sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

MÚSICA(ATIVIDADES): CHÃO DE ESTRELAS - SÍLVIO CALDAS - COM GABARITO

 Música(ATIVIDADES): Chão de Estrelas

              Sílvio Caldas

Minha vida era um palco iluminado,
Eu vivia vestido de dourado,
Palhaço das perdidas ilusões.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgJIzxTxUW8zr4TmxNznEbcyiilRPFTo09u7sNEssrjq6V99oY6_GVtePfoxUpkagZpOSjZ6CRq9YGIRlBauq9ae7mnpIVxbYfFxpBzz3fLCCXV9kR1_wuVmrDhLsDqynbikKys8FwMsYroEUgImFdw9isIdR0lslDjtmK7MF-MbCc6qIThEcqTVLSCkg8/s320/silvio-caldas-sc3adlvio-caldas-1958-a.jpg

Cheio dos guizos falsos da alegria,
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações.

Meu barracão, no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro,
Foste a sonoridade que acabou.

E, hoje, quando do sol, a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher, pomba rola, que voou.

Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda qual bandeiras agitadas,
Parecia um estranho festival.

Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar, que nos morros, mal vestidos
É sempre feriado nacional.

A porta do barraco era sem trinco,
Mas a lua furando o nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão.

Tu pisavas nos astros distraída,
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão.

http://www.planeta.terra.com.br/orestesbarbosa.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 86.

Entendendo a música:

01 – Qual a principal metáfora utilizada na música para descrever a vida do protagonista antes da mudança?

      A principal metáfora é a comparação da vida do protagonista com um palco iluminado, onde ele era um palhaço vestido de dourado. Essa imagem representa uma vida superficial, cheia de aparências e ilusões, marcada pela busca por aplausos e reconhecimento.

02 – O que representa o "barracão no morro do Salgueiro" na música?

      O barracão representa um lugar de aconchego, de simplicidade e de amor. É o lar do protagonista e de sua amada, um espaço onde a vida transcorria de forma mais autêntica e feliz, apesar das dificuldades.

03 – Qual a mudança significativa que ocorreu na vida do protagonista?

      A mudança significativa foi a partida da mulher amada, que era a grande companheira do protagonista. Essa ausência gerou um grande vazio em sua vida e o fez refletir sobre o verdadeiro sentido da felicidade.

04 – Qual o significado da frase "Tu pisavas nos astros distraída"?

      Essa frase significa que a mulher do protagonista vivia de forma simples e despreocupada, sem se dar conta da beleza e da felicidade que a cercavam. Ela pisava nas estrelas, ou seja, nos momentos de alegria e de amor, sem perceber sua importância.

05 – Qual a mensagem principal da música?

      A mensagem principal da música é que a verdadeira felicidade não se encontra nos bens materiais, na fama ou no sucesso, mas sim nos momentos simples e compartilhados com as pessoas que amamos. A música celebra a beleza da vida cotidiana, a importância dos laços afetivos e a valorização das pequenas coisas.

 

 

POEMA: ESVOAÇA... ESVOAÇA... ANA CRISTINA CÉSAR - COM GABARITO

 Poema: Esvoaça... Esvoaça…

            Ana Cristina César

É como a vela que se apaga,
E a fumaça sobe e se atenua.
É o amor fraco que se apaga,
Não adiantam poemas para a lua.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiVSlU9cmAQNLisRzotAJuTvH8K-vJD4rw1BmVivjG5urTres0EabDefziB-OovTcq-3mJDk_cJ3lMqje5LLq_WdkRRsmW_QI_d_OzpM8SZsPBFxpR4u-DSDs4mFpXAp7uog-kcDdws4Abjl4_Ml6HJ7Th74jAHnXZeLN21oItxThD5LphMFQaI7nVGNZg/s320/LUA.jpg

Sofre o homem, o amor acaba
E a doce influência esvoaça
Como o fio adelgaçado
De fina e translúcida fumaça

Esvoaça, esvoaça…
Atenua o amor,
Atenua a fumaça.

