sexta-feira, 15 de maio de 2026

CONTO: POR QUE A GALINHA D'ANGOLA TEM PINTAS BRANCAS? ROGÉRIO ANDRADE BARBOSA - COM GABARITO

 Conto: Por que a Galinha d’Angola tem pintas brancas?

           Rogério Andrade Barbosa

        Os mais antigos contam que esta história aconteceu durante uma das piores secas ocorridas nas savanas ao Sul da África. O sol, inclemente, castigava todos os seres vivos: plantas e animais.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhVGMHnnp7rhwXFp1FHpna_wcL_TUxIyyfEVobIVWRVJzvZA1tgfzmcDxnbW9ODBEgh4pcmI5Ifk4RQey6BIff2QCY1lsCOvuTCViRaFm3ar1_X7dIFAjzSMzxH1BzGUDnYbaMPvQvgu7ESAYKnFABLG4oc6BLUuXS2CEE8Qc9o6sDiA29u9HsTo3EIVf4/s1600/GANHILANHA.jpg


        Logo os rios e lagos secaram, aumentando o sofrimento. O calor abria fendas no solo e levantava uma espessa poeira que borrava de cinza o céu borrado de azul. Os habitantes dos vilarejos, desnorteados, fugiram para as montanhas, rogando por chuvas, mas não havia prece que desse jeito na calamidade.

        Um dia, porém, uma mancha escura despontou no horizonte. Todos ficaram excitados. Sinal de que as chuvas estavam se aproximando. Só que um elefante, desengonçado, atrapalhou tudo. Afugentando a nuvem.

        A galinha-d’angola que, naquela época, além de uma crista avermelhada no alto da cabeça, tinha as penas inteiramente pretas, não se conteve. Indignada com a atitude do paquiderme, correu horas e horas atrás da nuvem, suplicando para que ela retornasse, sem se importar com os espinhos que iam rasgando-lhe as pernas desnudas.

        – Por favor, Senhora, volte. Por favor, Senhora, volte – repetia sem cessar, enquanto o sangue escorria por suas feridas.

        A Dona das Águas, finalmente, parou e disse:

        – Por causa de sua perseverança, da sua dor e da sua preocupação com o destino de todas as outras criaturas, eu regressarei. Graças aos meus poderes, interromperei a seca.

        – Obrigada – agradeceu a ofegante corredora.

        – E, como você se dirigiu a mim de um modo tão respeitoso, receberá de presente o brilho das gotas da chuva, que cairão sobre o seu corpo. Assim, será uma das aves mais bonitas da terra.

        Não demorou muito para desabar um temporal, em meio a raios e trovões. A galinha-d’angola, toda molhada, ganhou como ornamento os pingos que foram resvalando em suas penas, transformando-a, como fora prometido, em uma das aves mais lindas de toda a África.

        Devido à canseira da galinha-d’angola, suas descendentes ciscam por vários cantos do planeta, agitando a penugem de cor negra, como a pele da maioria dos povos de seu extenso continente. Enquanto exibem as penas salpicadas de pintas brancas, as galinhas-d’angola cacarejam como se estivessem expressando, até hoje, o esforço empreendido por sua ancestral:

        – Tô fraca, tô fraca, tô fraca, tô fraca,tô fraca

Rogério Andrade Barbosa. In: Outros contos africanos para crianças brasileiras. São Paulo: Ed. Paulinas, 2006.

Fonte: Rumo a novos Letramentos e Alfabetização. Ângela M. Chanoski-Gusso / Rossana A. Finau. 3º ano. 1ª edição, Curitiba, 2011. p. 136-137.

Entendendo o conto:

01 – Qual era o cenário inicial da história e como ele afetava a vida dos seres vivos na savana?

      O cenário era de uma seca extrema e devastadora nas savanas do Sul da África. O sol forte castigava plantas e animais, rios e lagos secaram, e o solo estava rachado. Isso causava grande sofrimento, fazendo com que as pessoas fugissem para as montanhas em busca de sobrevivência.

02 – Como a Galinha d’Angola era fisicamente antes dos acontecimentos narrados no conto?

      Originalmente, a Galinha d’Angola possuía uma crista avermelhada no topo da cabeça, mas suas penas eram inteiramente pretas, sem as manchas brancas que conhecemos hoje.

03 – Qual foi a atitude do elefante e como a Galinha d’Angola reagiu a esse comportamento?

      Quando uma nuvem de chuva finalmente apareceu no horizonte, o elefante, de forma desengonçada, a afugentou. A Galinha d’Angola ficou indignada e, em vez de desistir, correu atrás da nuvem por horas, ignorando a dor e os ferimentos causados pelos espinhos, para suplicar que ela voltasse.

04 – Por que a "Dona das Águas" decidiu atender ao pedido da ave? O que ela valorizou na Galinha d’Angola?

      A Dona das Águas decidiu voltar por causa da perseverança da galinha, de sua capacidade de suportar a dor e, principalmente, por sua preocupação altruísta com o destino de todas as outras criaturas, além do modo respeitoso com que ela se comunicou.

05 – De acordo com o texto, qual é a origem das pintas brancas e do cacarejo "Tô fraca" da Galinha d’Angola?

      As pintas brancas representam o brilho das gotas de chuva que a Dona das Águas deu à ave como presente por sua coragem. Já o cacarejo "Tô fraca" é uma lembrança do cansaço e do esforço físico extremo que a ancestral dessas aves fez ao correr por horas atrás da nuvem para salvar a savana.

 

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