Poesia: Oleiro
Sidónio Muralha
Eu sou um pássaro
chamado João,
oleiro
de profissão.
Gosto de barro.
Trabalho com ele,
componho com ele,
construo com ele
e a ele me agarro.
Eu sou o pássaro
João-de-barro.
E todos me chamam
João, João,
oleiro de profissão.
Se quiser eu faço
um palhaço
de barro,
ou se preferir
e quiser conduzir
eu farei um carro.
Farei um palhaço
ou farei um carro
Mas como tudo o que faço
– de barro.
De barro,
para o menino,
um palhaço
ou carro
eu faço
e assino:
João-de-barro.
MURALHA, Sidónio. Dança
dos pica-paus. 9. ed. São Paulo: Global, 1997.
Fonte: Rumo a novos
Letramentos e Alfabetização. Ângela M. Chanoski-Gusso / Rossana A. Finau. 3º
ano. 1ª edição, Curitiba, 2011. p. 154.
Entendendo a poesia:
01 – Quem é o narrador do
poema e qual é a sua "profissão"?
O narrador é o
pássaro João-de-barro. Ele apresenta-se como um "oleiro de
profissão", estabelecendo uma analogia entre o modo como constrói o seu
ninho e o trabalho de um artesão que molda o barro.
02 – Que relação o pássaro
estabelece com o barro nos versos da segunda estrofe?
O pássaro
demonstra uma relação de grande proximidade e dependência do material. Ele
afirma que trabalha, compõe, constrói e "se agarra" ao barro,
indicando que este elemento é a base da sua vida e da sua arte.
03 – No poema, o João-de-barro
afirma que poderia fazer objetos como um palhaço ou um carro. O que isso revela
sobre a imagem que o autor quer passar do pássaro?
Isso revela a
faceta criativa e "artística" do pássaro. Ao sugerir que pode moldar
formas complexas (como brinquedos), o autor reforça a ideia do pássaro como um
mestre de obras habilidoso e imaginativo, e não apenas um animal que age por
instinto.
04 – Para quem o pássaro diz
que faz as suas obras e como ele as finaliza?
Ele diz que faz
as suas criações (o palhaço ou o carro) para "o menino". No final,
ele afirma que "assina" a obra com o seu próprio nome: João-de-barro,
como faria um verdadeiro artista orgulhoso do seu trabalho.
05 – Como a estrutura do poema
(rimas e repetições) contribui para o tema do "trabalho do oleiro"?
A repetição
constante das palavras "barro", "faço" e "João"
cria um ritmo cadenciado que lembra o movimento repetitivo e cuidadoso de um
oleiro a moldar a argila. As rimas simples (como barro/carro/agarro) conferem
ao poema uma musicalidade lúdica, apropriada para o público infantil.

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