Para que tanta dor?
E o amor que vai sumindo,

Adelgaça, esvoaça, esvoaça…

Ana Cesar Cristina. Inéditos e dispersos, 4 ed. São Paulo: Instituto Moreira Salles e Ática, 1999, p. 24.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 89.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal metáfora utilizada no poema e o que ela representa?

      A principal metáfora do poema é a comparação entre o amor que se apaga e a vela que se consome, deixando para trás apenas a fumaça. A fumaça, por sua vez, representa a fragilidade e o evanescente do amor que se esvai, tornando-se cada vez mais tênue e tênue. Essa imagem poética serve para ilustrar a ideia de que o amor, como uma chama, pode se extinguir, deixando apenas a lembrança de algo que um dia foi intenso.

02 – Qual a sensação transmitida pelos versos "Sofre o homem, o amor acaba / E a doce influência esvoaça"?

      Esses versos transmitem uma profunda sensação de melancolia e impotência diante do fim de um amor. A expressão "doce influência" sugere a lembrança de momentos felizes e a dificuldade de se desapegar de algo que já não existe mais. A palavra "esvoaça" reforça a ideia de algo leve e fugaz, que se perde no ar como a fumaça.

03 – Qual o papel da repetição da palavra "esvoaça" no poema?

      A repetição da palavra "esvoaça" cria um ritmo cadenciado e hipnótico, intensificando a sensação de perda e de algo que se dissipa lentamente. Essa repetição também enfatiza a ideia de que o amor que se acaba é como uma fumaça que se dispersa no ar, tornando-se cada vez mais tênue e difícil de apreender.

04 – Qual a relação entre o título do poema e seu conteúdo?

      O título "Esvoaça... Esvoaça..." é uma onomatopeia que evoca a imagem de algo leve e flutuante, como a fumaça. Essa repetição antecipa o tema central do poema, que é a fragilidade e o fim do amor. O título, portanto, funciona como uma espécie de premonição do que será desenvolvido nos versos seguintes.

05 – Qual a principal mensagem do poema?

      A principal mensagem do poema é a inevitabilidade da perda e a fragilidade do amor. Ana Cristina César explora a dor da separação e a sensação de vazio que a acompanha. A autora nos convida a refletir sobre a natureza efêmera das relações humanas e a importância de valorizar os momentos de amor enquanto eles duram. O poema também questiona o sofrimento causado pelo fim de um amor, expressando a indagação: "Para que tanta dor?".

 

 

POEMA: O QUE HÁ EM MIM É SOBRETUDO CANSAÇO - ÁLVARO DE CAMPOS - COM GABARITO

 Poema: O que há em mim é sobretudo cansaço

             Álvaro de Campos

O que há em mim é sobretudo cansaço —

Não disto nem daquilo,

Nem sequer de tudo ou de nada:

Cansaço assim mesmo, ele mesmo,

Cansaço.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcL1kq20C7VNHPasLHSREwrCWEjY9D7AIeIJmd6TEnctAo5v54NSaPNz93DYy7Cdpar3YdnReOGxkjBD_lZs49g8bXN_tZtYVltq84yi5z8Y1HlSioIdtPsaRidlpjTh5TD_bpD5ptf8QutrFMlz1lCxOB5qbgR9YP-2aKt_c9s4Oe0WFIFqtAlXTlyZM/s1600/CANSA%C3%87O.jpg


 

A subtileza das sensações inúteis,

As paixões violentas por coisa nenhuma,

Os amores intensos por o suposto em alguém,

Essas coisas todas —

Essas e o que falta nelas eternamente —;

Tudo isso faz um cansaço,

Este cansaço,

Cansaço.

 

Há sem dúvida quem ame o infinito,

Há sem dúvida quem deseje o impossível,

Há sem dúvida quem não queira nada —

Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:

Porque eu amo infinitamente o finito,

Porque eu desejo impossivelmente o possível,

Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,

Ou até se não puder ser...

 

E o resultado?

Para eles a vida vivida ou sonhada,

Para eles o sonho sonhado ou vivido,

Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...

Para mim só um grande, um profundo,

E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,

Um supremíssimo cansaço,

Íssimo, íssimo, íssimo,

Cansaço...

