sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

CRÔNICA: O MESTRE DA FAXINA - WALCYR CARRASCO - COM GABARITO

 Crônica: O Mestre da Faxina

                Walcyr Carrasco

SUBITAMENTE, MINHA FAXINEIRA desapareceu. Deixou chinelos, um avental e um maço de cigarros pela metade. Três semanas depois, resolvi:

— Eu mesmo vou limpar o apartamento!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjRd5pS7kI-w__Gdlc6kqZ0jEkuLHUFA_yRYbkWdl4EKjO-Sk3Mqrt_HnSIH8QcCRdswoYy8H70jpfh_yQgdwUCkGDBpwTA3vrLyUwbFX_GC_sgSAO6H-O8GBRv-huYmOcQAZxNKlFp-HvoeZvDOHudVTK4V-jwWlpLPHKjPwcykPoyL4jPVcrZc52iuXM/s320/FAXINEIRO.png


Peguei um saco de lixo grande, botei dois coadores de café usados, a casca de uma mexerica e algumas torradas secas. No processo, um pedaço de torrada caiu no chão. Esmigalhei-o com o pé, sem querer. Observei horrorizado os pedacinhos se espalharem pelo piso.

— Não tem importância, depois vou lavar o chão.

Joguei o lixo. Voltei. Abri a geladeira. Duas cenouras mumificadas me observavam. Retornei ao lixo. Foram dez idas e vindas. Sempre esquecia alguma coisinha! Finalmente, encarei a cerâmica da cozinha. Originalmente, é branca. A alvura ocultava-se sob manchas marrons, vermelhas e cinzentas. Passei a vassoura.

As manchas continuavam lá. Tocou o telefone.

— Estou às voltas com a vassoura — expliquei, sorridente.

— Vai voar? — perguntou meu interlocutor.

Desliguei e voltei à cozinha. Tinha espalhado as migalhas de torrada por todo o trajeto. Achei melhor me concentrar e pensar na sala mais tarde. Cautelosamente, espalhei o líquido limpador multiuso no chão. Puxei a sujeira com o rodinho. As manchas desapareciam magicamente!

— Venci as faxineiras — comemorei.

Só então descobri estar do lado oposto à porta. Ao voltar sobre a área limpa e molhada, na ponta dos pés, minhas botas espalharam marcas pretas, bem redondinhas. Dava a impressão de que uma cabra havia passado por lá. Suspirei. Tirei os sapatos, as meias e arregacei as calças. Joguei limpador de novo. Puxei o rodinho, dessa vez ao contrário. Trouxe uma horrível borra cinza até a porta da sala. Quando ia atingir meu tapete persa, corri até a pia, peguei um pano e ajoelhei-me para eliminar a borra. O pano estava imundo, emporcalhei tudo mais ainda. Pior; meus joelhos também se sujaram e minhas próprias calças passaram a criar manchas. Não tive dúvida: tirei a roupa toda.

— O melhor é ficar nu — concluí, embora, é claro, nunca tenha visto uma

faxineira trabalhando pelada,

Retornei à pia, tentei lavar o pano. A pia entupiu. Corri ao banheiro, acrescentando mais marcas no chão. Molhei e torci o trapo. Mais limpador. Notei que as casquinhas da torrada, apesar de todo o meu empenho, pareciam ter colado na cerâmica. Agachei-me e, com a ponta das unhas, fui tirando uma por uma. Até quase enlouquecer. Quis chorar. Pus a mão nos cabelos, e o líquido de limpeza começou a escorrer pelo meu rosto. Espirrei. Joguei água por tudo, espalhei sapólio e passei o rodinho. Meus pés arderam. Ao. puxar os detritos, eles voaram no tapete persa. Deitei-me sobre ó tapete para caçar os pontinhos de sujeira. Nesse instante, o rodinho escorregou e caiu em direção ao ralo. Na batida, uma poça d'água explodiu. Com fúria, agarrei o pano e passei em cada milímetro do piso. Desmaiei no tapete, exausto. Olhei a cozinha.  

Surpresa! O piso estava limpo! Suspirei, quis tomar um café. Duas gotas negras caíram da xícara. Desesperado, quase lambi o chão. Limpei com meu próprio lenço. Respirei profundamente, senti minha franja grudada nos cílios. Uma mancha de sapólio se instalara na minha barriga! Corri para a ducha. Adormeci pensando como seria fascinante limpar a sala, no dia seguinte.

