade e São Joaquim do Metrô.

GHEDINE, A. História dos bairros paulistanos – Liberdade. Banco de dados Folha. Disponível em: http://almanaque.folha.uol.com.br/bairros_liberdadde.htm. Acesso em: 17 ago. 2018.

Fonte: Da escola para o mundo. Roberta Hernandes; Ricardo Gonçalves Barreto. Ensino Fundamental – Anos finais. Projetos integradores 8º e 9º anos. Ed. Ática. São Paulo, 1ª edição, 2018. p. 130-131.

Entendendo a reportagem:

01 – Quais eram os nomes antigos do caminho que ligava o centro da cidade à Zona Sul (Santo Amaro) e que marcou a origem do bairro da Liberdade no século 17?

      O caminho era conhecido como "caminho de Ibirapuera", "caminho de carro para Santo Amaro" ou, segundo outros registros, "estrada nova para Santos".

02 – Qual foi o evento que fez com que o antigo "Largo da Forca" passasse a ser chamado de "Largo da Liberdade"?

      A mudança de nome ocorreu com a abolição da pena de morte no Brasil, já que o local era usado para execuções e, anteriormente, também abrigava o largo do Pelourinho, onde escravos fugitivos eram amarrados.

03 – Quem eram os primeiros imigrantes a habitar o bairro da Liberdade no século 19, antes da chegada dos orientais?

      Na virada do século 19 para o 20, o bairro era uma área residencial habitada por imigrantes portugueses e italianos.

04 – Em que ano chegaram os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil e a partir de quando os traços orientais no bairro da Liberdade ganharam impulso?

      Os primeiros imigrantes japoneses chegaram ao Brasil em 1908. Os traços orientais em prédios e residências ganharam impulso na década de 60.

05 – Qual projeto de infraestrutura e qual evento de reurbanização foram marcos importantes na consolidação da identidade oriental do bairro na década de 1970?

      O marco de infraestrutura foi o processo de expansão da Linha 1 – Azul do Metrô (com a inauguração das estações Liberdade e São Joaquim em 1975). O evento de reurbanização foi a criação do "Bairro Oriental" em 1974, quando ruas e praças foram decoradas com motivos orientais.

 

domingo, 25 de outubro de 2020

TEXTO: INTELIGÊNCIA É FUNDAMENTAL - BIA SANTANA - COM GABARITO

Texto: Inteligência é fundamental

          Você abriria mão da sua inteligência para ser mais bonito? Tem gente que sim, numa boa. Vaidade descontrolada, consumismo, culpa da mídia, que expõe padrões estéticos irreais, ou intolerância?  Pense um pouco – e, para isso, beleza não ajuda.

Bia Santanna

        “Apesar de saber que a inteligência é o que conta no final, certamente trocaria um pouco da minha por beleza. Acho que teria menos conflitos, melhoraria minha autoestima. Na balada, por exemplo, não tem jeito: todo mundo procura gente bonita”, assume Alexandre Ribeiro, de 19 anos, que diz estar sempre de regime e preocupado com a pele e o cabelo.

        Do outro lado do front, o estudante Ivan Petrich, de 17 anos, acredita que “de cara, a beleza ajuda muito mais que o fato de ser inteligente”. E completa: “Já consegui várias coisas na vida por ser ‘mais ajeitadinho’, por pior que isso possa soar. Na noite, por exemplo, sempre pego umas meninas mais bonitas e levo a melhor numa disputa com um cara considerado mais feio”.

        Verdade seja dita: a garota que tem a pele malcuidada ou o cara com vários quilinhos a mais despertam menos interesse numa festa, por exemplo. Mas a obsessão da rapaziada com a beleza e a vaidade descontrolada não estão virando loucura? Não é exagero, pra dizer o mínimo, aceitar de bom grado trocar inteligência por beleza, ainda mais sabendo que a beleza estética é limitada pelo tempo e a inteligência não? E se alguém parasse pra conversar com a garota espinhuda ou com o cara gordinho na festa não poderia se surpreender com outro tipo de beleza – aquela que não se põe na mesa?