PESSOA, Fernando. Obra poética. (Poesias de Álvaro de Campos). Rio de Janeiro: José Aguillar, 1969, p. 393-394.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 94-95.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal emoção transmitida pelo poema?

      O poema transmite, principalmente, um profundo sentimento de exaustão e desilusão. O "cansaço" é apresentado como uma condição existencial, resultado de uma vida marcada por paixões intensas, desejos inalcançáveis e a busca por algo que sempre parece estar além do alcance.

02 – O que significa o "cansaço" para o eu lírico?

      O "cansaço" para o eu lírico vai além da fadiga física. Ele representa um estado de espírito, uma sensação de vazio e frustração diante da vida. É o resultado de uma busca incessante por algo que nunca é encontrado, de paixões que se esgotam e de desejos que não se realizam.

03 – Qual a relação entre o "cansaço" e as paixões e desejos do eu lírico?

      As paixões e os desejos do eu lírico são a causa do seu cansaço. A busca incessante por sensações intensas, por amores perfeitos e por experiências únicas levam a um desgaste emocional e existencial. O eu lírico se sente exausto por ter vivido intensamente, mas sem encontrar a felicidade plena.

04 – Como o eu lírico se diferencia dos outros idealistas?

      O eu lírico se diferencia dos outros idealistas por não se prender a ideias abstratas como o infinito ou o impossível. Ele busca o prazer no momento presente, valoriza o finito e reconhece a importância de desejar o que é possível. No entanto, mesmo com essa postura mais realista, ele ainda sente um profundo cansaço.

05 – Qual o significado da repetição da palavra "cansaço" no poema?

      A repetição da palavra "cansaço" enfatiza a intensidade desse sentimento e a sua centralidade no poema. Ela cria um ritmo hipnótico e reforça a ideia de que o cansaço é uma condição constante e inevitável para o eu lírico.

06 – Qual a mensagem principal do poema?

      A mensagem principal do poema é a reflexão sobre a condição humana e a busca por significado na vida. O eu lírico expressa a frustração diante da impossibilidade de encontrar a felicidade plena e a sensação de que a vida é marcada pela busca incessante por algo que sempre está além do alcance.

07 – Como o poema se relaciona com a obra de Fernando Pessoa?

      O poema "O que há em mim é sobretudo cansaço" é um exemplo da heteronímia de Fernando Pessoa. Através do heterônimo Álvaro de Campos, o poeta expressa um sentimento de angústia e desilusão diante da vida moderna, marcada pela busca por prazer e pela valorização do individualismo. Esse poema, assim como outros de Álvaro de Campos, revela a complexidade da obra de Fernando Pessoa e a sua capacidade de explorar diferentes facetas da condição humana.

 

 

POEMA: DA LÂMPADA NOTURNA - FERNANDO PESSOA - COM GABARITO

 Poema: Da lâmpada noturna

             Fernando Pessoa

Da lâmpada noturna

A chama estremece

E o quarto alto ondeia.

 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiy1UMulwh02LFueJgpDPzsx-e9ySK2ENsac9F9Yz5NlRpz-xHdtjML8VvA1u7uxXIDgWwJoOEfiaUmQOP_7CTIwzfbfne_QVSRnRsDGiTt6KOvSemXc3AvVI9nU6WeUkalFm3pBCX-kvUQp_4Y4k3I57e-ac5vWl7xISjLm0o3GrpkUlDxiBSZu115F1w/s1600/LUZ.jpg

Os deuses concedem

Aos seus calmos crentes

Que nunca lhes trema

A chama da vida

Perturbando o aspecto

Do que está em roda,

Mas firme e esguiada

Como preciosa

E antiga pedra,

Guarde a sua calma

Beleza contínua.

PESSOA, Fernando. Obra poética. (Odes de Ricardo Reis). Rio de Janeiro: José Aguilar, 1969, p. 263.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 95.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal imagem utilizada no poema e o que ela representa?

      A imagem central do poema é a chama da lâmpada noturna. Essa chama representa a vida humana, sua fragilidade e sua constante luta pela estabilidade. A chama que treme simboliza os momentos de incerteza e perturbação que todos experimentamos, enquanto a chama firme representa a busca por uma vida serena e equilibrada.

02 – Qual a relação entre a chama da lâmpada e a vida humana?