De manhã bem cedo, a faxineira reapareceu, com uma história complicadíssima. Quase beijei seus pés. Sempre desdenhei os trabalhos domésticos. Quando ouvia alguém falar em ser dona-de-casa, torcia o nariz. Já me arrependi.

Francamente! Que vida!

Entendendo o texto

01. O que aconteceu subitamente na vida do autor que o levou a tomar a decisão de limpar o apartamento?

       a) Sua faxineira ficou doente.

       b) Ele perdeu o emprego.

       c) Ele se mudou para um novo apartamento.

       d) Sua faxineira desapareceu.

02. O que o autor faz ao esmagar sem querer um pedaço de torrada no chão?

        a) Chora.

        b) Ri.

        c) Limpa imediatamente.

        d) Ignora.

03. Como o autor celebra ao perceber que as manchas no chão desapareceram após o uso do limpador multiuso?

       a) Com um banquete.

       b) Com uma festa.

       c) Comemorando a vitória sobre as faxineiras.

       d) Ligando para sua faxineira.

04. O que acontece quando o autor volta sobre a área limpa e molhada?

       a) Nada.

       b) Marcas pretas aparecem.

       c) O tapete persa se suja.

       d) Ele escorrega e cai.

05. O que o autor decide fazer para eliminar as marcas pretas do chão?

       a) Passar o rodinho ao contrário.

       b) Correr até a pia.

       c) Lavar os pés.

       d) Usar sapólio.

06. O que o autor conclui sobre a situação enquanto tenta limpar a cozinha?

        a) Deve continuar nu.

        b) Precisa chamar um profissional de limpeza.

        c) A faxineira é insubstituível.

        d) Deve desistir e contratar outra faxineira.

07. O que o autor faz quando percebe que as casquinhas da torrada parecem ter colado na cerâmica?

        a) Chora.

        b) Tira uma por uma com a ponta das unhas.

        c) Lamenta a situação.

        d) Contrata um profissional de limpeza.

08. O que o autor faz ao deitar-se sobre o tapete após limpar a cozinha?

        a) Admira o tapete persa.

        b) Desmaia.

        c) Liga para a faxineira.

        d) Fica satisfeito com o resultado.

09. O que acontece quando o autor tenta tomar um café após o trabalho de limpeza?

        a) Ele encontra uma xícara suja.

        b) Duas gotas negras caem da xícara.

        c) Ele derrama o café no chão.

        d) Ele não encontra o café.

10. Quem reaparece no final da crônica, facilitando a vida do autor em relação à faxina?

       a) A mãe do autor.

       b) O pai do autor.

       c) O vizinho.

      d) A faxineira.

CRÔNICA: MEU PAI, O HOMEM QUE TORCIA POR MIM - WALCYR CARRASCO - COM GABARITO

 Crônica: Meu Pai, o Homem que Torcia por Mim

                Walcyr Carrasco

 SEMPRE QUE VEJO UM CANÁRIO, lembro do meu pai. Cresci

cercado por gaiolas, repletas de espécimes coloridos. Ajudava a dar alpiste, a encher os bebedouros de água. Acompanhava as fêmeas chocando os ovos, pequenos e pintados. Era fantástico ver os filhotinhos piando. Minha mãe preparava uma papa de ração, que meu pai dava com uma colherinha. `As vezes eram tantos os cuidados que eu sentia ciúme. E se gostasse mais dos canários que de mim?

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj-QM8xj3QNyngzBdYDB3Ljxo-jbabnDVQeHZPiSz1m9Kq3gFBT3N73AtJbdZRLlv_Oth37RgzeKccqgu5CKZhx8ns89ExUw-susCl1tSrIp6mrxh8aKkrWkSVrbc2hswA2kgwPdqBcGyB9zEHn5bc22N0_mjTJQtwHS49w-IYlL7YC2ZiCok5CQWU47io/s320/CANARIO.png


Meu pai não era dado a expansões carinhosas. Talvez porque fosse criado em um meio em que homem não expressava os sentimentos. Talvez porque nunca recebeu muito carinho de seu próprio pai. Saiu de casa aos treze anos e foi morar com um irmão. Teve um problema nos olhos e quase ficou cego, ainda adolescente. Mais tarde, quando quis continuar os estudos, já estava casado e com filhos. Tentou, mas não pôde seguir adiante.

