domingo, 23 de agosto de 2026

CRÔNICA: AO PERDEDOR, AS LATINHAS - ROGÉRIO MENEZES - COM GABARITO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Crônica: Ao perdedor, as latinhas

                Rogério Menezes

Nem a mais visionária das mães-dinás poderia imaginar: o ofício de catador de latinhas tornou-se uma profissão como outra qualquer. Com os ecos da crise econômica se abatendo sobre todos nós, o zé-povinho precisa usar a criatividade para continuar vivo – ou, pelo menos, emitindo alguns, ainda que mínimos, sinais vitais. Resultado: à Lavoisier, o lixo metálico produzido pelas classes A, B, C e D ajuda a comprar brioches para alimentar a classe Z, aquele lumpesinato que cada vez aumenta mais de consistência e volume nas grandes e pequenas cidades do país.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhvl4yp2lxOqa-UmNsY2OM5d8OYDOw8jOBqA2kg82qp-fpyeUsjITraCo-_WCtvTEOICzvmHob1Z1olau8gUFy5UYMdIUCkOFTlyyC7X09WFTKo25JPJUaUFyq8LlEdh3I4xv9Z5fmHUyHGnCEwV9Y-_cKayNuva20aaNNrWk6qomQH_eQCVmi7Zb9xQUo/s320/LATINHAS.jpg


Carnaval é festa esperada com ansiedade por essa nova categoria de profissionais que os IBGEs da vida ainda não catalogaram. Nada mais justo: nesse período, de alto consumo de produtos armazenados em invólucros de alumínio, tiram o pé da lama. E o que se viu por aí, pelas ruas do país, foi um aguerrido exército, sempre à espreita para catar aquela latinha que, displicentemente, alguém acabou de jogar no chão.

Não existe limitação de idade para o exercício da profissão de catador de latinhas. Também não exige formação específica, nem o ensino fundamental completo, nem rudimento de alfabetização. O básico para se tornar exímio profissional do setor é aquela condição humana que nos leva a fazer seja lá que diabo for para não virar comida de abutres.

Salvador, no Carnaval, uma das maiores usinas de geração de latinhas de cerveja e refrigerantes do planeta, é a Meca, o lugar ideal, a cidade dos sonhos de todos esses valentes profissionais que vivem das sobras do lixo ocidental: a Las Vegas deles.

Os catadores de latinhas podem ser família completa: pai, mãe e muitos filhos, todos imersos na faina diária de coletar o maior número possível de peças de alumínio para revenda. Ao final de suada semana de trabalho, podem faturar talvez R$5, talvez R$10, o que pode parecer pouco para gente como a gente, que está na base da pirâmide invertida, também conhecida como elite. Para eles, não. Serve ao menos para adiar a morte por fome, bala ou vício.

No Carnaval de Salvador, o espaço nobre para os catadores de latinhas é aquele, virtual, criado entre a passagem de um bloco de trio e outro. Em ritmo de emboscada, espremidos entre as paredes dos prédios e a multidão que saracoteia ao redor, mergulham sem medo no lixo alumínico recém-jogado e enchem muitos sacos com as cobiçadas peças.

Ser catador de latinhas pode parecer fácil, mas não é. O.k., não precisa de exame vestibular. Muito menos daquela série de documentos que se costuma exigir quando somos admitidos em algum emprego. Mas o exercício dessa profissão requer rapidez, agilidade, disposição física, fôlego e certo estoicismo. Afinal de contas, não deve ser muito reconfortante para o ego viver das sobras do lixo produzido por outros homens, aparentemente tão filhos de Deus quanto.

De qualquer forma, não será de todo absurdo se, da próxima vez que perguntarmos a alguma criança da periferia das metrópoles o que gostaria de ser quando crescer, ouvirmos: “Quero ser catador de latinhas, tiô!”

(Rogério Menezes, Revista Época de 19 de março de 2001)

 Entendendo o texto

 01.              Qual é o foco narrativo empregado pelo autor na crônica e como ele se posiciona em relação aos sujeitos do texto?

a.                   a. Foco em 1ª pessoa do singular (narrador-personagem que cata latinhas).

b.     Foco em 3ª pessoa onisciente e neutra, sem emissão de juízos de valor ou ironias.

c.      Foco em 3ª pessoa observadora, utilizando a 1ª do plural para incluir o leitor na elite.

d. Foco em 2ª pessoa do plural, direcionando a narrativa como um manual de instrução.