      A chama da lâmpada é uma metáfora para a vida humana. Assim como a chama pode tremer e se apagar, a vida também está sujeita a mudanças e incertezas. A busca pela estabilidade da chama representa o desejo humano por uma vida tranquila e sem grandes perturbações.

03 – O que os deuses concedem aos seus calmos crentes?

      Os deuses, nesse contexto, representam uma força superior ou um ideal a ser perseguido. Eles concedem aos seus "calmos crentes" a capacidade de manter a chama da vida firme e constante, sem que ela seja perturbada pelas agitações do mundo exterior. Essa calma é vista como um estado ideal a ser alcançado.

04 – Qual a importância da "calma beleza contínua" para o poema?

      A "calma beleza contínua" é o objetivo final do poema. Ela representa a busca por uma vida harmoniosa e equilibrada, onde a chama da vida queima de forma constante e serena. Essa beleza é vista como algo precioso e a ser preservado ao longo do tempo.

05 – Qual a principal mensagem do poema?

      A principal mensagem do poema é a busca pela serenidade e estabilidade em um mundo marcado pela incerteza. Fernando Pessoa, através da imagem da chama da lâmpada, reflete sobre a fragilidade da vida humana e a importância de cultivar a paz interior. O poema convida o leitor a buscar uma vida mais tranquila e equilibrada, onde a beleza e a serenidade sejam valores primordiais.

 

 

POEMA: CANÇÃO DO AFOGADO - JOSÉ PAULO PAES - COM GABARITO

 Poema: Canção do afogado

             José Paulo Paes

Esta corda de ferro
me aperta a cabeça,
não deixa meus braços
se erguerem no ar.
E o mar me rodeia,
afoga meus olhos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyy_93mBIBe0MxbfwMnlqSgyZ5eE8rCAgcp59MOKrrj-whho3kqk3gVCTpd4hgZ56XOXgLCAfPvXdYA_WK-VhY0ChwzRfnW5zWfJbzb0tr4ukzbqMmwfWWUiVyvbibhf3K7iwDUOzh0B7MqooxVhmXKLfSGPEO1fT8xBF8WO56O8QpGft9IXLyTjS_DnQ/s320/Foto-l%C3%A1grima.jpg


Maninha me salve
não posso chorar!

Minha mão está presa
na corda de ferro
e os dedos não tocam
a rosa que desce,
que afunda sorrindo
nas águas do mar.

Maninha me salve
não posso nadar!

Algas flutuam
por entre os cabelos,
meus lábios de sangue
palpitam na sombra

e a voz esmagada
não pode fugir.

Maninha me salve
não posso falar!

E a rosa liberta,
a inefável rosa,
vai longe, vai longe.
Um gesto é inútil,
meu grito e meu pranto
inúteis também…

Maninha me salve
que eu vou naufragar!


José Paulo Paes, Os melhores poemas. 3. ed. São Paulo: Global, 2000, p. 59-60.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 91-92.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal metáfora presente no poema e o que ela representa?

      A principal metáfora é a da corda de ferro que aprisiona a cabeça do afogado. Essa corda representa as limitações e o sofrimento do sujeito poético, que se sente aprisionado e incapaz de se libertar de uma situação desesperadora. A corda simboliza a angústia, a falta de liberdade e a impossibilidade de expressar seus sentimentos.

02 – Qual a sensação transmitida pelos versos "Maninha me salve / não posso chorar!"?

      Esses versos transmitem uma profunda sensação de desespero e apelo por socorro. O afogado se volta para a figura materna, a "maninha", buscando conforto e proteção em um momento de extrema vulnerabilidade. A repetição do pedido "Maninha me salve" intensifica a urgência e a angústia da situação.

03 – Qual o significado da rosa no poema?

      A rosa representa a beleza, a vida e a esperança. No entanto, ao afundar nas águas, a rosa adquire um significado ambíguo. Por um lado, ela simboliza a fuga da realidade dolorosa, um desejo de transcender a situação de sofrimento. Por outro lado, a rosa que afunda pode representar a impossibilidade de alcançar a felicidade e a perda da esperança.