Era ferroviário. Telegrafista. Profissão simples, mal remunerada. A pobreza, na minha infância no interior, era mais digna do que a de hoje em dia. Afinal, ele conseguiu batalhar por um projeto de vida para os filhos. A duras penas, mas conseguiu. Sua maior crença era nos fazer estudar. Meus dois irmãos começaram a aprender música aos seis anos de idade. Eu preferi estudar inglês, desde os dez. Ia à escola pública. Na época o colégio do Estado era prestigiado. Lutava-se para entrar, pela qualidade do ensino. Os professores eram pessoas respeitadas na cidade. Tratadas de maneira especial, pois, afinal, eram professores! Tudo isso pode parecer estranho hoje em dia, quando se ouve falar de escolas depredadas e de alunos que ameaçam os mestres. Mas houve um tempo, e não há tantos anos assim, em que o ensino merecia tratamento especial. Todos os esforços da família eram orientados para nossa educação. Até a fuga dos canários causaria menos dor a meu pai do que ver um filho repetir o ano.

Ganhei minha primeira máquina de escrever aos treze. Já anunciava aos quatro ventos meu desejo de ser escritor. Um dia —: não era Natal nem aniversário — ele veio com a máquina. Modelo simples, portátil. Comprada em prestações a perder de vista. Coloquei a primeira folha de papel sulfite e experimentei a primeira tecla. Nunca vou esquecer a sensação, o cheiro de tinta e a letra surgindo no papel!

Ao longo da vida, tive a chance de sentir seu apoio, várias vezes. Mesmo quando resolvi partir pelo mundo, de mochila nas costas, não ouvi uma palavra de recriminação. Quando voltei, ele continuava torcendo por mim. .

Ficou doente por quase vinte anos. Algum tempo antes da grande partida, teve a percepção de que não duraria muito. Foi ao cartório e fez o documento, pedindo para ser cremado. E outro para doar seus órgãos. Entretanto, quando aconteceu, pareceu tão de repente, tão despropositado! Fica sempre a sensação de que poderia ter ficado conosco por mais tempo, de que faltou falar sobre tantas coisas!

Quando fomos examinar seus papéis, encontramos uma carta, endereçada a todos nós. Escrita para ser aberta depois da partida. Dizia como tinha sido bom ser nosso pai. A palavra de carinho que, em vida, foi tão difícil pronunciar. Para cada um tinha uma mensagem especial. Lembrava que a vida não termina aqui, neste mundo. Fosse para onde fosse, prometia continuar pensando em nós. 

Até hoje, quando lembro dessa carta, sinto os olhos marejados de lágrimas.

Meu pai era um homem simples, mas teve grandeza. E o mais importante, ele torcia por mim. Para mim, esse é o significado maior de um pai. Alguém capaz de torcer, sempre, sem nenhuma condição, nenhuma imposição. Porque a única condição entre pai e filho deve ser sempre o amor.

 

Entendendo o texto

 

01. O que o autor faz sempre que vê um canário?

a) Lembra do pai.

b) Compra um novo pássaro.

c) Alimenta o canário.

d) Solta o canário.

02. Qual era a profissão do pai do autor?

       a) Professor.

       b) Médico.

       c) Ferroviário.

       d) Músico.

03. Por que o pai do autor não era dado a expansões carinhosas?

      a) Porque não gostava do autor.

      b) Porque nunca recebeu muito carinho de seu próprio pai.

      c) Porque tinha problemas nos olhos.

      d) Porque não sabia expressar sentimentos.

04. O que o pai do autor desejava para seus filhos?

      a) Tornarem-se músicos.

      b) Fazerem carreira no ferroviário.

      c) Estudarem.

      d) Criarem canários.

05. Como o autor descreve o período de sua infância em relação à pobreza?

       a) Digno.

       b) Desprezível.

       c) Desesperador.

       d) Humilhante.

06. O que o autor ganhou aos treze anos que indicava seu desejo de ser escritor?

       a) Um livro.

       b) Uma máquina de escrever.

       c) Um computador.

       d) Uma caneta.

07. Quando o autor decidiu partir pelo mundo, qual foi a reação de seu pai?

        a) Ficou zangado.

        b) Apoiou e torceu por ele.

        c) Não se importou.

        d) Pediu para que ele não fosse.