        Na versão de 2005 do Dossiê Universo Jovem, uma pesquisa da MTV com brasileiros de 15 a 30 anos para detectar tendências e entender comportamentos, 60% dos 2.359 entrevistados acreditam que pessoas bonitas têm mais oportunidade na vida. Mais que isso: cerca de 350 delas abririam mão de 25% do conhecimento acumulado para serem 25% mais bonitos. Numa interpretação livre dos dados, dá pra dizer, entre aspas mesmo, que “eles preferem ser bonitos e burros a inteligentes e feios”.

        A busca por um visual mais descolado, magro e malhado parece ter mais importância do que ser inteligente, acumular conhecimento, se embrenhar em cursos legais e aprender línguas pelo mundo. Numa espécie de Teoria da Evolução às avessas, vivemos num mundo onde, aparentemente, só os bonitos sobrevivem. E a vaidade estética ganha de lavada da vaidade intelectual, como se ninguém mais pensasse em ler um bom livro, fazer uma faculdade legal ou aprender a tocar um instrumento. O negócio é ser bonito, custe o que custar, e ponto. Há dezenas de reality shows mundo afora que, quanto maior a mudança estética dos candidatos, maior o ibope. Mas não há nenhum em que você possa ficar enfurnado numa casa durante um mês, que seja, alimentando a alma com informação, lendo livros incríveis, tendo palestras com filósofos inspiradores, conversando com poetas e escritores escolhidos a dedo e escutando só sonzeira da boa.

        “Infelizmente, beleza abre muitas portas. Pode ver, todo mundo é pressionado por essa ditadura da magreza, está sempre fazendo mil dietas, se acabando na academia. Eu já fiz plástica pra reduzir os seios. Não tinha problema de coluna nem nada, mas achava que assim ia ficar mais bonita”, conta Regiane Ferreira, de 21 anos, que entrou tranquilamente em uma concorrida universidade pública do interior paulista. “Claro que não queria ficar burra, mas acho que, sei lá, se trocasse um pouco da minha inteligência por um pouco de beleza não ia ter que ficar me matando por um monte de coisas, estudando feito louca. Eu ia ser modelo e pronto!”.

        “A beleza pode ser um caminho mais fácil para você mostrar que é também inteligente. Quando se é bonito todo mundo parece mais interessado nas coisas que você tem a dizer”, afirma o estudante de Engenharia Elétrica Lucas Micheletto Sobral, de 22 anos, que emagreceu 20 Kg e viu tudo a sua volta mudar. “O mundo dá muito mais chances e atenção a quem é magro ou bonito. A forma como os outros me tratam mudou junto com o meu corpo. Até quando vou comprar roupa as vendedouras são mais atenciosas do que eram”.

        Afinal, beleza é mesmo fundamental? Sim, pra muita gente é. No Orkut, por exemplo, existem pelo menos 11 comunidades (com quase 3 mil participantes) que defendem esse mundo “mais belo”. Até aí tudo bem. O problema é a busca pelo padrão de beleza se torna o único projeto de vida de uma pessoa. Porque as loucuras, doenças e obsessões que vêm como efeito colateral não costumam ser nada belas.

        Em 2003, depois de ser recusada na última etapa de uma entrevista de emprego porque “meu perfil de beleza não se encaixava no da empresa”, a paulista Viviane Vicente entrou em depressão. Não teve dúvidas: largou a faculdade e se internou num SPA. “Até então meus 80 Kg não incomodavam, mas depois de ouvir que meus cursos, estudos e até os testes da entrevista não bastavam para conseguir a vaga, fiquei neurótica”, conta. Tão neurótica que ganhou mais 70 Kg e se juntou aos mais de 800 mil pacientes por ano que recorrem à cirurgia plástica no Brasil. “Fiz várias cirurgias, redução da mama, reconstrução de umbigo, dez lipos nas costas, lipoescultura e até redução de estômago. Não pensava em mais nada, parei de sair com meus amigos. Só queria ser magra e bonita”. Depois de quase ficar bulímica, ela acredita que são os próprios jovens que se impõem essa neurose de ser bonito. “A menina vê uma outra mais bonita na praia, e ainda o namorado olha para essa outra também, pronto: já quer ser igual. Só pensa nisso”.

        Hoje, com 60 Kg a menos, Viviane retomou os estudos e botou na cabeça a real: o que importa é estar bem consigo mesmo – essa é uma vaidade positiva, que não tem nada a ver com padrões estabelecidos ou com o que os outros pensam sobre você.

Revista MTV, set. 2005.

         Fonte: Língua Portuguesa. Viva Português. 9° ano. Editora Ática. Elizabeth Campos. Paula Marques Cardoso. Silvia Letícia de Andrade. 2ª edição. 2011. P. 159-62.

Entendendo o texto:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

·        Bulímico: que sofre de bulimia.

·        De bom grado: com satisfação.

·        Dossiê: conjunto de documentos e informações a respeito de uma pessoa, um grupo, uma instituição, etc.

·        Front: campo de batalha.

·        Embrenhar-se: aprofundar-se, estudar com dedicação.

02 – Faça em seu caderno, um quadro colocando as respostas dadas pelos entrevistados, com relação a estas três perguntas:

·        Beleza ou inteligência?

·        Que reocupações tem ou teve para ficar mais bonito(a)?

·        Qual a vantagem de ser bonito(a)?

a)   Alexandre Ribeiro, 19 anos.

Beleza; Está sempre de regime e preocupa-se com a pele e com o cabelo; Quem é bonito tem menos conflitos, melhora a autoestima e se dá bem nas baladas.

b)   Ivan Petrich, 17 anos.

Beleza; O texto não apresenta nenhuma; A beleza facilita as coisas muito mais do que a inteligência.

c)   Regiane Ferreira, 21 anos.

Beleza; Fez plástica para reduzir os seios; Se fosse bonita seria modelo e não precisaria se esforçar por mais nada.

d)   Lucas Micheletto Sobral, 22 anos.

Beleza; Emagreceu 20 Kg; As pessoas ficam mais interessadas no que as pessoas bonitas têm a dizer.

e)   Viviane Vicente.

Beleza; Redução da mama, reconstrução do umbigo, dez lipos nas costas, lipoescultura e redução de estômago; Atende-se ao padrão autoimposto pelos jovens.

03 – Nas situações abordadas pela reportagem, a preocupação dos jovens entrevistados é com a satisfação pessoal ou com a opinião dos outros? Justifique sua resposta.

      Com exceção de Viviane, que aprendeu que o que importa é estar bem consigo mesma, os demais pensam na beleza como forma de conquistar as demais pessoas, seja essa conquista profissional ou afetiva.

04 – De 1 a 5, que grau de importância você atribui a beleza?

1 = nenhuma; 2 = alguma; 3 = moderada; 4 = grande; 5 = excessiva.

      Resposta pessoal do aluno.

05 – Ao longo da reportagem, verificamos que a autora apresenta um contraponto a cada depoimento, a fim de questionar algumas ideias comuns entre os jovens. Indique no caderno os trechos em que ela rebate cada um dos depoimentos transcritos a seguir:

        Depoimento 1: “Claro que não queria ficar burra, mas acho que, sei lá, se trocasse um pouco da minha inteligência por um pouco de beleza não ia ter que ficar me matando por um monte de coisas [...]” (Regiane Ferreira).

a)   Opinião da autora.

“Não é exagero, pra dizer o mínimo, aceitar de bom grado trocar inteligência por beleza, ainda mais sabendo que a beleza estética é limitada pelo tempo e a inteligência não?”.

b)   O que pensa o grupo? É um “bom negócio” trocar inteligência por beleza?

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: O mais importante é que os alunos relacionem os dados e formem uma opinião sobre o assunto, ainda que limitada a princípio.

        Depoimento 2: “Pode ver, todo mundo é pressionado por essa ditadura da magreza, está sempre fazendo mil dietas, se acabando na academia”. (Regiane Ferreira).

a)   Opinião da autora.

“A busca por um visual mais decolado, magro e malhado parece ter mais importância do que ser inteligente, acumular conhecimento, se embrenhar em cursos legais e aprender línguas pelo mundo.”

b)   O que pensa o grupo? A busca por um visual bonito é mais importante que a busca pelo conhecimento, pelo desenvolvimento da inteligência?

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: É possível aliar beleza e conhecimento/inteligência. O problema é quando a beleza passa a tomar todos os espaços da vida da pessoa.