04 – Qual o papel da repetição da frase "Maninha me salve"?

      A repetição da frase "Maninha me salve" cria um ritmo intenso e desesperado, enfatizando a angústia do afogado. Essa repetição também revela a incapacidade do sujeito poético de se salvar sozinho, dependendo de um socorro externo que parece não chegar.

05 – Qual a relação entre o título do poema e seu conteúdo?

      O título "Canção do afogado" já antecipa o tema central do poema, que é a sensação de afogamento e a luta pela sobrevivência. A palavra "canção" sugere a expressão de um sofrimento intenso e desesperado através da poesia, enquanto "afogado" evoca a imagem de alguém que está prestes a morrer afogado.

06 – Qual a principal mensagem do poema?

      A principal mensagem do poema é a sensação de impotência diante da morte e do sofrimento. O afogado representa o ser humano em sua fragilidade, enfrentando a angústia da existência e a impossibilidade de escapar da dor. A poesia de José Paulo Paes, nesse caso, nos convida a refletir sobre a condição humana e a finitude da vida.

07 – Como você interpretaria os versos finais "Um gesto é inútil, / meu grito e meu pranto / inúteis também… / Maninha me salve / que eu vou naufragar!"?

      Os versos finais expressam a completa desesperança do afogado. A repetição de "inútil" enfatiza a ineficácia de qualquer tentativa de escapar da situação. O sujeito poético reconhece a impossibilidade de sua própria salvação e se entrega ao destino, reafirmando o pedido desesperado por socorro à "maninha". Esses versos transmitem uma profunda tristeza e a sensação de que a morte é inevitável.

 

 

POEMA: PAIRA À TONA DE ÁGUA - FERNANDO PESSOA - COM GABARITO

 Poema: Paira à tona de água

             Fernando Pessoa

Paira à tona de água

Uma vibração,

Há uma vaga mágoa

No meu coração.

 

Fonte:  https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhFe-xmsZCWX8SPYtjhol1BVI6UYXFfVK2sOreU_WOnbS0ru1-Hdm3PhTErwuw2io5KxInBuAFbdHnVgpZ4H_9Rkiax68V5aqWPkHRawjt1Egm_AuVtRVZKfn6p3-58QQwv1xOe2FKRA3axZuSjRFGWlt00wn01wJ5_KdFobXRDrZ4DXMGU-85cYGyyaXU/s320/CORA%C3%87%C3%83O.jpg

Não é porque a brisa

Ou o que quer que seja

Faça esta indecisa

Vibração que adeja,

 

Nem é porque eu sinta

Uma dor qualquer.

Minha alma é indistinta

Não sabe o que quer.

 

É uma dor serena,

Sofre porque vê.

Tenho tanta pena!

Soubesse eu de quê!...

PESSOA, Fernando. Obra poética. (Poesia de Fernando Pessoa / Cancioneiro). Rio de Janeiro: José Aguilar, 1969, p. 147.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 96.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal sensação evocada pelo poema?

      O poema evoca uma sensação de melancolia e indefinida tristeza. Há uma dor profunda, mas vaga, que paira sobre o eu lírico, como uma vibração na superfície da água. É uma dor que não se manifesta de forma clara ou precisa, mas que permeia todo o poema.

02 – Qual o significado da imagem da água no poema?

      A água, nesse contexto, representa a profundidade do inconsciente e a natureza fluida dos sentimentos. A vibração na superfície da água simboliza a agitação interior do eu lírico, as emoções que se agitam sem encontrar uma forma clara de expressão.

03 – O que a "vaga mágoa" representa para o eu lírico?

      A "vaga mágoa" é uma dor indefinida que permeia a alma do eu lírico. É uma sensação de incompletude e falta, uma saudade de algo que não se sabe exatamente o quê. Essa dor é serena, não é acompanhada de raiva ou revolta, mas sim de uma profunda tristeza.

04 – Por que o eu lírico diz que sua alma é "indistinta"?

      A alma do eu lírico é descrita como "indistinta" porque os sentimentos que a habitam são vagos e indefinidos. Não há uma causa clara para a tristeza, e o eu lírico não consegue identificar com precisão o objeto de sua dor.

05 – Qual a principal mensagem do poema?