  

02.              Como se caracterizam os conceitos de tempo e espaço na crônica de Rogério Menezes?

a.   Tempo histórico contemporâneo (período carnavalesco) focado no espaço urbano de Salvador.

b.   Tempo cronológico indeterminado do século XIX em um espaço rural.

c.   Tempo futuro utópico situado em uma metrópole estrangeira futurista.

d.   Tempo psicológico focado nas memórias da infância do autor em São Paulo.

 03.              De que maneira as 'personagens' (os catadores de latinhas) são construídas no texto?

a.   Como empresários formais devidamente cadastrados nos órgãos do governo.

b.   Como uma coletividade marginalizada, retratada ironicamente como 'valentes profissionais'.

c.   Como indivíduos com nomes próprios, falas desenvolvidas e biografias detalhadas.

d.   Como vilões da sociedade que atrapalham a organização da festa carnavalesca.

 04.              Qual é a temática central e a intenção crítica do autor na crônica?

a.   A exaltação do avanço tecnológico da reciclagem do alumínio no Brasil.

b.   A desigualdade social severa que transforma a extrema pobreza e a cata de lixo em estratégia de sobrevivência.

c.   A abolição das festas de Carnaval devido à sujeira gerada nas ruas.

d.   A defesa de exames de seleção rigorosos para o trabalho informal de cata de material.

 

05.              A expressão 'Ao perdedor, as latinhas' faz uma alusão irônica à célebre frase machadiana 'Ao vencedor, as batatas!'. O que essa adaptação expressa no contexto do texto?

a.   Que a vitória no Carnaval depende de quem junta mais lixo acumulado.

b.   Que o consumo de bebidas em lata deve ser banido das metrópoles.

c.   Que a competição social deixa aos marginalizados apenas os restos e sobras da sociedade de consumo.

d.   Que os catadores são vitoriosos no mercado financeiro global.

       06.               No texto, o autor chama os catadores de "exército" e diz que o Carnaval em Salvador é a "cidade dos sonhos" ou a "Las Vegas" deles. Por que o autor usa essas palavras para falar de um trabalho tão duro? O que ele quer mostrar sobre a vida dessas pessoas?

Usa essas palavras com ironia (uma espécie de deboche crítico). Ele usa esses termos exagerados para chamar a atenção do leitor para injustiça social, mostrando como é triste ver a extrema pobreza ser tratada como se fosse um “emprego dos sonhos”.

 

07.              O texto diz que para ser catador de latinhas não precisa ter estudo nem documentos, mas é preciso ter força física e "certo estoicismo" (capacidade de aguentar firme as dificuldades sem reclamar). Segundo a crônica, por que essa profissão é difícil não só para o corpo, mas também para o sentimento (o ego) do catador?

A profissão é difícil para o sentimento porque o catador precisa engolir o orgulho e lidar com a humilhação de viver das sobras e do lixo das outras pessoas.

Enquanto uns estão se divertindo e gastando na festa, ele precisa recolher o que foi jogado no chão para conseguir apenas alguns reais e não passar fome.

 

08.              Na última frase da crônica, o autor imagina uma criança da periferia dizendo: “Quero ser catador de latinhas, tiô!”. O que essa frase mostra sobre o futuro e os sonhos das crianças mais pobres que vivem na periferia?

Mostra que as crianças mais pobres têm poucas oportunidades de estudo e de trabalho no futuro. Por falta de opção e de ajuda do governo, elas acabam vendo a catação de latinhas como a única profissão possível para crescer e sobreviver, o que é uma crítica do autor à falta de um futuro melhor para essa juventude.

 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

NOTÍCIA: CRITÉRIO DE RENDA PARA DELIMITAR FOME SUPERESTIMA O PROBLEMA - FRAGMENTO - SONIA ROCHA - COM GABARITO

 Notícia: Critério de renda para delimitar fome superestima o problema – Fragmento

SONIA ROCHA – Especial para a Folha

        Nos últimos 15 anos, grandes mobilizações da sociedade brasileira em torno das questões de pobreza e de desigualdade têm se dado em função do mote e do mito da fome. [...]

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhHXB_4smDn52cGX9mBZMLBbPm-Ngih8lqTMuP2oglgdYyCLkEIZRlxVdTLIYJL0Skk1iPWgXwb7qmNk_5kdnuQh3AspTnouU3wcMwuCIuy8ZZ7GAZPNQDQ8a9qXigqTPNp8WXV56-REh_jxyHADgKXo1Fi2oI6Lpet1N6qsdr9ZWlU74k1a0JxzAryXJk/s320/images.jpg  


        Sem dúvida, a alusão a enormes contingentes de desnutridos e de famintos é eficaz para indignar a sociedade. A todos parece inaceitável a persistência do problema quando, reconhecidamente, o Brasil já atingiu um nível de desenvolvimento produtivo capaz de garantir não só a alimentação, mas um nível de vida adequado para todos os cidadãos.