08. Por quanto tempo o pai do autor ficou doente?

        a) 10 anos.

        b) 15 anos.

        c) 20 anos.

        d) 25 anos.

09. O que o pai do autor fez antes de falecer em relação ao seu funeral?

       a) Escreveu uma carta pedindo para ser enterrado.

       b) Fez um testamento.

       c) Foi ao cartório e fez um documento pedindo para ser cremado.

        d) Não fez nenhum preparativo.

10. O que o autor encontrou ao examinar os papéis de seu pai após sua morte?

        a) Uma lista de presentes.

        b) Uma receita de família.

        c) Uma carta endereçada a todos.

        d) Um diário pessoal.

CRÔNICA: VELHOS AMIGOS - WALCYR CARRASCO - COM GABARITO

 Crônica: Velhos Amigos

                Walcyr Carrasco

RECEBO O CONVITE DE casamento de um amigo. Espanto-me. É o quinto enlace do rapaz. O convite faz menção a uma cerimônia religiosa. Na primeira vez, a noiva deslizou pela nave de véu e grinalda. Ainda está viva. O que ele terá feito para obter a dispensa? Arquivo o mistério para resolver depois. Pego o cartãozinho da lista de presentes. Suspiro. Será o quinto presente. A continuar assim, ele devia abrir um crediário para os convidados.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiWS-9mKh6zk_W4RloFseXBtN-vM2uMRBhoAZd94uzZHJiP18dDnBRt6ug_eJKDYYmsJ7_Iz5ybp9yScdps5oQDsVIEH4Xv8Fyx1AYz4ONHWdht_ILIOnuhbuP1WpQMdLihaWjOjZKMfvtWvg_GM8lnPH9IbCQRl60biRYvfNJH2pMDmG5N1d6CE8rtKAk/s1600/VELHOS.jpg

Loja chique. A noiva deve ser descendente do rei Midas. Tudo que escolheu vale o peso em ouro. Penso em fugir e mandar um livro de culinária vegetariana. Seria original. Decido-me por um cinzeirinho que não está na lista, mas é lindo. . Lembro que ele parou de fumar. Decido esquecer. Qualquer comentário, farei um oh! de surpresa:

— Oh, você parou de fumar? Bem... deixe o cinzeirinho para as visitas!

Retiro meu terno do armário. Boto a gravata. Torço para que a comida seja boa. Gosto de me empanturrar de bem-casados e, se der, ainda levar alguns para casa, escondido. Há esperança. A cerimônia é em um bufê. Mal entro, ouço um grito do fundo.      —Você!

Casamentos são ideais para encontrar velhos amigos. Pessoas que dez ou vinte quilos atrás foram íntimas, ressurgem com um sorriso atarraxado no rosto. É leve a sensação do reencontro. Parece que nunca nos separamos! 

Meu filho vai prestar vestibular, acredita?

— Sabe aquele livro que comecei há dez anos? Estou quase terminando!

— E sua filha, como vai?

— Um pouco nervosa. Casei com a melhor amiga dela.

No ar fica a pergunta. Por que nunca mais nos vimos? Não existiu uma briga definitiva. Apenas, um dia, não telefonei para marcar o programa de fim de semana. Duas semanas depois eles ligaram, mas eu não podia. Quando liguei, tinham ido viajar. Os meses foram passando. Os encontros rareando. Dois aniversários depois, não me chamaram. Não nos vimos no final do ano. De vez em quando, uma notícia. Aquele separou, aquela desencarnou. Contemplo os rostos. Se continuasse na mesma turma, minha vida seria diferente? Dá saudade dos bons momentos que poderíamos ter tido. Em seguida, todos agitam canetas, papeizinhos e cartões.

— Dá o Seu telefone. A gente precisa se ver.

— Pega meu cartão. Olha, vou anotar o número do celular e o e-mail.

— Que tal almoçar a semana que vem?

— Ih, a semana que vem não sei se vai dar. Quem sabe na outra.

— Na outra eu é que não posso. E à noite?

— Isso. Talvez à noite. A gente se liga para combinar!

Afundo o cartão no bolso. Viro-me. Sorrio e pego um novo cartão. Continuamos chilreando como beija-flores. Só nos calamos aos acordes da marcha nupcial. Lá vem a noiva de véu e grinalda, de braços com o pai orgulhosíssimo. Todos se olham, constrangidos. Afinal, como ele está casando no religioso? E o divórcio, já saiu? 

