sexta-feira, 22 de maio de 2026

CONTO: A LEBRE ENCANTADA - THEOBALDO MIRANDA SANTOS - COM GABARITO

 Conto: A lebre encantada

 

        HÁ muito tempo existia um rei que só se alimentava de animais de caça. Por isso, todos os dias, seu único filho ia caçar na floresta próxima, a fim de que não faltasse o alimento preferido do seu pai. Certa vez, numa de suas excursões pela mata, o príncipe encontrou uma bonita lebre, toda branquinha. Correu atrás dela para apanhá-la, mas não conseguiu. A bichinha era veloz como uma flecha.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiDomjrvLv9W4De-fa6Bpau8Kq8Crvv5DPVltfz6vdz04rLaU6ZamzNxcoogEjGd4kezmWiSvT-Mn2dc76hyphenhyphenfZEhB71cN0Ls6gqrnZmGF4tt4qRgjCRNrjWyGLj6aF_1OQgDui3u7HPoXuPHiKDSpe0sfk_Hl0DhW2-8xTMjagWDxaVP5AxG9FoYCz03SA/s1600/LEBRE.jpg


        Depois de muito correr pela floresta, o príncipe viu a lebre parar e bater com o focinho no chão. Imediatamente, a terra se abriu, e a lebre penetrou no interior do solo. O príncipe, de um salto, entrou também na abertura e, depois de andar, durante muitas horas, por um túnel escuro, deparou com um campo cheio de flores perfumosas, no meio do qual se erguia o mais belo palácio que havia visto em sua vida. Penetrando no palácio, viu uma linda princesa que o recebeu gentilmente.
        Passou então a residir no palácio, em companhia da formosa princesa, pela qual se apaixonou loucamente. Aí levava uma vida tão alegre e divertida que se esqueceu, completamente, de seu pai e do seu reino. Passado muito tempo, ao lavar as mãos, o príncipe tirou do dedo um anel que seu pai lhe tinha oferecido. Lembrou-se, então, de sua família e do seu povo. Resolveu ir vê-los. A princesa tudo fez para que ele desistisse da ideia. Mas o príncipe disse-lhe que seria uma ingratidão de sua parte, se não fosse visitar os seus. Prometeu, porém, à formosa princesa que, em breve, estaria de volta. Diante disso, a moça conduziu-o até o lugar por onde ele havia entrado e, batendo com uma vara mágica na terra, fez com que a mesma se abrisse para o príncipe passar.

        Chegando ao seu reino, encontrou o palácio vazio e coberto de luto. Soube, então, com grande tristeza, que seus pais haviam morrido de desgosto, em virtude do seu desaparecimento. O príncipe ficou tão amargurado e cheio de remorsos, que resolveu não voltar mais ao palácio da linda princesa. Vestiu, então, uma humilde roupa de sapateiro e saiu pela estrada, sem destino.

        Depois de caminhar durante vários dias, encontrou uma cidade, na qual se realizava uma grande festa. Indagando o motivo dos festejos, teve a notícia de que reinava grande alegria na cidade pelo fato de nela se encontrar a princesa mais bonita do mundo. O príncipe pediu então que lhe mostrassem a princesa e, quando a viu, declarou que conhecia uma princesa muito mais formosa.

        Alguém ouviu a declaração do rapaz e foi correndo dizer ao rei que havia na cidade um sapateiro que afirmara ter visto uma princesa muito mais bela do que a sua filha. O rei ficou indignado com tamanha ousadia. Mandou chamar o sapateiro e o intimou, sob pena de morte, a trazer à sua presença a moça que ele dizia ser mais bonita do que sua filha. O sapateiro pediu quinze dias de prazo e partiu à procura da sua princesa.

      Depois de longa viagem, chegou ao lugar por onde a lebre tinha entrado no interior da terra. Começou então a cavar e, depois de trabalhar dia e noite, conseguiu abrir um túnel até o palácio da princesa. Mas aí chegando, encontrou tudo silencioso e triste. Bateu à porta do palácio, e apareceu uma criada que lhe disse:

        — Meu senhor, a princesa está muito doente por sua causa. Depois da sua partida, ela não mais se alimentou. Ficou tão triste e abatida, que nem pôde mais defender-se dos seus inimigos. Por isso, hoje vai acontecer uma coisa horrível. A meia-noite, o mar vai crescer e inundar todo o palácio. Virá, então, um peixe enorme, que é um feiticeiro disfarçado, que devorará a princesa.

        O rapaz quis falar com a princesa. Mas a criada o aconselhou a não fazer isso, senão a sua senhora morreria mais depressa. Nesse momento, o mar começou a inundar o palácio. O príncipe, que não tinha medo, armou-se com uma grande espada e escondeu-se atrás da porta. Quando chegou à meia-noite, surgiu um peixe gigantesco. Antes que este pudesse defender-se, o príncipe enfiou-lhe a espada no corpo três vezes. O monstro soltou um berro tremendo e morreu. As águas do mar então se afastaram e a princesa ficou salva.