      O poema transmite a ideia de que a tristeza pode ser profunda e intensa, mesmo quando não se tem uma razão clara para ela. A dor do eu lírico é universal, pois todos nós experimentamos momentos de melancolia e incompreensão. A mensagem central é a aceitação da dor como parte da experiência humana e a busca por um sentido para essa tristeza.

 

 

POEMA: SATÉLITE - MANUEL BANDEIRA - COM GABARITO

 Poema: Satélite

           Manuel Bandeira

Fim de tarde.
No céu plúmbeo
A Lua baça
Paira
Muito cosmograficamente
Satélite.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg9aFbwL12HWLOCdy11r8WbRKotOTllUdP-EslrRYVnoJMYAAEn9Rp2S5AYs2FRebmIG8XzvcilEw68wJYRMdds4P6OnLwfiZqv1caomVSCiw4-bLMrYcwLZySLoNVm9gs6FdCKz2cmX177u0tfFs6gE7HJManN0wF70vkLRjcOsjQqywXibTWZIW-lrOc/s320/lua-1024x566.png



Desmetaforizada,
Desmitificada,
Despojada do velho segredo de melancolia,
Não é agora o golfão de cismas,
O astro dos loucos e dos enamorados.
Mas tão-somente
Satélite.

Ah Lua deste fim de tarde,
Demissionária de atribuições românticas,
Sem show para as disponibilidades sentimentais!

Fatigado de mais-valia,
Gosto de ti assim:
Coisa em si,
— Satélite.

BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1970. p. 232.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 100-101.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal mudança na percepção da Lua que o poema apresenta?

      A principal mudança é a desmistificação da Lua. O poema a transforma de um objeto de idealização e romantismo, associado a sentimentos como melancolia e amor, para um simples satélite, um corpo celeste com uma função astronômica específica.

02 – Que elementos são utilizados para desconstruir a imagem tradicional da Lua?

      O poema utiliza elementos como "cosmograficamente", "desmetaforizada", "desmitificada" e "despojada do velho segredo de melancolia" para desconstruir a imagem tradicional da Lua. Essas expressões científicas e objetivas contrapõem-se à linguagem poética e emotiva comumente associada à Lua.

03 – Qual a relação entre o eu lírico e a Lua no poema?

      O eu lírico demonstra um certo fascínio pela nova percepção da Lua. Ele expressa satisfação em ver a Lua destituída de suas atribuições românticas, preferindo uma visão mais objetiva e racional do astro.

04 – Que tipo de sentimento o eu lírico expressa em relação à Lua no final do poema?

      No final do poema, o eu lírico expressa um sentimento de satisfação e alívio. Ele se sente "fatigado de mais-valia" e aprecia a Lua em sua simplicidade, como uma "coisa em si".

05 – Qual a importância do título "Satélite" para a compreensão do poema?

      O título "Satélite" resume a nova percepção da Lua apresentada no poema. Ele destaca a função astronômica da Lua, desvinculando-a de qualquer significado simbólico ou emocional. O título é curto e direto, refletindo a objetividade e a simplicidade da nova visão do eu lírico.

 

 

POEMAS: REIKA - OS CINCO HAICAIS - HELENA KOLODY - COM GABARITO

 Poemas: Reika – os cinco haicais

               Helena Kolody

SAUDADES 

Um sabiá cantou.
Longe, dançou o arvoredo.
Choveram saudades.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiq72aX7PrmUkK3WK06A7t9EW-6sQTCA62o8v2Fw3UwqMP5femh_3M336hb945efsUONN6eYmh9hbqSrnJUJeE8dUtkAa3vi5Qbun2fL2Swqj0uIgPwSp7gr9Ezq-cHpA5nZsMgu0WvJTvfW3Qb44MJUDpFg94ogJ7wDC241m2sgI2VRs6TPXUgd_-Pl4E/s1600/ARCO.jpg

Arco-íris

Arco-íris no céu.
Está sorrindo o menino
Que há pouco chorou.

Os tristes

Em seus caramujos,

Os tristes sonham silêncios.

Que ausência os habita?

Flecha de sol.

