Música (Atividades): Taça de Veneno
Guilherme Arantes
Os excessos tentam
diminuir
tudo o que nos falta
sem conseguir
vontades fazem
de um rei um escravo
quando põe o mundo atrás das grades.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgR0nZsCHs093nANwU0bsNj1yLZL5T1fhyphenhyphennqODVYFiQRDJY7snXsWk8Ue2JkTZafFMrWLL73qfrwYZHqR8PbqayJZJlsxXdBxByCHPfDGDGlaY6waNNAu3FE6vIt7fS_51CBNREoiMAR53ceKUI5U08zgt-r-t8wOn2LtpySlBB8_rmQLlnKvxzV4G2zb8/s320/images.jpg
São as forças
que nos podem matar
São fraquezas
que nos podem salvar
erros são certos
pra sermos únicos
defeitos
se confundem com virtudes.
Todos precisam de um veneno
pra encher a sua taça de desejo
todos precisam de um desejo
pra encher a sua taça de veneno
mas com medo não se vive
com receio não se vai
com a dúvida não se arrisca
não se voa, não se cai
curto é o caminho dos covardes
triste é o riso dos ignorantes.
Todos precisam...
Composição: Guilherme Arantes.
Entendendo
a música:
01
– Qual é a contradição apresentada no trecho "Os excessos tentam /
diminuir / tudo o que nos falta / sem conseguir" e o que ela revela sobre
o comportamento humano?
A contradição consiste na
tentativa frustrada de usar os "excessos" (consumo, prazeres
exagerados, compulsões) para preencher a sensação de vazio ou escassez interior
("tudo o que nos falta"). O eu lírico revela que os exageros externos
são incapazes de suprir as carências profundas da alma, funcionando apenas como
uma ilusão temporária que não resolve o vazio existencial.
02
– Como a metáfora "vontades fazem / de um rei um escravo / quando põe o
mundo atrás das grades" explica o perigo dos desejos descontrolados?
A figura do
"rei" representa o indivíduo que possui controle, poder ou autonomia
sobre si mesmo. Quando esse indivíduo se torna cego ou dominado por seus
impulsos e ambições ("vontades"), ele perde a própria liberdade,
transformando-se em "escravo" dos seus próprios desejos. A imagem do
"mundo atrás das grades" mostra que a obsessão limita a visão do
indivíduo, encarcerando-o em sua própria perspectiva reduzida.
03
– Qual é o jogo de palavras (paradoxo) presente no refrão "Todos precisam
de um veneno / pra encher a sua taça de desejo / todos precisam de um desejo /
pra encher a sua taça de veneno"?
O refrão constrói
um paradoxo entre risco ("veneno") e motivação/paixão
("desejo"):
O "veneno"
simboliza o perigo, a ousadia e a intensidade da vida. O desejo só ganha força
quando há risco e entrega.
Por outro lado, perseguir
intensamente um "desejo" exige consumir uma dose de risco ("taça
de veneno").
Em suma, o texto sugere que
viver plenamente e desejar algo exige aceitar a vulnerabilidade e os perigos
inerentes à própria existência.
04
– Análise a estrofe que diz: "São as forças / que nos podem matar / São
fraquezas / que nos podem salvar". Como o autor desconstrói as noções
tradicionais de "força" e "fraqueza"?
O autor inverte
os conceitos tradicionais:
As "forças"
(orgulho, excesso de confiança, rigidez) podem ser destrutivas e levar à ruína
("podem matar").
As "fraquezas"
(humildade, vulnerabilidade, reconhecimento dos próprios limites) funcionam
como mecanismos de defesa e sobrevivência ("podem salvar").
A estrofe ensina que
reconhecer as próprias limitações e ter imperfeições ("erros são certos
pra sermos únicos") faz parte do amadurecimento humano.
05
– Qual é a crítica feita ao medo e à estagnação nos versos "mas com medo
não se vive / com receio não se vai / com a dúvida não se arrisca / não se voa,
não se cai"?
O eu lírico
critica a postura de covardia e imobilismo diante da vida. Ele enfatiza que o
erro e a queda são partes naturais do aprendizado ("não se voa, não se
cai"). Quem se deixa paralisar pelo medo ou pela dúvida renuncia à própria
experiência de viver plenamente. Essa ideia é arrematada na crítica aos
"covardes" (cujo caminho é curto/limitado) e aos "ignorantes"
(cujo riso é superficial/triste por falta de vivência real).
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