        Depoimento 3: “Fiz várias cirurgias, redução de mama, reconstrução de umbigo, dez lipos nas costas, lipoescultura e até redução de estômago. Não pensava em mais nada, parei de sair com meus amigos. Só queria ser magra e bonita”. (Viviane Vicente).

a)   Opinião da autora.

“O problema é a busca pelo padrão de beleza se tornar o único projeto de vida de uma pessoa. Porque as loucuras, doenças e obsessões que vêm como efeito colateral não costumam ser nada belas.”

b)   O que pensa o grupo? Vale tudo para ser mais bonito?

Resposta pessoal do aluno.

06 – No quarto parágrafo são apresentadas informações que reforçam as constatações dos três parágrafos anteriores. Em que se baseiam as informações do quarto parágrafo?

      Na versão 2005 do Dossiê Universo Jovem, uma pesquisa da MTV feita com brasileiros de 15 a 30 anos.

07 – De acordo com os dados do Dossiê Universo Jovem, mais de 50% dos jovens abriria mão de 25% da inteligência para ser 25% mais bonito?

      Não. Segundo o Dossiê, 350 dos 2.359 entrevistados fariam isso, ou seja, cerca de 15%.

08 – Copie no caderno a(s) alternativa(s) correta(s): A reportagem “Inteligência é fundamental” apresenta os seguintes elementos:

·        As causas da valorização da beleza.

·        Um histórico sobre o assunto.

·        Depoimentos de pessoas que nunca se preocuparam com o padrão de beleza vigente e nunca foram infelizes por isso.

·        Depoimentos de pessoas que jamais trocariam a inteligência pela beleza.

·        Provas de que as consequências da busca desenfreada pelo padrão de beleza não são nada agradáveis.

      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Nenhuma das alternativas estão corretas.

09 – Com base na sua resposta ao exercício anterior, copie no caderno a afirmativa correta.

a)   O texto trata o tema de forma aprofundada, mostram-se resultados de uma rigorosa pesquisa sobre o assunto, confronto de ideias, depoimentos de especialistas.

b)   O texto trata o tema de forma superficial, restringindo-se a apresentar depoimentos com praticamente o mesmo ponto de vista.

 

sábado, 13 de agosto de 2022

NOTÍCIA: CÃES VÃO TOMAR UMA "GELADA" COM CERVEJA PET - FOLHA DE S.PAULO - COM GABARITO

 Notícia: Cães vão tomar uma “gelada” com cerveja pet  


  Produto feito especialmente para cachorros chega ao mercado nacional em agosto

        Nada é melhor que uma cervejinha depois de um dia de cão.

        Agora eles, os cães, também vão poder fazer jus a essa máxima. No mês de agosto chega ao mercado a Dog Beer, cerveja criada especialmente para os amigos de quatro patas. “Quem tem bicho de estimação gosta de dividir o prazer até na hora de comer e beber”, aposta o empresário M. M., 47, dono da marca.

        Para comemorar a final da Libertadores, a executiva A. P. C., 40, corintiana roxa, quis inserir Manolito, seu labrador, na festa.

        “Ele tomou tudo. A cerveja é docinha, com fundinho de carne”, descreve.

        Uniformizado, Manolito não só bebeu a gelada durante o jogo contra o Boca Juniors como latiu sem parar até o fim da partida.

        Desenvolvida pelo centro de tecnologia e formação de cervejeiros do Senai, no Rio de Janeiro, a bebida canina é feita à base de malte e extrato de carne; não tem álcool, lúpulo, nem gás carbônico.

        O dono da empresa promete uma linha completa de “petiscos líquidos”, que inclui suco, vinho e champanhe.

        A lista de produtos humanos em versões animais não para de crescer.

        Já existem molhos, tempero para ração e até patê.

        O sorvete Ice Pet é uma boa opção para o verão. A sobremesa tem menos lactose, não tem gorduras nem açúcar.

Adaptado de Ricardo Bunduky, Folha de S.Paulo, São Paulo, 22 jul. 2012, Cotidiano, p. 3.

