segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

CRÔNICA: UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO - RAQUEL DE QUEIROZ - COM GABARITO

 Crônica: Uma espécie em extinção

             Raquel de Queiroz

        A moça, estudante de letras, me perguntou o que eu achava da avassaladora invasão de neologismos no nosso idioma. Bem, acho que da nova linguagem que acompanhou e acompanha a era dos computadores, é muito difícil escapar. Ninguém vai ficar inventando traduções para coisas que não fomos nós que inventamos e a maioridade nós mal sabemos do que se trata. Deletar, por exemplo, não tem um sentido muito mais amplo do que simplesmente apagar? 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiwK2LNm2c9932Us9NkdGIrU4LXp_v_tpLv-3wP2nJ83EVyQuk6fonX68ShE1r_2MbZqmu0Pe7xTV01lEV_OkvK8qGi30ssQaJ29zL-2Ns7X75FCc9ZPQC-MkWabOWBzdKCXbnkgup_H3d29-DatCcG9POJcqRNeplTzFpxE3njEV5ZcAg2swzKKGb9izU/s320/rachel-de-queiroz.jpg


Mas não quero me arvorar nessa discussão de filólogos, mormente que não me entendo com computador. Aliás, fora esses, que vêm no bojo das novas tecnologias, neologismos, principalmente os de gíria, têm quase sempre nascimento humilde. As pessoas mais cultas, ou escutam as palavras difíceis na sua própria casa ou as consultam nos dicionários. O ignorante comum tem seu próprio dicionário na cabeça, restrito, é verdade, muito faltoso na conjugação dos verbos, mas dono de um toque pessoal iniludível.

        Foi um assunto que sempre me impressionou, como é que nasce uma linguagem. Quando eu era ainda menina e começaram a me ensinar francês, o grande mistério para mim era: como foi que eles deram para falar desse jeito? Inventaram primeiro as palavras todas e desandaram falando, ou foram inventando as palavras de uma em uma?

        Devemos confessar que, a esta altura do mundo, ainda sabemos muito pouco da invenção da linguagem. Claro que os especialistas explicam tudo a respeito, mas quem é que acredita em especialista? Por exemplo: na nossa língua se diz menino-menina. De repente veio alguém, que inventou "criança", uma palavra só para dizer no lugar das duas. E afinal todas essas minhas hipóteses são justas, pois ninguém sabe mesmo como é que nasce um idioma. Descartando-se a origem bíblica do par inicial, Adão e Eva, que já nasceu grandinho e falando tudo, como é que começa uma língua? Tudo virá mesmo de um casal inicial? Porque, em resumo, a indagação principal é esta: a gente provém de um par humano único ou da lenta transformação de macacos em homens? E, mesmo dentro desta hipótese, como começou o primeiro casal de macacos? Os livros de História Natural não nos ensinam nada disso. Será que a princípio foi uma bolha e dentro da bolha havia um ponto de vida, e esse ponto virou um animálculo, e o animálculo foi-se dividindo em duas partes, e depois suas metades se dividiram em duas, de divisão em divisão, chegaram ao homem? No colégio da Imaculada, quando estudávamos para normalistas, o nosso professor, um médico, ateu, citou as diversas hipóteses para a criação da vida e seu desenvolvimento, e nos disse sorrindo:

        "Escolham a melhor que lhes parecer dessas hipóteses, mas não contem às Irmãs que eu desdenhei de Adão e Eva."

        Vocês já pensaram o que seria essa frase do professor, ou antes, essa dúvida para um auditório de meninas, composto de adolescentes como eu, que era a mais nova, mulheres já feitas, muitas delas se preparando para o noviciado religioso?

        Bem, para as postulantes, as quase freiras, não havia problemas, já estavam encartadas no papel, tinham ouvidos moucos para tudo que fugisse à doutrina. Mas o meu time fervia, cada uma inventava a sua teoria da criação e da reprodução, mas éramos tão excessivamente ignorantes que nada sabíamos, mas nada mesmo, da anatomia humana. Um menino de 5 anos, nu, de certa forma era defeso ao nosso olhar. Menina, desde pequenina, não se misturava com meninos. Maria Vicência, uma das nossas auxiliares de disciplina, nos obrigava a tomar banho de chuveiro, vestidas em camisolões, e uma das auxiliares da disciplina ensinava às pequenas a se enxugar e mudar de roupa. Nós que nos virássemos, protegidas pela toalha que se destinava originalmente não só a nos enxugar, como a nos cobrir. Curioso é que jamais discutíamos em casa a obsessão de modéstia imposta no internato. Em casa víamos nossas tias jovens e as primas passeando pelo quarto em trajes menores, sem qualquer curiosidade de nossa parte. Talvez pensássemos obscuramente que as mulheres de casa compunham um núcleo especial.