Abraço os noivos, desejo felicidades. Consigo me empanturrar de picadinho de frango afogado em um molho exótico. Devoro a sobremesa duas vezes. No fim, agarro o noivo.

— Vem cá, você já não era casado no religioso?

— Ah, essa cerimônia foi só para contentar os pais dela. É de uma outra igreja, dissidente.          .

— E o cartório?

— Não casamos no civil, porque meus papéis estavam enrolados. Mas os velhos pensam que foi hoje de tarde.

— Então eu vim em um casamento que não foi casamento? E ainda dei presente? Tem pai que é cego!

O noivo funga, ofendido. Despeço-me dos velhos amigos. Todos prometem se ver, se ver, se ver... mas, é claro, não vai dar certo. Até o próximo casamento. Quem sabe com o mesmo noivo!

Entendendo o texto

01. Quantos casamentos o amigo do autor já teve até o momento descrito na crônica?

a) 1.

b) 3.

c) 5.

d) 7.

02. O que o autor decide fazer quando vê a lista de presentes na loja chique?

      a) Comprar um livro de culinária vegetariana.

      b) Escolher um presente não listado.

      c) Comprar um cinzeirinho.

      d) Fugir e não levar presente.

03. Por que o autor decide esquecer o cinzeirinho ao perceber que o amigo parou de fumar?

     a) Porque a noiva não gosta de cinzeiros.

     b) Porque ele mudou de ideia sobre o presente.

     c) Porque é um presente inapropriado.

     d) Porque o amigo voltou a fumar.

04. Onde acontece a cerimônia de casamento na crônica?

     a) Igreja.

     b) Casa do noivo.

     c) Bufê.

     d) Clube.

05. O que acontece quando o autor entra no bufê?

     a) Ele encontra um antigo amigo.

     b) Ele encontra a noiva.

     c) Ele ouve um grito do fundo.

     d) Ele percebe que está no lugar errado.

06. Como o autor descreve a sensação de reencontrar velhos amigos em casamentos?

     a) Desconfortável.

     b) Pesada.

     c) Leve.

     d) Incompreensível.

07. Por que o autor não se encontrou com seus antigos amigos nos últimos meses?

     a) Brigou com eles.

     b) Esqueceu de marcar programas.

     c) Estava ocupado viajando.

     d) Não tinha telefone.

08. O que acontece quando os velhos amigos decidem se encontrar novamente?

      a) Comemoram.

      b) Trocam cartões e números de telefone.

      c) Brigam.

      d) Ignoram uns aos outros.

09. Por que o autor questiona o noivo sobre o casamento no religioso?

       a) Ele é contra casamentos religiosos.

       b) Ele está curioso sobre a cerimônia.

       c) Ele acha que o noivo já era casado no religioso.

       d) Ele não gosta do pai da noiva.

10. Qual é a conclusão do autor sobre os reencontros com velhos amigos no final da crônica?

       a) Eles sempre se veem como prometem.

       b) Eles se veem apenas em casamentos.

       c) É difícil manter a promessa de se encontrar.

       d) Eles se veem frequentemente em festas.

 

 

CRÔNICA: OS EX-RICOS - WALCYR CARRASCO - COM GABARITO

 Crônica: Os Ex-Ricos

               Walcyr Carrasco

VOU VISITAR UMA AMIGA. Desempregada, ela acaba de mudar de casa. Estranho o endereço, nos Jardins. Há uma semana a dita senhora morava com umas primas solteironas, dormindo em um sofá-cama. Terá descoberto novos e generosos- parentes? Suspiro. Deve ser difícil ser uma dama e ter de lutar pelo bife de cada dia. Aperto a campainha. Ela me recebe com um sorriso radioso. Os móveis, recuperados da garagem das primas, espalham-se por uma sala soberba. Percebo rolos de tecido de decoração a um canto. Coço a cabeça. Ela me explica, feliz da vida.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjDDPOy3tgorUcHx37e0BubMkuNQJzEXtYbOxKFvh3V2Mu9wRA5JI07t86-UwXiE7du0gjQ2g3FCFAB0Y0imTiSqyrSrJqvTCnk7MdA9D_WOX8pBdPRGPb67bTfGJ1zfjj8EnMXwmoFqmgiT2cGte2xfOulg8VJZkFNNoEPiNsa3kFKOGtlgG8J2JRBqig/s320/RICOS.jpg


— Vendi o terreno!

