terça-feira, 15 de setembro de 2026

POESIA: A PEDRA - ANTÔNIO RAMOS ROSA - COM GABARITO

 Poesia: A Pedra

           Antônio Ramos Rosa

A pedra é bela, opaca,
peso-a gostosamente como um pão.
É escura, baça, terrosa, avermelhada,
polvilhada de cinza.
Contemplo-a: é evidente, impenetrável,
preciosa.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgqSF7-9FA-sg9BPAEg9m7XngfjQq-E7QSHEtPkRXZIp6w3WUJ47x25eQIZDZxB8de3ESRbvxxlPlfo6A5iSfSw6jWsAYq1bpooZtY3NU0Kss3LyYUYfgSdrU9xFUcF88ocVeQav5-RR_S4_nMXRqmh7bG_GMMZXvYkSrflm32TDPCZwkSeL6J82iC0dA8/s320/images.jpg


ANALISANDO O TEXTO

1. A adjetivação dos quatro primeiros versos cumpre um papel diferente do que é exercido pela adjetivação dos dois últimos versos. A adjetivação dos quatro primeiros versos indica os aspectos físicos do objeto, atuando com finalidades descritivas: "opaca", "escura", "baça", "terrosa", "avermelhada", "polvilhada de cinza" fazem a descrição da pedra. Porém, há uma exceção: o adjetivo "bela", que traz uma certa subjetividade. Já os adjetivos "evidente", "impenetrável" e "preciosa" indicam a subjetividade do eu lírico, que revela os sentimentos despertados pela contemplação da pedra. Detalhe: o último adjetivo, "preciosa", é capaz de causar uma ambiguidade no poema. Não parece indicar que a pedra possua alto valor comercial, mas que se tornou rica sob o olhar de quem a contempla por suas qualidades.

2. O eu lírico consegue transformar um elemento do mundo físico num elemento repleto de humanidade através da evolução nítida da adjetivação do texto. Esta passa claramente da caracterização física para a caracterização psicológica. Assim, o texto demonstra como os dados do mundo que nos rodeiam adquirem sentidos devido à ação de nossa sensibilidade a respeito deles.  

Entendendo a poesia:

01 – Qual é a diferença de função entre a adjetivação presente nos quatro primeiros versos e a utilizada nos dois últimos versos do poema?

      Os adjetivos dos quatro primeiros versos ("opaca", "escura", "baça", "terrosa", "avermelhada", "polvilhada de cinza") têm função descritiva, caracterizando os aspectos físicos da pedra. Já os adjetivos dos dois últimos versos ("evidente", "impenetrável", "preciosa") expressam a subjetividade do eu lírico e as emoções despertadas pela contemplação do objeto.

02 – Apesar de os quatro primeiros versos focarem na descrição física do objeto, qual adjetivo foge a essa regra descritiva e por quê?

      O adjetivo "bela", pois ele não descreve uma propriedade física objetiva da pedra, mas sim introduz um juízo de valor e uma percepção subjetiva do eu lírico em relação ao objeto.

03 – Como a palavra "preciosa", no último verso, gera uma ambiguidade no sentido do poema?

      O termo não indica um valor comercial ou financeiro (como o de uma pedra preciosa/joia), mas sugere que a pedra comum se tornou rica e valiosa sob o olhar atento e sensível de quem a contempla.

04 – De que maneira o poema transforma um elemento inanimado e físico do mundo em algo repleto de humanidade?

      Através da evolução da adjetivação, que transita da caracterização física para uma espécie de caracterização psicológica e afetiva, mostrando como a sensibilidade humana atribui novos sentidos ao mundo ao seu redor.

05 – Qual comparação (metáfora/símile) o eu lírico faz no segundo verso ao manusear a pedra e o que essa imagem sugere?

      O eu lírico compara o ato de segurar a pedra a "pesar gostosamente um pão", sugerindo uma relação de proximidade, afeto, tato físico e apreciação sensorial com um elemento simples da natureza.

 

 

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