        Engraçado é que, da adolescência à velhice, a gente evolui muito menos do que pensa. Mesmo depois de tanta idade, ainda temos uma vasta cópia de curiosidades reprimidas.

        Talvez as moças de hoje já procedam diversamente. Mas nós, coitadas, vamos morrer mesmo como espécies de uma raça extinta.

QUEIROZ, Raquel de. Correio Braziliense. Disponível em: http://www2.correioweb.com.br/EDICAO 20020805/pri opi 050802 16htm. Acesso em: 5 ago. 2002.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 134-135.

Entendendo a crônica:

01 – Qual a principal ideia que a crônica busca transmitir?

      A crônica busca transmitir a ideia de que a linguagem é um fenômeno complexo e cheio de mistérios. A autora questiona a origem das palavras, a evolução da linguagem e a forma como construímos nosso conhecimento sobre o mundo. Além disso, a crônica reflete sobre a construção da identidade feminina e a repressão sexual na época em que a autora viveu.

02 – Qual o papel da anedota sobre o professor ateu na crônica?

      A anedota sobre o professor ateu serve para ilustrar a complexidade das questões relacionadas à origem da vida e à criação. Ao apresentar diferentes hipóteses, o professor provoca a curiosidade das alunas e as convida a questionar as verdades estabelecidas.

03 – Qual a importância da referência à vida no internato para a crônica?

      A referência à vida no internato permite que a autora explore a construção da identidade feminina em um ambiente marcado pela repressão sexual e pela imposição de valores religiosos. A experiência da autora no internato revela a curiosidade natural dos adolescentes em relação ao corpo e à sexualidade, contrastando com a rigidez das normas sociais da época.

04 – Qual a relação entre a linguagem e a identidade?

      A linguagem é uma ferramenta fundamental para a construção da identidade. As palavras que utilizamos, a forma como nos expressamos e o nosso vocabulário revelam muito sobre quem somos e como vemos o mundo. A autora sugere que a linguagem não é apenas um meio de comunicação, mas também um reflexo da nossa história e da nossa cultura.

05 – Qual a importância da pergunta sobre a origem da vida para a crônica?

      A pergunta sobre a origem da vida serve como ponto de partida para uma reflexão mais ampla sobre a existência humana. Ao questionar como a vida surgiu e como a linguagem se desenvolveu, a autora nos convida a pensar sobre nosso lugar no universo e sobre o significado da vida.

06 – Qual o tom predominante na crônica?

      O tom predominante na crônica é irônico e leve. A autora utiliza a linguagem coloquial e a primeira pessoa do singular para criar uma proximidade com o leitor e tornar a leitura mais agradável. Ao mesmo tempo, a crônica aborda temas profundos e complexos de forma inteligente e perspicaz.

07 – Qual a relevância da crônica para a sociedade contemporânea?

      A crônica de Raquel de Queiroz continua relevante para a sociedade contemporânea, pois aborda questões que ainda são objeto de debate, como a origem da vida, a construção da identidade e a relação entre linguagem e pensamento. Além disso, a crônica nos convida a refletir sobre o papel da educação na formação do indivíduo e a importância de questionar as verdades estabelecidas.

 

 

NOTÍCIA: A TRISTE SAGA DE JAYSON BLAIR - OMBUDSMAN - BERNARDO AJZENBERG - COM GABARITO

 Notícia: A triste saga de Jayson Blair – OMBUDSMAN

             BERNARDO AJZENBERG

        A Folha deu pouca bola para o assunto na semana, mas o fato é que, desde domingo, o jornalismo, em especial o norte-americano, levou um brutal soco no estômago.

        Ele foi produzido por uma extensa reportagem do "New York Times" daquele dia sobre erros, fraudes, plágios e invenções contidas em textos produzidos ao longo de cinco meses por um de seus repórteres, Jayson Blair, 27, que deixou o jornal dia 1º.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi9UV0BIIoZuQkqxr-NnJ9_s1Vyu-ubNfTsI8akRgTS0XPBxRoTjRidc5sWsolXloFq1JMBpLjQY9NZ-ZjnpA0d7RpB7uA0aBHmlnucTkXbExBGbQ9yXzXr0qmP11cBmMzY7Ff_jj4NZXHJ1NTmHX6l1nFzP34a4UQqV9ahyphenhyphenorGJNPCWtjeVmixaMJRwIE/s320/NOTICIA.jpg

        O levantamento, feito por repórteres, editores e pesquisadores do próprio "Times", ocorreu a partir da constatação de que um texto de Blair publicado em 26/4 sobre a família de um soldado desaparecido no Iraque plagiava reportagem de oito dias antes do "San Antônio Express-News", do Texas.

        Constataram-se ao menos 36 fraudes nas 73 reportagens dele publicadas entre outubro de 2002 e abril último, detalhadas nas quatro páginas que o "Times" usou para o caso domingo.

