domingo, 20 de setembro de 2026

NOTÍCIA: NAS PEGADAS DOS BRASILSAUROS - FRAGMENTO - REVISTA SUPERINTERESSANTE - COM GABARITO

 Notícia: Nas pegadas dos brasilsauros – Fragmento

        Esqueça Hollywood. O Brasil já teve dinossauros de verdade, tão temíveis quanto os astros de Jurassic Park.

        Corria o ano de 1897 quando o agricultor Anísio Fausto da Silva encontrou umas pegadas estranhas no leito seco de um rio que passava nos fundos de sua propriedade, em Sousa, sertão da Paraíba. Sem saber do que se tratava, seu Anísio batizou a trilha de “rastro da ema”. Alguns anos depois, os cientistas descobriram que a tal “ema” era na realidade um iguanodonte, que há 130 milhões de anos imprimiu na lama a marca de suas patas. Foi a primeira prova de que já houve dinossauros no Brasil. Hoje sabe-se que eles se espalhavam pelo país inteiro e nada ficavam a dever, em tamanho e ferocidade, aos brutamontes que aparecem no filme Jurassic Park, do americano Steven Spielberg.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2f478yaoor_fbLjSyN7283TFoYhKI7PlYQz4R3Fl4yYV7s2C-1IHqfV4npvkBLueKgtOfTjcVb6fZP8IERdWMGAFE1v_DN8CZDX7Z7xk8Ku8C9r5nN7Xa4cmGOtIz54fk76EN9OwRjmgPcsq2hNC-5qHmssrhO-g9ujT3ELxpRbHldxxd9RCSEI2hjkU/s320/images.jpg
 

         “Há cerca de vinte espécies de dinossauro identificadas no país”, informou à SUPER o paleontólogo Reinaldo Bertini, da Universidade Estadual Paulista, em Rio Claro. Estão fora dessa lista, é verdade, celebridades como o tiranossauro ou o velociráptor, as estrelas de Spielberg. Esses bichos só existiram no hemisfério norte.  Em compensação, o Brasil abrigou parentes muito próximos deles. O abelissauro, [...] pode até ser confundido com seu primo mais badalado, o tiranossauro. O vegetariano titanossauro, de 15 metros de comprimento, era o similar nacional do pescoçudo apatossauro, conhecido antigamente como brontossauro. E você se lembra dos velociraptores, aqueles monstrengos de passo desengonçado e bote fulminante que quase comeram os heróis do filme? Pois restos de um predador muito parecido, o deinonicossauro, foram achados no interior de São Paulo e de Minas Gerais. Sorte que você não corre o risco de topar com um deles por aí.

        Os avós dos gigantes eram gaúchos nanicos

        Bá, que baita descoberta, tchê! Um dos dinos mais antigos da Terra é gaúcho, de Santa Maria. Foi encontrado por acaso, em janeiro do ano passado, pelo paleontólogo Max Langer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ele mostrava a um colega argentino um local de escavações abandonado quando deparou com um fóssil encravado num barranco.  Foi conferir e achou três esqueletos de um réptil desconhecido pela Ciência que viveu há 230 milhões de anos, a época em que surgiram no planeta os primeiros dinossauros. Com apenas 1,5 metro de comprimento por 80 centímetros de altura, era um nanico se comparado aos grandalhões que vieram depois. Alimentava-se de plantas e de pequenos animais. Langer levou os fósseis para a Universidade de Bristol, na Inglaterra, onde está tentando comprovar sua hipótese de o bicho é um ancestral dos saurópodes, família de quadrúpedes que inclui os maiores dinos conhecidos, como o apatossauro.

        Não é primeira vez que um vovô-dino aparece em Santa Maria. Em 1934, na mesma cidade, uma expedição formada por brasileiros e americanos descobriu o estauricossauro, um bípede carnívoro de 2 metros de comprimento e 235 milhões de anos. “Os dinossauros mais antigos do planeta viviam aqui no Rio Grande do Sul”, orgulha-se Langer.

        [...]

        O paraíso dos lagartos voadores

        Eles não eram dinossauros, mas dominavam o céu. Temíveis répteis voadores, os pterossauros habitaram a Chapada do Araripe, no sertão do Ceará, 100 milhões de anos atrás. Alguns mediam uns poucos centímetros de uma ponta da asa à outra. Outros, como o tupuxuara, descoberto em 1993, chegavam a 6 metros. Viveram e sumiram na mesma época que os dinos.  Araripe é um dos locais com maior concentração desses bichos no mundo. Das 122 espécies conhecidas, dezoito foram achadas lá. Isso explica por que alguns desses lagartos alados receberam dos paleontólogo nomes em tupi, como anhanguera (“diabo velho”) e tapejara (“antigo morador”). A preferência pela chapada se deve aos paradisíacos lagos de água salgada que um dia a cobriram. Era de lá que os pterossauros retiravam os peixes, base de sua dieta.

