Fábula em Poema: O rato caseiro e o rústico
La Fontaine
Convida, uma vez, ratinho
Mui galante e cortesão,
Certo arganaz montesinho
A sobras dum perdigão.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhELcOI97Xg0MdHhGrgqy5DR1fLQC-is1ZiqZzHQakBv7A41UztuxN974dNdWJs4PGsL0BC1RvgVSjuvzeZT4rLfk8pfgtukz9CEfKYfeKqyn19LKBn6t6GXtn8EwB5Cdf5bvXrSPbjHp8MLULs9kItiX4bezOKzrFuRMxwJA_0r3lPHo-Jx7_GDSgyCSY/s1600/rato.jpg
Em guedelhudo tapete
Luz o esplêndido talher.
São dois, mas valem por sete.
Que apetite! que roer!
Foi folgança regalada;
Nada inveja um tal festim.
Senão quando, na malhada,
Pilha-os súbito motim.
Passos à porta da sala...
Param os nossos heróis.
E o terror, que pronto os cala,
Lança em pronta fuga os dois.
Foi-se a bulha. Muito à mansa
Vêm-se chegando outra vez.
«Dêmos remate à folgança –
Diz o da corte ao montês.
– Nada. Mas vem tu comigo
Jantar amanhã; bem sei
Que lá me não gabo, amigo,
Desta vidinha de rei.
Mas ninguém me turba em meio
Do jantar; sobra o lazer.
E adeus. Figas ao prazer
Que pode aguar um recreio.»
Tradução de José de Sousa Monteiro
Entendendo o texto
01. No início do
poema, o que motiva o encontro entre o rato cortesão (caseiro) e o arganaz
montesinho (rústico)?
a. o rato do campo convida o rato da cidade para
conhecer a vida na floresta.
b. o rato caseiro convida o rato do campo
para um banquete com as sobras de um perdigão.
c. ambos decidem se unir para roubar comida da
cozinha de um grande rei.
d. o rato rústico precisava de ajuda para fugir de
um motim em sua toca.
02. O que interrompe a
"folgança regalada" e o grande apetite dos dois ratos durante o
banquete?
a. a chegada de um gato que destrói o tapete onde
eles comiam.
b. a falta de comida, que acabou rápido demais por
causa do apetite deles.
c. um barulho repentino de passos à porta
da sala, que espalha o terror e os força a fugir.
d. uma briga entre os dois ratos para decidir quem
comeria a melhor parte.
03. Após o barulho
cessar ("foi-se a bulha"), qual é a reação do rato da corte?
a. ele sugere que eles terminem a festa e
continuem comendo ("Dêmos remate à folgança").
b. ele desiste de morar na cidade e pede para ir
embora com o amigo.
c. ele chora de medo e se recusa a sair do
esconderijo.
d. ele briga com o rato rústico por ter feito
barulho e chamado a atenção.
04. Por que o rato
rústico (montesinho) recusa continuar o jantar na corte e convida o amigo para
ir à sua casa no dia seguinte?
a. porque na sua casa a comida é muito mais
sofisticada e saborosa do que os restos de perdigão.
b. porque ele prefere comer deitado no chão do que
em cima de um tapete luxuoso.
c. porque, embora não tenha uma vida de
rei, em sua casa ninguém perturba o jantar e há tranquilidade.
d porque ele ficou com raiva do rato caseiro por
causa do susto que levou.
05. A expressão "Figas
ao prazer / Que pode aguar um recreio" dita pelo rato do campo no final do
texto significa que:
a. ele prefere passar fome a ter que comer carne de
perdigão.
b. ele rejeita qualquer luxo ou prazer
que venha acompanhado de medo, perigo e sobressaltos.
c. ele deseja sorte ao amigo cortesão para que ele
continue aproveitando a vida na cidade.
d. ele acredita que o prazer de comer na corte
compensa o risco de morrer.
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