        Blair fingia mandar matérias de lugares onde não estava, usava fotos para forjar detalhes que não presenciara, inventava declarações. Cerca de 600 reportagens de sua autoria publicadas desde 1998 estão sendo checadas.

        Crise

        O "New York Times", com 152 anos de existência, é considerado o jornal mais influente dos EUA e um dos mais importantes do mundo. Faz parte das instituições que estruturam a democracia naquele país. Publica diariamente uma seção de "Correções", goza uma tradição de independência e credibilidade.

        O próprio fato de ter divulgado o caso com estardalhaço, em evidente tom de mea-culpa, conta, nesse sentido, a seu favor.

        História e transparência, porém, não respondem à questão principal: como foram possíveis tantas fraudes durante tanto tempo num jornal como esse?

        Na quarta-feira, cerca de 500 de seus jornalistas se reuniram por duas horas, com a direção, numa sala de cinema de Nova York para discutir o problema.

        Embora o encontro tenha sido a portas fechadas, relatos da própria mídia norte-americana dão conta de que o clima, ali, foi de tensão e crise declarada, com abertos questionamentos em relação aos mecanismos de controle do jornal, critérios de recrutamento e promoção, subestimação da comunicação interna.

        Questiona-se, inclusive, se não houve excessiva tolerância da cúpula com Blair – sobre quem circulavam advertências quanto a imprecisões e comportamento duvidoso já no início de 2002 – devido ao fato de ele ser negro e de o jornal adotar uma política de recrutamento que valoriza a chamada "ação afirmativa".

        Desde outubro, por exemplo, o jornalista enviara textos supostamente de 20 cidades em seis Estados sem ter submetido à administração um único recibo para prestação de contas.

        Em programa na CNN, o colunista de mídia do "Washington Post", Howard Kurtz, chegou a pôr em dúvida o próprio procedimento do "Times" para apurar os erros de Blair.

        "Acho que esse é um exemplo clássico em que o jornal poderia usar um ombudsman com visão independente, pois, no fim das contas, os editores que, em última instância, estão envolvidos no caso são os mesmos que supervisionam essa investigação", disse o jornalista.

        Alguém fora da estrutura de poder do jornal, argumenta Kurtz, poderia, por exemplo, questionar Howell Raines (editor-executivo) sobre o fato de ele próprio ter congratulado Blair num e-mail sobre sua cobertura no caso do atirador de Washington ano passado.

        Momento delicado

        Casos assim já ocorreram nos EUA, mas não num veículo tão portentoso, por tanto tempo, com tamanha dimensão – tampouco num momento tão delicado, em que, além de sofrer forte crise econômica, a mídia é questionada por sua quase generalizada subserviência ao "patriotismo" de George W. Bush.

        A Folha, porém, deu ao assunto, segunda-feira, apenas uma notinha em pé de página, diferentemente de concorrentes, que tiveram mais sensibilidade para captar a sua dimensão histórica.

        Na terça, recuperou-se um pouco ao noticiar, com foto de Blair, que o jornal "The Boston Globe", no qual ele também trabalhara por alguns meses, deflagara a sua própria investigação.

        Houve um editorial na edição de quarta e só – ao menos até o fechamento desta coluna.

        Aliás, a ombudsman do "Globe", Christine Chinlund, com quem troquei e-mails, lamenta o ocorrido de modo simples:

        "A saga de Jayson Blair é, acima de tudo, uma saga muito triste. Ela se institui como uma lembrança a todos os jornalistas e editores sobre a necessidade de uma vigilância extrema quanto à exatidão. Não podemos, jamais, abrir mão disso".

        O "Times", o "Globe" e outros jornais dos EUA anunciaram uma revisão de procedimentos internos de checagem e controle.

        No Brasil, revelaram-se até o momento poucos casos de fraude ou plágio. A "triste saga" de Jayson Blair deve servir, no mínimo, como um enorme sinal amarelo.

Folha de São Paulo, 18/5/03, p. A-6.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 184-185.

Entendendo a notícia:

01 – Qual foi o principal impacto do caso Jayson Blair no jornalismo?

      O caso de Jayson Blair abalou profundamente a credibilidade do New York Times, um dos jornais mais respeitados do mundo. Revelou falhas nos sistemas de checagem e controle do jornal, gerando uma crise de confiança e levando a uma revisão dos procedimentos internos em diversas redações.

02 – Quais foram as principais fraudes cometidas por Jayson Blair?

      Jayson Blair cometeu diversas fraudes, como inventar informações, plagiar outros jornalistas, e atribuir a si mesmo a autoria de reportagens que não realizou. Ele também falsificou dados e localizações, enganando tanto os leitores quanto seus colegas de trabalho.

03 – Por que o caso de Jayson Blair gerou tanta repercussão?