Flecha de sol

A flecha de sol
pinta estrelas na vidraça.
Despede-se o dia.

Noite

Luar nos cabelos.

Constelações na memória.

Orvalho no olhar.

KOLODY, Helena. Reika. Primeira reimpressão. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, 1994. (Buquinista – Poesia II).

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 97.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal emoção transmitida nos haicais de Helena Kolody?

      A principal emoção transmitida nos haicais de Helena Kolody é a saudade. A autora explora diversos elementos da natureza e da vida cotidiana para expressar esse sentimento, como o canto do sabiá, o arco-íris e o luar.

02 – Qual o papel da natureza nos haicais?

      A natureza desempenha um papel fundamental nos haicais de Helena Kolody, servindo como um espelho das emoções humanas. Ela é utilizada para criar imagens poéticas e transmitir sensações, como a tranquilidade, a tristeza e a esperança. Os elementos naturais, como o arvoredo, o céu, o sol e a lua, são utilizados para simbolizar diferentes estados de espírito.

03 – Qual a relação entre o tempo e a memória nos haicais?

      A relação entre o tempo e a memória é um tema recorrente nos haicais de Helena Kolody. A autora utiliza a passagem do tempo, como o dia que se despede e a noite que chega, para evocar lembranças e reflexões sobre o passado. A memória é vista como um lugar onde os sentimentos e as experiências são guardados e revisitados.

04 – Qual a importância do contraste entre a alegria e a tristeza nos haicais?

      O contraste entre a alegria e a tristeza é utilizado por Helena Kolody para criar uma atmosfera de profundidade e complexidade nos haicais. A autora mostra que a vida é composta por momentos de alegria e tristeza, e que esses sentimentos podem coexistir. O arco-íris que surge após a chuva e o menino que sorri após chorar são exemplos desse contraste.

05 – Como os haicais de Helena Kolody evocam a sensação de paz e serenidade?

      Os haicais de Helena Kolody evocam a sensação de paz e serenidade através da linguagem simples e direta, da observação atenta da natureza e da evocação de imagens poéticas que convidam à reflexão. A autora utiliza um vocabulário rico em sensações e emoções, criando uma atmosfera de tranquilidade e harmonia.

 

POEMA: CONVITE À VIAGEM - HELENA KOLODY - COM GABARITO

 Poema: Convite à viagem

             Helena Kolody

Já se apresta o navio.

A marujada canta.

Marulha e arfa o mar,

O céu palpita. 

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiUGaJ6u2XYiQzqUiRWrNgudoWLgjagfql2k_flN-cjQiu1aCWbvyo1Hm3KdChvio01BX2O_q6wzufcqXCbzDiwGyWvD9cbRfNuNCX62NfHQrUHZ4foEo6QMiVjQIB_3ap2H-to4CK_hyphenhyphenAE4cjJkuJJxQOhKvhzZ6ZWgOyxlgyQHT1W7tGLFqBrVzYiYUs/s320/tipos-de-mar-como-navegar.jpg

Deixa esse continente inóspito que habitas.

Iça teu sonho – vela branca – em altos mastros

E singra, solitário, rumo aos astros.

 

Nem tempo nem espaço a perturbar a viagem...

Navegas ao sabor do pensamento

Por águas infinitas.

KOLODY, Helena. Viagem no espelho. Curitiba: Criar edições, 1988, p. 135.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 92.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal metáfora utilizada no poema e o que ela representa?

      A principal metáfora é a da viagem marítima. O navio, o mar, os mastros e os astros simbolizam a jornada da vida, a busca por novos horizontes e a descoberta de si mesmo. A viagem marítima representa uma metáfora para a jornada interior, a busca por conhecimento e a superação de obstáculos.

02 – Qual o significado da frase "Deixa esse continente inóspito que habitas"?

      Essa frase convida o leitor a abandonar a zona de conforto e a rotina, a deixar para trás tudo aquilo que o limita e o impede de crescer. O "continente inóspito" simboliza a vida monótona e sem desafios, que não permite o desenvolvimento pessoal.

03 – Qual o papel do sonho na poesia?