Em tempo: o tal terreno localizava-se em um dos condomínios mais caros de São Paulo. E o Parque Silvino Pereira, na Granja Viana, onde um lote de cinco mil metros custa em torno de quatrocentos mil reais. A dama recebera o imóvel de herança. Espanto-me.

— Mas o dinheiro deu para comprar essa mansão?

— Comprar, não. Aluguei!

Alguns amigos espalham-se pela sala, bebericando copos de uísque. Uma bandeja aninha caviar e torradinhas. Comemoram a iminente partida da dama para Nova York. Plantado na minha educação de classe média, reflito. . -— Mas desse jeito o dinheiro vai acabar!

Ela me encara como se tivesse dito que ela estava gorda. Falar em fim_de dinheiro pareceu o cúmulo da deselegância!

Voltou do exterior carregada de compras. Dali a alguns meses alugou um quarto para um conhecido. Outros mais, e brigou com o pensionista porque ele comeu as duas últimas salsichas da geladeira. Não tardou, vendeu parte dos móveis e retornou ao sofázinho das tais primas solteironas. Com dívidas.

As idas e vindas da economia acabaram criando uma classe de ex-ricos, e até de ex-novos-ricos. Nesta cidade as ondas econômicas evidenciam as marés do país. Saímos dos ex-barões de café e dos ex-industriais aos ex-altíssimos executivos de multinacionais aos... enfim... Boa parte tem uma coisa em comum: só sabe viver à larga. São pessoas que vendem casas para comprar uma partida de vinhos, ou, simplesmente, jantar fora por mais seis meses. Dão festas e no dia seguinte pelejam para não pagar a faxineira. Se recebem visita em época de vacas magras, oferecem:

—- Quer comer uma saladinha? Estou de regime.

E lá vem um prato de alface. Se torram uma propriedade, atacam de salmão norueguês! A antiga nobreza também sofre! Certa vez, numa festa, um grupo agitava-se em torno de uma senhora de coque, muito fina.

— E uma princesa — alguém contou.

De fato. Seus pais seriam os herdeiros do trono de um reino italiano se não tivesse acontecido a Unificação, Garibaldi e a economia de mercado. A princesa continuava princesa nos gestos suaves. Seu anel de brasão emitia raios a cada movimento de seus dedos. De tão elegante, todo mundo se sentia constrangido ao comer perto dela. Quase comentei: a gargantilha parecia ser bijuteria, e não uma joia de família de origem remota. Mas um plebeu como eu sabe reconhecer preciosidades?

Dias depois encontro um amigo despachado, conhecido do anfitrião.

Conta.

— A princesa? Mora num sobradinho geminado. Quer ver?

Curiosidade pouca é bobagem. Fui. Na garagem real, um fusca. No terraço de cima, um casal grisalho, tomando sol de sandália de dedo. Meu amigo mostrou, discreto.

— Aqueles são o rei e a rainha. Poderiam estar mandando decapitar pessoas. Agora são obrigados a fazer a feira. Já venderam até os talheres de prata, mas a rainha e a filha princesa não saem do cabeleireiro.

Vida de ex-rico não é fácil. E capaz de fritar ovo na água para economizar óleo. Mas não consegue sobreviver sem uma taça de champanhe.

Entendendo o texto

01. Qual é a condição financeira da amiga que o autor vai visitar no início da crônica?

a) Rica.

b) Classe média.

c) Desempregada.

d) Endividada.

02. Onde a amiga morava antes de mudar para os Jardins?

      a) Nova York.

      b) Na Granja Viana.

      c) Com suas primas solteironas.

      d) Em um condomínio caro em São Paulo.

03. Como a amiga conseguiu a casa nos Jardins?

      a) Comprando.

      b) Alugando.

      c) Herdando.

      d) Construindo.

04. O que a amiga faz com o dinheiro obtido pela venda do terreno?

      a) Compra uma mansão.

      b) Investe no exterior.

      c) Faz compras em Nova York.

      d) Aluga a casa nos Jardins.

05. O que a amiga faz quando volta do exterior?

      a) Vende mais terrenos.

      b) Aluga quartos para conhecidos.

      c) Abre um restaurante.

      d) Investe em ações.

06. Como o autor caracteriza a classe de ex-ricos na cidade?

      a) Poupados.

      b) Frugais.

      c) Gastadores.

      d) Investidores.