        Primeiros vertebrados a voar, eles surgiram há 150 milhões de anos. “Seus ossos eram ocos e frágeis, o que os deixava mais leves e ajudava na decolagem”, explicou à SUPER o paleontólogo Alexandre Kellner, do Museu Nacional do Rio de Janeiro, que há muitos anos estuda os pterossauros. No voo, o bicho não gastava energia. Graças ao formato das asas, extremamente leves, aproveitava as correntes ascendentes de ar para ganhar altura. Como os aviões planadores.

Revista Superinteressante Especial – Pré-história brasileira. São Paulo, Editora Abril, abr. 1999. p. 13, 16 e 18.

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 52-53.

Entendendo a notícia:

01 – Como ocorreu a primeira descoberta de evidências da existência de dinossauros no Brasil e como esse achado foi interpretado inicialmente?

      A primeira prova ocorreu em 1897, no município de Sousa (sertão da Paraíba), quando o agricultor Anísio Fausto da Silva encontrou pegadas no leito seco de um rio em sua propriedade. Sem conhecimento científico, seu Anísio acreditou que as marcas fossem de uma ave e batizou a trilha de “rastro da ema”. Anos mais tarde, cientistas identificaram que as pegadas pertenciam, na verdade, a um iguanodonte que viveu há 130 milhões de anos.

02 – O texto menciona que espécies famosas do cinema, como o Tiranossauro Rex e o Velociraptor, não viveram no Brasil. Quais eram os "correspondentes nacionais" dessas e de outras espécies citados na matéria?

      Apesar de as estrelas do cinema terem vivido apenas no hemisfério norte, o Brasil abrigou parentes muito próximos:

      Abelissauro: parente e similar ao Tiranossauro.

      Titanossauro: vegetariano de 15 metros, similar ao Apatossauro (antigo Brontossauro).

      Deinonicossauro: predador encontrado em SP e MG, parente próximo e similar ao Velociraptor.

03 – Qual foi a descoberta realizada pelo paleontólogo Max Langer em Santa Maria (RS) e qual a sua importância para o estudo da evolução dos dinossauros?

      Max Langer encontrou três esqueletos fósseis de um réptil desconhecido de 230 milhões de anos, medindo apenas 1,5 metro de comprimento por 80 centímetros de altura. A descoberta é fundamental porque o fóssil pertence à época em que surgiram os primeiros dinossauros do planeta, sendo apontado como um possível ancestral dos saurópodes (família de quadrúpedes gigantescos).

04 – Além do fóssil achado por Max Langer, qual outro importante achado paleontológico em Santa Maria fortalece a afirmação de que os dinossauros mais antigos do planeta viviam no Rio Grande do Sul?

      Trata-se da descoberta do estauricossauro, realizada em 1934 por uma expedição de brasileiros e americanos. O estauricossauro era um bípede carnívoro de 2 metros de comprimento e cerca de 235 milhões de anos.

05 – Apesar de habitarem o céu no mesmo período dos dinossauros, os pterossauros pertenciam a outro grupo. Por que a Chapada do Araripe, no Ceará, tornou-se um dos maiores pontos de concentração desses répteis no mundo?

      A Chapada do Araripe atrai atenção paleontológica por abrigar 18 das 122 espécies conhecidas de pterossauros. Essa grande concentração no passado ocorreu porque a região era coberta por lagos de água salgada, ambiente ideal para os pterossauros encontrarem peixes, que eram a base de sua alimentação.

06 – Como a origem indígena influenciou a nomenclatura científica de algumas espécies de pterossauros encontradas no Brasil? Dê exemplos presentes no texto.

      Devido ao expressivo número de descobertas na Chapada do Araripe, os paleontólogos batizaram alguns desses lagartos alados com nomes derivados da língua tupi. Os exemplos citados no texto são o Anhanguera (que significa “diabo velho”) e o Tapejara (que significa “antigo morador”).

07 – Quais características anatômicas e biológicas permitiam que os pterossauros voassem e plainassem sem gastar muita energia?

      Os pterossauros possuíam ossos ocos e frágeis, o que reduzia seu peso e facilitava a decolagem. Além disso, o formato de suas asas extremamente leves permitia que eles aproveitassem as correntes ascendentes de ar para ganhar altura e planar sem grande esforço físico, funcionando de forma semelhante a aviões planadores.

 

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