      O caso gerou tanta repercussão por diversos motivos: o New York Times é um dos jornais mais influentes do mundo, e a descoberta das fraudes de um de seus repórteres abalou a confiança no jornalismo como um todo. Além disso, o caso levantou questões importantes sobre a ética profissional, a importância da checagem de fatos e os mecanismos de controle nas redações.

04 – Quais as principais consequências do caso para o New York Times?

      O caso levou à demissão de Jayson Blair e de dois altos executivos do jornal. Além disso, o New York Times implementou novas medidas de controle de qualidade e criou a figura do ombudsman, um profissional independente responsável por investigar queixas e garantir a integridade jornalística.

05 – Quais as implicações do caso para o jornalismo brasileiro?

      O caso de Jayson Blair serviu como um alerta para o jornalismo brasileiro, que também precisa estar atento à necessidade de manter altos padrões de qualidade e ética. A história mostrou a importância de mecanismos de checagem rigorosos e da transparência nas redações.

06 – Qual a importância da figura do ombudsman no jornalismo?

      O ombudsman desempenha um papel fundamental no jornalismo, atuando como um defensor dos leitores e garantindo a independência editorial. Ele investiga queixas, analisa o trabalho dos jornalistas e faz recomendações para melhorar a qualidade do jornalismo.

07 – Qual a importância da cobertura desse tipo de caso pela imprensa?

      A cobertura de casos como o de Jayson Blair é fundamental para manter a transparência e a credibilidade do jornalismo. Ao divulgar as falhas e os erros, a imprensa contribui para um debate público sobre a ética profissional e a importância da verdade. Além disso, a cobertura desse tipo de caso pode levar a melhorias nos processos internos das redações e fortalecer a confiança dos leitores.

 

 

SONETO: PAULINDRÔMICO - PAULO HENRIQUE BRITTO - COM GABARITO

 SONETO: PAULINDRÔMICO

                 Paulo Henriques Britto

Ter algo que dizer não é o que conta.

O "como" é que o poeta faz de monta.

 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiWMkb459AvAgR4ZnT4D3gdsCVtP5wyRhoDqAOREeP5eMA_6olDzyaGYsH6rTbqxfUSwRLteFDo-QDZtwBogxz4kthwZH5dz-Q8vtfBU7nMpholVW-gIzegOipppoClRdqVW5iEykvB1ovtz14tZ2YBUpUABB7Lh2bL9qC5JiuhQPW-fpKEij69gHDiduk/s1600/sONETO.jpg

Algum palestrador alega assim,

que o verbo é pedra em si, não ferramenta.

Mas isso não é cláusula pra mim.

 

Prefiro achar que ter um bom motivo,

além do jeito, é justo requisito.

Concordo, enfim, com Paulo Henriques Britto

que existe inspiração num verso vivo.

 

Ocorre que um poema é meio e fim,

porém precisa ser de alguém que enfrenta

dor, fome, angústia, azar, algo ruim.

 

Não basta o "como" em verso ou prosa pronta.

Temer o tema é o medo que amedronta.

Paulo Fernando Henriques Britto (Rio de Janeiro RJ 1951).

Entendendo o soneto:

01 – Qual a principal tese defendida pelo poeta no soneto?

      A tese central do poema é a de que a forma e o conteúdo são indissociáveis na poesia. O "como" se expressa é tão importante quanto o "o quê" se diz. O poeta defende que a técnica e a inspiração devem caminhar juntas para que um verso seja verdadeiramente vivo e significativo.

02 – O que significa o termo "paulindrômico" no título do poema?

      O termo "paulindrômico" faz referência à característica dos palíndromos, palavras ou frases que se leem da mesma forma tanto da esquerda para a direita quanto da direita para a esquerda. No contexto do poema, essa referência sugere a ideia de uma construção poética que se equilibra entre forma e conteúdo, onde cada elemento se complementa e reforça o outro.

03 – Qual a crítica do poeta à ideia de que "o verbo é pedra em si"?

      O poeta critica a ideia de que a linguagem poética seja apenas um instrumento técnico, desvinculado da experiência humana. Para ele, a poesia não se resume à mera manipulação de palavras, mas sim à expressão de emoções, sentimentos e ideias profundas. A poesia, segundo o autor, nasce da experiência de viver, de sentir a dor, a angústia e a alegria.

04 – Qual a importância da inspiração para o processo criativo do poeta?

      A inspiração é fundamental para o processo criativo do poeta, segundo Paulo Henriques Britto. No entanto, a inspiração por si só não basta. É necessário que o poeta tenha algo a dizer, um motivo para escrever. A inspiração, portanto, deve ser combinada com a técnica e a experiência de vida para que a poesia seja autêntica e significativa.

05 – Qual o papel do poeta na sociedade, segundo o poema?