        No entanto, a alusão à fome atingindo contingentes amplos da população brasileira – 44 milhões, segundo as cifras do programa Fome Zero no início de 2003 – simplesmente não corresponde à realidade. Dito de outra maneira, é incorreto associar pobreza à fome como tem sido feito corriqueiramente, apesar do alerta de especialistas. [...]

        [...]. Utilizar o critério de renda para delimitar a população que "passa fome" significa, felizmente, superestimar o tamanho do problema.

        Os dados recentes divulgados pelo IBGE, derivados da última Pesquisa de Orçamentos Familiares, vêm fornecer evidências inequívocas de que fome não é o problema crucial da pobreza no Brasil. Por um lado, não mostra insuficiência de peso; ao contrário, revela forte tendência a excesso de peso, o que seria evidência de má alimentação, mas não de pouca ingestão de alimentos. [...] Por outro lado, os dados quanto ao consumo monetário de alimentos, isto é, itens alimentares comprados para serem consumidos no domicílio, mostram que as pessoas dependem cada vez mais de alimentos doados e refeições feitas fora de casa, inclusive no trabalho e na escola. Isto significa que o gasto familiar de alimentos e, por extensão, o rendimento, é um indicador cada vez menos adequado para identificar as condições nutricionais adversas. [...]

        No entanto, os desnutridos existem, felizmente em número bem mais modesto do que o de pobres. [...]. Sem dúvida, aqueles que passam fome estão em condição mais crítica entre os pobres. No entanto, saber o seu número depende de indicadores físicos, como baixo peso para a altura e crescimento insuficiente das crianças, e não da renda. Nesse sentido, a nova POF vai fornecer evidências atualizadas preciosas.

Entretanto, já se sabia há muito, com base em evidências empíricas, que havia uma robusta tendência de longo prazo de redução da subnutrição no Brasil. Assim, por exemplo, o indicador mais sensível associado à desnutrição, o de mortalidade infantil, vem declinando no longo prazo: a partir de 117 por mil, em 1970, declinou para 30 por mil, em 2000, tendo caído à metade na última década.

        [...] Enfrentar problemas de fome e de subnutrição depende naturalmente da renda, mas especialmente de ações básicas de saúde voltadas para as populações mais vulneráveis, crianças de menos de cinco anos e suas mães em famílias de baixa renda.

        Atender com prioridade absoluta essa população, inclusive através de transferências de renda, passa necessariamente por ancorar as ações no sistema de saúde, fazendo da rede pública de assistência básica o instrumento de focalização e acompanhamento dos subnutridos. [...]

        É essencial que seja entendido pela sociedade em geral, e pelos governos em particular, que a questão crítica da fome, especificamente da desnutrição, se distingue da questão mais geral da pobreza, demandando, em consequência, ações diversas. Há que ser entendido também que, apesar de a maioria esmagadora dos pobres não terem a subsistência física ameaçada, é inaceitável e insustentável a persistência de grandes contingentes da população vivendo com rendas muito baixas no Brasil.

        Assim, embora a desnutrição não seja uma característica predominante dentre os pobres brasileiros, seu combate é prioritário. A pobreza, como categoria mais geral, persiste no Brasil em função da desigualdade de renda. Neste sentido, não é a fome, mas a desigualdade, o traço fundamental da pobreza brasileira.

Sônia Rocha, economista pela FGV, é autora de "Pobreza no Brasil: Afinal, de que se Trata?" (FGV, 2003). Folha de São Paulo, Cotidiano, 21/12/2004.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 51-52.

Entendendo a notícia:

01 – Qual é a tese central defendida pela autora Sonia Rocha no texto?

      A autora defende que é incorreto associar diretamente a pobreza à fome utilizando apenas o critério de renda, pois isso superestima a quantidade de pessoas que passam fome no Brasil. Segundo ela, o traço fundamental da pobreza brasileira não é a fome/desnutrição, mas sim a desigualdade de renda.

02 – Por que a utilização da renda como único parâmetro superestima o número de pessoas que passam fome?

      Porque a renda e o gasto familiar com alimentos se tornaram indicadores cada vez menos precisos para medir a nutrição. As pessoas consomem cada vez mais alimentos doados e refeições feitas fora do domicílio (como na escola ou no trabalho), fazendo com que a baixa renda monetária não signifique necessariamente falta de ingestão de alimentos.

03 – Quais evidências do IBGE (via Pesquisa de Orçamentos Familiares) a autora cita para demonstrar que a fome não é o problema genérico da pobreza no Brasil?

      A autora cita que os dados da POF não mostram insuficiência de peso generalizada, mas sim uma forte tendência ao excesso de peso (indicativo de má qualidade da alimentação, e não de falta de comida). Além disso, destaca o aumento do consumo de refeições fora de casa e doações.

04 – Segundo o texto, quais são os indicadores adequados para identificar e quantificar quem realmente passa fome ou sofre de desnutrição?

      O número de pessoas com fome deve ser medido por indicadores físicos (como baixo peso para a altura e déficit de crescimento em crianças) e indicadores de saúde (como a taxa de mortalidade infantil), em vez de dados puramente financeiros ou de renda.

05 – Qual dado histórico de saúde é apresentado no texto para comprovar a queda da subnutrição no Brasil ao longo do tempo?

      O texto apresenta a evolução da taxa de mortalidade infantil, que caiu de 117 por mil em 1970 para 30 por mil no ano 2000, tendo caído pela metade apenas na década de 1990.

06 – De acordo com a autora, qual deve ser a estratégia pública prioritária e a rede de apoio para combater a desnutrição?

      As ações devem focar nas populações mais vulneráveis (crianças menores de cinco anos e suas mães em famílias de baixa renda). O combate deve ser ancorado no sistema público de saúde (rede básica), utilizando-o como ferramenta de focalização, acompanhamento e atendimento prioritário, além de ações de transferência de renda.

07 – Qual é a distinção conceitual que o texto estabelece entre a questão da fome e a questão da pobreza?

      A fome (desnutrição) é um problema específico de subsistência física que atinge um grupo modesto e muito crítico de pessoas, demandando ações focadas em saúde e nutrição. Já a pobreza é uma categoria mais ampla, que atinge grandes contingentes com rendas muito baixas devido à desigualdade, demandando políticas públicas de outra natureza.

 

TIRINHA: NÍQUEL NÁUSEA NUVENS - COM GABARITO

 Tirinha: Níquel Náusea Nuvens

 

 Entendendo a tirinha:

01 – Alguns substantivos apresentam uma forma para o masculino e outra, para o feminino.

a) Como se faz o feminino do substantivo cabrito?

      Pela troca da vogal o pela a: cabrita.

b) Qual o masculino do substantivo mulher?

      Homem.     

c) Identifique, no 2º quadrinho da tira, três substantivos masculinos.

      Pastel, panetone, óculos, brócolis.

d) Com base nas respostas às perguntas anteriores, conclua: No português, existe um único modo de formar o feminino dos substantivos?

      Não.

 

02 – Na tira, os substantivos formas e nuvens estão no plural. Como se fez o plural dessas palavras?

      Acrescentando-se a desinência -s às palavras no singular.

 

03 – Acrescentado os sufixos –ão / –ona e –inho / –inha, forme o aumentativo e o diminutivo dos substantivos pastel, mulher e foca.

      Pastelão, pastelzinho; mulherona, mulherzinha; facão, faquinha.

04 – O ratinho comenta: “Bom esse seu Baratox”. O que ele está insinuando? Justifique sua resposta

      Diante da imaginação fértil da barata, que não para de ver coisas que não existem, o ratinho imagina que ela esteja sob efeito alucinógeno de um veneno.

 

05 – Em quais das sequências o plural de todos os substantivos compostos está de acordo com a variedade padrão da língua? Indique-as e depois reescreva adequadamente os substantivos que estão flexionados em descordo com a variedade padrão.

a) lenga-lengas, abaixo-assinados, alto-falantes, quartas-feiras

b) bem-te-vis, pés-de-meia, públicos-alvo, corre-corres

c) salário-mínimos, decretos-lei, segundas-feira, bem-te-vis

      salários-mínimos, decretos-leis, segundas-feiras

d) cartões-postais, cirurgiões-dentistas, quebra-cabeças, para-raios

e) vales-transportes, curto-circuitos, portas-mala, toca-fitas

      curtos-circuitos, porta-malas.

 

06 – Nos substantivos compostos, a palavra guarda pode ser forma verbal (do verbo guardar) ou substantivo. Para identificá-la morfologicamente, é útil fazer seguinte observação: se o segundo elemento for substantivo, guarda é verbo; se o segundo elemento for adjetivo, guarda é substantivo. Com base nessa distinção, dê o plural dos seguintes substantivos compostos:

a) O guarda-roupa

      Os guarda-roupas.

b) O guarda-costas

      Os guarda-costas.

c) O guarda-noturno

      Os guardas-noturnos.

d) O guarda-chuva

      Os guarda-chuvas.