        Vergonha Nacional

        As décadas de descumprimento da lei [...] contribuíram para que os adultos se habituas sem a ver o consumo de bebidas entre adolescentes como “mal menor”, comparado aos perigos do mundo. [...] Um estudo publicado pela revista Drugs and Alcohol Dependence ouviu 15000 jovens nas 27 capitais brasileiras. O cenário que emerge do estudo é alarmante. Ao longo de um ano, um em cada três jovens brasileiros de 14 a 17 anos se embebedou ao menos uma vez. Em 54% dos casos mais recentes, isso ocorreu na sua casa ou na de amigos ou parentes. Os números confirmam também a leniência com que os adultos encaram a transgressão. Em 17% dos episódios, os menores estavam acompanhados dos próprios pais ou de tios.

        Resultados da pesquisa realizada com 15 000 jovens de 14 a 17 anos nas 27 capitais brasileiras:

1     Quantas vezes se embebedou:

Nenhuma vez .................................................. 12%.

Uma vez na vida .............................................. 35%.

Ao menos uma vez no último ano .................... 32%.

Ao menos uma vez no último mês ................... 21%.

2     Onde ficou embriagado: (na última vez em que bebeu).

Bar .................................................................... 35%.

Casa de amigos ............................................... 30%.

Casa de parentes ............................................. 13%.

Própria casa ..................................................... 11%.

Festas ou praia ................................................ 11%.

3     – Com quem bebeu: (na última vez em que bebeu).

Amigos ............................................................. 50%.

Irmãos e primos ............................................... 26%.

Pais e tios ........................................................ 17%.

Namorado(a) ................................................... 5%.

Sozinho ........................................................... 2%.

Adaptado de Revista Veja, São Paulo, n° 28, 11 jul. 2012, p. 81-82.

        Agora, leia a carta de leitor produzida por um candidato a partir da proposta anterior.

        Prezados redatores,

        Acompanho diariamente este jornal – e não o leio, apenas; mas também me questiono sobre o conteúdo que é nele reproduzido. Dessa forma, ao renegar a posição de leitor passivo, me vejo na função de expressar meu descontentamento perante a matéria veiculada no caderno “Cotidiano” do último dia 22 de julho, que tinha por objetivo informar sobre uma nova linha de cerveja para cães. Abarcada pela explosão de produtos de consumo humano que ganharam versões para animais domésticos, a reportagem exalta a bebida para os cães, como se ela levasse a outro nível o companheirismo do animal, que agora acompanha o dono até na “cervejinha” de cada dia. Inclusive, o texto ilustra esta ideia por meio do caso de um cachorro que foi inserido pelos donos, com sua cerveja especial, na festa de comemoração por um time de futebol.

        Me incomoda, assim, que não surja na matéria nenhum questionamento sobre consequências mais sérias desta banalização do consumo de álcool em nossa sociedade (mesmo que a bebida dos cães não possua teor etílico, a referência é clara), principalmente entre aqueles que possuem menos maturidade para avaliar suas atitudes: os adolescentes. Dados de um estudo publicado no periódico “Drugs and Alcohol Dependence” mostram que 88% dos jovens brasileiros de 14 a 17 anos entrevistados na pesquisa já se embebedaram ao menos uma vez na vida, sendo um terço deles num período recente de um ano. A pesquisa também revela que, muitas vezes, o contato com a bebida se associa ao ambiente familiar, já que quase 25% daqueles que afirmaram ter se embebedado estavam em casa própria ou de parentes quando o fizeram pela última vez. Além disso, 17% foram acompanhados por pais ou tios, o que denuncia a naturalidade com que tal atitude é encarada por seus responsáveis. Então, se agora até o cão está apto a compartilhar da bebida, como fazer com que os jovens não se sintam ainda mais estimulados a abusar do consumo de álcool?

        Não pretendo me colocar por meio desta como um moralista ou defensor do que alguns chamariam de “bons costumes”, mas me indigna o fato de que este jornal não tenha proposto um debate relevante sobre o assunto, e simplesmente transcreva um fato que contribui na institucionalização velada do abuso de álcool por parte dos jovens.

O.D.M.

                Fonte: Livro Língua Portuguesa – Trilhas e Tramas – Volume 1 – Leya – São Paulo – 2ª edição – 2016. p. 331-4.