07. Qual é a característica comum entre os ex-ricos mencionados na crônica?

       a) Sabem economizar.

      b) Vivem de maneira extravagante.

      c) São prudentes financeiramente.

      d) Nunca vendem propriedades.

08. O que aconteceu com a nobreza mencionada na crônica?

     a) Ficaram ainda mais ricos.

     b) Sofreram as consequências das mudanças econômicas.

     c) Mantiveram sua posição social.

     d) Tornaram-se políticos.

09. Como o autor descreve a princesa mencionada na crônica?

     a) Elegante e modesta.

     b) Fina e constrangida.

     c) Descontraída e simples.

 d) Extravagante e chamativa.

10. Qual é a situação financeira atual da princesa no final da crônica?

       a) Rica e próspera.

       b) Endividada e lutando para sobreviver.

       c) Mantendo a nobreza.

       d) Vivendo uma vida modesta.

 

CRÔNICA: O PRÊMIO - A. ROBERTO M. DE AMORIM - COM GABARITO

 Crônica: O Prêmio

                  A. Roberto M. de Amorim


     O Manoel Antunes veio de Portugal para o Brasil por volta de 1942, quando tinha apenas 12 anos. Com o falecimento de seus pais, três anos depois, teve que combater na arena da vida o ímpeto dos homens-fera, gladiadores sedentos de suor e sangue dos menos favorecidos pela sorte. Precisou passar pelos horrores da fome, pela humilhação dos seus senhores. Conviveu dia a dia com a ameaça de uma deficiência cardíaca congênita, semelhante àquela que lhe roubara o pai.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhPxA3bpeRpXyG7YKp8TAv7LlMkM_ec2tbM3fK2Hxe_GY2ijAoCRNWVo9ppilRURk4VxtmHEUeg0dDkYNwTTs4sE4GbEPucmrq5aaMmt_NcMPksUVan1-JGQhAUmOHSoc2CNhVKgV4Kq3gWh01oOPgzRFWj4tONJ-QE1IQyK2IYl7B_8sETesuw0ouzrCA/s320/Mega-Sena.jpg
  Contudo o Antunes provou ser um forte, vencendo todos os obstáculos com a determinação de quem sabe que a sombra pertence a quem dela toma posse. Aos vinte e cinco anos era já um comerciante bem estabelecido; aos trinta, dono de uma rede de padarias.

     Aos trinta e um anos Antunes se casou com uma moreninha, cor de jambo, vinda do norte, cujo nome era Lúcia. Era perfeita em cada detalhe: não se esquecia nunca da hora dos seus remédios, do horário das refeições em absoluto respeito à dieta; da roupa passada e engomada. Cuidava dele com extremo carinho: não esquecia o beijo de despedida nem o abraço carinhoso da chegada. Talvez o Antunes não tivesse alcançado aqueles cinquenta anos bem vividos, não fosse o zelo de sua companheira.

     Foi em meados de 1980, que ocorreu um episódio singular. O Antunes, como qualquer português que se preze, adorava fazer sua "fezinha" na loteria, mas se dizia um tremendo azarado porque nada ganhava. Já nem conferia mais os resultados. Jogava por hábito.

     Certo dia, porém, Lucinha recebeu um telefonema da Caixa Econômica Federal, comunicando que seu Antunes havia sido o único ganhador de um polpudo prêmio na Loteria Esportiva. Zelosa como era pelo seu esposo, nem mesmo naquele momento Lucinha deixou de se lembrar do delicado estado de saúde dele, razão pela qual solicitou do agente que não divulgasse o nome dele até que ela lhe desse a notícia.

     O prêmio da loteria poderia ser sua definitiva independência financeira, talvez até um tratamento mais especializado no exterior. Mas como dar-lhe a notícia sem o risco de precipitar um desfecho trágico? Mil planos diferentes lhe passaram pela cabecinha até que se lembrou do Dr. Alfredo. Com o passar dos anos ele havia se tornado mais que um médico da família, era um amigo fiel, conselheiro, digno de toda confiança, alguém que, por uma inata capacidade perceptiva aliada a uma consciência humanitária sem igual, conseguia encontrar sempre a solução para os problemas mais difíceis.

     Quando procurado por Lucinha, se dispôs imediatamente a resolver a situação, convocando por telefone a presença de seu marido ao consultório ainda naquela tarde.