CRÔNICA: VIDA URBANA - FRAGMENTO - LIMA BARRETO - COM GABARITO

 Crônica: Vida Urbana – Fragmento

              Lima Barreto

        Atualmente, nada mais mete medo a um pobre diabo que a tal história de aluguel de casa. Não há quem não esteja pagando, por trapeiras, exorbitantes locações dignas de bolsos de ricaço, [...]. Um amigo, muito meu amigo mesmo, paga atualmente, nos confins dos subúrbios, o avantajado aluguel de duzentos e cinco mil-réis por uma casa que, há dois anos, não lhe custava mais de cento e cinquenta mil-réis. Para melhorar um tão doloroso estado de coisas, a prefeitura pôs abaixo o Castelo e adjacências, demolindo alguns prédios, cujos moradores vão aumentar a procura e encarecer, portanto, ainda mais, as rendas das habitações mercenárias.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEimYXcJgFZBGKv9Dxmelucy2Kvmpw7-h6BC_Go1Qf_GOUxRvrkI_vb0-8bTvuU3fB11iFcR20iY1K0KrXng-pMHpthrqZonVR1SEMNdlsyxRhikjNYCh7YNluRGJA6iglvUNNLtSn69zYJdiuPyoYfA1-fd86rDbd6l5PnJz08Y4rejPn7SqE7RdE23MAk/s320/images.jpg


        A municipalidade desta cidade tem dessas metidas paradoxais, para as quais chamo a atenção dos governos das grandes cidades do mundo. Fala-se, por exemplo, na vergonha que é a Favela, ali, numa das portas de entrada da cidade ― o que faz a nossa edilidade? Nada mais, nada menos do que isto: gasta cinco mil contos para construir uma avenida nas areias de Copacabana. Clama-se contra as péssimas condições de higiene do matadouro de Santa Cruz, imediatamente a prefeitura providencia chamando concorrência para a construção de um prado de corridas modelo, no Jardim Botânico, à imitação de Chantilly.

        De forma que a nossa municipalidade não procura prover as necessidades imediatas dos seus munícipes, mas as suas superfluidades. [...]

Lima Barreto. Vida urbana. In Crônicas escolhidas de Lima Barreto.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 15.

Entendendo a crônica:

01 – De acordo com a crônica, qual o significado das palavras abaixo:

-- Castelo: morro na região central do Rio de Janeiro, tomado por cortiços que serviam de moradia da população pobre;

-- Mercenárias: que proporcionam vantagens e lucros injustos;

-- Edilidade: municipalidade;

-- Prado: pista para corrida de cavalos;

-- Chantilly: moderno hipódromo na França, inaugurado em 1834;

-- Superfluidades: futilidades, coisas supérfluas.

02 – Qual é a principal crítica social feita por Lima Barreto no primeiro parágrafo do texto em relação à situação da habitação no Rio de Janeiro?

      Lima Barreto critica a forte inflação imobiliária e o encarecimento dos aluguéis, que atingiam desproporcionalmente a população de baixa renda (referida pelo autor como "pobre diabo"). Ele denuncia o fato de que residências precárias e de péssima qualidade ("trapeiras") estavam sendo cobradas a preços exorbitantes, incompatíveis com a realidade financeira das classes populares e dignos de pessoas ricas. Para exemplificar a gravidade da situação, o autor cita o caso de um amigo morador do subúrbio que sofreu um aumento expressivo no aluguel em um curto período de dois anos.

03 – De que forma as obras de remodelação urbana promovidas pela prefeitura contribuíram para agravar a crise habitacional, segundo o texto?

      Segundo o autor, intervenções urbanísticas como a demolição do Morro do Castelo e de imóveis adjacentes agravaram a crise porque desalojaram diversos moradores. Sem opções de moradia fornecidas pelo poder público, essas pessoas foram forçadas a procurar novas habitações no mercado, o que aumentou a procura por casas e, consequentemente, elevou ainda mais os preços dos aluguéis na cidade (mecanismo de oferta e demanda nas "habitações mercenárias").

04 – Lima Barreto aponta uma postura "paradoxal" por parte da prefeitura carioca. Em que consiste esse paradoxo e quais exemplos o cronista utiliza para demonstrá-lo?

      O paradoxo consiste no contraste entre as graves demandas sociais/sanitárias não atendidas da população e os investimentos milionários da prefeitura em obras fúteis ou voltadas para as elites. O autor exemplifica esse contraste ao mostrar que:

      Diante da precariedade da Favela, a prefeitura opta por gastar verba pública construindo uma avenida de luxo nas areias de Copacabana;

      Diante das péssimas condições de higiene do matadouro de Santa Cruz, a gestão pública prefere abrir concorrência para construir um hipódromo (prado de corridas) no Jardim Botânico.