Entendendo a notícia:

01 – A carta que você leu pode ser dividida em cinco partes. No caderno, indique os trechos que correspondem:

a)   Ao cumprimento formal.

“Prezados redatores,”.

b)   Á introdução.

De “Acompanho diariamente este jornal” até “por um time de futebol”.

c)   Ao desenvolvimento.

De “Me incomoda” até “abusar do consumo de álcool”.

d)   Ao fecho.

De “Não pretendo me colocar” até “por parte dos jovens”.

e)   Ás iniciais do remetente.

O. D. M.

02 – A quem é dirigida a carta? Por quê?

        Aos redatores do jornal, porque são considerados pelo remetente os responsáveis pela decisão de publicar a notícia.

03 – Releia este trecho da introdução da carta:

        “Acompanho diariamente este jornal – e não o leio, apenas; mas também me questiono sobre o conteúdo que é nele reproduzido. Dessa forma, ao renegar a posição de leitor passivo, me vejo na função de expressar meu descontentamento perante a matéria veiculada no caderno ‘Cotidiano’ do último dia 22 de julho.”

        Qual é o objetivo desse trecho e que argumento ele apresenta?

      Por meio desse trecho, o autor da carta se identifica de forma positiva, como leitor assíduo, questionador e crítico do jornal. Ele afirma que acompanha o debate a respeito do alcoolismo na adolescência e, dessa forma, argumenta que tem legitimidade para criticar o veículo de comunicação e fazer cobranças.

04 – A carta de leitor é um texto em que o remetente expõe seu ponto de vista e apresenta argumentos, pois busca a adesão de outros leitores ao seu posicionamento.

a)   Qual é o posicionamento expresso nessa carta? Explique.

O leitor posiciona-se criticamente em relação à notícia apresentada na proposta e expressão “descontentamento” porque a matéria não faz alusão ao aumento do consumo de álcool por adolescentes.

b)   Que argumentos o leitor utiliza para defender esse posicionamento?

Ele defende que esse tipo de notícia, ainda que se refira a uma cerveja sem álcool para cães, pode contribuir para a banalização, naturalização e “institucionalização” do consumo de bebida alcoólica; considera negativo associar consumo de cerveja a prazer, a companheirismo entre cão e dono; considera que a matéria jornalística faz propaganda subliminar, velada do consumo de álcool; reforça sua argumentação com dados objetivos e confiáveis de um estudo publicado no periódico “Drugs and Alcohol Dependence” apresentados na proposta.

c)   Explique o efeito argumentativo do emprego dos verbos destacados nos trechos a seguir:

·        Me incomoda, assim, que não surja na matéria nenhum questionamento sobre consequências mais sérias desta banalização do consumo de álcool em nossa sociedade, especialmente entre os adolescentes que podem ser estimulados pela reportagem a consumir álcool.

·        [...] mas me indigna o fato de que este jornal não tenha proposto um debate relevante sobre o assunto, e simplesmente transcreva um fato que contribui na institucionalização velada do abuso de álcool por parte dos jovens.

      Reiterar o descontentamento expresso na introdução da carta e manter a coesão, com o emprego de verbos do mesmo campo semântico.

05 – Releia este trecho e explique seu objetivo:

        “Não pretendo me colocar por meio desta como um moralista ou defensor do que alguns chamariam de ‘bons costumes’ [...].”.

      O leitor busca preservar sua imagem e se defender do possível rótulo de moralismo.

06 – Considerando o contexto, explique o uso de aspas em:

a)   “Cervejinha”.

Ironizar o emprego do diminutivo para se referir à bebida, de maneira afetiva.

b)   “Bons costumes”.

Ironizar a expressão entre aspas.

c)   “Cotidiano”.

Indicar o nome do caderno do jornal.

07 – Leia:

        Me incomoda, assim, que não surja na matéria nenhum questionamento sobre consequências mais sérias desta banalização do consumo de álcool em nossa sociedade (mesmo que a bebida dos cães não possua teor etílico, a referência é clara).”

        De acordo com as regras da gramática normativa, não se inicia frase com pronome oblíquo. Como se explica esse uso no trecho anterior?

      O leitor empregou o pronome oblíquo no início da frase seguindo uma tendência do português falado do Brasil.