Poesia: Já
Alexandre
já não é hoje?
não é aquioje?
já foi ontem?
será amanhã?
já quandonde foi?
quandonde será?
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi3hcac-bFWYzQA0WVuHCjN2TTDWmJTvfF5hXHp3K8Njc_19RHlWoc3fxGr86JPSASgHPSuX3llObz-e7ip0_L3AaU1vHBcqYaa6R-sy4S1XjKqGPggLRVihsagjSohCKLqVr3LeTowgizJAtOxacmlNHv6oltfH51jtkT_RrtBJ8VxaJQCjrIIeYIqwSs/s320/images.png eu queria um jazinho que fosse
aquijá
tuoje aquijá.
Alexandre O'Neill – Poesias completas.
ANALISANDO O TEXTO
1. O processo de formação da
palavra "aquioje" é a composição por justaposição. Note que
a palavra "hoje" sofre alteração na grafia (cai o h), mas não
alteração fonética. A palavra realiza a união das dimensões de espaço e de
tempo: indica um lugar e também um momento. É óbvio que tal fato é permitido
dentro da liberdade poética.
2. A composição por aglutinação é o processo
de formação da palavra "quandonde", uma vez que ocorre
alteração fonética com a perda do fonema /o/. Essa palavra constitui a interrogação
que corresponde à fusão das dimensões de tempo e de espaço.
3. O processo de formação da
palavra "jazinho" é a derivação sufixal ou sufixação. O
diminutivo possui valor afetivo: indica o apreço de quem fala por aquilo de que
fala.
4. As duas palavras que formam o último
verso do poema, "tuoje" e "aquijá",
apresentam o mesmo processo de formação, ou seja, a composição por
justaposição. Em "tuoje", une-se a pessoa amada à dimensão do
tempo; "aquijá" faz a união de espaço e tempo.
5. O português Alexandre O'Neill emprega no
poema repetidamente o mesmo recurso do uso de neologismos obtidos pelo processo
da composição. Isso coopera para a construção da expressividade do texto porque
consegue dizer muito e para a construção de um texto sintético, com poucos
vocábulos. Observe a importância da repetição do "já", que é a
palavra-chave do texto.
Entendendo a poesia:
01 – Qual o processo
de formação utilizado na palavra "aquioje" e quais duas dimensões da
realidade essa palavra consegue unir?
O processo de
formação é a composição por justaposição (unindo "aqui" +
"hoje", mantendo o som original). Essa palavra une as dimensões de
espaço ("aqui") e de tempo ("hoje").
02 – Qual é a
diferença no processo de formação das palavras "aquioje" e "quandonde"?
Explique por que ocorre essa diferença.
"Aquioje"
é formada por justaposição, pois embora a palavra "hoje" perca a
letra h na grafia, não há alteração fonética (o som permanece o mesmo).
"Quandonde" é formada por
aglutinação, pois ocorre perda fonética: o som /o/ do final de
"quando" é eliminado na fusão com "onde"
("quando" + "onde").
03 – Como a palavra
"jazinho" foi formada e qual o sentido que o uso do diminutivo traz
para o poema?
A palavra
"jazinho" foi formada pelo processo de derivação sufixal (adicionando
o sufixo -inho ao advérbio "já"). O uso do diminutivo possui valor
afetivo, demonstrando o carinho ou apego do eu poético por esse instante
presente que ele deseja capturar.
04 – Analisando o
último verso do poema ("tuoje aquijá"), o que a criação da palavra
"tuoje" expressa em termos de significado?
A neologismo
"tuoje" combina o pronome "tu" com a dimensão temporal
"hoje", expressando a união e o desejo da presença imediata da pessoa
amada no momento presente.
05 – De que maneira
a criação constante de neologismos por composição contribui para a
expressividade e a estrutura do poema de Alexandre O'Neill?
O uso contínuo de
neologismos por composição permite criar um texto altamente sintético (com
poucas palavras), que consegue dizer muito condensando ideias. Além disso, esse
recurso reforça o tema central da urgência do tempo, destacando a repetição da
palavra-chave "já".
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