sexta-feira, 15 de maio de 2026

CRÔNICA: ONDE TUDO TEM SENTIDO - FRAGMENTO - BENEDITO PREZIA E EDUARDO HOOMAERT - COM GABARITO

 Crônica: Onde tudo tem sentido – Fragmento

         Benedito Prezia e Eduardo Hoornaert

        Cada sociedade tem suas normas, cada povo tem seus costumes. Assim, entre nós, de maneira geral os homens têm cabelos curtos e as mulheres, cabelos compridos. No dia do casamento, a mulher usa vestido branco e no dia do seu aniversário a pessoa ganha presente.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhn7Mba0EY3l8-YUpOS77nYFDB13E2lw7An7IEgiWIztDl_wa0hsq1TDUBVRlBfwOnfXS43qq6vyabfcYR1kb-qgrQa5FijbJ8Z_t46fzaNE-e7_Ofl0dUvC-9UcAhZ59Z9W1KnOCs9peAG5wbX0rWqnSnxx17iSBRVVM_k83m2iRDZRjndk6xss03ryRE/s1600/CULTURA.jpg


        Os povos indígenas têm também suas regras e suas tradições. Muitas delas possuem um sentido religioso, pois o espiritual está muito presente em sua vida. Assim, existem os ritos, isto é, as normas religiosas que acompanham as várias fases da vida, como a gestação, o nascimento das crianças, sua passagem para a vida adulta, o casamento e a morte. Outros ritos estão ligados à plantação e à colheita dos alimentos. Outros ainda estão ligados à caça e à guerra.

        [...]

        Ritos do nascimento

        Entre os Tupinambá, quando nascia uma criança era uma festa! Se fosse menino, o pai cortava seu cordão umbilical com os dentes. Se fosse menina, era a mãe quem o fazia. Levavam a criança ao rio para ser banhada, quando o pai achatava o nariz do guri com o polegar. Nariz chato era sinal de beleza entre eles.

        Depois voltavam a casa, onde a criança era colocada numa rede. O menino logo recebia um arco-e-flecha, tendo sua rede enfeitada com unhas de gavião ou garras de onça, para ser um valente guerreiro. No caso de ser menina, recebia uma cabaça, as jarreteiras para as pernas – que eram braceletes de algodão que iriam deixar as pernas fortes – e dentes de capivara, para crescer com bons dentes para bem mastigar a mandioca na preparação do cauim – uma bebida fermentada, à base de mandioca ou de milho.

        Durante três dias o pai só podia comer uma espécie de farinha, sendo-lhe proibido qualquer outro alimento. Não fazia nenhum trabalho, até o umbigo da criança cair, pois senão ela e a mãe iam ter cólicas. Caindo o umbigo, este era cortado em pedacinhos, que ficavam dependurados nas vigas da casa a fim de que o menino se tornasse um bom chefe de família.

        Ao final de todos estes procedimentos, a comunidade realizava uma grande festa com cauinagem, isto é, com muita bebida de cauim. Neste dia era escolhido o nome da criança.

        Ritos para se tornar adulto

        Entre os povos indígenas em geral, a pessoa começa a participar muito cedo da vida adulta da comunidade. A mulher se torna mãe aos 13 ou 14 anos e o homem, com 15 ou 16, já pode estar assumindo uma família. Mas isto não acontece sem uma preparação devida.

        Entre os Apinajé, nação que vive ao norte de Goiás [...], a passagem do menino à vida de adulto acontece aos 15 anos. O ritual para essa transposição tem duas etapas.

        A primeira começa com uma festa em que os adolescentes recebem o nome de pembkaag, que quer dizer semelhantes a guerreiros. Durante vários meses, embora continuem dormindo na casa dos pais, vão ter uma vida separada: ficam num acampamento à parte, tomam banho em outro local, reúnem-se num lugar separado no pátio quando chegam para as danças, e passam por um caminho diferente quando vão buscar comida na casa dos pais.

        Todos os dias recebem orientação de duas pessoas experientes, que acompanham o grupo e que poderíamos chamar de padrinhos. Nesse período, os jovens furam as orelhas e os lábios. Passando o tempo previsto, há uma nova festa, quando são acolhidos na comunidade já como pemb, isto é, como guerreiros.

        Começa então outra fase mais dura, sendo obrigados a ficar trancados num quarto, especialmente construído para eles, pois não devem ser vistos. Quando saem, vão para fora da aldeia juntamente com os padrinhos, que sempre os orientam sobre a vida de casado, sobre as tradições do grupo, as caçadas, as festas e as cerimônias.

        Terminado esse período, já não são mais crianças. São adultos e começam a ser tratados como tal. Podem casar e assumir família. nova festa acontece para marcar este grande passo de suas vidas.

Benedito Prezia e Eduardo Hoornaert. Esta terra tinha dono. São Paulo, FTD, 1995.

Fonte: Língua portuguesa. Entre Palavras, edição renovada. Mauro Ferreira – 6ª série – FTD. São Paulo – 1ª edição. 2002. p. 104-106.

Entendendo a crônica:

01 – Como o texto define o conceito de "ritos" dentro das comunidades indígenas?

      O texto define ritos como normas religiosas que acompanham as várias fases da vida (gestação, nascimento, passagem para a vida adulta, casamento e morte), além de estarem ligados a atividades essenciais como a plantação, a colheita, a caça e a guerra.

02 – No rito de nascimento dos Tupinambá, qual era o procedimento simbólico realizado para meninos e meninas logo após o banho no rio?

      O pai achatava o nariz do recém-nascido com o polegar. Esse ato tinha um sentido estético e cultural, pois o nariz chato era considerado um sinal de beleza entre aquele povo.

03 – Quais objetos eram colocados na rede dos bebês e qual era o significado por trás de cada um deles?

      Meninos: Recebiam arco-e-flecha e a rede era enfeitada com unhas de gavião ou onça para que se tornassem valentes guerreiros.

      Meninas: Recebiam uma cabaça, jarreteiras de algodão (para fortalecer as pernas) e dentes de capivara, para que tivessem bons dentes para mastigar a mandioca na preparação do cauim.

04 – Quais eram as restrições e responsabilidades do pai Tupinambá até que o umbigo da criança caísse?

      O pai não podia realizar nenhum trabalho e sua alimentação era restrita apenas a uma espécie de farinha. O descumprimento dessas regras, segundo a tradição, faria com que a mãe e a criança tivessem cólicas.

05 – De que forma o nascimento de uma criança era celebrado pela comunidade após o cumprimento de todos os ritos iniciais?

      A comunidade realizava uma grande festa com "cauinagem" (muita bebida de cauim), e era nesse dia festivo que se escolhia o nome da criança.

06 – Como funciona a primeira etapa da passagem para a vida adulta entre os meninos Apinajé?

      Aos 15 anos, eles recebem o nome de pembkaag (semelhantes a guerreiros). Durante meses, eles vivem de forma separada da comunidade: têm acampamento próprio, banham-se em locais distintos e utilizam caminhos diferentes para buscar comida, sempre sob a orientação de dois "padrinhos" experientes.

07 – O que caracteriza a segunda fase do ritual de transposição para a vida adulta dos Apinajé?

      É uma fase considerada mais dura, na qual os jovens ficam trancados em um quarto especial para não serem vistos. Sob orientação dos padrinhos, eles aprendem sobre as tradições do grupo, a vida de casado, caçadas e cerimônias. Ao fim desse isolamento, são tratados como adultos e podem se casar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário