sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

CONTO: A MÁSCARA DA MORTE RUBRA - EDGAR ALLAN POE - COM GABARITO

 CONTO: A máscara da Morte Rubra

              Edgar Allan Poe

Por muito tempo a “Morte Rubra” devastara o país. Jamais pestilência alguma fora tão mortífera ou tão terrível. O sangue era seu avatar e seu sinal — a vermelhidão e o horror do sangue. Surgia com dores agudas, súbitas vertigens; depois, vinha profusa sangueira pelos poros e a decomposição. As manchas vermelhas no corpo, em particular no rosto da vítima, estigmatizavam-na, isolando-a da compaixão e da solidariedade de seus semelhantes. A irrupção, o progresso e o desenlace da moléstia eram coisa de apenas meia hora.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhVtIFj_c7kmittRzjeHrcoDuTb-Kt5MwtiAMURkQj6yapXPkQVDtmroctMcu3mus5GzxrGMZRnpVGLeN4oHac2mzd4xR4v6z2F0DOnfZN6UDNvCCsWGi-TSFPZJMsXB1sYQaWvb2Ko1N4l7sbBEZrQxB-_TP4rBSxu_hgtglSdOQBY3EiBLr_ScKU3pt8/s1600/morte.jpg


Mas o príncipe Próspero sabia-se feliz, intrépido e sagaz. Quando seus domínios começaram a despovoar-se, chamou à sua presença um milheiro de amigos sadios e frívolos, escolhidos entre os fidalgos e damas da corte, e com eles se encerrou numa de suas abadias fortificadas. Era um edifício vasto e magnífico, criação do gosto excêntrico, posto que majestoso, do próprio príncipe. Forte e alta muralha, com portões de ferro, cercava-o por todos os lados. Uma vez lá dentro, os cortesãos, com auxílio de forjas e pesados martelos, rebitaram os ferrolhos, a fim de cortar todos os meios de ingresso ao desespero dos de fora, e de escape, ao frenesi dos de dentro. A abadia estava amplamente abastecida. Com tais precauções, podiam os cortesãos desafiar o contágio. O mundo externo que se arranjasse. Por enquanto, era loucura pensar nele ou afligir-se por sua causa. O príncipe tomara todas as providências para garantir o divertimento dos hóspedes. Contratara bufões, improvisadores, bailarinos, músicos. Beleza, vinho e segurança estavam dentro da abadia. Além de seus muros, campeava a “Morte Rubra”.
Ao fim do quinto ou sexto mês de reclusão, quando mais furiosamente lavrava a pestilência lá fora, o príncipe Próspero decidiu entreter seus amigos com um baile de máscaras de inédita magnificência.

Que cena voluptuosa, essa mascarada! Mas me permitam, primeiramente, falar das salas em que se realizou. Era uma série imperial de sete salões. Na maioria dos palácios, tais séries formam longas perspectivas em linha reta, as portas abrindo-se de par em par, possibilitando a visão de todo o conjunto. Aqui, o caso era diverso, como se devia esperar do gosto bizarro do duque. Os apartamentos estavam dispostos de forma tão irregular que a vista abarcava pouco mais de um por vez. A cada vinte ou trinta metros, havia um cotovelo brusco, proporcionando novas perspectivas. À direita e à esquerda, no meio de cada parede, uma alta e estreita janela gótica abria-se para o corredor fechado que acompanhava as sinuosidades do conjunto. Essas janelas estavam providas de vitrais cuja cor variava de acordo com o tom predominante da decoração da sala para a qual davam. A sala da extremidade oriental, por exemplo, fora decorada em azul, e intensamente azuis eram suas janelas. A segunda sala tinha ornamento e tapeçarias purpúreas; purpúreas eram as vidraças. A terceira fora pintada de verde, sendo também verdes as armações das janelas. A quarta havia sido decorada e iluminada de alaranjado; a quinta, de branco; a sexta, de violeta. O sétimo aposento estava completamente revestido de veludo preto, que, pendendo do teto e ao longo das paredes, caía em dobras pesadas sobre um tapete de mesmo estofo e cor. Nesse aposento, entretanto, a cor das janelas não correspondia à das decorações. Suas vidraças eram vermelhas, de uma escura tonalidade sanguínea. Cumpre notar que em nenhum dos aposentos havia lâmpada ou candelabro pendendo do teto ricamente ornamentado a ouro. Luz alguma emanava de lâmpada ou candelabro em qualquer das salas. Contudo, nos corredores que as acompanhavam, em frente de cada janela, havia um pesado trípode a sustentar um braseiro cuja luz, filtrando-se através dos vitrais, iluminava o aposento, ocasionando uma infinidade de vistosas e fantásticas aparências. Na sala negra, porém, o clarão, infletindo sobre as negras cortinas através dos vitrais sanguíneos, produzia um efeito extremamente lívido e dava aparência tão estranha à fisionomia dos que ali entrassem que poucos tinham coragem de atravessar-lhe o umbral.
Era nesse mesmo aposento que havia, encostado à parede oeste, um gigantesco relógio de ébano. Seu pêndulo ia e vinha num tique-taque lento, pesado, monótono. Quando o ponteiro dos minutos completava a volta do mostrador e a hora estava para soar, saía dos brônzeos pulmões do relógio um som limpo, alto, agudo, extremamente musical, mas de ênfase e timbre tão peculiares que, a cada intervalo de hora, os músicos da orquestra viam-se constrangidos a interromper momentaneamente a execução para ouvi-lo. Nesses momentos, era forçoso que os dançarinos parassem de dançar, e um breve desconcerto se apoderava da alegre companhia. Enquanto vibrava o carrilhão do relógio, os mais afoitos empalideciam, e os mais idosos e sensatos passavam a mão pela fronte, como em sonho ou meditação confusa. Tão logo se esvaíam os ecos, um riso ligeiro percorria a assembleia. Os músicos se entreolhavam, sorrindo da própria nervosidade e loucura, fazendo juras sussurradas, uns aos outros, de que o próximo carrilhonar do relógio não mais produziria neles tal comoção. Todavia, sessenta minutos mais tarde (que abrangem três mil e seiscentos segundos do tempo que voa), quando vinha outro carrilhonar do relógio, de novo se dava o mesmo desconcerto, o mesmo tremor, a mesma meditação de antes.
A despeito de tudo isso, a folia ia alegre e magnífica. Os gostos do duque eram originais. Tinha ele olho esperto para cores e efeitos. Desprezava as maneiras da moda em vigor. Seus projetos eram audazes e vivos; suas concepções esplendiam de um lustro bárbaro. Muitos acreditariam tratar-se de um louco. Seus adeptos, porém, sabiam que não. Era preciso ouvi-lo, vê-lo e tocá-lo para assegurar-se de seu juízo perfeito.
Em grande parte, ele comandara pessoalmente a caprichosa decoração das salas para a grande fête; sob sua orientação, haviam sido escolhidas as fantasias. Sem dúvida, elas eram grotescas. Havia muito brilho, muita pompa, muita coisa fantástica, muito daquilo que, desde então, pode-se ver em Hernani. Havia figuras arabescas, com membros e adornos desproporcionados. Havia fantasias delirantes, invenções de louco. Havia muito de belo, de atrevido, de bizarro, algo de terrível, capaz em não pouca medida de provocar aversão. Para lá e para cá, nas sete salas, movimentava-se uma multidão de sonhos. E esses sonhos andavam de um canto a outro, impregnando-se do colorido das salas, fazendo a música extravagante da orquestra soar como o eco de seus passos. Mas logo cantava o relógio de ébano na sala aveludada; por um momento, tudo se fazia imobilidade e silêncio, perturbado apenas por aquela voz. Os sonhos paravam, retesados. Porém, quando os ecos do carrilhão se esvaíam — tinham durado apenas um instante —, um frouxo de riso os acompanhava. E, mais uma vez, a música era reiniciada, os sonhos tornavam a viver e a circular mais alegremente que nunca, banhados pelas cores que a luz dos trípodes, atravessando os vitrais, projetava sobre eles. Entretanto, à última das sete salas, ninguém se aventurava, porque, avançando a noite, a luz filtrada pelas rubras vidraças fazia-se mais sanguínea; e a negrura dos panejamentos causava medo. Aqueles cujos pés pisassem o tapete veludoso ouviriam o som abafado do relógio, e o ouviriam mais solenemente enfático que os convivas dos demais salões.
Esses outros salões estavam cheios de gente; neles, pulsava febril o coração da vida. E a folia continuou, rodopiante, até que o relógio começou a bater meia-noite. A música parou, como já descrevi; acalmou-se o rodopio dos dançarinos; e, como antes, uma constrangida imobilidade tomou conta de todas as coisas. Doze foram as badaladas; por isso, os que meditavam entre os foliões tiveram tempo de meditar mais longa e profundamente. E antes que se esvanecesse o eco da última badalada, muitos dos convivas puderam perceber a presença de um novo mascarado, que, até então, não atraíra as atenções. Entre murmúrios, propagou-se a notícia da nova presença; elevou-se da companhia um zum-zum, um rumor de desaprovação e surpresa, a princípio; de terror, de horror e de náusea, depois.
Numa assembleia de fantasmas, como a que descrevi, era de supor que tal agitação não seria causada por aparição vulgar. Na realidade, a licença carnavalesca da noite fora praticamente ilimitada, mas o novo mascarado excedia em extravagância ao próprio Herodes; ultrapassava, inclusive, os indecisos limites de decoro impostos pelo príncipe. Há fibras no coração dos mais levianos que não podem ser tocadas impunemente. Mesmo para os pervertidos, para quem vida e morte são brinquedos igualmente frívolos, há assuntos sobre os quais não se admitem brincadeiras. Todos os presentes pareciam se dar conta de que, nos trajes e nas atitudes do estranho, nada havia de espirituoso ou de conveniente. Alto e lívido, vestia uma mortalha que o cobria da cabeça aos pés. A máscara que lhe escondia as feições imitava com tanta perfeição a rigidez facial de um cadáver que nem mesmo a um exame atento se perceberia o engano. E, no entanto, tudo isso seria, se não aprovado, ao menos tolerado pelos presentes, não fora a audácia do mascarado em disfarçar-se de Morte Rubra. Suas vestes estavam salpicadas de sangue; sua ampla fronte, assim como toda a face, fora borrifada com horrendas manchas escarlates.
Quando os olhos do príncipe Próspero caíram sobre aquela figura espectral (que, para melhor representar seu papel, caminhava entre os dançarinos com passos lentos e solenes), viram-no ser tomado de convulsões e arrepios de terror ou asco, no primeiro instante; logo depois, porém, seu rosto congestionou-se de raiva.
— Quem se atreve — perguntou roucamente aos cortesãos que o cercavam —, quem se atreve a insultar-nos com essa brincadeira blasfema? Agarrem-no, desmascarem-no! Assim saberemos quem deverá ser enforcado ao amanhecer!

Essas palavras vieram da sala azul, onde se achava o príncipe quando as pronunciou. Ecoavam pelas sete salas, alta e claramente, porque o príncipe era homem destemido e forte, e a música havia cessado, a um gesto seu.
Vieram da sala azul, onde estava o príncipe, rodeado de cortesãos empalidecidos. No primeiro momento que se seguiu à fala do príncipe, houve um ligeiro movimento de avanço do grupo em direção ao intruso. Este se achava perto e, com passos deliberados e firmes, aproximou-se do anfitrião. Mas, devido ao indefinível terror produzido pelo mascarado no ânimo de todos, ninguém se atreveu a agarrá-lo. Sem empecilho, ele se afastou, passando a um metro do lugar onde estava o príncipe. À sua passagem, toda a vasta assembleia, como que movida pelo mesmo impulso, afastou-se do centro das salas para as paredes, e o mascarado pôde seguir seu caminho com desembaraço, e com os mesmos passos solenes e medidos com que passara da sala azul à vermelha, da vermelha à verde, da verde à alaranjada, desta para a branca, e para a violeta, sem que nenhum dos circunstantes tivesse esboçado um gesto para detê-lo. Foi quando, louco de raiva e vergonha da própria e momentânea covardia, o príncipe Próspero cruzou apressadamente as seis salas, sem ninguém a segui-lo: o terror se apoderara de todos. Brandindo o punhal, avançava impetuosa e rapidamente; já estava a três ou quatro passos do vulto que se retirava, quando este, atingindo a extremidade da sala aveludada, virou-se bruscamente e enfrentou seu perseguidor. Nesse instante ouviu-se um grito agudo, e o punhal caiu cintilante no tapete negro, sobre o qual tombou também, instantaneamente e ferido de morte, o príncipe Próspero. Recorrendo à selvática coragem do desespero, um grupo de foliões correu para a sala negra e, agarrando o mascarado, cuja alta figura permanecia ereta e imóvel à sombra do relógio de ébano, detiveram-se eles, horrorizados, ao descobrir que a mortalha e a máscara mortuária que tão rudemente haviam agarrado não continham nenhuma forma tangível.
Só então se reconheceu a presença da Morte Rubra. Viera como um ladrão na noite. E, um a um, caíram os foliões nos ensanguentados salões da orgia, e morreram, conservando a mesma desesperada postura da queda. E a vida do relógio de ébano extinguiu-se simultaneamente com a do último dos foliões. E as chamas dos trípodes apagaram-se. E a Escuridão, a Ruína e a Morte Rubra estenderam seu domínio ilimitado sobre tudo.

– Edgar Allan Poe [tradução de José Paulo Paes]. no livro “A causa secreta: e outros contos de horror”. (Vários autores). São Paulo: Boa Companhia, 2013.

Entendendo o texto

01. Com base no título foram levantadas hipóteses sobre Morte Rubra. Elas foram confirmadas pela leitura da narrativa? Explique.

Resposta Pessoal.

O título faz referência ao baile de máscaras organizado pelo Príncipe Próspero na abadia e à misteriosa figura que, na festa, supostamente utiliza uma máscara manchada de sangue.

No fim do conto, indica-se que a figura era a própria Morte Rubra ou a Morte.

02. Complete com os seguintes momentos da narrativa.

Situação inicialA morte Rubra devastava o país.

Resolução inicialO Príncipe Próspero escolhe mil pessoas e se isola com elas dentro da abadia.

Situação de aparente equilíbrioO Príncipe vive de forma tranquila e confortável e decide dar um baile de máscaras.

ConflitoUma figura misteriosa é percebida no baile.

Clímax Ao desafiá-la, o Príncipe cai morto. Os demais convidados procuram agarrar a figura mascarada.

Desfecho A Morte Rubra leva todos os reclusos na abadia à morte.

03. No conto, Morte Rubra é uma peste. Sobre ela responda:

a)   Quais eram os sintomas dessa doença?

Ela provocava dores agudas e intensa tontura; também fazia as pessoas sangrarem até a morte que ocorria rapidamente.         

b)   Leia estas características usuais às pestes.

Qual não se aplica à do conto?

I – Doença contagiosa que causa infecção.

II – Epidemia que causa um surto de uma doença.

III- Algo mordido, funesto, que lembra a morte.

IV – Fedor, cheiro horrível e insuportável.

04 Por que o Príncipe se isola com certas pessoas em uma abadia fortificada?

      Porque à Morte Rubra está matando praticamente toda a população do país.                                                                    

          05. Qual a principal motivação do Príncipe Próspero ao isolar-se na abadia com seus amigos?

a) Proteger-se e aos seus amigos da praga que assolava o país.

b) Fugir de seus deveres como governante.

c) Realizar experimentos científicos sobre a doença.

d) Organizar uma grande festa para esquecer os problemas do mundo exterior.

      06. A figura mascarada que aparece no baile representa:

a) Um convidado excêntrico que exagerou na fantasia.

b) A personificação da morte que a peste representava.

c) Um espírito vingativo que buscava vingança contra o príncipe.

d) Um símbolo da decadência da sociedade aristocrática.

     07. A descrição detalhada das salas e da festa no conto tem como objetivo principal:

a) Mostrar a riqueza e o poder do príncipe.

b) Criar uma atmosfera de opulência e decadência que contrasta com a ameaça da morte.

c) Distrair o leitor dos elementos mais sombrios da história.

d) Demonstrar o bom gosto do autor em relação à decoração.

      08. O relógio de ébano presente na sala negra simboliza:

a) O inexorável passar do tempo e a inevitabilidade da morte.

b) A obsessão do príncipe pelo controle do tempo.

c) Um instrumento musical que marca o ritmo da festa.

d) Um objeto de culto para os convidados.

      09. Qual o significado da morte do Príncipe Próspero e dos seus convidados?

a) Uma punição divina por sua arrogância e isolamento.

b) A inevitabilidade da morte, que alcança todos, independentemente de suas riquezas ou poder.

c) Um castigo por terem se divertido durante uma epidemia.

d) Uma metáfora para o fim da sociedade aristocrática.

   10. Qual é a principal característica da Morte Rubra e como ela afeta suas vítimas?

        A principal característica da Morte Rubra é a hemorragia intensa e manchas vermelhas no corpo, especialmente no rosto, que simbolizam o horror da doença. Ela surge com dores agudas, vertigens e avança rapidamente, levando à morte em apenas meia hora.

   11. Por que o príncipe Próspero decide se isolar em uma abadia com seus convidados?

      O príncipe Próspero se isola na abadia para escapar da devastação da Morte Rubra que assolava o país. Ele leva consigo um grupo seleto de amigos nobres, acreditando que, ao se trancar em um ambiente seguro e abastecido, poderia evitar o contágio e continuar a viver em luxo e diversão.

 12. Qual é o simbolismo das sete salas e suas cores no baile de máscaras?

     As sete salas representam as etapas da vida humana, com as cores simbolizando diferentes fases, desde o início (sala azul) até o fim (sala preta). A sala preta, com suas janelas vermelhas e o relógio de ébano, simboliza a morte inevitável e o fim do ciclo da vida, provocando medo nos convidados.

13. Qual o papel do relógio de ébano no conto?

      O relógio de ébano marca o passar do tempo e serve como lembrete constante da mortalidade. Suas badaladas interrompem a festa, trazendo desconforto e reflexão, até culminar no momento final da meia-noite, que coincide com a chegada da Morte Rubra.

14. Como o mascarado representa a Morte Rubra e qual é sua mensagem central no conto?

      O mascarado aparece como uma personificação da Morte Rubra, com trajes que imitam as manchas sangrentas da doença. Ele demonstra que a morte é inevitável, não importa a riqueza ou os esforços humanos para escapar dela. A mensagem central é que a morte alcança a todos, independentemente de status ou isolamento.

 

 

 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

NOTÍCIA: TELESSAÚDE PRETENDE MELHORAR PROGRAMAS DE SAÚDE DA FAMÍLIA - (FRAGMENTO) - BRUNO CAPELAS - COM GABARITO

Notícia: Telessaúde pretende melhorar programas de saúde da família – Fragmento

Bruno Capelas Da Agência USP 04/10/2011 09h24

        O Instituto de Matemática e Estatística (IME), junto com a Faculdade de Medicina (FMUSP) e o Centro de Saúde Escola Samuel Pessoa (CSEB), que fica no bairro do Butantã, em São Paulo, uniram-se em parceria e desenvolveram o programa de telessaúde Borboleta, que tem como principal modernizar o serviço de Atenção Domiciliar Primária do CSEB. “Trata-se de um projeto multidisciplinar e que pode trazer um grande benefício a sociedade”, opina Rafael Correia, pesquisador do IME que participou do desenvolvimento do sistema. O Borboleta é um software de código aberto, programado em linguagem Java, que será utilizado pelas equipes do programa de saúde da família do CSEB.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgO0H1a3y2NwrhiyaAieyMnFrYj70VHLy_KGe5CpWlCcL4g7REh8u_HC9FtYnetQruADw50Qqozq5NtdOqWUK3ru7fukRo-O_R2yFwMsL8yfhBTqkh4UxogiPrlQW7OiGQvJg8e0JOzVJfDxAiNhPEORps_l4g5xgwzyB0FLOdHWFSHOW3ShDblOU2dB3E/s320/BORBOLETA.jpg


        O projeto visa otimizar não só o registro dos acompanhamentos, mas também o agendamento de visitas, anteriormente feito sem um controle mais efetivo, além da criação de um catálogo de doenças e de um sistema de controle da demanda por medicamentos. [...]

http://www.noticia.uol.com.br.

Entendendo a notícia:

01 – Quais instituições estão envolvidas no desenvolvimento do programa Telessaúde Borboleta?

      O programa Telessaúde Borboleta é uma iniciativa conjunta do Instituto de Matemática e Estatística (IME), da Faculdade de Medicina (FMUSP) e do Centro de Saúde Escola Samuel Pessoa (CSEB) da Universidade de São Paulo (USP). Essa parceria interdisciplinar reúne expertise em diferentes áreas, como tecnologia da informação, saúde e gestão.

02 – Qual o objetivo principal do programa Telessaúde Borboleta?

      O objetivo principal do programa é modernizar o serviço de Atenção Domiciliar Primária do Centro de Saúde Escola Samuel Pessoa (CSEB). Através do software Borboleta, busca-se otimizar os processos de registro de acompanhamentos, agendamento de visitas, criação de um catálogo de doenças e controle da demanda por medicamentos, proporcionando uma gestão mais eficiente e eficaz dos serviços de saúde.

03 – Quais as principais funcionalidades do software Borboleta?

      O software Borboleta oferece diversas funcionalidades para otimizar o atendimento aos pacientes, como:

      Registro de acompanhamentos: Permite o registro detalhado das visitas domiciliares e do estado de saúde dos pacientes.

      Agendamento de visitas: Facilita o planejamento e a organização das visitas domiciliares, evitando falhas e otimizando o tempo dos profissionais de saúde.

      Catálogo de doenças: Auxilia na identificação e no acompanhamento das doenças mais comuns, facilitando o diagnóstico e o tratamento.

      Controle da demanda por medicamentos: Permite um controle mais preciso da necessidade de medicamentos, evitando a falta ou o excesso de remédios.

04 – Qual a importância do código aberto para o programa Borboleta?

      O fato do software Borboleta ser de código aberto significa que o código fonte está disponível para que qualquer pessoa possa visualizar, modificar e distribuir o software. Essa característica permite que o programa seja customizado e adaptado às necessidades de diferentes instituições de saúde, além de facilitar a colaboração entre desenvolvedores e a criação de novas funcionalidades.

05 – Quais os benefícios esperados com a implementação do programa Telessaúde Borboleta?

      A implementação do programa Telessaúde Borboleta pode trazer diversos benefícios para os pacientes e profissionais de saúde, como:

      Melhoria na qualidade do atendimento: Através da organização e do acompanhamento mais eficiente dos dados dos pacientes.

      Otimização dos recursos: Redução de custos e otimização do uso de medicamentos.

      Facilitação do trabalho dos profissionais de saúde: Automação de tarefas administrativas e maior tempo disponível para o atendimento aos pacientes.

      Ampliação do acesso aos serviços de saúde: Facilita o acompanhamento de pacientes em suas casas, reduzindo a necessidade de deslocamento.

      Promoção da inovação: O código aberto permite a criação de novas funcionalidades e a adaptação do software às necessidades em constante mudança do setor de saúde.

 

 

CRÔNICA: NOTÍCIA DE JORNAL - FERNANDO SABINO - COM GABARITO

 Crônica: Notícia de Jornal

              Fernando Sabino

        Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, trinta anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante setenta e duas horas, para finalmente morrer de fome.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi8EvbercfLXZZogrdQEWgpPxOpNSQXbK0HtaV2krSewN3KEU5zGXyzlG8KeskDUXI4uo5werUoJAEoRXjBBP6GTERi4dAnJR6QXyuZe2VnHLWM0i7TVV-hvpoK7r8kFi5aXxvVlicVFbsdyd34prcW-Y-PbLuPshTKBe-goZu6J5aBrIqnz6uEqd5T9YI/s320/JORNAL.jpg


        Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos de comerciantes, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.

        Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem de fome. E o homem morreu de fome.

        O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Médico Legal sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome. Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa – não é homem. E os outros homens cumprem deu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas todos passam, ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.

        Não é de alçada do comissário, nem do hospital, nem da radiopatrulha, por que haveria de ser da minha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.

        E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o corpo do homem. Deviam deixar que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.

        E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição em plena rua, no centro mais movimentado da cidade do Rio de Janeiro, um homem morreu de fome.

        Morreu de fome.

Fernando Sabino, A Mulher do Vizinho, 1997.

Entendendo a crônica:

01 – Qual a principal crítica social presente na crônica?

      A principal crítica social presente na crônica é a indiferença da sociedade diante da morte de um homem por fome em plena cidade. Sabino denuncia a desumanização e a falta de empatia das pessoas, que preferem ignorar o sofrimento alheio. A crônica questiona os valores da sociedade e a ausência de solidariedade.

02 – Como a repetição da frase "morreu de fome" contribui para o efeito da crônica?

      A repetição da frase "morreu de fome" reforça a ideia da morte como um fato banal e corriqueiro, desumanizando a vítima. A repetição cria um efeito de choque e indignação, denunciando a crueldade da situação.

03 – Qual o papel dos personagens secundários (comerciantes, autoridades, passantes) na história?

      Os personagens secundários representam a sociedade como um todo, com suas diferentes reações diante da morte do homem. Os comerciantes simbolizam a preocupação com o próprio bem-estar e a busca por soluções práticas para problemas que os incomodam. As autoridades representam a burocracia e a falta de responsabilidade, enquanto os passantes simbolizam a indiferença e a apatia da maioria.

04 – Qual a importância da caracterização física do homem que morreu de fome?

      A caracterização física do homem é intencionalmente vaga, destacando sua condição de ser humano anônimo e descartável. A falta de detalhes sobre sua identidade reforça a ideia de que ele representa todos os marginalizados e excluídos da sociedade.

05 – Qual a relação entre o título da crônica e seu conteúdo?

      O título "Notícia de Jornal" é irônico, pois a morte por fome é apresentada como uma notícia comum, sem a devida importância e comoção. A crônica denuncia a banalização da morte e a insensibilidade da sociedade diante do sofrimento humano.

06 – Qual o efeito da linguagem utilizada por Fernando Sabino na crônica?

      A linguagem utilizada por Sabino é direta, objetiva e impactante. A repetição de frases e a ausência de adjetivos emotivos reforçam o caráter denunciatório da crônica. A linguagem clara e concisa contribui para a compreensão do leitor e o choca com a realidade apresentada.

07 – Qual a mensagem principal que a crônica transmite?

      A mensagem principal da crônica é um chamado à reflexão sobre a condição humana e a importância da solidariedade. Sabino nos convida a questionar nossos valores e atitudes, denunciando a indiferença e a desumanização presentes na sociedade. A crônica nos lembra que cada vida tem valor e que somos responsáveis pelo bem-estar do próximo.

 

POEMA: O DOMADOR - MÁRIO DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poema: O Domador

             Mário de Andrade

Alturas da Avenida. Bonde 3.
Asfaltos. Vastos, altos repuxos de poeira
sob o arlequinal do céu oiro-rosa-verde…
As sujidades implexas do urbanismo.
Filés de manuelino. Calvícies de Pensilvânia.
Gritos de goticismo.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhkQq-7nOjZhII5j6J9FECgR-pvtVa_yMTBHipQtfGlyGK1FIbaW3VOj6s64c2KKlTX6YX0xWEx1ZIlcwWA9GU3ZVZVTA4URmhw85scbFOmkmpnJLKEJyl1ZYBRV7D7iIT2RBGDrZucljjIDSwGcMtRLKbp9G8yOlhV4mvxqT1LQ53xNgr05UUy4QGQ5nk/s320/Bonde_destino_Meyer.jpg


Na frente o tram da irrigação,
onde um Sol bruxo se dispersa
num triunfo persa de esmeraldas, topázios e rubis…
Lânguidos boticellis a ler Henry Bordeaux
nas clausuras sem dragões dos torreões…

Mário, paga os duzentos réis.
São cinco no banco: um branco,
uma noite, um oiro,
um cinzento de tísica e Mário…
Solicitudes! Solicitudes!

Mas… olhai, oh meus olhos saudosos dos ontens
esse espetáculo encantado da Avenida!
Revivei, oh gaúchos paulistas ancestremente!
e oh cavalos de cólera sanguínea!

Laranja da China, laranja da China, laranja da China!
Abacate, cambucá e tangerina!
Guarda-te! Aos aplausos do esfuziante clown,
heroico sucessor da raça heril dos bandeirantes,
loiramente domando um automóvel!

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal imagem que o poema "O Domador" evoca sobre a cidade?

      O poema evoca uma imagem da cidade como um espaço caótico e contrastante, repleto de movimento, cores vibrantes e elementos que representam a modernidade e a tradição. A Avenida, com seus bondes, asfaltos e multidão, é descrita como um palco onde se misturam o novo e o antigo, o belo e o feio.

02 – Que relação o poema estabelece entre o passado e o presente?

      "O Domador" estabelece uma relação tensa entre o passado e o presente. O eu lírico invoca os "gaúchos paulistas ancestremente" e seus "cavalos de cólera sanguínea" para contrastar com a figura do "esfuziante clown" que "loiramente domando um automóvel". Essa oposição revela uma nostalgia pelo passado e uma crítica à modernidade, que é vista como uma força que transforma e descaracteriza a identidade.

03 – Quais as principais características do Modernismo presentes no poema?

      "O Domador" é um poema marcadamente modernista por:

      Linguagem coloquial e experimental: O poema utiliza uma linguagem simples e direta, com neologismos e expressões coloquiais, rompendo com a tradição poética.

      Temática urbana: A cidade, com suas contradições e modernidade, é o centro do poema, refletindo a preocupação dos modernistas com a realidade brasileira.

      Valorização da identidade nacional: O poema faz referência à história brasileira, buscando construir uma identidade nacional a partir da mistura de elementos diversos.

      Visão crítica da modernidade: O poema apresenta uma visão crítica da modernização, que é vista como uma força que descaracteriza a identidade e aliena o indivíduo.

04 – Qual o significado da figura do "esfuziante clown" no contexto do poema?

      O "esfuziante clown" representa a figura do homem moderno, que se adapta às novas tecnologias e à vida urbana. Ele é um sucessor dos bandeirantes, mas domina um automóvel em vez de um cavalo. Essa figura simboliza a perda da identidade e a alienação do indivíduo diante das transformações da sociedade.

05 – Qual a importância da cor na construção do poema?

      A cor desempenha um papel fundamental na construção do poema, criando uma atmosfera vibrante e intensa. As cores vivas e contrastantes, como o "ouro-rosa-verde" do céu e as "esmeraldas, topázios e rubis" do sol, reforçam a ideia de uma cidade caótica e em constante movimento. As cores também são utilizadas para simbolizar diferentes aspectos da realidade, como a riqueza, a pobreza e a beleza.

 

MÚSICA(ATIVIDADES): WAVE - TOM JOBIM - COM GABARITO

 Música(Atividades): Wave

                Tom Jobim

Vou te contar
Que os olhos já nem podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho

 
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj_zKaRpON7GpQ0Rw5Y1FbRSPmTw3Vmf_g4yM4qNX-j5tDa1C6icfuFylk8uzacWXPDXL4K5mpfb12vuI346A5EUpn2LyLK-xWTFnX_7AOxVC_PhOSi3M_Zz6vvA9Q5gueK0dZ4qwGaAm3X2DrmaC2j5pCDKTQmexUOTCTrAcJrYG8voxAKgOzbIEV1aDM/s1600/WAVE.jpg

O resto é mar
É tudo que não sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho

Da primeira vez, era a cidade
Da segunda, o cais, a eternidade

Agora eu já sei
Da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver

Composição: Tom Jobim.

Entendendo a música:

01 – Qual a principal mensagem da música "Wave"?

      A principal mensagem da música "Wave" é a importância do amor para a felicidade humana. Tom Jobim enfatiza que o amor é fundamental e que a felicidade plena só pode ser alcançada em companhia, pois "é impossível ser feliz sozinho".

02 – Quais as principais metáforas utilizadas na música?

      A música "Wave" utiliza diversas metáforas para expressar a complexidade dos sentimentos amorosos. As principais são:

      O mar: Representa a vastidão e a profundidade dos sentimentos, assim como as incertezas e os mistérios da vida.

      As estrelas: Simbolizam as infinitas possibilidades e belezas do amor, que muitas vezes passam despercebidas.

      A onda: Representa a força e a renovação que o amor traz, bem como os altos e baixos de um relacionamento.

03 – Qual a importância do tempo na construção da canção?

      O tempo é um elemento fundamental na construção da canção. A letra faz referência a diferentes momentos da experiência amorosa, como "a primeira vez" e "a segunda", sugerindo uma evolução e uma profundidade nos sentimentos. A passagem do tempo é representada pela metáfora da onda que se ergue no mar, simbolizando a dinâmica e a transformação do amor.

04 – Como a música "Wave" se relaciona com a Bossa Nova?

      "Wave" é um clássico da Bossa Nova, um gênero musical brasileiro que se caracteriza pela suavidade, melodias simples e letras poéticas. A canção de Tom Jobim incorpora elementos típicos da Bossa Nova, como a utilização de harmonias sofisticadas, a melodia suave e a letra que explora temas universais como o amor e a vida.

05 – Qual a importância da música "Wave" para a música brasileira?

      "Wave" é considerada uma das mais belas e importantes canções da música brasileira. A obra de Tom Jobim se tornou um ícone da Bossa Nova e é reconhecida mundialmente por sua beleza e profundidade. A canção continua a ser interpretada e apreciada por gerações, consolidando seu lugar como um clássico da música popular brasileira.

 

 

 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

POEMA: AS JANELAS - GUILLAUME APOLLINAIRE - COM GABARITO

 POEMA: AS JANELAS


Todo o amarelo morre do vermelho ao verde
Quando as araras cantam nas florestas nativas

Miúdos de pir-rís
É preciso escrever um poema sobre o pássaro de uma asa só

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEin2h-D0l93RzK2ZJiHoHVe0eatWOp2EeXDZ0FoWLpfAM6i-VqocCPMiAD2NJWVf4wGPMW48DS0rZdOyUaul2kJXhtTGDkZ1jQoaO-g86KPF66C6y4zxgx6Q_D25DdmJLZ0KEW6ND9VWJ7kODSIY4EbxmjQQnkuHO6tFzSssCuWJkQjsv9dwTamWJGPwrg/s320/jANELAS.jpg



Vamos enviar por telefone
Traumatismo gigante
Faz os olhos correrem
Repare naquela moça bonita que passa entre as mulheres de Turim

O pobre rapaz assoa o nariz na sua gravata branca
Você vai erguer a cortina
E eis que a janela se abre
Aranhas quando minhas mãos teciam a luz

Beleza palidez insondáveis violetas
Em vão tentaremos um cochilo
Começaremos à meia-noite
Onde se tem o tempo tem a liberdade

Mexilhões Bacalhau múltiplos Sóis o Ouriço do poente
Um par de velhas botas amarelas na janela
Torres
Torres são ruas

Poços
Poços são praças
Poços
Árvores ocas abrigando mestiços vagabundos

Mulatos cantam cantigas que matam
Mulatos barulhentos
E o ganso trompeteia seu ruá-ruá rumo ao norte
Onde caçadores de guaxinim

Raspam as peles da caça
Vancouver

Diamante brilhante
Onde o trem branco de neve e seus fogos noturnos fogem do inverno

Ô Paris
Todo o amarelo morre do vermelho ao verde
Paris Vancouver Hyères Maintenon New-York Antilhas
A janela se abre como laranja

Bonito fruto da luz


                                                                              GUILLAUME APOLLINAIRE

Entendendo o texto

01. Qual característica modernista mais evidente em "As Janelas"?

      a) A valorização da tradição e dos temas clássicos.

      b) A exploração de temas cotidianos e da linguagem coloquial.

      c) A busca por uma métrica regular e rimas perfeitas.

      d) A idealização da natureza e do homem.

02. Qual a principal função do eu lírico em "As Janelas"?

      a) Narrar uma história de forma objetiva e imparcial.

      b) Expressar seus sentimentos e reflexões de forma subjetiva.

      c) Criar um retrato idealizado do mundo.

      d) Defender uma ideologia política específica.

03. A frase "Todo o amarelo morre do vermelho ao verde" é um exemplo de:

      a) Metáfora

      b) Comparação

      c) Sinestesia

      d) Hipérbole

04. Qual a principal crítica social presente no poema?

      a) A violência contra os animais.

      b) A desigualdade social e a miséria.

      c) A superficialidade da vida moderna.

      d) A alienação causada pela tecnologia.

05. O uso de diversas cidades (Paris, Vancouver, Hyères, Maintenon, New-York, Antilhas) no poema sugere:

     a) Uma nostalgia pelo passado.

     b) Uma crítica à globalização.

     c) Uma sensação de deslocamento e nomadismo.

      d) Uma idealização da vida urbana.

06. A imagem das "aranhas quando minhas mãos teciam a luz" é um exemplo de:

     a) Personificação.

     b) Metáfora.

     c) Comparação.

     d) Sinestesia.

07. Qual o efeito geral produzido pela justaposição de imagens tão diversas no poema?

     a) Uma sensação de harmonia e equilíbrio.

     b) Uma atmosfera de sonho e irrealidade.

     c) Uma crítica à arte tradicional.

     d) Um retrato fragmentado e caótico da realidade.

 

NOTÍCA: LITERATURA DE CORDEL - PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL BRASILEIRO - IPHAN - COM GABARITO

 Notícia: Literatura de Cordel – Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro

        Nossas Analistas de Cultura (Eliana Costa, Iara Souto Costa e Marcelle Pontes) falam sobre a importância da Literatura de Cordel no cenário da cultura nacional. 

        A Literatura de Cordel – gênero literário que recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, no ano de 2018 – teve sua origem por aqui nas regiões Nordeste e Norte, mas hoje já é difundida em todo território nacional, atestando sua relevância cultural para nós brasileiros.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHLlIeB77WsSFJ4rGdw-iHiOwItOUL-fPnI8Ts6wMChFoBhOT4ddMNilWeHu8POKsSBMuT8JObeK021DQlA-aveDeZ9NuyG64H8-bwdI6Tv3_aPeIxophfTUdnbXlbgzxXNgBHe-DIGl5lLmrwoPnqVdlv8aYCd-rOliqDn-7myGhp1k4a6Do7sYQ4nLA/s1600/IPHAN.jpg
 

        Além de gênero literário, o cordel era veículo de comunicação e ofício, garantindo a sobrevivência de muitos cordelistas. Inserido em nossa cultura, no século XIX, tornou-se uma forma de expressão da cultura brasileira, trazendo contribuições da cultura africana, indígena, europeia e árabe, entoando as tradições orais, a prosa e a poesia. O termo “cordel” era principalmente associado à forma editorial dos textos, veiculados em pequenas brochuras impressas em papel barato, vendidas suspensas em cordões de lojas de feiras e mercados.

        Os poetas cordelistas modernos definem o cordel como gênero literário constituído obrigatoriamente de três elementos principais: a métrica, a rima e a oração. Esses elementos associados às xilogravuras, que são as ilustrações das histórias estampadas nas capas dos livretos, formam o Cordel, ou melhor, a Literatura de Cordel, uma fonte de informação da cultura de um povo, de um determinado período e a expressão das próprias histórias criadas pelos cordelistas.

        Ao contrário do que muitos pensam o Cordel não foi criado no Brasil; já existia no período dos povos conquistadores greco-romanos, fenícios, cartagineses, saxões e chegou na Península Ibérica – Portugal e Espanha – por volta do século XVI.

        Por aqui, chegou no balaio dos nossos colonizadores, instalando-se na Bahia, mais precisamente em Salvador, que à época era a capital brasileira. De Salvador, a Literatura de Cordel se difundiu para os outros estados nordestinos, e pouco depois, conquistou todo Brasil.

        Dado seu valor cultural e histórico, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), concedeu à Literatura de Cordel, em setembro de 2018, o título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, sendo alçada a bem cultural de natureza imaterial, patrimonializada pelo valor simbólico e sua representatividade na Cultura Popular Brasileira.

LITERATURA de Cordel – Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. Sesc Rio, set. 2020. Disponível em: www.sescrio.org.br/noticias/cultura/literatura-de-cordel-patrimonio-cultural-imaterial-brasileiro. Acesso em: 31 jan. 2022.

Fonte: Língua Portuguesa. Linguagens – Séries finais, caderno 1. 8º ano – Larissa G. Paris & Maria C. Pina – 1ª ed. 2ª impressão – FGV – MAXI – São Paulo, 2023. p. 07.

Entendendo a notícia:

01 – Qual a principal característica que distingue a Literatura de Cordel de outros gêneros literários?

a) A ausência de rimas e métricas.

b) A origem exclusivamente brasileira.

c) A combinação de texto e xilogravura.

d) A temática exclusivamente religiosa.

02 – Qual foi o principal meio de divulgação da Literatura de Cordel em seus primórdios?

a) Livrarias e bibliotecas.

b) Jornais e revistas.

c) Pequenas brochuras vendidas em cordões.

d) Transmissões radiofônicas.

03 – Qual o papel das xilogravuras na Literatura de Cordel?

a) Apenas ilustrar as capas dos livretos.

b) Complementar o texto, contando outra história.

c) Servir como assinatura dos cordelistas.

d) Ilustrar e enriquecer a narrativa, complementando o texto.

04 – De onde se originou a Literatura de Cordel?

a) Do Brasil, mais precisamente da região Nordeste.

b) Dos povos greco-romanos, fenícios, cartagineses e saxões.

c) Da cultura indígena brasileira.

d) Da cultura africana trazida pelos escravizados.

05 – Qual a importância da Literatura de Cordel para a cultura brasileira, segundo o texto?

a) Preservar a cultura dos povos indígenas.

b) Difundir a religião católica.

c) Expressar a cultura popular brasileira, mesclando diversas influências.

d) Documentar a história da colonização portuguesa no Brasil.

06 – De acordo com o texto, qual o significado da palavra xilogravura?

      Técnica em que se entalha na madeira, com ajuda de um instrumento cortante, a figura ou forma que se pretende imprimir. Após o procedimento, usa-se um rolo de borracha embebida em tinta, tocando só as partes elevadas do entalhe