      O poeta, segundo o poema, tem o papel de dar voz às emoções e aos sentimentos universais. Ao enfrentar a dor, a angústia e o azar, o poeta se torna um porta-voz da humanidade, expressando aquilo que todos sentimos, mas nem sempre conseguimos dizer. A poesia, nesse sentido, é uma forma de comunicação profunda e transformadora, capaz de tocar o coração das pessoas.

 



sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

POEMA: O CIRCO - O MENINO - A VIDA - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

 Poema: O CIRCO – O MENINO – A VIDA

             Mário Quintana

A moça do arame 

Equilibrando a sombrinha 

Era de uma beleza instantânea e fulgurante! 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiThIwUCXHq14Zrxz7PXxN16Mu_GvTAiNLfbStUnMylyACFz-PjFTFO3hqCToN5cVY3Vvmm-4rzdpnNGzEPiB713TC4v3F4rWWnuJQjtD3TDTl_bplV_-Uk8wVKy-KsfIlRR9ghJj1C6wj2_1RGZCKLIdB2_i4hnE3ld5Qt6GugHkGDjatpot6tMFHju6s/s1600/CHUVA.jpg


A moça do arame ia deslizando e despindo-se. 

Lentamente. 

Só para judiar. 

E eu com os olhos cada vez mais arregalados 

Até parecerem dois pires:

Meu tio dizia:

“Bobo!” 

Não sabes 

Que elas sempre trazem uma roupa de malha por baixo? 

(Naqueles voluptuosos tempos não havia nem maiôs nem biquínis...) 

Sim! Mas toda a deliciante angústia dos meus olhos virgens

Segredava-me 

Sempre: 

“Quem sabe?”

Eu tinha oito anos e sabia esperar.

Agora não sei esperar mais nada 

Desta nem da outra vida.

No entanto

O menino 

(que não sei como insiste em não morrer em mim) 

ainda e sempre 

apesar de tudo 

apesar de todas as desesperanças,

o menino 

às vezes

segreda-me baixinho 

“Titio, quem sabe?...”

Ah, meu Deus, essas crianças!

Mario Quintana. Nova antologia poética. 2. ed. Porto Alegre: Globo, 1987, p. 86-87.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 32-33.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal sensação que o eu lírico experimenta ao observar a moça do arame?

      O eu lírico experimenta uma intensa e fulgurante beleza, misturada com uma crescente expectativa e desejo. A moça, com seus movimentos lentos e sensuais, desperta nele uma curiosidade quase infantil, aguçada pela incerteza sobre o que se esconde por baixo de suas roupas.

02 – Qual o papel do tio na percepção do eu lírico?

      O tio representa a figura da razão e da experiência, tentando conter a imaginação do menino e apresentar uma visão mais realista da situação. Ele tenta desmistificar a beleza da moça, revelando a roupa de malha por baixo, mas não consegue apagar a fantasia do sobrinho.

03 – Como a visão de criança e a visão de adulto se contrapõem no poema?

      A visão de criança é marcada pela imaginação, pela esperança e pela capacidade de esperar. O menino acredita que tudo é possível e se encanta com a beleza e o mistério da moça. Já a visão de adulto é mais realista e pragmática, marcada pela experiência e pela consciência das limitações.

04 – Qual o significado da frase "Agora não sei esperar mais nada"?

      Essa frase revela uma sensação de desencanto e perda da capacidade de sonhar. O eu lírico adulto, ao contrário do menino, perdeu a esperança e a capacidade de esperar pelo futuro, sentindo-se frustrado e desiludido.

05 – Qual a mensagem final do poema?

      O poema transmite uma mensagem sobre a passagem do tempo e a perda da inocência. A criança, com sua capacidade de imaginar e esperar, representa a esperança e a beleza da vida. No entanto, a vida adulta traz consigo a desilusão e a perda da capacidade de sonhar. Apesar disso, o poema sugere que a criança interior nunca morre completamente, e que a esperança pode renascer, mesmo nos momentos mais difíceis.

 

 

CRÔNICA: NATAL - FRAGMENTO - LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO - COM GABARITO

 Crônica: NATAL – Fragmento

              Luís Fernando Veríssimo

Natal é uma época difícil para cronistas. Eles não podem ignorar a data e ao mesmo tempo não há mais maneiras originais de tratar do assunto. Os cronistas, principalmente os que estão no métier há tanto tempo, que ainda usam a palavra métier – já fizeram tudo que havia para fazer com o Natal. Já recontaram a história do nascimento de Jesus de todas as formas: versão moderna (Maria tem o bebê numa fila do SUS), versão coloquial (“Pô, cara, aí Herodes radicalizou e mandou apaga as pinta recém-nascida, baita mauca”), versão socialmente relevante (os três reis magos são detidos pela polícia a caminho da manjedoura, mas só o negro precisa explicar o que tem
no saco) versão on-line (
jotace@salvad.com.bel conta sua vida num chat site), etc.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjEoaItyMrl7Z2Ia3FGtIKpnYXDCh_672Je2b9Nv1CmvVpyD-Fn4C_m0wNN3Jut19ktEG6FHxMMEv_rGmObOVsadnufoIcUHr8flJTgWdxU7qticNaPvvg_gS2S0rkfR8E7K6ae_rAlpV7xBHwIf88JaO3MGC-qvat8crQtLDVI2rMaZ7QaC1qapmQZwWY/s320/aurora_boreal_papai_noel_capa-635x435.jpg


