sexta-feira, 15 de maio de 2026

REPORTAGEM: "NÃO ESCREVEMOS PARA PESSOAS, ESCREVEMOS COM ELAS", DIZ SÉRGIO VAZ SOBRE COOPERIFA - FRAGMENTO - COM GABARITO

 Reportagem: Não escrevemos para pessoas, escrevemos com elas’, diz Sérgio Vaz sobre Cooperifa – Fragmento

Por: Gisele Alexandre – Publicado em 10.11.2018 | 9:54 | Alterado em 13.11.2018 | 14:23

        Em 2007, os poetas Sérgio Vaz, 54, e Marco Pezão, 67, atuantes nas periferias da zona sul de São Paulo queriam fazer algo diferente para ampliar a divulgação de artistas do bairro e descentralizar o acesso à cultura: criar uma Semana de Arte Moderna da Periferia.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgXiIInjUHGH2nrgix_UMsuXEXGLF-QGvreBhEPSuuS_BeGFGa9CG80uKg-jrI9xh9GFcIXUQJZ5L8hWfs-3t0LuXnsaeLdGyMYA5Fh6idXvr0ny44kmb9dq3edSENlsaZc9gJ4TIJ5Q4DZyI30WTJ_-k5ipmzhlj1Fx-A6QK7Ef1H5ZM5xv9tz3HQ6Soo/s320/COOPERIFA.jpg

        A referência era o movimento realizado na década 1920 e que marca a história de São Paulo pelo chamado modernismo brasileiro. Foi assim que nasceu a Mostra Cultural da Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia). “Criamos a mostra com objetivo de revelar os nossos artistas juntando com artistas do centro, sempre com a ideia de agregar e construir pontes”, conta Sérgio Vaz.

        [...]

        Os organizadores contam que as atividades artísticas planejadas para a Mostra Cultural estão sempre comprometidas com a cidadania, já que a cultura é abordada como direito humano fundamental. Os temas refletem dificuldades diárias vividas por quem mora nas periferias. “A mostra é de nós pra nós, essa é a diferença. Nela conseguimos mostrar pros nossos artistas, pras nossas crianças, pros nossos professores, pras nossas comunidades – são várias –, que nós somos possíveis”, diz Rose Dorea, 45, uma das organizadoras da Mostra e musa da Cooperifa. “O dia que a periferia descobrir a força que tem, ela muda o país”, completa.

        [...]

        O sarau antecede a mostra. A estreia foi em 2001 em um bar no Taboão da Serra, na Grande São Paulo, e nasceu do desejo de ter um espaço para troca de experiências, esperanças e perspectivas usando como instrumento a arte e, principalmente, a poesia.

        Em 2003, o evento mudou para São Paulo, no distrito do Jardim São Luís, onde até hoje todas as terças-feiras reúne cerca de 400 adultos e crianças para saborear poesia. “A Cooperifa é consciência e atitude. É uma emoção única ver crianças declamando. Acredito que nós estamos criando nosso futuro, uma nova sociedade”, conta Rose. “A Cooperifa é minha vida, meu porto seguro, onde eu posso dizer o que eu penso e posso respirar”, finaliza Rose.

        No último dia 6 de novembro, os organizadores da Cooperifa prepararam uma edição especial para comemorar os 17 anos de existência. Ou resistência, como gostam de dizer. O Bar do Zé Batidão estava cheio, eram mais de 60 poetas e poetisas inscritos para declamar.

        Um dos participantes era Joh Contenção, 31. Poeta, compositor e rapper, ele mora no Jardim Letícia, também no distrito do Jardim São Luís, na zona sul de São Paulo. “Frequento a Cooperifa há dois anos e meio e pra mim ela serve como um refúgio da opressão diária”, afirma. “Posso dizer que nesses últimos tempos a Cooperifa tem sido uma mãe e um pai pra mim, porque aqui me sinto acolhido e quando eu saio estou renovado”, ressalta Joh.

        Além dos organizadores já conhecidos no sarau, cada semana serve para ver uma renovação e encontrar novos admiradores do espaço. Alguns vêm de longe. [...]. “A Cooperifa é um lugar onde todo mundo aprende e ninguém ensina”, ressalta Sérgio Vaz. Além da Mostra Cultural e do Sarau, Sérgio Vaz e a Cooperifa também são produtores de outros eventos na periferia da zona sul.