05 – Explique o sentido da frase final da crônica: "De forma que a nossa municipalidade não procura prover as necessidades imediatas dos seus munícipes, mas as suas superfluidades."

      A frase sintetiza a tese do autor sobre a inversão de prioridades do poder público. Lima Barreto argumenta que a prefeitura negligencia os problemas essenciais e urgentes dos cidadãos (como moradia digna, infraestrutura básica, saneamento e saúde) para priorizar projetos de fachada, estética urbana ou lazer elitista ("superfluidades"), buscando passar uma imagem modernista da cidade em detrimento do bem-estar real da população.

06 – Analise o uso de expressões como "pobre diabo", "trapeiras" e "habitações mercenárias". O que essas escolhas vocabulares revelam sobre o tom do texto e o posicionamento do autor?

      Essas escolhas vocabulares revelam o tom irônico, indignado e engajado da escrita de Lima Barreto. A expressão "pobre diabo" demonstra empatia com a população trabalhadora e desfavorecida, enquanto "trapeiras" enfatiza a precariedade física dos imóveis oferecidos. Já o termo "habitações mercenárias" denuncia o caráter predatório do mercado imobiliário e a ganância dos proprietários. O conjunto dessas expressões marca o posicionamento do autor como um observador crítico das desigualdades sociais e da omissão governamental.

 

ATIVIDADES: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS - COM GABARITO

 Orações Subordinadas Adverbiais

 

 01 – Leia as seguintes frases de caminhão e indique as circunstâncias que as orações subordinadas adverbiais expressam.

a) Se ferradura desse sorte, burro não puxava carroça. Condição

b) Passarinho não come pedra porque sabe o bico que tem. Causa

c) Preguiça é o hábito de descansar antes de estar cansado. Tempo

d) Seja paciente na estrada para não ser paciente no hospital. Finalidade

e) Sou grande porque respeito os pequenos. Causa

f) Se me vires abraçado com mulher feia, separa que é briga. Condição

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiOrRCuAuBkeSVMm2DLC_9I36vQh14ofaHvtG39TCT0PmrL77_vHwLt5__8CMKJxyqxDdJfM9gd0b21SxFUgmugGwfVJMO3uGccBRoNKVTjK6PEK1Zk21Peq6FHS40-ulQAjBOoHnNg3GWwshcdhEBa1sqYWGGTbWKr4EMtDenyUYSS0jD-kJ36j-BnlMs/s320/images.jpg 

02 – Classifique as orações subordinadas adverbiais reduzidas destacadas:

a) Ao viajar, não tome bebidas acoolicas. 

      Or. Subord. Adv. Temporal (ou condicional) reduzida de infinitivo.

b) Não pude participar do campeonato por estar muito gripado. 

      Or. Subord. Adv. causal reduzida de infinitivo.

c) Ofendi meu amigo sem querer. 

      Or. Subord. Adv. concessiva reduzida de infinitivo.

d) “Você, varrendo o quarto, não terá encontrado algumas?” (Graciliano Ramos)  

      Or. Subord. Adv. temporal reduzida de gerúndio.

e) Surpreendido em falta grave, o menino chorava copiosamente. 

      Or. Subord. Adv. temporal (ou causal) reduzida de particípio.

f) Mesmo relido o texto, André não entendeu a metade. 

      Or. Subord. Adv. concessiva reduzida de particípio.

g) Prevendo uma atitude agressiva, não disse absolutamente nada. 

      Or. Subord. Adv. causal reduzida de gerúndio.

 

03 – Observe a relação entre as orações destes períodos:

 I. Os jovens curtem a dupla jeans e camiseta porque é uma roupa prática e bonita.

II. A dupla jeans e camiseta é tão prática e bonita que todos os jovens a curtem.

a) No primeiro período, a oração destacada é adverbial causal. Assim, em que oração está a consequência do fato de a roupa ser prática e bonita? 

      Na oração principal, os jovens curtem a dupla jeans e camiseta.

b) No segundo período, a oração destacada é adverbial consecutiva. Assim, em que oração está a causa de os jovens curtirem esse tipo de roupa? 

      Na oração principal, a dupla jeans e camiseta é tão prática e bonita.