        Papai Noel, então, nem se fala. Eu mesmo já escrevi a história do casal moderno que flagra o Papai Noel deixando presentes sob a árvore de Natal, corre com o Papai Noel e não conta nada da sua visita para o filho porque querem criá-lo sem qualquer tipo de superstição várias vezes. Poucos cronistas estão inocentes de inventar cartas fictícias com pedidos para o Papai Noel: patéticas (paz para o mundo, bom senso para os governantes), políticas (“Só mais um mandato e eu juro que acerto, ass. Fernando”) ou práticas (“Algo novo para escrever sobre o Natal, por amor de Deus!”).

        Já fomos sentimentais, já fomos amargos, já fomos sarcásticos e blasfemos, já fomos simples, já fomos pretensiosos – não há mais nada a escrever sobre o Natal! Espera um pouquinho. Tive uma ideia. Uma reunião de noéis! Noel Rosa, Noel Coward e Papai Noel. Acho que sai alguma coisa. Noel Rosa, Noel Coward e Papai Noel estão reunidos… onde? Na mesa de um bar? Papai Noel não frequenta bares para não dar mau exemplo. Pelo menos não com a roupa de trabalho. No Polo Norte? Noel Coward, acostumado com o inverno de Londres, talvez aguentasse, mas Noel Rosa congelaria. Não interessa onde é o encontro. Uma das primeiras lições da
crônica é: não especifica. Noel Rosa, Noel Coward e Papai Noel estão reunidos em algum lugar.

        [...]

        Noel Coward e Papai Noel se entreolham. Papai Noel cofia a barba. Ninguém sabe, exatamente, o que é “cofiar”, mas é o que Papai Noel faz, enquanto Noel Coward olha em volta com evidente desgosto por estar em algum lugar. Preferia estar em outro. Ninguém encontra o que dizer, nem eu.

        [...]

        Esquece. Não há mais nada a escrever sobre o Natal.

        [...].

Correio Braziliense, Brasília, 19/12/99.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 21.

Entendendo a crônica:

01 – Qual a principal dificuldade enfrentada pelos cronistas ao escrever sobre o Natal, segundo Veríssimo?

      A principal dificuldade é a falta de originalidade. Os temas natalinos já foram explorados exaustivamente, tornando difícil encontrar novas perspectivas ou abordagens.

02 – Que tipos de abordagens sobre o Natal já foram exploradas pelos cronistas, de acordo com o texto? Cite alguns exemplos.

      Veríssimo cita diversas abordagens, como: versões modernas e coloquiais da história de Jesus, críticas sociais, humor sarcástico e blasfemo, sentimentalismo, e até mesmo o uso de cartas fictícias ao Papai Noel.

03 – Qual a ideia original que Veríssimo apresenta para fugir do lugar-comum sobre o Natal?

      A ideia original é reunir três figuras históricas com o nome "Noel" em um mesmo lugar: Noel Rosa, Noel Coward e Papai Noel. A intenção é criar uma situação inusitada e gerar um diálogo improvável entre esses personagens.

04 – Por que a ideia da reunião entre os três Noéis não funciona, segundo o autor?

      A ideia não funciona porque os personagens são muito diferentes e não há um contexto natural para a reunião. Além disso, o autor reconhece que não consegue encontrar diálogos e situações interessantes para essa cena.

05 – Qual a conclusão a que Veríssimo chega sobre a possibilidade de escrever algo novo sobre o Natal?

      Veríssimo conclui que, após explorar todas as possibilidades e perceber as dificuldades de criar algo original, não há mais nada a escrever sobre o Natal.

 



MÚSICA(ATIVIDADES): A PRIMEIRA VEZ QUE EU FUI AO RIO - RENATO TEIXEIRA - COM GABARITO

 Música(ATIVIDADES): A Primeira Vez Que Eu Fui Ao Rio

             Renato Teixeira

Certa manhã, quando o Sol mostrou a cara
Nós pegamos nossas malas e eu fui conhecer o Rio
Eu e meu pai, numa rural já bem usada
Nos pusemos na estrada muito longa
Que nos leva para o Rio de Janeiro

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhTmQMvldwHBr98YUThwpfl7XN8Q9CZMvGbEAZXAxvCaIMYvCC2y985R28bhuQf4OJsZZO7LvgzuBg6durIJVMCgbypvZkn6tjA3SrpCHA_IIsjJ-Fz4XhmV8qWEndOt542Ey6S9Uhve70HsdQsARS9DWbSkHyvn0gfZVXSqU_jel-cq-7l6rfLYzTg_9A/s320/RENATO.jpg


Eu tinha lá meus 15 anos de idade
E era tanta ansiedade que eu nem consegui dormir
A noite que precedeu nossa viagem
Foi noite de vadiagens pela imaginação
Fala baixo, coração

Nos hospedamos num hotel muito elegante
Em plena Praça Tiradentes
Pois meu pai quis me mostrar

Primeiro a parte da cidade que é cigana
Depois, sim, Copacabana
Onde eu fui vestindo um terno
Passear em frente ao mar

À noite, a gente conheceu a Cinelândia
Com todo nosso recato, fomos só apreciar
Antes do sono, nós ficamos conversando
Sobre o medo que se sente no bondinho
Um jeito muito carioca de voar

Foi muito curto o nosso tempo de estadia
Mas valeu por muitos dias de coisas pra se contar
Pra gente que leva uma vida mais tranquila
De um jeito quase caipira, ir ao Rio de Janeiro
É o mesmo que flutuar...

Composição: Renato Teixeira. Renato Teixeira ao vivo no Rio: 30 anos de romaria. Rio de Janeiro: Kuaruo Discos, 1997.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 34-35.

Entendendo a música:

01 – Qual a principal emoção transmitida pela música?

      A música transmite uma forte sensação de nostalgia e saudosismo, revivendo a primeira viagem do autor para o Rio de Janeiro. Há uma mistura de ansiedade, expectativa e encanto com a cidade grande.

02 – Qual o significado da viagem para o protagonista da música?

      A viagem representa uma experiência transformadora e marcante na vida do protagonista. É um momento de descoberta, de contato com uma nova realidade e de amadurecimento.

03 – Que aspectos do Rio de Janeiro são destacados na música?

      A música destaca a dualidade do Rio de Janeiro, mostrando tanto a parte mais tradicional e histórica da cidade (Praça Tiradentes), quanto a parte mais turística e moderna (Copacabana).

04 – Qual o papel do pai na viagem?

      O pai é uma figura importante na história, pois é ele quem proporciona a experiência da viagem ao filho. Ele busca mostrar ao filho os diferentes aspectos da cidade, tanto os mais tradicionais quanto os mais modernos.

05 – Que sentimentos o protagonista experimenta ao visitar a Cinelândia?

      Na Cinelândia, o protagonista sente uma mistura de timidez e admiração. Ele e seu pai observam a cidade com um olhar mais contemplativo e tranquilo.

06 – Qual o significado da frase "É o mesmo que flutuar"?

      Essa frase expressa a sensação de liberdade e leveza que a viagem proporciona ao protagonista. Ir ao Rio de Janeiro é como sair da rotina e se permitir experimentar novas sensações.

07 – Qual o público-alvo da música?

      A música tem um apelo universal, pois fala sobre temas como a primeira viagem, a descoberta de novos lugares e a nostalgia. No entanto, ela pode ter um apelo especial para quem já visitou o Rio de Janeiro ou para quem tem uma relação afetiva com a cidade.

 

 

MÚSICA(ATIVIDADES): PRATO DO DIA - SÉRGIO REIS - COM GABARITO

 Música(ATIVIDADES): Prato do Dia

             Sérgio Reis

Sobre as margens de uma estrada
Uma simples pensão existia
A comida era tipo caseira
E o frango caipira era o prato do dia
Proprietário homem de respeito
Ali trabalhava com sua família
Cozinheira era sua esposa
E a garçonete era uma das filhas

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjSFqGzGT2rNJydtLqghV7KiscenYuwaNLVbwj6CHT2_sAUhaXqaG1QxORqH8YL__uVULjbUOPsaxRrkwbmxJmNhWMZyOvlUlJfT98zyuz6e7H0PJzcVCctAwCkDSRZzH0wXHm5BymgHNpPiY2W7S2buogONGUpYFpGAMutM7-jH7WNuYepw71qwBmKQRc/s320/SERGIO.jpg


Foi chegando naquela pensão
Um viajante já fora de hora
Foi dizendo para a garçonete
Me traga um frango vou jantar agora
Eu estou bastante atrasado
Terminando já vou embora
Ela então respondeu num sorriso
Mamãe tá de pé pode crer não demora

Quando ela foi servir a mesa
Delicada e com muito bom jeito
Me desculpe, mas trouxe uma franga
Talvez não esteja cozida direito
O viajante foi lhe respondendo
Pra mim franga crua talvez eu aceito
Sendo uma igual a você
Seja a qualquer hora também não enjeito

Foi saindo de cabeça baixa
Pra queixar ao seu pai a mocinha
Minha filha mate outra franga
Pode temperar, porém não cozinha
Vou levar esta franga na mesa
Se bem que comigo a conversa é curtinha
E a coisa que mais eu detesto
É ver homem barbado fazendo gracinha

Foi chegando o velho e dizendo
Vim trazer o pedido que fez
Quando o cara tentou recusar
Já se viu na mira de um schmit inglês
O negócio foi limpar o prato
Quando o proprietário lhe disse cortes
Nós estamos de portas abertas
Pra servir a moda que pede o freguês.

Composição: Geraldinho. Sérgio Reis. Marcando estrada. Gravadora Continental, 1995.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 61-62.

Entendendo a música:

01 – Qual a principal história contada na música "Prato do Dia"?

      A música narra um episódio divertido em uma pensão à beira da estrada. Um viajante faminto pede um frango caipira, mas a garçonete, por engano, serve uma franga crua. O constrangimento da situação e a reação do pai da moça, o proprietário da pensão, geram um momento de humor e reflexão sobre as relações humanas.

02 – Qual o significado da frase "A comida era tipo caseira"?

      Essa frase sugere um ambiente familiar e acolhedor na pensão, onde a comida é preparada com carinho e simplicidade, como se fosse feita em casa. Isso contrasta com a comida industrializada e padronizada dos restaurantes.

03 – Qual a reação do viajante ao receber a franga crua?

      Inicialmente, o viajante demonstra surpresa e constrangimento com o erro da garçonete. No entanto, ele surpreende a todos com uma resposta espirituosa, sugerindo que aceitaria a franga crua se ela fosse tão bonita quanto a moça.

04 – Qual a atitude do pai da garçonete diante da situação?

      O pai da garçonete, o proprietário da pensão, demonstra autoridade e firmeza ao resolver a situação. Ele ordena que sua filha mate outra franga e serve-a ao viajante, mas também o adverte sobre a necessidade de respeito.

05 – Qual a mensagem principal da música?

      A música "Prato do Dia" transmite uma mensagem sobre a importância da simplicidade, da hospitalidade e do bom humor nas relações humanas. Ela mostra que, mesmo em situações inusitadas, é possível encontrar soluções criativas e manter a cordialidade. Além disso, a música valoriza a família e o trabalho honesto.

 

 

SONETO: JULGA-ME A GENTE TODA POR PERDIDO - LUÍS DE CAMÕES - COM GABARITO

 Soneto: Julga-me a gente toda por perdido

               Luís de Camões

Julga-me a gente toda por perdido,
Vendo-me tão entregue a meu cuidado,
Andar sempre dos homens apartado
E dos tratos humanos esquecido.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhglwdR3fIUcnlPde-vfG9o55AGl7z6lGVvRRB45-De5zaiA94YzmwikuK8d1b7OWx2Hpndi60YwEhmzidXft-Bqn1DyrHw7ztIXlq99vM2MCzkESwQpvjgJ5aGVoY7BpRBvPmEvJ1O5n0KMpOrNBBovcnCQuky-pMVQGihRoaeiSnkKa8HHqz9LPalUJA/s320/ALMA.jpg


Mas eu, que tenho o mundo conhecido,
E quase que sobre ele ando dobrado,
Tenho por baixo, rústico, enganado
Quem não é com meu mal engrandecido.

Vá revolvendo a terra, o mar e o vento,
Busque riquezas, honras a outra gente,
Vencendo ferro, fogo, frio e calma;

Que eu só em humilde estado me contento
De trazer esculpido eternamente
Vosso fermoso gesto dentro na alma.

http://www.uol.com.br/cultvox/livros_gratis/luissonetos.pdf.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 83.

Entendendo o soneto:

01 – Qual a principal queixa do eu lírico no início do soneto?

      O eu lírico se queixa de ser julgado como perdido e solitário pelas pessoas ao seu redor, devido ao seu isolamento e afastamento dos relacionamentos sociais. Ele se sente incompreendido e marginalizado.

02 – Qual a verdade que o eu lírico revela sobre si mesmo na segunda estrofe?

      Na segunda estrofe, o eu lírico revela que, apesar de parecer perdido e solitário, ele possui um vasto conhecimento do mundo e uma profunda experiência de vida. Ele se considera superior aos outros, que se enganam ao julgá-lo.

03 – Qual a atitude do eu lírico em relação às buscas materiais e sociais?

      O eu lírico despreza as buscas materiais e sociais, como a busca por riquezas e honras. Ele considera essas buscas vazias e insignificantes comparadas ao amor e à beleza interior.

04 – Qual o desejo mais profundo do eu lírico?

      O desejo mais profundo do eu lírico é preservar a imagem da amada em seu coração. Ele busca a imortalidade do amor através da memória e da poesia.

05 – Qual o tom geral do soneto?

      O tom geral do soneto é melancólico e introspectivo. O eu lírico expressa um sentimento de solidão e incompreensão, mas também revela uma grande força interior e uma profunda paixão pela amada.