Notícia: Teorias da conspiração – Fragmento
Rod Dacombe
[...]
Há um consenso de que as teorias da
conspiração aparecem com mais frequência em períodos de crise. Pesquisas
mostram que a popularidade dessas ideias não é tão constante, e que há picos
durante eventos cataclísmicos e revoltas sociais. Teorias da conspiração
proliferaram durante pandemias anteriores, como a peste negra, a gripe russa do
fim do século 19 e a gripe espanhola.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgJ2m27kNwRU7ooBJoM85d4wgTUd8NvcYwYb86gMIn88mjPqDBjflcweAcezhVjPon_frXQMa0YCaZiF-_3V7cekej5pbtF71__dIi7cGGqt3ymQ9liSafYUtmcZIwtpBdlHoOVdyO10mH26YXA5bYzEXNZj7FRb0jRwl-G4MR8TJkq9fSUGbQFdM5f3JE/s1600/TEORIA.jpg Mas, ao contrário das crises passadas,
as teorias da conspiração recentes foram impulsionadas pela mudança no jeito
como nos comunicamos uns com os outros. As redes sociais têm uma importância
especial nisso, permitindo a rápida transmissão de informações (pelo menos
superficialmente) plausíveis, produzidas por fontes aparentemente confiáveis.
Esse contexto importa, porque permite um alto grau de autonomia individual na
disseminação de teorias da conspiração.
Essas teorias são poderosas porque são
participativas. Elas engajam as pessoas diretamente no desenvolvimento e
amplificação de ideias políticas, por mais bizarras que elas sejam. [...]
Existe uma máxima entre os teóricos da
conspiração digitais: faça sua própria pesquisa. Isso encoraja os envolvidos a
procurar a validação de suas ideias por meio de fontes que refutam a narrativa
“oficial”. Envolver-se em teorias da conspiração contemporâneas acaba sendo
algo parecido a participar de um jogo. As pessoas são encorajadas a “descobrir”
informações promovidas por seus contatos virtuais em vez de aceitar
passivamente os dados e fatos produzidos por fontes estabelecidas. [...]
[...]
Muitos passos precisam ser dados para
resolver essa questão. Repensar a regulação das redes sociais e banir os
“superdisseminadores” de teorias da conspiração (incluindo contas de
celebridades e figuras públicas) têm um potencial óbvio. Um governante também
pode ser o líder de correntes de desinformação. Todavia, qualquer intervenção
tem que se basear na compreensão de que as demandas participativas da política
estão mudando.
Rod Dacombe é professor de ciência
política na King’s College London.
[...]
Rod Dacombe. Por que teorias da conspiração aparecem mais na pandemia.
Tradução: Antônio Mammi. Nexo Jornal, 29 jan. 2021. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/externo/2021/01/29/Por-que-teorias-da-conspira%C3%A7%C3%A3o-aparecem-mais-na-pandemia. Acesso em: 10 maio 2021.
Fonte: linguagens. EJA.
Ensino médio. Caderno 3 – 1ª edição. SEDUC – FGV – SESI – p. 143-144.
Entendendo a notícia:
01 – Em quais momentos
históricos as teorias da conspiração costumam aparecer com maior frequência?
Elas surgem com
mais frequência em períodos de crise, eventos cataclísmicos e revoltas sociais.
O texto cita como exemplos as pandemias da peste negra, da gripe russa e da
gripe espanhola.
02 – Qual é o papel das redes
sociais no impulsionamento das teorias da conspiração atuais em comparação com
crises passadas?
As redes sociais
permitem a rápida transmissão de informações que parecem plausíveis e vêm de
fontes aparentemente confiáveis. Isso concede ao indivíduo um alto grau de
autonomia para disseminar essas ideias de forma muito mais veloz do que
antigamente.
03 – Por que o autor afirma
que as teorias da conspiração contemporâneas são "poderosas"?
Elas são
poderosas porque são participativas. Elas engajam as pessoas diretamente no
desenvolvimento e na amplificação das ideias, fazendo com que o indivíduo se
sinta parte ativa do processo político, independentemente de quão bizarra seja
a teoria.
04 – O que significa a máxima
"faça sua própria pesquisa" no contexto dos teóricos da conspiração
digitais?
Significa
encorajar as pessoas a buscarem validação para suas crenças em fontes que
refutem a narrativa "oficial". O processo funciona como um jogo, onde
o praticante prefere "descobrir" informações em seus círculos
virtuais a aceitar passivamente dados de fontes estabelecidas.
05 – Quais soluções o texto
aponta para enfrentar o problema da desinformação e das teorias da conspiração?
O autor sugere
repensar a regulação das redes sociais e banir os
"superdisseminadores", o que inclui contas de celebridades, figuras
públicas e até governantes que atuam como líderes de desinformação. Além disso,
destaca que qualquer intervenção deve considerar a mudança nas formas de
participação política.
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