 

04 – Reescreva as frases a seguir, estabelecendo entre as orações a relação indicada entre parênteses. Veja o exemplo:

        Esforçou-se muito, mas não conseguiu bons resultados. (concessão)

        Não conseguiu bons resultados, embora tenha se esforçado muito.

a) Chegando o momento, todos sairão rapidamente. (tempo)

      Todos sairão rapidamente, assim que tiver chegado o momento.

b) Estando doente, Manuel não veio à reunião dos condôminos. (causa)

      Manuel não veio à reunião dos condôminos porque estava doente.

c) Já sabiam que estávamos bem-preparados, contudo não esperavam a vitória. (concessão)

      Embora já soubessem que estávamos bem-preparados, não esperavam a vitória.

d) Como ficamos muito preocupados, saímos rapidamente do local. (consequência)

      Ficamos tão preocupados que saímos rapidamente do local.

e) Corra ou chegará atrasado. (condição)

      Chegará atrasado se não correr.

f) Ao chegar o conferencista, todos se calaram. (tempo)

      Quando o conferencista chegou, todos se calaram.

g) Pensando certo, respondeu errado. (concessão)

      Respondeu errado, ainda que tivesse pensado certo.

h) Abertas as portas, os visitantes entraram no museu. (tempo)

      Os visitantes entraram no museu, assim que se abriram as portas.

 

05 – A conjunção que tem diferentes valores semânticos (consequência, comparação, finalidade, concessão). Indique o valor semântico expresso por essa conjunção nas orações subordinadas adverbiais destacadas nos períodos a seguir.

a) Guardou-os tão bem, que agora não sabe onde estão. Consequência

b) “Fiz-lhe sinal que se calasse”. (Machado de Assis) Finalidade

c) Bebia que era uma lástima! Consequência

d) Uma hora que fosse, para ele seria pouco. Concessão

e) Ele conhece mais geografia que você. Comparação

f) Exaustos que estávamos, fizemos uma pausa de meia hora.  Causa 

 

 

CRÔNICA: ESTRADAS DE RODAGEM - MONTEIRO LOBATO - COM GABARITO

 Crônica: ESTRADAS DE RODAGEM

             Monteiro Lobato

        Comparados os países com veículos, veremos que os Estados Unidos são uma locomotiva elétrica; a Argentina um automóvel; o México uma carroça; e o Brasil um carro de boi.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgojcvA6v5uVbaoOTKsArqmVmdLJJ0XzLJSF4vPy-gh2MLoPht4lwqmNhp7hVLPQQivE-Yhg0oXq2EW3tswSI1yU4m3vWgKoTukPXqEY6_3kpHj2hyphenhyphen-n3N72YW1BpwOLj4IQpn1zaIl1-ieS3ci1SZf7Oalh8pjaCpdunNSVm7d67Ri3z6JLiNJ8RALdow/s320/images.jpg


        O primeiro destes países voa; o segundo corre a 50 km por hora; o terceiro apesar das revoluções tira 10 léguas por dia; nós...

        Nós vivemos atolados seis meses do ano, enquanto dura a estação das águas, e nos outros 6 meses caminhamos à razão de 2 léguas por dia. A colossal produção agrícola e industrial dos americanos voa para os mercados com a velocidade média de 100 km por hora. Os trigos e carnes argentinas afluem para os portos em autos e locomotivas que uns 50 km por hora, na certa, desenvolvem.

        As fibras do México saem por carroças e se um general revolucionário não as pilha em caminho, chegam a salvo com relativa presteza. O nosso café, porém, o nosso milho, o nosso feijão e a farinha entram no carro de boi, o carreiro despede-se da família, o fazendeiro coça a cabeça e, até um dia! Ninguém sabe se chegará, ou como chegará. Às vezes pensa o patrão que o veículo já está de volta, quando vê chegar o carreiro.

        -- Então? Foi bem de viagem?

        O carreiro dá uma risadinha.

        -- Não vê que o carro atolou ali no Iriguaçu e...

        -- E o quê?

        -- ... e está atolado! Vim buscar mais dez juntas de bois para tirar ele.

        E lá seguem bois, homens, o diabo para desatolar o carro. Enquanto isso, chove, a farinha embolora, a rapadura derrete, o feijão caruncha, o milho grela; só o café resiste e ainda aumenta o peso.

LOBATO, M. Obras Completas, 14ª ed., São Paulo, Brasiliense, 1972, v. 8, p.74.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 63.

Entendendo a crônica:

01 – Com qual veículo Monteiro Lobato compara o Brasil e qual é o significado dessa metáfora no texto?

      O autor compara o Brasil a um carro de boi. Essa metáfora simboliza o atraso, a lentidão e a ineficiência do sistema de transporte e infraestrutura do país na época, em oposição à modernidade e à velocidade de outras nações.

02 – Como o autor caracteriza o ritmo do transporte brasileiro durante os dois períodos do ano (estação das águas e período seco)?

      Durante a estação das águas (seis meses do ano), o transporte brasileiro vive completamente atolado. Nos outros seis meses do ano, o transporte caminha em um ritmo extremamente lento, à razão de 2 léguas por dia.