     Antunes entrou com uma expressão interrogativa, que questionava sem palavras o porquê daquela chamada súbita. O Dr. Alfredo o acalmou dizendo que o motivo era muito mais seu que propriamente do seu cliente. Começou então uma variada conversa pedindo a ajuda de Antunes para resolução de alguns problemas particulares, escolhendo o momento certo para falar sobre o assunto do prêmio. A oportunidade surgiu quando começaram a falar em dificuldades financeiras. Dr. Alfredo assim se dirigiu ao Antunes:

     - Amigo Antunes, posso lhe fazer uma pergunta assim meio descabida?
     - Ora, pois, meu amigo, mas claro! Vamos lá, diga!
     - Se você ganhasse hoje, sozinho, na Loteria Esportiva, o que você faria com todo aquele dinheiro?
     - Hum!...Queres mesmo saber, meu amigo?...Eu lhe daria a metade!
     O dr. Alfredo teve um enfarte.

Entendendo o texto

01. Numere a segunda coluna de acordo com a primeira, observando o sentido das palavras no texto:
    1- precipitar                          (  3 ) propósito
    2- congênita                         (  2 ) inata
    3- abordar                            (  1 ) apressar
    4- determinação                   (  4 ) impulso
    5- descabida                        (  5 ) imprópria

02. A palavra rede, no texto, tem o sentido de conjunto de estabelecimentos comerciais, mas também pode significar estrutura formada por fios, cordas ou outros materiais entrelaçados.

Escreva uma frase com cada sentido da palavra.
Frase com o primeiro sentido: "Antunes era dono de uma rede de padarias."

Frase com o segundo sentido: "O pescador lançou a rede ao mar."


03. Assinale as palavras que indicam as reações de Antunes diante das adversidades da vida:
    (  X ) obstinação   (    ) revolta    (  X  ) força  (   ) desespero         
    (    ) aceitação    ( X   ) ânimo    (   ) "garra"   (    ) insatisfação

04. Cite três características de cada personagem:
     a) Antunes: Forte, determinado, empreendedor.
    b) Lucinha: Zelosa, cuidadosa, carinhosa.

    c) Dr. Alfredo:  Amigo fiel, conselheiro, perceptivo e humanitário.

05. Transcreva a passagem que comprova que Antunes venceu na vida.
      "Contudo, o Antunes provou ser um forte, vencendo todos os obstáculos com a determinação de quem sabe que a sombra pertence a quem dela toma posse."

06. Qual a importância de Lucinha nos cinquenta anos bem vividos de Antunes?
     Lucinha foi fundamental nos cinquenta anos bem vividos de Antunes, cuidando dele com extremo carinho, zelando por sua saúde, proporcionando-lhe uma vida plena.

07. Qual era o hábito de Antunes?
      O hábito de Antunes era fazer sua "fezinha" na loteria.


08. Por que o autor diz que a notícia do prêmio poderia provocar um desfecho trágico?
      Porque Antunes tinha uma delicada condição cardíaca, e a notícia do prêmio poderia ser chocante a ponto de afetar negativamente sua saúde.


09. É comum os autores usarem comparações para expressarem melhor uma ideia. Transcreva uma comparação usada pelo autor ao se referir à Lucinha.
     Não há uma comparação explícita no texto.

10. O escritor considera singular o episódio da loteria, porque:
    a) Antunes jogava por jogar, pois nem conferia os resultados.
    b) o desfecho foi trágico.
    c) ele foi o único ganhador do prêmio.
    d) o médico propôs dividir o prêmio com Antunes.

11. Identifique a causa e a consequência de cada oração dos períodos:
    a) Lucinha ficou ansiosa porque seu marido era cardíaco.

Causa: "Lucinha ficou ansiosa."

Consequência: "porque seu marido era cardíaco."

    b) Como o valor do prêmio era alto, o dr. Alfredo teve um enfarte.

         Causa: "Como o valor do prêmio era alto.”

         Consequência: "o dr. Alfredo teve um enfarte."


    c)  Antunes ficou preocupado por causa da convocação do médico.

           Causa: "Antunes ficou preocupado."

           Consequência: "por causa da convocação do médico."

12. O tipo de narrador usado no texto é:
    a) narrador-personagem, usa primeira pessoa.
    b) narrador-observador, usa terceira pessoa.
    c) narrador-onisciente, usa terceira pessoa.