      O sonho é apresentado como a força motriz da viagem. A "vela branca" que é içada em altos mastros representa a esperança, os objetivos e os desejos do indivíduo. O sonho guia o poeta em direção a um futuro incerto, mas cheio de possibilidades.

04 – Qual a importância do mar e dos astros na construção do poema?

      O mar simboliza o inconsciente, o desconhecido e o infinito. Ele representa as profundezas da alma e as possibilidades ilimitadas da vida. Os astros, por sua vez, simbolizam os sonhos, os ideais e os objetivos a serem alcançados. O mar e os astros juntos criam um cenário grandioso e inspirador para a jornada poética.

05 – Qual a principal mensagem do poema?

      A principal mensagem do poema é um convite à aventura interior. Helena Kolody incentiva o leitor a abandonar a zona de conforto e a embarcar em uma jornada de autoconhecimento. A poesia celebra a liberdade, a busca por novos horizontes e a importância de seguir os próprios sonhos. O poema nos convida a navegar pelas águas da vida, guiados pela nossa intuição e pelos nossos desejos mais profundos.

 

 

 

POEMA: RECEITA DE PÃO - ROSEANA MURRAY - COM GABARITO

 Poema: RECEITA DE PÃO

             Roseana Murray

É coisa muito antiga
o ofício do pão
primeiro misture o fermento
com água morna e açúcar
e deixe crescer ao sol

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhWqn97FrbbXQ16nGbCqlzMCGtvSNXhgse_KA7oEo1gbzkkgtEeW2YSgC1Ny0yiWD3qSbWmY7nq1tRNGTH6pGUk0fcz05EDGpk5MbSMIwNaNDDtIlwPH0Ju6ss_1lSJeH6KS8moWvby6VFK9B28_jwukAI0k_U7H2IACxBEbraw6m3fRrLpPeQ4_w0O1Po/s1600/PAO.jpg


depois numa vasilha
derrame a farinha e o sal
óleo de girassol manjericão

adicionado o fermento
vá dando o ponto com calma
água morna e farinha

mas o pão tem seus mistérios
na sua feitura há que entrar
um pouco da alma do que é etéreo

então estique a massa
enrole numa trança
e deixe que descanse
que o tempo faça a sua dança

asse em forno forte
até que o perfume do pão
se espalhe pela casa e pela vida.

MURRAY, Roseana. Receitas de olhar. São Paulo: FTD, 1997.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 101.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal metáfora utilizada no poema?

      A principal metáfora do poema é a comparação entre o processo de fazer pão e a vida. O ato de misturar ingredientes, esperar que a massa cresça e levá-la ao forno é associado ao ciclo da vida, com seus momentos de crescimento, transformação e realização.

02 – Que elementos da natureza são mencionados no poema e qual o seu significado?

      O poema menciona o sol e o tempo. O sol representa a energia vital e o calor que permitem o crescimento da massa, assim como a luz do sol é essencial para a vida. O tempo, por sua vez, simboliza a paciência e a espera necessárias para que a massa amadureça e o pão esteja pronto.

03 – Qual a importância do fermento na receita e no contexto do poema?

      O fermento é um elemento fundamental na receita de pão, pois é ele que faz a massa crescer. No contexto do poema, o fermento pode ser visto como uma metáfora para a alma, a parte intangível que dá vida e sabor ao pão. Assim como o fermento transforma a massa, a alma transforma a vida.

04 – Qual o significado da frase "mas o pão tem seus mistérios"?

      A frase "mas o pão tem seus mistérios" sugere que a criação do pão é um processo que vai além da simples combinação de ingredientes. Há um elemento de magia e mistério envolvido, algo que não pode ser completamente explicado por uma receita. Essa frase também pode ser interpretada como uma referência à complexidade da vida, com seus mistérios e incertezas.

05 – Qual a mensagem principal do poema?

      A mensagem principal do poema é que a vida, como o pão, é um processo que exige tempo, cuidado e um toque de alma. O poema celebra a simplicidade e a beleza dos atos cotidianos, como fazer pão, e nos convida a apreciar os frutos do nosso trabalho e da passagem do tempo. Além disso, o poema sugere que a vida é uma jornada de transformação e crescimento, e que cada um de nós carrega em si um potencial para criar algo belo e significativo.