        O moço apresentou-se à princesa, e esta o abraçou contente e feliz. Disse-lhe o rapaz: — Minha princesa, salvei-lhe a vida. Agora preciso que você salve a minha. Contou-lhe, então, a promessa que havia feito ao rei, sob pena de morte. A princesa, porém, o aconselhou a voltar para o lugar onde devia cumprir a promessa e esperá-la lá, descansado.

        O príncipe chegou no lugar, exatamente no dia que havia marcado. Os soldados do rei lá estavam, armados, à sua espera. O povo se havia reunido para assistir à execução do rapaz. Este tomou o caminho do palácio e pediu ao rei que aguardasse alguns momentos, pois iria cumprir a promessa.

        Daí a pouco, surgiu no céu uma nuvem prateada. Veio descendo, descendo e, quando chegou diante do palácio e no meio do povo, dela saiu uma criada vestida de prata, que gritou: — Afaste-se, minha gente, que aí vem a minha princesa! O povo ficou boquiaberto com a cena. Mas o príncipe pediu ao rei que esperasse ainda alguns instantes. Poucos minutos depois, apareceu outra nuvem dourada, de onde saiu uma criada vestida de ouro, gritando: Afaste-se, minha gente, que aí vem minha princesa! O espanto foi geral. O príncipe pediu ao rei que esperasse ainda alguns momentos. Finalmente, surgiu uma nuvem tão brilhante que ofuscava os olhos de todos. Veio descendo, descendo, até o meio do povo. Dela saiu, então, a mais linda princesa do mundo, toda vestida de diamantes. Era a noiva do sapateiro.

        O povo ficou maravilhado. O rei e a princesa, quando viram aquela beleza incomparável, ficaram envergonhados e pediram muitas desculpas ao rapaz. Convidaram este e sua formosa noiva para se hospedarem no palácio. Mas os dois não aceitaram. Preferiram voltar para o seu reino, onde viveram alegres e felizes.

 

Fonte: Contos Maravilhosos – Theobaldo Miranda Santos, Cia Ed. Nacional.

Entendendo o conto:

01 – Como o príncipe descobriu o palácio subterrâneo da formosa princesa?

      O príncipe estava caçando uma lebre branca muito veloz. Ele a seguiu até vê-la parar, bater o focinho no chão e entrar em uma abertura que se formou na terra. O príncipe saltou na mesma abertura e, após caminhar por um túnel escuro, encontrou um campo de flores onde ficava o belo palácio.

02 – O que fez o príncipe se lembrar de sua família e de seu reino depois de passar muito tempo no palácio?

      O príncipe esqueceu-se de tudo devido à vida alegre que levava, mas, certo dia, ao lavar as mãos, ele tirou do dedo um anel que havia recebido de presente de seu pai. Esse objeto o fez recordar de sua família e de seu povo, motivando-o a visitá-los.

03 – Que triste descoberta o príncipe fez ao retornar ao seu reino e qual decisão tomou por causa disso?

      Ao chegar, ele encontrou o palácio vazio e coberto de luto, descobrindo que seus pais haviam morrido de desgosto pelo seu sumiço. Amargurado e cheio de remorsos, ele decidiu não voltar ao palácio da princesa, vestiu roupas humildes de sapateiro e saiu sem destino pelas estradas.

04 – Por que o rei da cidade festiva ficou indignado com o jovem sapateiro e o que ordenou sob pena de morte?

      O rei ficou indignado porque o jovem, ao ver a filha do monarca (considerada a mais bonita do mundo), afirmou convictamente que conhecia uma princesa muito mais formosa. O rei considerou isso uma grande ousadia e o intimou, sob pena de morte, a trazer essa moça à sua presença em um prazo de quinze dias.

05 – Que perigo terrível a princesa estava correndo quando o jovem conseguiu retornar ao palácio subterrâneo?

      A princesa estava muito doente e fraca devido à partida do rapaz. Uma criada explicou que, à meia-noite daquele dia, o mar inundaria o palácio e um peixe enorme — que na verdade era um feiticeiro disfarçado — surgiria para devorá-la.

06 – Como o rapaz conseguiu salvar a vida da princesa e afastar as águas do mar?

      Sem medo, o rapaz armou-se com uma grande espada e escondeu-se atrás da porta. Quando o peixe gigantesco surgiu à meia-noite, o príncipe o atacou de surpresa, enfiando-lhe a espada no corpo três vezes. Com a morte do monstro, as águas do mar recuaram e a princesa foi salva.

07 – Como foi a chegada da princesa para salvar o rapaz no dia da execução e qual foi o desfecho da história?

      A chegada aconteceu de forma mágica através de três nuvens: primeiro desceu uma nuvem prateada com uma criada vestida de prata; depois uma nuvem dourada com uma criada vestida de ouro; e, finalmente, uma nuvem brilhante de onde saiu a princesa vestida de diamantes. Diante de tamanha beleza, o rei pediu desculpas ao rapaz, e o jovem casal decidiu retornar ao seu próprio reino para viver feliz.

 

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