        O Cinema na Laje promove exibições gratuitas de documentários e filmes alternativos para a comunidade; o Festival Várzea Poética, que oferece camisas para times de futebol de várzea que se comprometem a participar do Sarau; o Poesia no Ar, que espalha poesias pela cidade de São Paulo dentro de bexigas voadoras no mês de abril; o Chuva de Livros, que faz distribuição gratuita de centenas de livros; e o Ajoelhaço que no dia 8 de março (Dia Internacional das Mulheres) convida homens a se ajoelharem para pedir perdão às mulheres por séculos de machismo.

        “Acho que a nossa cara é estar junto com a comunidade, não importa onde ela esteja. Se está na favela, na escola ou no campo de várzea. Nós não escrevemos para as pessoas, escrevemos com as pessoas. Então acho que é isso que a gente está aprendendo: falar com e não para”, finaliza Sérgio Vaz.

ALEXANDRE, Gisele. ‘Não escrevemos para pessoas, escrevemos com elas’, diz Sérgio Vaz sobre Cooperifa. Mural, 10 nov. 2018. Disponível em: https://www.agenciamural.org.br/nao-escrevemos-para-pessoas-escrevemos-com-elas-diz-Sérgio-Vaz-sobre-cooperifa. Acesso em: 2 mar. 2021.

Fonte: linguagens. EJA. Ensino médio. Caderno 3 – 1ª edição. SEDUC – FGV – SESI – p. 41.

Entendendo a reportagem:

01 – Quem são os fundadores da Cooperifa e qual era o objetivo inicial ao criar a Mostra Cultural?

      Os fundadores são os poetas Sérgio Vaz e Marco Pezão. O objetivo era ampliar a divulgação de artistas do bairro, descentralizar o acesso à cultura e criar uma "Semana de Arte Moderna da Periferia", unindo artistas locais aos do centro para construir pontes.

02 – Qual é a principal referência histórica para a criação da Mostra Cultural da Cooperifa?

      A referência é a Semana de Arte Moderna de 1922, movimento que marcou o modernismo brasileiro em São Paulo.

03 – Por que Rose Dorea afirma que a mostra é "de nós pra nós" e qual o impacto disso na comunidade?

      Porque a mostra é feita pela própria periferia para o seu povo (artistas, crianças, professores). O impacto é mostrar para a comunidade que eles são "possíveis" e que, ao descobrir sua força, a periferia pode mudar o país.

04 – Como e onde nasceu o Sarau da Cooperifa?

      O sarau nasceu em 2001, em um bar no Taboão da Serra (Grande São Paulo), motivado pelo desejo de criar um espaço para troca de experiências e esperanças através da arte e da poesia.

05 – Além do Sarau e da Mostra Cultural, cite e explique dois outros projetos realizados por Sérgio Vaz e pela Cooperifa.

      O aluno pode escolher dois entre estes:

      Cinema na Laje: Exibição gratuita de documentários e filmes alternativos.

      Chuva de Livros: Distribuição gratuita de centenas de livros.

      Ajoelhaço: Ato no Dia Internacional das Mulheres onde homens pedem perdão pelo machismo.

      Festival Várzea Poética: Doação de camisas para times de várzea que participam do sarau.

      Poesia no Ar: Distribuição de poesias em bexigas voadoras pela cidade.

06 – O que significa a frase de Sérgio Vaz: "A Cooperifa é um lugar onde todo mundo aprende e ninguém ensina"?

      Significa que o espaço é baseado na horizontalidade e na troca mútua de conhecimentos, onde não há uma hierarquia acadêmica tradicional, mas sim um aprendizado coletivo através da convivência e da arte.

07 – Qual é a diferença fundamental, segundo Sérgio Vaz, entre escrever "para" as pessoas e escrever "com" as pessoas?

      Escrever "com" as pessoas significa estar junto à comunidade (na favela, na escola ou no campo), ouvindo suas dores e vivências, tornando a arte um processo coletivo de diálogo e construção conjunta, em vez de uma produção isolada entregue a um público passivo.

 

 

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