03 – Quais são as analogias que o texto faz entre os outros países (Estados Unidos, Argentina e México) e os meios de transporte?

      Estados Unidos: Comparados a uma locomotiva elétrica (que "voa" a 100 km/h).

      Argentina: Comparada a um automóvel (que corre a 50 km/h).

      México: Comparado a uma carroça (que faz 10 léguas por dia).

04 – Qual é a reação do fazendeiro e do carreiro quando o café, a farinha, o milho e o feijão são enviados para a viagem?

      O carreiro se despede da família e o fazendeiro coça a cabeça, pois ninguém sabe se a carga chegará ou como chegará. Quando o carreiro retorna sem o veículo, revela que o carro atolou no Iriguaçu e precisa de mais dez juntas de bois para conseguir tirá-lo de lá.

05 – O que acontece com os produtos agrícolas brasileiros enquanto o carro de boi permanece atolado sob a chuva?

      Devido à chuva e ao tempo em que ficam parados, a farinha embolora, a rapadura derrete, o feijão ganha caruncho e o milho grela (germina). Apenas o café resiste e ainda aumenta de peso.

 

 

 

POEMA: ODE MARÍTIMA - FRAGMENTO - FERNANDO PESSOA - COM GABARITO

 Poema: Ode Marítima – Fragmento

          Fernando Pessoa

[...]

Maravilhosa vida marítima moderna,
Toda limpeza, máquinas e saúde!
Tudo tão bem arranjado, tão espontaneamente ajustado,
Todas as peças das máquinas, todos os navios pelos mares,
Todos os elementos da atividade comercial de exportação e importação
Tão maravilhosamente combinando-se
Que corre tudo como se fosse por leis naturais,
Nenhuma coisa esbarrando com outra!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiORoDyd6m_Wz0WBvwZfAx1Aye3SyS5-X5wYF664WbL03bhoF_yzP8vQ9R_OWKYhxKvZtmI3XmYFUhSC4AcYqAh8ooTyfUa9Y6RiC5HNCrmtIxhsm2KvY7QTU6npgXucpgqypkpxQIzqOvJkxtyCkdhbrnTS7F2qEs3NBfkEtmRXycyinTJpohgvRKwaO8/s1600/images.jpg



Nada perdeu a poesia. E agora há a mais as máquinas
Com a sua poesia também, e todo o novo género de vida
Comercial, mundana, intelectual, sentimental, [...]

Os portos cheios de vapores de muitas espécies!
Pequenos, grandes, de várias cores, com várias disposições de vigias,
De tão deliciosamente tantas companhias de navegação! [...]

A mistura de gente a bordo dos navios de passageiros
Dá-me o orgulho moderno de viver numa época onde é tão fácil
Misturarem-se as raças, transporem-se os espaços, ver com facilidade todas as coisas,
E gozar a vida realizando um grande número de sonhos. [...]

Fernando Pessoa. In: Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986. p. 332-333.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 83.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a postura do eu lírico em relação ao mundo moderno e à tecnologia no início do trecho?

      O eu lírico demonstra um sentimento de fascínio e admiração. Ele exalta a "maravilhosa vida marítima moderna" destacando a limpeza, a eficiência das máquinas, a organização da atividade comercial de exportação/importação e a perfeita articulação entre as peças e os navios.

02 – Segundo o eu lírico, o surgimento das máquinas destruiu a poesia tradicional? Justifique com um elemento do texto.

      Não. O eu lírico afirma categoricamente que "nada perdeu a poesia". Para ele, a modernidade trouxe uma nova dimensão poética, agregando às coisas a "poesia das máquinas" e todo um novo estilo de vida comercial, intelectual e sentimental.

03 – Como o funcionamento das máquinas e das rotas de exportação/importação é comparado pelo poeta?

      A harmonia e a precisão do sistema comercial e mecânico são tão perfeitas que, segundo o poeta, tudo funciona "como se fosse por leis naturais", sem que nenhuma peça ou elemento esbarre ou entre em conflito com o outro.

04 – De que modo o eu lírico descreve os portos e os navios que neles circulam?

      Os portos são descritos como locais dinâmicos e vibrantes, cheios de vapores de diversas espécies, cores, tamanhos e arranjos de vigias, pertencentes a uma deliciosa variedade de companhias de navegação.

05 – Por que a mistura de passageiros a bordo dos navios desperta orgulho no eu lírico em relação à sua época?

      A convivência e o trânsito de pessoas a bordo despertam o "orgulho moderno" porque simbolizam a facilidade da época em promover a mistura de raças, a superação das distâncias geográficas ("transporem-se os espaços"), a ampliação do olhar e a realização prática de uma grande quantidade de sonhos.