terça-feira, 15 de setembro de 2026

MÚSICA(ATIVIDADES): UM DEUS ATEU - GUILHERME ARANTES - COM GABARITO

 Música (Atividades): Um Deus Ateu

          Guilherme Arantes

Quem
Te roubou o inocente jardim
Tuas faces de rubras maçãs
Teu condão
Talismã
Quem levou
Nossas verdes manhãs de sol
Tardes sem fim

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEglN1JaJZOe2NH6mYo3wzyrSQhXG5fZZ2xHfH1urIcM9RonF2Vj6_P5a9MkHzBQQpQjO9J1RlQyrn6yKYvbCuOhYB59Uy2xDp-5yQNvN47ByB9PvW91iRHG3SII0g7nYXL3WyLT_8HxjlQWPYToRA6yNpCoyoGYiil0G0WMZorTD4kFGQZ6ZktLT9MZG5U/s1600/images.jpg 


Inventou a distância cruel
Levou a linha, a vareta e o papel
Lavou o céu
Secou o mar
Jogou nuvens de areia nos olhos
Muralhas de pedras
Brilhantes que furtam a visão
Como um deus ateu
Vaguei vagabundo
Morei num barril
Andei condenado
A viver buscando
Cana de açúcar
Duna de sal
Moinho de sonho
Usina do amor
No torvelinho
Na febre no frio
Não se perdeu
Nosso ébrio navio.

Composição: Guilherme Arantes.

Entendendo a música:

01 – Qual é o significado da perda do "inocente jardim" e das "verdes manhãs de sol" no início da canção?

      Essa perda simboliza o fim da infância, da pureza e a nostalgia de um tempo mais simples e protegido. O "inocente jardim" e as "verdes manhãs" representam a beleza da juventude e a harmonia do passado que foram rompidas pela maturidade, pelo tempo ou pelo surgimento de uma separação dolorosa.

02 – De que forma a metáfora "Levou a linha, a vareta e o papel" se conecta com a mudança de estado do eu lírico?

      A junção de "linha, vareta e papel" faz referência lúdica à confecção de uma pipa (papagaio), brinquedo tradicional da infância. O desaparecimento desses objetos marca o fim da leveza e da liberdade infantil. Esse contraste prepara o leitor para o surgimento dos obstáculos da vida adulta, representados pela "distância cruel" e pelas "nuvens de areia nos olhos".

03 – Qual é o efeito do paradoxo construído na expressão "Como um deus ateu" para caracterizar a condição do eu lírico?

      O paradoxo une dois conceitos opostos: a figura do "deus" (símbolo de criação, poder e luz) e o qualificativo "ateu" (símbolo da ausência de fé, abandono e descrença). Essa imagem traduz a crise existencial do eu lírico que, apesar de possuir força criativa e sensibilidade poética, sente-se desamparado, solitário e sem um rumo espiritual ou afetivo a seguir.

04 – Qual é o significado cultural e filosófico da alusão ao verso "Morei num barril" e sua relação com a busca pessoal do eu lírico?

      A menção a "morar num barril" faz uma alusão ao filósofo grego Diógenes de Sínope (o Cínico), conhecido por viver em um barril e abdicar de todos os bens materiais. Na canção, a imagem reforça a vida despojada e errante do eu lírico, que prefere a simplicidade e a busca por elementos essenciais ("cana de açúcar", "duna de sal", "moinho de sonho") em vez dos luxos representados pelas "muralhas de pedras brilhantes que furtam a visão".

05 – Como a metáfora do "ébrio navio" na estrofe final expressa a resiliência do sentimento diante das adversidades?

      O "ébrio navio" (embarcação embriagada ou à deriva) representa a trajetória turbulenta da vida e das emoções, que navega sem rumo fixo por meio de tempestades ("torvelinho", "febre", "frio"). Ao concluir com a afirmação "Não se perdeu / Nosso ébrio navio", o eu lírico celebra a resistência da relação ou do próprio espírito, que sobreviveu aos percalços e manteve sua jornada viva.

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário